Este festival leva a nossa missão para o terreno: capacitar e envolver jovens, através dos seus talentos, para a participação cívica nas suas comunidades.
9 de outubro
Escola Básica do Cerco, Porto
Este festival leva a nossa missão para o terreno: capacitar e envolver jovens, através dos seus talentos, para a participação cívica nas suas comunidades. 9 de outubro Escola Básica do Cerco, Porto
3.ª edição do Arraial de Artes e Ofícios 25, 26 e 27 de setembro Largo de S. Teotónio, nº.30, Viseu
Nos dias 18, 19 e 20 de setembro, o Jardim Público de Montemor-o-Novo transforma-se num espaço de encontro, celebração e diversidade cultural. Uma iniciativa da Associação Cultural Sinistra, com o apoio da DGARTES e do Município de Montemor-o-Novo. 18, 19 e 20 de setembro Jardim
Nos dias 18, 19 e 20 de setembro, o Jardim Público de Montemor-o-Novo transforma-se num espaço de encontro, celebração e diversidade cultural. Uma iniciativa da Associação Cultural Sinistra, com o apoio da DGARTES e do Município de Montemor-o-Novo.
18, 19 e 20 de setembro
Jardim Público de Montemor-o-Novo
E se, durante uma tarde, desligássemos os telemóveis e nos encontrássemos simplesmente para ler? A Rave Literária é uma iniciativa do Sindicato de Espectadores que propõe um encontro coletivo em torno da leitura individual. 19 de setembro, 16h00 fAUNA, Joane, Vila Nova de Famalicão
Organização CEDA e Almada Mundo. A assinalar os 90 anos da sua morte, Federico García Lorca é recordado em Almada a 18 e 19 de Setembro com colóquios por Luís Farinha, Dulce Simões e a participação do Instituo Cervantes. Haverá recitais de música e poesia de Lorca. 18 e 19
Organização CEDA e Almada Mundo. A assinalar os 90 anos da sua morte, Federico García Lorca é recordado em Almada a 18 e 19 de Setembro com colóquios por Luís Farinha, Dulce Simões e a participação do Instituo Cervantes. Haverá recitais de música e poesia de Lorca.
18 e 19 de setmbro, sex 21h15, sáb 16h00
Teatro-Estúdio António Assunção, Almada
A inauguração da exposição “O MeninoTriste: D’Après… e se o Menino Triste fosse desenhado por…”. integra o programa que conta com atividades dinamizadas pelo autor João Mascarenhas e moderadas por João Morales. 19 de setembro, 15h00 Biblioteca Municipal Ary dos Santos, Sacavém
A 7.ª edição do festival ESTAU – Estarreja Arte Urbana realiza-se de 12 a 20 de setembro, com artistas nacionais e internacionais, pintura mural, música, exposições, instalações, oficinas, cinema, teatro, propostas de participação comunitária, performance e visitas guiadas. 12 a 20 de setembro Estarreja
A 7.ª edição do festival ESTAU – Estarreja Arte Urbana realiza-se de 12 a 20 de setembro, com artistas nacionais e internacionais, pintura mural, música, exposições, instalações, oficinas, cinema, teatro, propostas de participação comunitária, performance e visitas guiadas.
12 a 20 de setembro
Estarreja
A 3ª edição do ciclo de música e spokenword SPEAK LOW pretende dar continuidade à apresentação de trabalhos de músicos, poetas e performers que trazem ao concelho de Vila Franca de Xira sonoridades pouco habituais no contexto local, com maior incidência no Jazz, Spokenword e projectos de fusão. 6, 13
A 3ª edição do ciclo de música e spokenword SPEAK LOW pretende dar continuidade à apresentação de trabalhos de músicos, poetas e performers que trazem ao concelho de Vila Franca de Xira sonoridades pouco habituais no contexto local, com maior incidência no Jazz, Spokenword e projectos de fusão.
6, 13 e 20 setembro, 18h00
Palácio do Sobralinho, Vila Franca de Xira
O Quarteirão Miguel Bombarda, no Porto, volta a abrir as suas portas para mais uma edição do ciclo Inaugurações Simultâneas. Este evento reúne várias galerias de arte contemporânea e espaços alternativos que apresentam novas exposições e coleções inéditas, promovendo um ambiente vibrante e dinâmico para artistas, colecionadores e amantes da
O Quarteirão Miguel Bombarda, no Porto, volta a abrir as suas portas para mais uma edição do ciclo Inaugurações Simultâneas. Este evento reúne várias galerias de arte contemporânea e espaços alternativos que apresentam novas exposições e coleções inéditas, promovendo um ambiente vibrante e dinâmico para artistas, colecionadores e amantes da arte.
24 de setembro, 16h00 às 20h00
Quarteirão Miguel Bombarda, Rua de Miguel Bombarda, Porto
Junte-se a nós na 2.ª edição do Lisbon Street Photo Fest. De 25 a 27 de setembro de 2026, encontramo-nos em Lisboa para a segunda edição do Lisbon Street Photo Fest: uma celebração da fotografia de rua que reúne profissionais, entusiastas e mentes curiosas de todo o
Junte-se a nós na 2.ª edição do Lisbon Street Photo Fest. De 25 a 27 de setembro de 2026, encontramo-nos em Lisboa para a segunda edição do Lisbon Street Photo Fest: uma celebração da fotografia de rua que reúne profissionais, entusiastas e mentes curiosas de todo o mundo.
24 a 27 de setembro
Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa
“Baratas, uni-vos!” O Movimento Cockroach (ou “Partido Popular das Baratas”) nasceu em maio de 2026 e tem vindo a animar as vagas de protestos contra o governo de Modi. Um juiz do Supremo tribunal batizou involuntariamente o movimento quando comparou os jovens desempregados e politicamente ativos a “baratas e

O Movimento Cockroach (ou “Partido Popular das Baratas”) nasceu em maio de 2026 e tem vindo a animar as vagas de protestos contra o governo de Modi. Um juiz do Supremo tribunal batizou involuntariamente o movimento quando comparou os jovens desempregados e politicamente ativos a “baratas e parasitas”. O ativista Abhijeet Dipke lançou o desafio “Baratas, uni-vos!” e obteve mais de 20 milhões de seguidores nas redes sociais.
Trocando em miúdos, estou a dizer que preciso de um abraço, de muitos. Ora, eu já sei que o toque também é uma mercadoria.
Faz alguns dias que não escrevo. Só a mim fez falta.
Se eu parar aqui, já é possível intuir o tamanho da intercorrência.
Parece-lhe estranho o uso da palavra intercorrência? Pedi emprestado ao léxico profissional da saúde. Não reconhece o sentido? Talvez nunca a tenha escutado num contexto semelhante. Explico. Todas as vezes que um médico se dirige à família do seu paciente para dar explicações acerca de um procedimento e usa a palavra intercorrência, ele está recorrendo a um eufemismo, para tratar de um imprevisto, de uma alteração que não é bem vinda. É um modo de suavizar a mensagem “deu merda”.
A falta, em alguma medida, todos nós já experimentamos. Qualquer coisa como penúria, ausência, carência, etc. a explica. Se, numa rede social, eu juntasse estas duas palavras, falta e intercorrência, numa frase, apareceriam algumas almas caridosas com uma mentira panegírica que eu me obrigaria a agradecer, embora não diminuísse em nada o que estou sentindo.
Com isso, estou tentando dizer que não tenho escrito porque, neste momento, eu sou o centro do mundo. Parece pretensioso, mas não é a intenção. Eu quero dizer que a gente sabe que tem cabeça, mas só lembra dela insistentemente quando lhe acomete uma dor. Então, eu sei que existo, mas a minha existência só ocupa a centralidade referida quando tudo parece ruim. Neste momento, para ser honesta, eu teria que escrever na primeira pessoa do singular, o que podia redundar em autocomiseração. Não, eu me recuso a esse papel. Mas, para usar de franqueza e não parecer que tenho uma doença terminal, declaro que a autoestima está com o cu no chão. Sabe quando a nossa cabeça é povoada por todas as experiências em que nos sentimos diminuídas? Sem que tenhamos controle para travar as lembranças, a gente se compara, se autoavalia, se vitimiza e, no meu caso, chego ao absurdo de pôr em dúvida o meu epitáfio: “morta por absoluta falta de opção”.
Sabe quando a nossa cabeça é povoada por todas as experiências em que nos sentimos diminuídas? Sem que tenhamos controle para travar as lembranças, a gente se compara, se autoavalia, se vitimiza e, no meu caso, chego ao absurdo de pôr em dúvida o meu epitáfio: “morta por absoluta falta de opção
Bem, isso deve explicar as dores musculares que tenho sentido. Travou tudo, fiquei de cama. Um motivo mais que justo para pedir socorro. Não era eu, eram as dores. Como se fossem externas a mim. De primeira achei que devia procurar um médico, mas logo lembrei que muitos já nem olham para o paciente – este nome é perfeito para a condição que nos é imposta –, melhor um profissional que me toque, concluí. Percebeu a sutileza? Quase um elefante na sala. Trocando em miúdos, estou a dizer que preciso de um abraço, de muitos. Ora, eu já sei que o toque também é uma mercadoria. Em letras luminosas eu poria na frente de certos estabelecimentos, das clínicas aos bordéis: Se não lhe tocam gratuitamente e pode pagar por esse luxo, compre-o.
A saída estava ao lado: uma clínica de fisioterapia. Tudo muito prático, nada de perguntas, apenas me cobraram quarenta euros e me deram um recibo. No Brasil, entraria nas despesas dedutíveis do imposto de renda, aqui é só um papel para aumentar o lixo. Fui encaminhada a uma simpática profissional, que após ser informada sobre as tais dores, mencionou o valor do atendimento, para ter certeza de que eu já havia antecipado o pagamento. Esclarecida a relação compra/venda pensei que, enfim, fizera jus ao que necessitava. Mas, para minha surpresa, o toque durou pouco. Foi apenas o suficiente para justificar a utilização de um daqueles instrumentos que funcionam ligado à tomada. As mãos não bastavam, a máquina daria conta com mais eficiência, em menos tempo. Imagine a minha decepção: era como se eu tivesse pago por uma carta de amor dirigida exclusivamente a mim e me entregassem um texto produzido por IA, aplicável à dor de qualquer pessoa.
Reconheço que eu não estou aguentando nem a imagem que o espelho reproduz, tampouco estou em condições de recorrer à beleza interior que, como se pode deduzir, está em frangalhos. Devo estar sendo exagerada nas minhas declarações, mas, convenhamos, qual a graça de ler alguém neste grau de azedume?
Para não me estender – pode ser contagiante –, quero concluir dizendo que às dores acrescentou-se uma questão. Sob o risco de parecer atrasada ou resistente às mudanças, pergunto: tudo que a tecnologia for capaz, mesmo sob o risco da desumanização, será permitido? Seria demasiado vislumbrar limites ao uso da tecnologia? Desde que a divisão social do trabalho separou quem pensa de quem executa, a máquina invade cada dia mais o nosso quotidiano. E o faz de um modo tão avassalador que a função das mãos pode ser reduzida a um clique, a conectar um instrumento à tomada, às vezes, ao uso de um dedo. Parece-me incorreto e injusto.
A massificação da flauta de bisel no ensino da música limitou outras oportunidades pedagógicas musicais. Devia promover-se a aprendizagem de outros instrumentos musicais como cordofones, instrumentos de percussão, e criar grupos de música tradicional portuguesa, bandas rock, grupos corais.

