dicionário da novilíngua

Influenciador (influencer)

Segundo o dicionário da Porto Editora, adjetivo ou nome masculino que designa que ou o que influencia; influenciador digital é a pessoa que, por reunir um grupo significativo de seguidores em redes sociais ou plataformas de comunicação online, tem a capacidade de gerar interesse em determinada marca, serviço, produto ou causa, através das referências ou das recomendações que faz nesses meios. Segundo o Cambridge Dictionary, influencer é uma pessoa ativa nas redes sociais que consegue influenciar a opinião pública, persuadir as pessoas a adotar um determinado estilo de vida ou a comprar um produto específico.

EM NOVILÍNGUA:

Um influenciador ou influenciadora seria “antigamente” uma figura pública (ator, cantor, modelo, celebridade do futebol, do cinema ou da TV (por exemplo, o ex-guarda-redes do Sporting Vítor Damas que promovia o creme de barbear Palmolive, ou as atrizes de cinema que gabavam um sabonete: “nove de cada dez estrelas usam Lux”) que utilizavam a sua imagem para promover marcas. Ou as e os colunistas “sociais”, que “faziam” opinião sobre estilo de vida ou moda nas colunas dos jornais. Vendedores, portanto. ASP

Em 16 de outubro de 2025, há pouco mais de meio ano, portanto, era publicado online um novo jornal reunindo sindicatos, trabalhadores das mais diversas profissões, incluindo intelectuais e homens e mulheres da cultura e das letras. Chamou-se Maio e o seu lema era “para pensar e ajudar a transformar o mundo”. Definia-se como um espaço coletivo onde se expõem, debatem e repensam ideias. Onde se dão e recebem informações úteis sobre vida e luta, política, sociedade, economia, trabalho. Onde se relatam e trocam experiências, se tiram e debatem lições. Um lugar onde cidadãos, gente que vive do trabalho, manual e intelectual, se propõe criticar radicalmente a sociedade onde vive.

Assinala-se este mês o centenário da greve geral de 1926 na Grã-Bretanha. Quase 1,7 milhões de trabalhadores entraram em greve em solidariedade com um milhão de mineiros postos em layoff. Enfrentavam os proprietários das minas, o governo conservador e o aparelho do Estado. Foi um período de luta de classes sem quartel e com importantes implicações políticas. Porém, apesar do entusiasmo mostrado pelos grevistas e da sua disposição em intensificar a luta até à vitória, ao fim de nove dias o Conselho Geral do Congresso dos Sindicatos (TUC) suspendeu repentinamente a acção de solidariedade e deixou os mineiros a lutar sozinhos, até acabarem derrotados. Esta caracterização vem contrabalançar significativamente o que os comentadores burgueses e de centro-esquerda têm sustentado, a saber, que a greve geral estava, à partida, inevitavelmente votada à derrota. No mais, o interesse desta batalha não é meramente histórico. Encerra, também, lições importantes para os militantes radicais dos nossos dias.

1º CONGRESSO DO MAIO

Um Congresso de Ideias para Transformar o Mundo

No dia 28 deste mês. A Justiça Federal de São Paulo condenou José Maria de Almeida, presidente do PSTU, partido legal brasileiro, a dois anos de detenção pelo suposto crime de racismo contra os judeus num ato público realizado na Avenida Paulista de São Paulo, em outubro de 2023.
As alegações para tal se baseiam no facto de que teria sido uma incitação contra todos os judeus, tanto do Brasil como de Israel.

Waldo Mermelstein, cidadão brasileiro e judeu de uma família oriunda do Leste da Europa vítima do holocausto, defende aqui Zé Maria e enquadra as perseguições que estão a ser feitas contra ativistas defensores dos Palestinianos, acusados de “antissemitismo”.

Waldo Mermelstein

O Tempo contra o Tempo é um podcast apresentado por Raquel Varela.

 #50

A ferrovia que temos e a que podíamos ter

Raquel Varela recebe no Tempo contra o Tempo Luís Bravo, do SFRCI – Sindicato Ferroviário da Revisão Comercial Itinerante. Um debate sobre transportes públicos gratuitos ou não, em Lisboa e Porto, um olhar sobre a ferrovia, e ainda sobre o pacote laboral

Na Suécia, os trabalhadores boicotaram navios russos em resposta à invasão da Ucrânia e, posteriormente, fizeram o mesmo em relação ao comércio de armas de Israel. A sua ação demonstra o poder da solidariedade da classe trabalhadora contra o militarismo.

Entrevista com Erik Helgeson

Rafael Rosa Hagemayer homenageia a canção de intervenção em Portugal e o 25 de Abril neste videodocumentário. Letra, música, arranjo, interpretação e edição do autor.

APOIA O MAIO!

Nunca os trabalhadores precisaram tanto de uma voz independente.

Guerra é terrorismo

Mário Tomé

Vamos curar a hetero-sexualidade?

João Carlos Louçã

França: Quentin Deranque ou a glorificação de um neofascista

Cristina Semblano

Pobreza energética: mais um produto da desigualdade social

Manuel Carlos Silva

SEGUE-NOS

OS ESTATUTOS DO HOMEM
(Ato Institucional Permanente)

A Carlos Heitor Cony

 

Artigo I.

