dicionário da novilíngua

Mindfulness

Segundo o Cambridge English-Portuguese Dictionary, nome que significa a prática de estar consciente do seu corpo, mente e sentimentos no momento presente; acredita-se que cria uma sensação de calma; a prática de mindfulness pode ser usada para diminuir os sintomas de ansiedade e depressão.

EM NOVILÍNGUA:

Esta prática tem sido posta na moda pelas revistas “de sociedade” ou cor-de-rosa (que são muitas mais do que as newsmagazines tipo Visão ou Sábado). Também se tornou um grande negócio, com clínicas a propor programas de redução de stress baseados no mindfulness. A questão é que o stress, a ansiedade, o sofrimento psíquico em geral raramente são problemas individuais, mas sociais. Se as pessoas não têm dinheiro para pagar a renda, são sobrecarregadas de trabalho, enlatadas nos transportes, assediadas pelo chefe e em consequência sofrem de stress, ansiedade ou exaustão, o problema não está nas suas cabeças, mas na forma como está organizada a sociedade e, por conseguinte, a solução não é encherem-se de fármacos ou fazerem sessões de mindfulness. Já Hannah Arendt dizia que o antídoto contra o isolamento e o desespero, associados à depressão, está na ação – plural, coletiva. ASP

Ainda antes da rentrée, com meio país de férias, o Governo avançou em força na tentativa de desmantelamento dos sistemas de pensões e reformas, dos cuidados de saúde e do ensino público.

“Há todos os motivos para esperar outra recessão antes do final desta década. O rastilho pode ser aceso por um novo colapso financeiro, como em 2008. Desta vez, o estouro pode não ter início nos bancos, mas ser provocado pelo aumento da dívida das empresas e pelo custo do serviço dessa dívida.” Eis uma grande entrevista com o economista Michael Roberts publicada em chinês pela Academia Chinesa de Ciências Sociais em 2025. Traduzimo-la da versão inglesa, publicada na revista World Socialist Research.

Há algum tempo li um dos livros mais perturbadores da minha vida: Memórias do Subterrâneo (ou Memórias do Subsolo, ou ainda Cadernos do Subterrâneo, dependendo da edição), de Fiódor Dostoievski, publicado em 1864. O protagonista é um personagem sem nome que vive atormentado dentro dos seus pensamentos obsessivos e não consegue parar de se autoanalisar. É um homem demasiado inteligente, mas tão agarrado ao hábito do sofrer que se torna incapaz de tomar decisões benéficas para si próprio. O sofrimento ao qual ele se condena, talvez por ser demasiado familiar, tornou-se parte da própria identidade. Neste livro, Dostoievski faz uma crítica profunda ao “racionalismo” que emergia na Rússia da sua época.

A Odisseia é uma das principais epopeias da literatura grega antiga e uma das obras literárias mais antigas que sobreviveram. É atribuída a Homero, que teria vivido no século VIII antes da era corrente (AEC) e, tal como a Ilíada, centra-se nos acontecimentos associados a uma guerra, a de Troia, que terá ocorrido no século XIII ou início do século XII AEC, portanto há mais de 3000 anos. O realizador britânico Christopher Nolan, autor de filmes como a série dos Batman, Dunkirk ou Oppenheimer, realizou uma adaptação da Odisseia que tem levado multidões ao cinema neste verão de 2026 – e atraído também imensas críticas. O Maio publica, pela sua relevância, este texto de Andrés Ávila, da revista chilena El Porteño, para quem Nolan subverte completamente o sentido do poema. Isso “começa quando o filme coloca a culpa no centro da identidade do protagonista. Em Homero, a culpa constitui uma experiência que o herói deve viver e integrar; nunca o que o define. Na adaptação ocorre exatamente o contrário. A culpa deixa de ser uma dimensão da existência e passa a ser a essência do personagem. A partir desse momento, a viagem deixa de conduzir à autorrealização e passa a conduzir à negação de si próprio.”

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Coluna Vertebral

António Carlos Cortez
Por Bruno Borges
#quaisférias
Não me Canso de Falar
 

Não me canso de falar sobre a diferença ténue entre
as mulheres e as árvores,
sobre a magia da terra, sobre um país cujo carimbo não
encontrei em nenhum passaporte.
Pergunto: Senhoras e senhores de bom coração, a terra
dos homens é, como vós afirmais, de todos os homens?
Onde está então o meu casebre? Onde estou eu?
A assembleia aplaudiu-me
durante três minutos, três minutos de liberdade
e de reconhecimento… A assembleia acaba de aprovar
o nosso direito ao regresso, como o de todas as galinhas e
todos os cavalos, a um sonho de pedra.
Aperto-lhes a mão, um a um, depois faço uma saudação, inclinando-me… e continuo a viagem
para outro país, onde falarei sobre a diferença entre
miragens e chuva.
E perguntarei: Senhoras e senhores de bom coração,
a terra dos homens é
de todos os homens?

Mahmoud Darwish

Tradução de Albano Martins
in O Jardim Adormecido e Outros Poemas, Campo das Letras, Porto

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Por
Bruno Borges

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