Hoje escolho como tema a famigerada flauta de bisel.
A massificação deste instrumento no ensino da música limitou em grande parte outras oportunidades pedagógicas musicais. A flauta de bisel tem um som monocórdico com poucas possibilidades de afinação quando tocada, pois esta passa por várias técnicas de execução como, por exemplo: fluxo de ar, postura da embocadura e respetivos ajustes físicos. Quem teve a ideia de pôr todos os alunos do país a tocar flauta de bisel não teve a noção de quão prejudicial é em termos de educação auditiva musical. Quando se toca este instrumento, por mais que tecnicamente nos aproximemos de uma afinação real, nunca a afinação estará certa. Agora vamos imaginar num universo de vinte e oito alunos, por exemplo, a tocarem em uníssono um tema musical qualquer. Chego à conclusão de ter vinte e oito desafinações.
Com aquela ideia de que este instrumento é barato, de execução fácil (escala diatónica), mas quando se trata de escala cromática é mesmo para esquecer!
Para fazer música em sala de aula deve-se priorizar o ritmo, utilizando instrumentos de percussão (xilofones, metalofones e outros instrumentos de percussão) para que as crianças desenvolvam o sentido rítmico em função do binário corporal, pois sem esta particularidade é muito mais difícil tocar um instrumento.
Carl Orff (1895-1982) foi um importante compositor e pedagogo, que introduziu no ensino o método Orff, que privilegia essencialmente os instrumentos acima referidos. A flauta de bisel também faz parte do método, mas na minha opninião este instrumento não educa auditivamente os alunos. O ideal seria a flauta barroca, instrumento com possibilidades de afinação.
Devia-se implementar nas escolas, com a colaboração do Ministério da Educação, a aprendizagem de outros instrumentos musicais
Devia-se implementar nas escolas, com a colaboração do Ministério da Educação, a aprendizagem de outros instrumentos musicais como, por exemplo, vários cordofones, outros instrumentos de percussão (a bateria é fundamental) e criar grupos de música tradicional portuguesa, e não só: bandas rock, grupos corais. Existe uma diversidade enorme de possibilidades para que as aulas de Educação Musical sejam atrativas e pedagogicamente ricas.
Outro aspeto que quero salientar é o facto de as crianças terem Eduação Musical só nos 5º e 6º ano e não se lhes facultar a continuidade do ensino da música. As artes, infelizmente, continuam a ser o parente pobre.
Há que modificar os métodos arcaicos e desatualizados do ensino da música.
Sei que há colegas que tentam modificar a estrutura do ensino apesar do plano curricular. Não é fácil, mas vale a pena remar até bom porto.
Na saúde, a reforma que verdadeiramente falta continua por fazer: salários e carreiras valorizados, condições de trabalho dignas e uma negociação coletiva séria, capaz de trazer e manter no SNS os médicos e os profissionais de saúde de que a população precisa.

Vivemos um dos períodos de maior ímpeto reformista das últimas décadas. A tentativa de reforma laboral foi talvez a expressão mais evidente dessa vontade de mexer profundamente nas relações de trabalho, fragilizando direitos e a contratação coletiva. Mas os trabalhadores, incluindo os médicos, disseram que não nas greves gerais de 11 de dezembro e 3 de junho, e a proposta acabou rejeitada na Assembleia da República. Seria ingénuo, porém, pensar que essa votação encerrou o assunto. Algumas das ideias que estavam naquela reforma continuam a surgir por outras vias, setor a setor, profissão a profissão. E é precisamente isso que está a acontecer na saúde.
Na saúde, nem precisamos de adivinhar intenções. Basta olhar para aquilo que o Ministério da Saúde (MS) de Ana Paula Martins já legislou e para o que tem levado à mesa de negociação com os médicos.
No SNS trabalham, lado a lado, médicos com contrato de trabalho em funções públicas e médicos com contrato individual de trabalho (CIT), sujeitos a regimes diferentes. A generalização dos CIT acentuou esta fragmentação. E quanto mais se individualizam as relações de trabalho, mais necessária se torna a contratação coletiva para garantir direitos comuns.
Talvez por isso seja tão revelador que até o direito a negociar teve de ser conquistado. Em 2025, perante o bloqueio do MS, a Federação Nacional dos Médicos (FNAM) recorreu aos mecanismos legais ao seu dispor. Foi necessário levar as propostas de revisão dos acordos coletivos de trabalho à Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho (DGERT) e à Direção-Geral da Administração e do Emprego Público (DGAEP), neste último caso perante um juiz-árbitro.
Só depois, já em janeiro, o MS aceitou um protocolo negocial onde ficaram inscritas matérias essenciais para fixar médicos no Serviço Nacional de Saúde: revisão de salários, da jornada semanal, da avaliação e progressão, a reintegração do internato na carreira, a reposição de dias de férias, melhoria dos direitos da parentalidade e a possibilidade de um regime de dedicação exclusiva opcional e devidamente valorizado.
Negociar com os representantes dos trabalhadores não é uma concessão do Ministério. É uma obrigação. E negociar não é procurar o sindicato que diz mais facilmente que sim, enquanto se tenta afastar quem apresenta soluções para fixar e trazer mais médicos para o SNS. A negociação coletiva faz-se à mesa, com propostas, contrapropostas e transparência. Não se faz nos bastidores, escolhendo o interlocutor mais conveniente. Um sindicato existe para representar quem trabalha, sobretudo quando é preciso dizer aquilo que a ministra Ana Paula Martins não quer ouvir.
É nesse papel que, na revisão dos acordos coletivos, os sindicatos da FNAM recusam retrocessos como o banco de horas, o aumento dos limites anuais de trabalho suplementar ou alterações à idade a partir da qual os médicos podem deixar de fazer trabalho noturno. Não são preciosismos jurídicos. São horas de trabalho, descanso, vida familiar e direitos conquistados. E não foi preciso aprovar uma reforma laboral para os tentar pôr em causa.
Aliás, enquanto algumas alterações foram discutidas à mesa, outras chegaram por decreto.
Veja-se o novo regime para o trabalho médico nas urgências. Depois de atingirem os limites anuais de trabalho suplementar — 150 horas no regime geral e 250 na dedicação plena — os médicos podem continuar a trabalhar em sucessivos blocos de 48 horas, com incentivos que aumentam à medida que acumulam mais horas. A legislação saiu, de resto, com imprecisões jurídicas que obrigaram a corrigi-la pouco depois.
Mas o mais importante não é o número do decreto. É a escolha que está por detrás dele.
Perante a falta de médicos, o MS não aumenta estruturalmente o salário base, não melhora as jornadas de trabalho nem resolve a insuficiência das equipas. Cria um incentivo para que quem já fez centenas de horas extraordinárias trabalhe ainda mais.
É voluntário, claro. Mas escrever “voluntário” num diploma não torna o modelo saudável. Se o rendimento aumenta à medida que se acumulam mais e mais horas, estamos a transformar a exaustão numa forma de compensar salários insuficientes. E, pelo caminho, perde-se o direito ao descanso compensatório associado ao trabalho aos domingos e feriados.
Troca-se o salário por um “incentivo”. A contratação pelo sobretrabalho. O descanso pela disponibilidade. Não se resolve a falta de médicos pagando aos que ficam para trabalharem até à exaustão.
Não se resolve a falta de médicos pagando aos que ficam para trabalharem até à exaustão.
E chegamos assim à produção adicional. O Ministério voltou recentemente a mudar as regras e os pagamentos desta atividade (Portarias n.º 274/2026 e n.º 281/2026), provocando redução ou suspensão de atividade cirúrgica adicional em vários hospitais e alterações na composição e remuneração das equipas.
É legítimo contestar estas consequências. Mas há uma discussão mais funda que não devemos evitar: o SNS deve transformar-se num sistema de “pagamento à peça”?
Um doente não é uma cirurgia, uma endoscopia ou um cateterismo. Antes do procedimento alguém diagnosticou; depois dele alguém acompanha. Há quem trate complicações, quem reabilite e quem assegure a continuidade dos cuidados. A saúde faz-se em equipa e não numa linha de montagem.
Pagar atos isoladamente aumenta o risco de desagregar equipas e criar incentivos errados. Não faz sentido construir um sistema em que se pode ganhar tanto mais quanto mais doente estiver a população. Precisamos de salários base dignos, carreiras valorizadas, equipas estáveis, jornadas equilibradas e objetivos centrados na saúde e na qualidade dos cuidados.
É por isso que a discussão sobre a reforma laboral não terminou com a sua rejeição na Assembleia da República. Na saúde, já vimos o Ministério ter de ser levado pelos mecanismos legais a negociar com a estrutura sindical que mais médicos representa no SNS. Vimos retrocessos laborais chegarem à mesa negocial. E vemos a falta de profissionais ser respondida com mais horas, mais incentivos e mais exceções.
É assim que também se mudam as relações de trabalho: diploma a diploma, exceção a exceção, profissão a profissão.
Reformar pode, e deve, significar melhorias. Trabalhar mais, descansar menos e depender de incentivos para ter um salário melhor não é modernizar, é retroceder. E aquilo que não passou como reforma laboral não pode agora entrar pela porta lateral e transformar a disponibilidade ilimitada de quem trabalha num modelo para os serviços públicos.
Legislar muito não é o mesmo que reformar bem. O MS tem mudado regras, criado incentivos e multiplicado regimes de exceção, sem resolver aquilo que está na origem do problema: um SNS que não consegue reter os seus profissionais.
A reforma que verdadeiramente falta continua por fazer: salários e carreiras valorizados, condições de trabalho dignas e uma negociação coletiva séria, capaz de trazer e manter no SNS os médicos e os profissionais de saúde de que a população precisa. Porque nenhum SNS sobrevive muito tempo se quem lá trabalha procura todos os dias uma forma de sair.
O crescimento da produtividade desde 2022 deve-se mais a um uso mais intensivo de tecnologia existente após o fim da pandemia do que à introdução de IA. A adopção de IA tem aumentado, sim, mas ainda está muito longe do pico. A Goldman Sachs estima que possa demorar quinze
O crescimento da produtividade desde 2022 deve-se mais a um uso mais intensivo de tecnologia existente após o fim da pandemia do que à introdução de IA. A adopção de IA tem aumentado, sim, mas ainda está muito longe do pico. A Goldman Sachs estima que possa demorar quinze anos a lá chegar; a OCDE aponta para vinte. Conseguirão as actuais empresas de IA sobreviver tanto tempo? Poderão as bolsas esperar tanto tempo sem a bolha rebentar antes?