Fica decretado que agora vale a verdade.
que agora vale a vida,
e que de mãos dadas,
trabalharemos todos pela vida verdadeira.

 

Artigo II.

Fica decretado que todos os dias da semana,
inclusive as terças-feiras mais cinzentas,
têm direito a converter-se em manhãs de domingo.

 

Artigo III.

Fica decretado que, a partir deste instante,
haverá girassóis em todas as janelas,
que os girassóis terão direito
a abrir-se dentro da sombra;
e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,
abertas para o verde onde cresce a esperança.

 

Artigo IV.

Fica decretado que o homem
não precisará nunca mais
duvidar do homem.
Que o homem confiará no homem
como a palmeira confia no vento,
como o vento confia no ar,
como o ar confia no campo azul do céu.


Parágrafo Único:

O homem confiará no homem
como um menino confia em outro menino.


Artigo V.

Fica decretado que os homens
estão livres do jugo da mentira.
Nunca mais será preciso usar
a couraça do silêncio
nem a armadura de palavras.
O homem se sentará à mesa
com seu olhar limpo
porque a verdade passará a ser servida
antes da sobremesa.


Artigo VI.

Fica estabelecida, durante dez séculos,
a prática sonhada pelo profeta Isaías,
e o lobo e o cordeiro pastarão juntos
e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.


Artigo VII.

Por decreto irrevogável fica estabelecido
o reinado permanente da justiça e da claridade,
e a alegria será uma bandeira generosa
para sempre desfraldada na alma do povo.


Artigo VIII.

Fica decretado que a maior dor
sempre foi e será sempre
não poder dar-se amor a quem se ama
e saber que é a água
que dá à planta o milagre da flor.

 

Artigo IX.

Fica permitido que o pão de cada dia
tenha no homem o sinal de seu suor.
Mas que sobretudo tenha sempre
o quente sabor da ternura.

 

Artigo X.

Fica permitido a qualquer pessoa,
a qualquer hora da vida,
o uso do traje branco.

 

Artigo XI.

Fica decretado, por definição,
que o homem é um animal que ama
e que por isso é belo.
muito mais belo que a estrela da manhã.

 

Artigo XII.

Decreta-se que nada será obrigado nem proibido.
tudo será permitido,
inclusive brincar com os rinocerontes
e caminhar pelas tardes
com uma imensa begônia na lapela.

Parágrafo único:
Só uma coisa fica proibida:
amar sem amor.

 

Artigo XIII.

Fica decretado que o dinheiro
não poderá nunca mais comprar
o sol das manhãs vindouras.
Expulso do grande baú do medo,
o dinheiro se transformará em uma espada fraternal
para defender o direito de cantar
e a festa do dia que chegou.

 

Artigo Final.

Fica proibido o uso da palavra liberdade.
a qual será suprimida dos dicionários
e do pântano enganoso das bocas.
A partir deste instante
a liberdade será algo vivo e transparente
como um fogo ou um rio,
e a sua morada será sempre
o coração do homem.

Santiago do Chile, abril de 1964
Publicado no livro Faz Escuro Mas Eu Canto: Porque a Manhã Vai Chegar (1965).
In: MELLO, Thiago de. Vento geral, 1951/1981: doze livros de poemas. 2.ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 198

Na Lourinhã, território marcado pela presença de comunidades migrantes oriundas de diferentes países, que trazem consigo outras línguas, outras referências, diferentes formas de estar, e em que, para muitas, aprender português é um desafio diário, surge um projeto que quer transformar a forma como se aprende a língua portuguesa — e, sobretudo, a forma como se constrói pertença. Chama-se Kula e nasce de uma ideia simples, mas profundamente necessária: aprender uma língua não é apenas memorizar palavras, é encontrar formas de dizer quem somos.

Margarete Schütte-Lihotzky, uma arquitecta que não sabia estrelar um ovo, projectou a cozinha moderna e revolucionou a forma como cozinhamos.

O Livros a Oeste – Festival do Leitor regressa à Lourinhã entre 12 e 16 de maio para a sua 14.ª edição. Define-se como um espaço de encontro em torno do livro, da palavra e do pensamento, entendido aqui como gesto de criação, mas também como forma de participação na vida pública.

Os bailinhos da Terceira

Na ilha Terceira há um carnaval quase único no mundo. são uma secular e vibrante tradição de Carnaval na Ilha Terceira, Açores, considerada uma das maiores manifestações de teatro popular do mundo. Durante o período carnavalesco, dezenas de grupos percorrem salões e centros comunitários apresentando sátiras, danças e música. Mais de 1500 actores, músicos, costureiras, escritores, auto-organizados, sem qualquer tipo de troca monetária (tudo é gratuito) encenam a vida. Teatro não para o povo, mas do povo. A vida é festa, colectiva.

TEMPO DAS CEREJAS

Acontecimentos relevantes do mundo
do trabalho

PÕE A TUA LUTA NO MAIO!

Vais organizar greves, protestos, manifestações pelos teus direitos? Queres tornar pública uma luta no teu trabalho, bairro ou aldeia? Escreve-nos.

Episódios da luta de classes
Por
João Mascarenhas

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