A Alphabet (Google) anunciou em 22 de julho os seus resultados financeiros. À primeira vista, foram espectaculares: a facturação registou um aumento de 24%, crescendo a receita do negócio da “nuvem” 82%. O lucro por acção foi de 9,11 dólares, um valor muito elevado. No entanto, a base de mais de dois terços destes lucros foi a contabilização de 77 mil milhões de dólares de ganhos “não realizados” decorrentes da aquisição de acções da Anthropic, uma importante empresa de modelos de IA. Por outras palavras, os “ganhos” são apenas “no papel”: dependem de as acções da Anthropic continuarem em alta.
A Google é uma das chamadas empresas de hiper-escala, as mega-companhias tecnológicas que têm investido verbas imensas na IA na esperança e expectativa de que esse investimento gere fortes aumentos dos lucros no futuro.

O investimento da Google em IA injectou tanto dinheiro em empresas de IA como a Anthropic e a OpenAI e em centros de dados capazes de operar IA com dispendiosos “circuitos electrónicos” fabricados pela Nvidia, que as suas enormes receitas líquidas deixaram de cobrir o custo do investimento. Os “fluxos de caixa livres”, o nome usado na gíria, passaram a ser negativos pela primeira vez na história da Alphabet.
Este ano, a Google tem estado, tal como os seus rivais Meta, Microsoft e Amazon, a aumentar maciçamente o investimento em IA, construindo a respectiva infra-estrutura. As quatro “hiperscalers” estão, em conjunto, a caminho de gastar mais de 725 mil milhões de dólares em 2026. Até à divulgação dos resultados desta quarta-feira, a Google era vista como a hiperscaler em melhor posição para aguentar a “corrida ao armamento” em IA, conseguindo amortecer a pressão financeira graças aos fluxos de caixa provenientes do seu vasto negócio de busca. Porém, o ritmo a que está a queimar dinheiro para financiar o investimento em IA passa a impor-lhe recorrer ao endividamento e/ou à emissão de acções. A Alphabet já contraiu quase 100 mil milhões de dólares de dívida. Em Junho, avançou para a sua primeira venda de acções em mais de duas décadas, na mira de angariar cerca de 85 mil milhões de dólares adicionais.
Tudo isto nos indica que a “bolha” bolsista — é mesmo o que é — associada à IA está cada vez mais perto de rebentar. As empresas de hiper-escala são extremamente lucrativas em função dos seus actuais negócios, com lucros que estão cerca de 59 por cento acima da tendência. Mas os explosivos volumes de investimento em IA efectuados por estes hiper-escaladores são de tal ordem, que até esses lucros são sugados pela IA como água a evaporar-se no deserto do Saara.
Tudo isto nos indica que a “bolha” bolsista associada à IA está cada vez mais perto de rebentar.
Conforme se sustentou em publicações anteriores, a economia dos EUA é uma aposta de tudo ou nada na IA. O valor em bolsa dos hiper-escaladores representa agora cerca de 40% da capitalização bolsista total do índice S&P 500. Ao mínimo sinal de que, primeiro, eles não consigam sustentar o actual ritmo de crescimento de investimento; e, segundo, estejam a consumir os lucros sem obter retorno dos investimentos em IA, o valor das suas acções poderá cair a pique e arrastar consigo todo o mercado bolsista.
A economia capitalista dos EUA está suspensa em equilíbrio instável num vértice de IA. Tudo há-de correr bem se os modelos de IA passarem, primeiro, a ter muita procura e começarem a ser usados pelas empresas americanas e globais, assim insuflando rentabilidade nos hiper-escaladores e, subsequentemente, no resto do sector empresarial; e se, em segundo lugar, a difusão geral do uso de tecnologias de IA em todos os sectores da economia tiver também como corolário a aceleração dos níveis de produtividade, guindando porventura a economia dos EUA a uma nova era de prosperidade.

Antes do advento da bolha da IA, as tecnologias da informação americanas já eram o motor de um crescimento económico relativamente mais rápido nos EUA do que no resto das economias do G7, durante a Longa Depressão da década de 2010.
Contudo, na década de 2010, todas as economias do G7, incluindo os EUA, sofreram uma desaceleração do crescimento do PIB real, do investimento e da produtividade. Depois, passada a recessão da pandemia, a maioria das economias voltou a sofrer de inflação e a ver-se na iminência de um novo período de “estagflação” (crescimento lento ou nulo a par de inflação alta e acelerada), como não se via desde a década de 1970. Agora, a guerra no Irão volta a acelerar a inflação dos preços da energia. Apesar de taxas de juro baixas ou nulas e de injecções monetárias (quantitative easing), a política monetária dos bancos centrais não conseguiu, na década de 2010, reanimar as economias. E, desde 2020, a política monetária dos bancos centrais não está a conseguir impedir o aumento da inflação, mesmo recorrendo a taxas de juro mais elevadas (o BCE) e apertando a criação de moeda (o Banco de Inglaterra). A razão é esta: as economias só podem crescer sem a inflação aumentar se aumentar a produtividade do trabalho.
O novo presidente da Reserva Federal nomeado por Trump espera que a IA provoque um grande salto de produtividade. Afirma Kevin Warsh que “a IA talvez seja a mudança mais significativa na nossa economia desde que sou adulto. A IA vai ser uma força de desinflação considerável, aumentando a produtividade e reforçando a competitividade americana.” Mais considera ele que as melhorias de produtividade derivadas da IA impulsionariam “aumentos significativos dos salários disponíveis, em termos reais. Um aumento de um ponto percentual da taxa de crescimento anual da produtividade duplicaria os níveis de vida no espaço de uma única geração.” Tem razão. Mesmo um aumento de apenas 1 ponto percentual do actual crescimento da produtividade dos EUA ao longo de 20 anos não só comprimiria a inflação, como proporcionaria receitas capazes de pôr termo aos défices dos orçamentos públicos, sem necessidade de aumentar impostos nem fazer cortes de despesas. Os rácios da dívida pública sobre o PIB diminuiriam.

Mas trará a IA tal pulo da produtividade? De 2005 a 2019, o crescimento da produtividade nos EUA situou-se, em média, em cerca de 1,5% ao ano. O ritmo manteve-se igualmente lento durante e imediatamente após a pandemia (2020-2022). Ora, a produtividade do trabalho está em aceleração desde 2022. A produção por hora cresceu cerca de 2,5% ao ano do final de 2022 até ao início de 2026, excedendo em 1 ponto percentual o ritmo pré-pandémico.
Está então a IA a cumprir as expectativas? A maior parte da aceleração no crescimento da produtividade do trabalho advém da aceleração do crescimento daquilo a que a economia convencional chama produtividade total dos factores (PTF). A PTF não é algo real, que se possa medir; é simplesmente um resíduo matemático, depois de analisados os vectores do crescimento da produtividade. Mais trabalhadores a trabalhar mais, somados a mais máquinas a funcionar durante mais tempo: é isso que extrai mais produtividade do trabalho. A PTF é um resíduo, que se presume reflicta o impacto da “inovação” (por exemplo, da IA).
Mas o aumento da PTF nos EUA ainda não é fruto da aplicação de IA à economia. Segundo economistas do Barclays, a adopção de IA tem sido gradual e constante, não rápida e transformadora, continuando a maioria das famílias e empresas a declarar uma exposição limitada à tecnologia. O aumento do crescimento da produtividade desde 2022 deve-se mais a um uso mais intensivo de tecnologia existente após o fim da pandemia do que à introdução de IA.
Como o sabemos? Bem, os economistas do Barclays examinaram o Inquérito à População em Tempo Real (RPS) feito a nível nacional pela Fed de St. Louis junto de adultos norte-americanos em idade activa. O inquérito mais recente mostra que, embora a IA tenha entrado nas rotinas de trabalho de 45% dos inquiridos, o tempo de utilização da IA é minúsculo. Admitindo um dia de trabalho de oito horas, o inquérito mostra que o utilizador médio de IA passou de cerca de 20 minutos de utilização no final de 2024 para cerca de 30 minutos em meados de 2026. E o que não se sabe é se os trabalhadores estão a usar esses 2% do seu tempo de trabalho diário para serem mais produtivos em geral ou para verificar e corrigir o que quer que a IA produza… ou para relaxar!
A maioria dos inquéritos sobre a adopção da IA pelas empresas mostra, de facto, modesto progresso. O inquérito quinzenal “Business Trends and Outlook Survey”, da Repartição do Censo (US Census Bureau) dá apenas 21% das empresas a usar conscientemente IA, 69% declararam não a utilizar, e 11% não tinham a certeza! Um documento para discussão do Conselho de Governadores da Reserva Federal concluiu que “as tendências da produtividade aos três níveis têm-se mantido relativamente estáveis ao longo do tempo, sugerindo microganhos de produtividade sem resultado agregado”. Aparentemente, as experiências ao “nível micro” medem mais a produtividade ao nível da tarefa, por exemplo, a velocidade a que um programador produz código, do que a produção do posto de trabalho ou da empresa. Uma melhoria de 10% numa tarefa não implica necessariamente ganhos proporcionais para a empresa, se os custos de ajustamento ou outros estrangulamentos presentes noutros pontos do processo de produção comerem tais ganhos de produtividade ocorridos a montante.
A Reserva Federal dos EUA fez uma série de complicadas análises de regressão aos dados do inquérito RPS, concluindo não haver sinais de a IA estar a ter qualquer efeito positivo: as correlações entre as taxas de adopção ao nível sectorial e melhorias de produtividade são “estatisticamente indistinguíveis de zero”. Melhorias que se observem “tendem a ser mais reflexo da persistência de diferenças inter-sectoriais do que de uma aceleração determinável do crescimento da produtividade atribuível à IA”.

No entanto, os optimistas da IA continuam a ser isso mesmo — optimistas. Apontam a “curva em J” que o impacto de novas tecnologias na produtividade geralmente descreve. Começa por haver um efeito lento, ou mesmo negativo, na produtividade enquanto as empresas investem muito na tecnologia. Depois é que há a explosão. Observou-se esse tipo de curva em J no crescimento da produtividade da indústria transformadora dos EUA, que caiu em meados da década de 1980, acelerando bruscamente depois da recessão de 1991 e até meados da década de 2000.

Só que mesmo essa visão optimista tem as suas condicionantes. Para começar, parece que os trabalhadores expostos à IA estão a resistir a usá-la. Um inquérito realizado em Abril pelas empresas de IA Writer e Workplace Intelligence — ambas com interesse comercial na adopção da IA — a 2400 trabalhadores do sector do conhecimento indicou que 29% dos empregados admitiram sabotar activamente a estratégia de IA da sua empresa. Entre os trabalhadores da Geração Z (com menos de 25 anos), esse valor chegou a 44%, contra 41% no ano anterior. Um inquérito separado da WalkMe a executivos e empregados de 14 países, realizado no mesmo mês, indicou que mais de 54% dos trabalhadores tinham, nos últimos 30 dias, evitado as ferramentas de IA da empresa e realizado o trabalho manualmente. Os responsáveis pelo inquérito concluíram que o que está por trás desta resistência activa e passiva, e mesmo passiva-agressiva, é um “medo de obsolescência”. Da mesma forma, The Economist relatou como, após um pico inicial, a utilização da IA pelos trabalhadores norte-americanos diminuiu, ao esmorecer o entusiasmo inicial.
No início do século XIX, no alvorecer da revolução industrial na Grã-Bretanha, um grupo de tecelões qualificados tentou por vários meios resistir à introdução da tecelagem mecânica, inclusive sabotando e destruindo máquinas. Chamaram-lhes luditas. Ao que parece, uma nova forma de ludismo está a reaparecer com a IA. Tal como os luditas tinham boas razões para querer proteger a fonte da sua subsistência, também os trabalhadores da Geração Z as têm agora.
Os optimistas da IA Erik Brynjolfsson, de Stanford, e ADP Research estão a rastrear 4,6 milhões de trabalhadores de mais de 730 profissões no seu Canaries Dashboard. Observam uma contracção de mais de 4% ao ano dos postos de trabalho para trabalhadores com idades entre 22 e 25 anos em profissões expostas à IA. Uma análise da Goldman Sachs indica que os sectores mais bem colocados para extraírem ganhos de produtividade cedo são os da informação, serviços profissionais, seguros e sector financeiro — ora, é exactamente nestes sectores que os inquéritos à “sabotagem” encontram taxas de resistência mais altas.
A economista americana da Goldman Sachs Elsie Peng é adepta da tese da curva em J para o caso da IA. O seu estudo sobre a adopção de tecnologia pela indústria observa um puxão ligeiro nos primeiros quatro anos, mas ganhos estatisticamente significativos só após oito, e um impacto máximo de cerca de 0,6 pontos percentuais ao 12.º ano. Admitindo o lançamento do ChatGPT em 2022 como o equivalente da estreia do computador pessoal em 1981, a curva em J apontará para que o “grande prémio” da produtividade só apareça, na melhor das hipóteses, por volta de 2030, atingindo o auge por volta de 2034. Pela análise de Peng, só quando uns 50% das empresas adoptaram tecnologias de informação e comunicação (TIC) terão aparecido aumentos significativos da produtividade do trabalho fruto dessa tecnologia. Não quando a compraram, nem quando fizeram pilotos com ela. Quando a adoptarem no seu funcionamento básico.

A “curva em J” de Peng faz eco do argumentado pelos economistas da OCDE há já algum tempo: que as tecnologias transformadoras, depois de desabrocharem, demoram, historicamente, cerca de 20 anos a surtirem ganhos significativos de produtividade ao nível macroeconómico. A manter-se tal padrão no caso da IA generativa, ela não vai render a sério antes do início ou meados da década de 2030, ou mesmo mais tarde. Há, assim, um longo caminho a percorrer até que a generalização da IA seja capaz de trazer um aumento significativo da taxa de crescimento da produtividade do trabalho.
O pulo do crescimento da produtividade em que deposita todas as suas esperanças o presidente da Reserva Federal, Warsh, ainda parece vir longe. Então e os lucros? Para já, toda a facturação que as empresas de modelos de IA estejam a gerar fica muito, muito aquém dos custos de investigação e desenvolvimento da IA e de construção de centros de dados pelo território dos EUA fora. Mais: a Goldman Sachs estima que cada dólar de investimento em equipamento de TIC requer, pelo menos, mais 1,70 dólares de investimentos complementares “intangíveis” — em software, sistemas de dados e na categoria mais difícil de medir: reorganização. A procura do uso de centros de dados é actualmente 15 vezes inferior à capacidade destes.
E a dívida vai-se acumulando. A Bloomberg estima em mais de 500 mil milhões de dólares a dívida vincenda relacionada com centros de dados de IA. A Nikkei Asia noticiou esta semana que Meta, Google, Amazon, Microsoft e Oracle acumularam, nos últimos cinco anos, cerca de 1,65 biliões (triliões americanos) de dólares em dívida vincenda, a que acrescem mais umas centenas de milhares de milhões de dólares em dívida “fora do balanço”, portanto dívida que a estrutura do grupo empresarial permite à empresa não contabilizar no passivo.
Receitas que empresas do género da OpenAI e da Anthropic estejam a colher provêm apenas dos investimentos que as empresas de hiper-escala fazem no seu negócio. A utilização do ChatGPT ou do Claude não está a dar lucro nenhum. Parte da razão é que as empresas de IA não têm cobrado aos utilizadores o verdadeiro custo das unidades de computação usadas (tokens). As empresas de IA estão, por isso, a tentar fazer passar os consumidores de tarifas fixas para preços por uso. Só que o resultado tem sido um aumento exponencial do custo que as empresas utilizadoras têm de pagar para usar IA, de maneira que, vendo as facturas de IA a inchar, elas estão a largar a política de maximização das unidades de computação (token maxxing) e a passar a uma política de racionamento das mesmas. Acresce que as empresas norte-americanas estão a passar a usar modelos de IA de “código aberto”, provenientes da China, que quase conseguem igualar o desempenho dos modelos norte-americanos, mas a uma fracção do custo.

Primeiro, foi o DeepSeek a cair como uma bomba no sector, no início de 2025. Agora há o modelo mais recente da IA chinesa, o Kimi K3, recém-lançado pela startup Moonshot AI, sediada em Pequim. Os modelos chineses são 112 vezes mais baratos do que os da Anthropic por milhão de unidades de computação (ou seja, pelo preço do “barril de inteligência”). Um token custa 56 dólares na Anthropic, 26 dólares na OpenAI, 1,50 dólares na Meta, 1 dólar na xAI e no Google, e 0,50 dólares nos modelos chineses. Não admira, assim, que a proporção de unidades de computação usadas por empresas norte-americanas que recorrem a modelos de IA chineses tenha chegado ao valor recorde de 58%. As empresas norte-americanas passaram a usar mais os modelos de IA chineses do que os desenhados nos EUA.
Os optimistas não desistem, porém. Alguns remetem para o chamado paradoxo de Jevons, segundo o qual os incrementos de eficiência (devidos à IA) farão aumentar a procura, do mesmo passo que vai caindo o custo unitário do gasto com IA. Daí resultará a tal rentabilidade de que as empresas de IA andam à procura e que as bolsas esperam. Contudo, nas apresentações de resultados do primeiro trimestre de 2026, apenas 2% das empresas do índice S&P 500 mencionaram produtividade relacionada com a IA. Entre as que o fizeram, a tónica esteve quase sempre na redução de custos, não no aumento da facturação. Muitas são, pois, as dúvidas quanto às expectativas de transformação de investimentos da ordem das centenas de milhares de milhões em lucros — em facturação, nem se fala.
A aposta na IA assenta em duas grandes hipóteses. A primeira é a IA — acabar por — ser lucrativa. Só que não é por uma tecnologia surtir um grande aumento da produtividade que ela dá forçosamente um retorno robusto. A segunda hipótese é haver, e haver rapidamente, procura generalizada de IA. A adopção de IA tem aumentado, sim, mas ainda está muito longe do pico. Como acima se indicou, a Goldman Sachs estima que possa demorar quinze anos a lá chegar; a OCDE aponta para vinte. Conseguirão as actuais empresas de IA sobreviver tanto tempo? Poderão as bolsas esperar tanto tempo sem a bolha rebentar antes?
Tradução de Adriano Zilhão.

Bento Correia foi operário agrícola aos 14 anos. Tem 20 quando, depois do golpe dos capitães em 25 de Abril de 1974, começa a revolução portuguesa. Bento conta-nos a história real da reforma agrária e de como o povo trabalhador se organizou para mudar o país, formando comissões de
Bento Correia foi operário agrícola aos 14 anos. Tem 20 quando, depois do golpe dos capitães em 25 de Abril de 1974, começa a revolução portuguesa. Bento conta-nos a história real da reforma agrária e de como o povo trabalhador se organizou para mudar o país, formando comissões de trabalhadores, moradores, cooperativas, associações de todo o tipo. Como o povo começou a tomar o poder, no campo e nas cidades; e porque não conseguiu levar a revolução até ao fim.
A história do povo contada pelo povo.
O Leste da Alemanha era das zonas mais industrializadas do mundo. Hoje, pouco resta. No espaço de uma geração, a população trabalhadora da Alemanha de Leste foi despedida e reduzida a viver de subsídios miseráveis. As mulheres jovens deixaram completamente de ter filhos, fenómeno só visto durante grandes guerras, quando
O Leste da Alemanha era das zonas mais industrializadas do mundo. Hoje, pouco resta. No espaço de uma geração, a população trabalhadora da Alemanha de Leste foi despedida e reduzida a viver de subsídios miseráveis. As mulheres jovens deixaram completamente de ter filhos, fenómeno só visto durante grandes guerras, quando ninguém vê futuro. O nível de vida nos países de Leste em geral, URSS incluída, caiu para menos de metade. Eis o caldo de cultivo da vitória da extrema-direita num estado da ex-RDA.
A vitória estrondosa do partido AfD (“Alternativa para a Alemanha”) nas recentes eleições regionais no estado alemão da Saxónia-Anhalt foi o mais recente passo na ascensão da extrema-direita na Europa e na crise da autodenominada democracia liberal.
É, sem dúvida, preocupante, sabendo que a AfD é um dos exemplos mais extremos e pleno de laivos nazis — até o RN de Le Pen e Bardella em França se distancia, por a considerar demasiado extremista. Sobretudo tendo em conta o histórico nazi do país e o contexto de remilitarização e de investimentos militares recordes na Europa e na Alemanha. O atual governo alemão (CDU-SPD, coligação de maioria democrata-cristã e minoria social-democrata) promete construir o exército mais forte da Europa nos próximos anos. Torturando as suas próprias leis, criou um fundo de 100 mil milhões de euros para esse efeito.
A vitória da AfD é comummente atribuída à imigração e à revolta da população contra as alterações ao seu modo de vida normal, choque de culturas, ao aumento da criminalidade… A extrema-direita, cujo principal alvo são os imigrantes, ou melhor, quem parece sê-lo pela “raça”, é a principal beneficiária de dar crédito a essa ideia.
A direita “democrática”, que governa, anunciou, sob pressão da AfD, medidas para dificultar a obtenção da nacionalidade alemã e proibir a dupla nacionalidade dos seus cidadãos. Além de manter um discurso pró-sionista e pró-genocídio, que criminaliza as simpatias pela causa palestiniana, tratando-as como terroristas e antissemitas.
A imigração, originalmente organizada pelo Estado e pelas grandes empresas, com o objetivo de garantir mão de obra barata, controlar a subida dos salários e limitar o poder dos sindicatos, criando o milagre económico dos anos 60 e 70 do século passado, foi acompanhada por tensões sociais, causadas, no essencial, pela guetização das comunidades migrantes nas partes mais pobres das cidades e pela falta de políticas de integração, mobilidade social e investimento na sua educação.
Curiosamente, a Saxónia-Anhalt é um dos estados alemães com menos imigrantes. O discurso da imigração canaliza a raiva social; as verdadeiras razões são outras.
Não é por acaso que os estados alemães onde a AfD surge com maior força sejam precisamente os da antiga RDA — como a Saxónia-Anhalt.
A narrativa oficial da queda do muro de Berlim e da posterior reunificação da Alemanha (e “Europa”) enche a boca com os vocábulos “liberdade” e “democracia”. Antes, as populações fugiam do “socialismo”; na realidade, das ditaduras estalinistas, na RDA e nos restantes países de Leste.
Mas a narrativa oficial fica por aí. Do que se seguiu nesses países, nas décadas seguintes, nada reza.
Ora, o que sobreveio nada teve que ver com a atmosfera auspiciosa, confiante, eufórica que se costuma associar às revoluções, à conquista da liberdade e da democracia. Por exemplo, ao 25 de Abril em Portugal.
Pelo contrário.
A população da antiga RDA tem hoje menos 4 milhões de habitantes do que em 1989, o país perdeu 25% da população. Como se Portugal tivesse passado de 10 milhões para 7,5 milhões.
A Saxónia-Anhalt perdeu um terço da sua população.
A população não fugiu do “comunismo”.
A população, a que pôde, a que ainda tinha idade e energia, fugiu – do capitalismo!
O Leste da Alemanha era das zonas mais industrializadas do mundo. Hoje, pouco resta. No espaço de uma geração, a população trabalhadora da Alemanha de Leste foi despedida e reduzida a viver de subsídios miseráveis.
Gerações foram humilhadas e esquecidas.
Nesses anos, as mulheres jovens deixaram completamente de ter filhos, fenómeno só visto durante grandes guerras, quando ninguém vê futuro. O nível de vida nos países de Leste em geral, URSS incluída, caiu para menos de metade nas décadas que se seguiram à restauração do capitalismo. Deixou de haver as famosas bichas nos talhos — porque deixou de haver dinheiro para comprar carne.
Gerações inteiras de polacos, romenos, búlgaros, jugoslavos, ucranianos, russos fugiram para o Ocidente. Engenheiros a trabalhar como operários na construção civil, médicas como secretárias ou mulheres a dias. Para sobreviver.
Quem tem dinheiro, hoje, nos estados leste-alemães, são “Wessis”, os alemães ocidentais que para lá foram participar na pilhagem geral.
Os demagogos da AfD, tão “espertos” como os nossos desventurados, sabem-no e sabem-na toda. O seu candidato fez toda a campanha não a fazer a saudação hitleriana, mas montado numa motoreta Simson, a moto “comunista” produzida na RDA antes da “mudança”! Apelou para os tempos anteriores à devastação capitalista.
Aquilo que trabalhadores portugueses e de outros países periféricos do “Ocidente” sofreram desde o euro, perda de salário real, desqualificação, emigração, sofreram-no as populações do Leste da Europa à décima potência.
Nos últimos anos, as condições ainda se têm vindo a deteriorar mais — e agora sofrem igualmente os trabalhadores do resto da Alemanha. A indústria, que já atravessava uma grave crise, dita de produtividade e inovação, sofre com a pressão dos direitos aduaneiros (tarifas) de Trump e das sanções ao gás russo barato. A trajetória da VW na última década e meia, entre o lobbying e os escândalos de corrupção e prostituição para proteger a indústria, o escândalo dos testes falsos, a transição elétrica falhada e a arrogância de quem estava convencido da superior qualidade alemã, ilustra como se chegou à atual crise generalizada.
Com a VW a fechar fábricas e despedir uma centena de milhar de trabalhadores, a única salvaguarda encontrada pela elite económica alemã é transformar fábricas de carros em fábricas de tanques e drones e promover campanhas de mobilização dos jovens sem futuro para o exército.
A nada disto é alheia a aproximação ao poder de forças nazis ou pró-nazis.
É melhor tomarmos a sério a necessidade de nos organizarmos contra a guerra, a exploração e a ameaça fascista que elas trazem.
Em comunicado distribuído em conferência de imprensa convocada para a Estação do Rossio, em Lisboa, no dia 15 de setembro, a Comissão de Trabalhadores e nada menos que 15 sindicatos representativos de trabalhadores da CP manifestam a sua posição comum de repúdio do que chamam de “fragmentação da exploração ferroviária”
Em comunicado distribuído em conferência de imprensa convocada para a Estação do Rossio, em Lisboa, no dia 15 de setembro, a Comissão de Trabalhadores e nada menos que 15 sindicatos representativos de trabalhadores da CP manifestam a sua posição comum de repúdio do que chamam de “fragmentação da exploração ferroviária”. Trata-se do plano do Governo de concessionar a privados a exploração de vários troços da ferrovia, sobretudo (sub)urbanos.

Duas notas.
A primeira é que, apesar do número impressionante de organizações representativas dos trabalhadores, da unanimidade da sua posição comum e da óbvia importância nacional do assunto em causa, o único órgão de comunicação social presente foi o Maio (junta-se a nossa reportagem).
A segunda é que a privatização da exploração ferroviária que assim se quer iniciar em grande escala em nada obedece, como a posição dos trabalhadores realça, a considerações de melhoria da eficiência ou do serviço.
As concessões já realizadas (Fertagus na ponte sobre o Tejo, a exploração dos bares do longo curso) mostram que não só os efeitos do subinvestimento do Estado (material circulante em mau estado, atrasos, etc.) se manifestam identicamente ou pior nas concessionadas — até porque os privados não têm de fazer qualquer investimento, recebem material e infraestrutura da CP, e perdem-se efeitos de escala, experiência e conhecimento — como o único verdadeiro efeito é degradarem-se as condições salariais e de trabalho e o vínculo contratual dos trabalhadores, nomeadamente os “destacados” da CP.
Não é por acaso. Esse é o verdadeiro objetivo: reduzir o custo do trabalho, degradar a posição dos trabalhadores e proporcionar lucros e rendas fáceis a obscuros concessionários, geralmente sem capital.
Numa palavra: saquear a empresa pública, chupá-la até ao osso e depois deitar fora os restos.
“A poesia está guardada nas palavras – é tudo que eu sei. Meu fado é o de não saber quase tudo. Sobre o nada eu tenho profundidades. Não tenho conexões com a realidade. Poderoso para mim não é aquele que descobre ouro. Para mim poderoso é aquele que descobre as insignificâncias
“A poesia está guardada nas palavras – é tudo que eu sei.
Meu fado é o de não saber quase tudo.
Sobre o nada eu tenho profundidades.
Não tenho conexões com a realidade.
Poderoso para mim não é aquele que descobre ouro.
Para mim poderoso é aquele que descobre as insignificâncias (do mundo e as nossas).
Por essa pequena sentença me elogiaram de imbecil.
Fiquei emocionado.
Sou fraco para elogios.”
Manoel de Barros
In:Tratado geral das grandezas do ínfimo
(2001)

Na luta do movimento operário não houve duas fases em sequência cronológica, primeiro sindical (em defesa do valor da força de trabalho) e, só depois, política (luta pelo poder na sociedade e pela abolição da exploração capitalista). Toda a luta de classes tendia a ser uma luta política.

Por volta de meados da década de 1840, já existiam núcleos importantes de organização em prol da emancipação social dos operários nos três principais países (ou projetos de países, no caso da Alemanha) da Europa: Inglaterra, França e Alemanha. A Liga dos Justos, embora inicialmente alemã, tinha-se espalhado pela Europa junto com os operários ou artesãos especializados daquela origem. Nenhum desses movimentos, porém, tinha o caráter e a influência de massas da Charter (ou “Carta”) inglesa, que atuava legalmente mediante petições ao Parlamento britânico. O vínculo entre a Liga (basicamente alemã) e os cartistas possibilitou uma nova síntese política para a luta dos trabalhadores. Como informa David Riazanov, os cartistas que haviam ingressado na Liga o fizeram com a condição de que pudessem manter sua ligação com o partido. O seu intuito era organizar uma espécie de núcleo comunista no cartismo, para ali expandir o programa e os objetivos dos comunistas. A Liga dos Justos tinha, apesar de os alemães serem preponderantes entre seus membros, um caráter internacional. Segundo o grande historiador da Liga, Bert Andreas, a Liga devia alguns traços de sua organização secreta às sociedades secretas neobabeuvistas com as quais as comunas da Liga em Paris tinham estreitas relações. Os membros da Liga estavam obrigados a difundir os princípios, fazer novos recrutamentos, fundar associações oficiais de operários e artesãos.
Foi somente nos grandes centros da Liga, em Paris e Londres, e mais tarde em Genebra, que as comunas tiveram uma existência e uma atividade contínuas, apoiando-se sempre em associações operárias públicas paralelas: Karl Marx, residente em Paris (onde ficou do final de 1843 até fevereiro de 1845, quando foi expulso por sua colaboração com o jornal democrático radical Vorwärts e partiu para Bruxelas) manteve-se nesse período à margem das sociedades secretas; não aderiu à Liga dos Justos, apesar de frequentar as suas reuniões na Rua de Vincennes, vigiadas pela polícia prussiana, e apesar da estima que tinha pelos artesãos comunistas, enquanto homens e lutadores: “Entre eles”, escreveu em 1844, “a fraternidade não é uma palavra vazia, mas uma realidade, e toda a nobreza da humanidade irradia desses homens endurecidos pelo trabalho”, nos quais ele admirava “o gosto pelo estudo, a sede de conhecimentos, a energia moral, a necessidade de desenvolvimento”.
Convidado pela Liga dos Justos a aderir a ela, Marx filiou-se no início de 1847. Sob sua influência, e a influência ainda maior de Friedrich Engels (que aderiu à Liga antes de Marx e convidou insistentemente o amigo a fazer o mesmo), foram adoptados novos estatutos, cujo primeiro artigo afirmava: “O objectivo da Liga é o derrube da burguesia, a dominação do proletariado, a superação da velha sociedade burguesa fundada no antagonismo de classes, e o estabelecimento de uma nova sociedade sem classes e sem propriedade.” A Liga foi reorganizada depois que Marx e Engels exigiram que se suprimisse dela tudo o que favorecesse a “superstição autoritária”, favorecida pelo seu caráter secreto e conspirativo. Colocou-se desse modo um fim a todo o tipo de conspiração, que requeria métodos ditatoriais da direção, e a atividade da Liga concentrou-se na propaganda pública, pelo menos quando isso fosse possível. O congresso da Liga aprovou a publicação de uma revista, cujo único número apareceu em setembro de 1847, com o título de Revista Comunista. Nesse número apareceu como epígrafe, substituindo o antigo lema da Liga: “Todos os homens são irmãos”, o indicado por Engels sob sugestão de Marx: “Proletários de todos os países, uni-vos!” O internacionalismo operário, iniciado pelos operários grevistas de Manchester e Lyon em inícios da década de 1840, virava programa político.
Existia já na Inglaterra uma classe operária nascida da fábrica, que fazia valer suas reivindicações através do poderoso movimento cartista; havia alguma liberdade de reunião e de associação; havia, além dos numerosos operários e artesãos de todos os países europeus, exilados políticos franceses, alemães, italianos e polacos de todas as opiniões. O cartismo testemunhou o despertar político da classe operária no cenário social. Com base no programa democrático, organizou manifestações de massas, e até uma greve geral em 1842, que abarcou mais de cinquenta mil operários, e que inaugurou a prática dos “piquetes móveis”, depois mundialmente difundida. A ação dos cartistas foi eficiente, eles conseguiram mudanças efetivas, tais como a primeira lei de proteção ao trabalho infantil (incluída na Factory Act), a lei de imprensa (1836), a reforma do Código Penal (1837), a regulamentação do trabalho feminino e infantil, a lei de supressão dos direitos alfandegários sobre os cereais (esta, em aliança com os políticos liberais e a burguesia industrial), tornando-os mais baratos para o consumo do povo, a lei das associações políticas.
A luta dos trabalhadores contra o capital foi, portanto, em escala histórica e internacional, a consequência das contradições que, no sistema de produção capitalista, opunham o capital ao trabalho assalariado. Essa luta atravessou diversas fases: as primeiras reações anticapitalistas dos trabalhadores focaram-se nos instrumentos da dominação capitalista (as máquinas, as leis contra a “ociosidade”, das quais se tentava fugir), para só depois atacarem as próprias relações sociais, baseadas na propriedade privada burguesa dos meios de produção, que forneciam sustentação a esses instrumentos. O movimento operário organizado foi o resultado da percepção, pelos trabalhadores, do caráter irreconciliável das contradições de classe.
A organização independente de classe, surgida da concentração física e social da classe operária, expressava a ideia de uma luta de longo prazo, onde o que estava em jogo era o próprio poder, “a exigência da apropriação de todos os meios de produção em nome da sociedade pelo proletariado elevado à direção política exclusiva”, nas palavras de Engels. Em que, pesem os avanços sociais, o capitalismo apresentava a clara tendência para a diminuição da parte dos salários na totalidade da riqueza produzida. A distribuição da riqueza social entre o capital e o trabalho tornou-se ainda mais desigual. Nas palavras de Karl Marx, “com o mesmo capital, o capitalista controla uma quantidade maior de trabalho. O poder da classe capitalista sobre a classe operária cresceu, a posição social do trabalhador piorou, desceu um degrau mais abaixo da do capitalista”. A tendência para a miséria social relativa se transformava em tendência para a miséria social absoluta em períodos de crise, o que afetava de modo especial os antigos artesãos qualificados transformados em operários de fábrica. Nas primeiras crises capitalistas, o papel de vanguarda dos artesãos qualificados nas lutas operárias foi documentado pelos historiadores.
A organização independente de classe, surgida da concentração física e social da classe operária, expressava a ideia de uma luta de longo prazo, onde o que estava em jogo era o próprio poder.
Os trabalhadores das primeiras indústrias de produção massiva desempenharam um papel relativamente passivo em períodos de conflitos sociais produzidos pelas crises, embora os potenciais trabalhadores fabris criados pelos processos de decomposição dos pequenos produtores mercantis e camponeses amiúde resistissem ao próprio trabalho assalariado capitalista. A maior parte da mão de obra nas indústrias capitalistas de bens de consumo era composta por mulheres e crianças, que enfrentavam enormes obstáculos na sua luta pela igualdade no mercado de trabalho e também por assumir um papel no movimento operário (por exemplo, nas primeiras greves na indústria têxtil e do vestuário). As mulheres se faziam menos ilusões no referente à importância de suas capacidades individuais na produção capitalista, e não possuíam os mesmos direitos políticos e o mesmo poder dos homens.
Foram necessárias décadas de luta para superar esses problemas e unificar o conjunto da classe operária, com independência de sexo, nacionalidade, raça ou idade. Gradualmente, foi se impondo a consciência de que qualquer luta que se limitasse a “melhorias” na condição dos trabalhadores não conseguiria inverter a tendência para a crescente miséria social: “A organização dos trabalhadores, sua sempre crescente resistência, é possível que operasse como muro de contenção contra o aumento da miséria, mas o que aumentava com certeza era a insegurança da existência”. As condições de trabalho e de vida se tornavam cada vez mais incertas com o avanço do capitalismo.
Essa era a base da tendência objetiva para uma luta contra as próprias bases do regime de produção do capital. Marx notara que “os efeitos de todos estes avanços sobre o salário relativo dos operários são o resultado mecânico da produção mercantil e do caráter de mercadoria da força de trabalho. E por isso que a luta contra a queda do salário relativo traz em si a luta contra o caráter de mercadoria da força de trabalho, isto é, contra a produção capitalista em seu conjunto. A luta contra a queda relativa do salário já não é uma luta que se desenvolve no terreno da economia mercantil, mas um assalto revolucionário, subversivo, contra a existência dessa economia, é o movimento socialista do proletariado”.
Através do movimento operário, a luta inicialmente dispersa dos trabalhadores se transformou em luta de classe. O movimento operário, inicialmente, retomou as formas de luta características dos movimentos e classes oprimidas que o precederam: escravos, plebeus, artesãos, camponeses. Mas não se limitou a retomá-las: também as reformulou, de acordo com as novas condições de produção, criando formas específicas de organização. Na luta do movimento operário, porém, não houve duas fases em sequência cronológica, primeiro sindical (em defesa do valor da força de trabalho) e, só depois, política (luta pelo poder na sociedade e pela abolição da exploração capitalista). Toda a luta de classes tendia a ser uma luta política. No berço histórico do movimento operário (a Inglaterra), os sindicatos, de um lado, e as organizações e reivindicações políticas (sufrágio universal, parlamento aberto aos representantes dos trabalhadores), do outro, surgiram paralelamente. As primeiras grandes vitórias da classe operária na luta em defesa da força de trabalho foram produto de movimentos de natureza e conotações claramente políticas.
A luta sindical e a ação política operária não estiveram separadas por períodos históricos diferenciados: foram duas faces de uma mesma atividade de classe. O pensamento socialista contemporâneo surgiu junto com o próprio capitalismo, expressando a sensibilidade de diversos setores sociais, ou de pessoas oriundas de classes sociais diversas, em relação ao caráter dramático e destrutivo das contradições e catástrofes sociais geradas pelo sistema capitalista. A maioria dos pensadores socialistas ficou convencida de que essa desagregação social só teria fim com a abolição da propriedade privada dos meios de produção. Ao mesmo tempo, teve consciência de que as novas forças produtivas criadas pelo capitalismo (o sistema industrial) tornavam possível a realização prática de uma sociedade socialista baseada na propriedade coletiva dos meios de produção, ideia cuja formulação precedera em muito o próprio capitalismo, e que fora inicialmente apresentada dentro de ideologias religiosas. Com a organização de classe dos trabalhadores, que foi internacional desde seus primórdios, sob o novo jugo do capital, essas ideias foram gradualmente se desvencilhando de seu invólucro religioso.
2ª. parte Na Venezuela, o realismo mágico de Gabriel García Márquez manifesta-se em toda a sua plenitude: o atual ministro da Defesa, general Gustavo González López, continua a pronunciar, diante dos seus subordinados, a saudação de “Chávez vive, pátria, socialismo ou morte”, enquanto coordena as agendas de trabalho com
Na Venezuela, o realismo mágico de Gabriel García Márquez manifesta-se em toda a sua plenitude: o atual ministro da Defesa, general Gustavo González López, continua a pronunciar, diante dos seus subordinados, a saudação de “Chávez vive, pátria, socialismo ou morte”, enquanto coordena as agendas de trabalho com o diretor da CIA ou com generais norte-americanos.

Os terramotos que abalaram a Venezuela acabaram por ser o pretexto ideal para que os Estados Unidos decidissem destacar forças de elite, tropas e mais de 3000 efetivos militares no país, sob o pretexto de “conduzir” a reconstrução económica e material no pós-terramoto. Na prática, essas são novas formas de apresentar o estabelecimento de bases militares no país, no âmbito da Estratégia de Segurança Nacional anunciada por Trump em novembro de 2025. Uma estratégia que complementa as abordagens e orientações acordadas na reunião do Comando Sul, do secretário da Guerra, do Departamento de Estado e dos ministros da Defesa da região, na chamada Cimeira “Escudo das Américas”, realizada em março deste ano. Para completar o quadro, em 20 de julho de 2026, Marco Rubio apresentou o documento intitulado “Cuba: a capital do comunismo do século XXI”, que, em conjunto, reaviva os piores ecos do macartismo1.
Como sempre, a estratégia norte-americana anda de mãos dadas com as iniciativas israelitas. Assim, nos dias que se seguiram aos terramotos, a Junta da Administração Colonial, presidida por Delcy Rodríguez, assinou acordos de cooperação militar, técnica e financeira com membros do estado-maior sionista. Presente na assinatura dos acordos esteve o uruguaio-israelita Roni Kaplan, no posto de capitão e porta-voz das forças de defesa de Israel para a imprensa internacional de língua espanhola e asiática, desde junho de 2012. Kaplan é residente em Jerusalém.
Esta presença dos EUA e de Israel parece antecipar a intenção de estender, ao longo do tempo, a situação colonial que a Venezuela vive desde 3 de janeiro.
Na Venezuela, qualquer coisa pode acontecer, e o realismo mágico de Gabriel García Márquez manifesta-se em toda a sua plenitude. Depois de 3 de janeiro, parece que toda a realidade política entrou noutra dimensão. María Corina Machado, promotora da invasão norte-americana da Venezuela, foi descartada por Trump como alternativa presidencial a curto prazo e encontra-se agora “estacionada” no Panamá, anunciando que poderá retornar ao país a qualquer momento, enquanto o presidente dos EUA a avisa de que não tem autorização para o fazer.
Neste momento, já ninguém parece lembrar-se do chamado “Cartel de los Soles”, uma desculpa usada pela administração Trump para realizar a operação militar de 3 de janeiro contra a soberania venezuelana. As acusações de tráfico de drogas não recaíram apenas sobre Maduro e Cilia Flores, mas também sobre outras figuras que hoje permanecem no poder com a autorização dos gringos. Outro dos acusados de pertencer a esse “cartel” – por quem os Estados Unidos oferecem uma recompensa de vinte e cinco milhões de dólares – reúne-se frequentemente em Caracas com o diretor da CIA, o encarregado de negócios ou o chefe do Comando Sul. E, como se o insólito não tivesse limites no folclore político venezuelano, Diosdado Cabello surge agora como defensor do ocupante da Casa Branca, atacando influencers que questionam Trump. Os argumentos formais e os limites esperados da política diluem-se perante o peso da economia colonial do petróleo.
Por outro lado, a outrora radical anti-imperialista nos fóruns do Mercosul, Delcy Rodríguez, agora como presidente interina, convida Israel a participar na reconstrução económica da Venezuela. Os israelitas, especialistas em demolições, são agora chamados a reconstruir a infraestrutura e a economia do país. Uma delegação de militares de alta patente já foi destacada para Caracas e para o Sul do país, onde se localizam os depósitos de ouro.
Quando o surrealismo político parecia atingir o seu limite, o eterno ministro da Defesa do Governo de Maduro, Vladimir Padrino López, declara que teve conhecimento da operação militar de 3 de janeiro, mas, diante da superioridade militar e tecnológica demonstrada pelos norte-americanos, ordenou aos pilotos e militares venezuelanos que não agissem, para evitar perdas humanas, desobedecendo assim às ordens do seu superior (Maduro), que o colocara na linha da frente da defesa da soberania nacional. Em qualquer país decente, isto justificaria um julgamento por traição à pátria, mas o que recebeu foi uma simples mudança de pasta, passando a ocupar o cargo de ministro responsável pela agricultura da colónia em que ele ajudou a transformar a Venezuela.
E, como se estivéssemos diante do mundo fantástico de Alice no País das Maravilhas, o atual ministro da Defesa da Venezuela, general Gustavo González López, continua a pronunciar, diante dos seus subordinados, a saudação de “Chávez vive, pátria, socialismo ou morte”, enquanto coordena as agendas de trabalho com o diretor da CIA ou com generais norte-americanos, que agora circulam pelo território venezuelano como se fossem crioulos.
Enquanto a administração Trump quer promover a coexistência entre todos os setores políticos pró-americanos, [Corina Machado] quer um governo de rutura que expulse aqueles que hoje garantem aos Estados Unidos a construção de uma situação colonial na Venezuela.
Os antigos antiamericanos tornam-se agora amigos do império, e aqueles que foram pró-invasão enfrentam as consequências porque “Roma não paga a traidores”. Visto de fora, este quadro não é totalmente percetível; vivido por dentro, assume a forma de uma comédia trágica grega. Como numa obra de Kafka, começamos a ver, sem disfarce, os Ungeziefer, ou criaturas monstruosas, a caminhar pelas paredes da política, com o valor humano reduzido à utilidade e ao peso da desumanização burocrática.
Em maio deste ano, a líder da oposição María Corina Machado – com a participação do presidente Mulino – realizou uma reunião com todas as forças de oposição que a acompanham, especialmente com a Plataforma Democrática Unitária, bem como com alguns setores da esquerda que se juntaram a ela. O resultado foi um documento que confirma o que temos vindo a assinalar desde 2024: a estratégia dos Estados Unidos e a de Corina Machado estão a distanciar-se. Enquanto a administração Trump quer promover a coexistência entre todos os setores políticos pró-americanos, incluindo o “Delcinato” colonial, a líder da direita quer um governo de rutura que expulse aqueles que hoje garantem aos Estados Unidos a construção de uma situação colonial na Venezuela.
Os termos finais da reunião no Panamá parecem indicar que a oposição que ela lidera quer “ir até ao fim”, sem medir a turbulência que isso pode gerar. Esse erro de cálculo e de estratégia política mantém-na nas margens do poder na Venezuela, apesar de ser a figura ideologicamente mais simpática aos interesses imperiais. Enquanto não se concretizar um acordo entre as elites e María Corina Machado não aceitar uma reconciliação entre a velha e a nova burguesia, os caminhos para o Palácio Miraflores parecem estar-lhe bloqueados.
Se persistir nesta linha de ação, o único caminho que lhe resta é confrontar os Estados Unidos e tentar liderar um polo nacionalista burguês, o que parece altamente improvável. É muito mais provável que ela acabe por aceitar uma “cúpula” Delcy-María Corina que abra caminho para um pacto entre as elites pró-americanas. Cabe-lhe, a ela, desfolhar a margarida.
Como advertimos, após a reunião no Panamá, o Departamento de Estado, confirmando a linha colonial, nomeou, sem eufemismos nem dissimulações, a Sra. Dinorah Figuera como porta-voz dos interesses dos EUA, numa transição acordada com o “Delcinato”. Figuera foi presidente da Assembleia Nacional em 2015, de maioria da oposição, mas, nos seus tempos universitários, partilhou bandeiras com Jorge Rodríguez. Agora, o atual parlamento e a oposição de 2015 reúnem-se novamente para avançar na eleição de um novo Conselho Nacional Eleitoral, de membros do Supremo Tribunal de Justiça e de eleições supervisionadas, o que expressa o modelo colonial de transição, o que também poderá transformar a participação de María Corina Machado num percurso de obstáculos, desta vez não promovido por Maduro, mas por Trump.
Assim, a 1 de agosto, nasceu o “sietemesino”2. O trabalho dessa nova instância colonial começou com a missão de reconstruir a arquitetura legal, institucional e política do país, a fim de sustentar e manter, ao longo do tempo, a situação colonial na Venezuela. Já quase ninguém duvida de que qualquer convocatória eleitoral será destinada a garantir a governabilidade da colónia. Apenas o povo venezuelano organizado poderá reverter essa situação.
A esquerda persiste
Nos últimos meses, o tecido social da esquerda, que se encontrava fragmentado em torno das polémicas sobre chavismo ou madurismo, ressurgiu. No entanto, continua frágil. Enquanto um setor minoritário aposta na continuidade da sua identidade e na construção de um instrumento político amplo e inclusivo, outros setores permanecem indecisos quanto à posição a adotar em relação a María Corina Machado e à sua coligação.
Inclusivamente, forças que em 2024 apoiaram abertamente Edmundo González Urrutia defendem agora que o objetivo é impedir que María Corina Machado chegue ao poder, enquanto outros – que parecem ainda ser a maioria – falam da necessidade de garantir que a líder da oposição participe nas eleições, ainda que com reservas. Muitos afirmam que não votariam nela, mas consideram que a sua participação deveria ser assegurada.
Aquilo com que toda a esquerda não-madurista nem relacionada com a junta de administração colonial parece concordar é que o resgate da soberania eleitoral passa necessariamente pela recuperação da soberania territorial.
O que fazer? A tática para sair da situação colonial
Há quem fale de protetorado e não de colónia, apesar de a Venezuela ter perdido a capacidade de vender o seu petróleo e as suas riquezas, de não controlar o fluxo de dinheiro do comércio externo, nem ter autonomia para decidir com quem negoceia, e de a legitimidade do seu Governo depender de uma força de ocupação estrangeira, neste caso, do imperialismo. Mas este não é um debate académico ou intelectual: trata-se de relações de forças e de tática.
Até onde se pode alargar o leque de alianças sem se perder a independência de classe, com vista à recuperação da república? Quais são as formas de luta e os instrumentos de organização da classe trabalhadora para alcançar a libertação nacional? Como articular a luta por uma nova independência da república com uma perspetiva socialista e democrática?
Todas essas questões são atravessadas pela necessidade de explicar, de forma paciente e didática, aos trabalhadores e trabalhadoras, e ao povo em geral, que o desastre que a revolução bolivariana se tornou não é o socialismo pelo qual lutamos como horizonte histórico, e que o socialismo significa bem-estar, justiça social e salarial, ampliação da liberdade de opinião, de organização e de protagonismo cidadão. Uma tarefa nada fácil para os e as revolucionárias venezuelanas do presente.
Consequentemente, devemos entrar no debate sobre a situação na Venezuela não como uma abstração, mas em associação direta com a tática de resistência que a caracterização da realidade implica.
Neste momento, estamos envolvidos na recolha de fundos promovida pela corrente político-social COMUNES para ajudar uma comunidade em La Guaira e a rádio comunitária FM Vozes Antiimperialistas. A recomposição da esquerda venezuelana terá de partir do território e das lutas concretas, convictos de que, como disse Voltaire, toda a mudança começa a partir de um centro.
Conclusão
Do nosso ponto de vista, a revolução bolivariana supera em muito os tempos chavistas-maduristas, porque, na realidade, esses períodos foram apenas momentos convergentes de décadas de resistência antissistema acumulada, que ainda hoje procuram reorganizar-se para além do colapso colonial. A apropriação dos símbolos e discursos da esquerda, colocados ao serviço de um processo ambíguo policlassista que terminou em derrota, agravada pela confusão gerada na população quanto ao significado e à real orientação de uma estratégia anticapitalista, forçará a esquerda venezuelana a repensar-se, renovar-se e a construir novos códigos, imagens e formas de articular instrumentos políticos com a luta social quotidiana. Se não tiver sucesso, a esquerda venezuelana ficará presa no espelho quebrado do fracasso da revolução bolivariana.
A Venezuela não é um beco sem saída, mas sim um lugar onde tudo é possível. Até agora, os Estados Unidos alcançaram uma posição privilegiada, dominando quase todas as cartas do jogo político. A oposição de direita liderada por María Corina Machado, a direita que há anos estabeleceu pactos com o madurismo (“alacranato”), e a Junta de Administração Local (os Rodríguez & Cabello) estão alinhados com os interesses dos Estados Unidos. Mas a antipatia antiamericana começa a crescer, de forma subterrânea e lentamente, e, embora ainda não se manifeste em formas organizacionais clássicas, é como o murmúrio que anuncia a subida do rio.
Tudo parece indicar um aumento da tensão que, no momento, colocará não a premissa luxemburguista de “socialismo ou barbárie”, mas a de “democracia ou ditadura”. A nova esquerda começa a reorganizar-se, emergindo do seu labirinto. Espera-se que os tempos permitam que se torne um fator determinante na solução democrática e popular desta crise.
O “Escudos das Américas” é uma iniciativa, lançada em março de 2026 por Donald Trump, em parceria com líderes da América Latina, entre os quais o argentino Javier Milei e o salvadorenho Nayib Bukele, além de outros governos latino-americanos e caribenhos alinhados com a administração norte-americana. Disfarçado de pacto de segurança, trata-se de um plano que reedita a Doutrina Monroe e procura subordinar a América Latina ao poder militar gringo, ao mesmo tempo que busca barrar a influência de países como a China na região. O combate ao narcotráfico e aos cartéis é um pretexto para justificar a militarização da América Latina (nota da tradução).
A expressão “nasceu o sietemesino” (nasceu um bebé de sete meses) é uma metáfora para descrever como a nova instância colonial se trata de uma nova estrutura político-institucional que nasce prematura (nota da tradução).
OUT.17
Porto e Coimbra 10h30
Lisboa 14h30

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