dicionário da novilíngua

Otimização (de recursos)

Segundo o dicionário de Português da Porto Editora, otimização é um nome feminino que designa 1) ato ou efeito de otimizar; 2) reestruturação efetuada com o objetivo de obter o maior rendimento possível; 3) determinação, no estudo de um problema, da solução que, de entre todas as soluções possíveis, conduza aos resultados mais satisfatórios.

Em novilíngua:

Se perguntarmos ao Google, este, usando a IA, diz-nos que a definição básica de otimização significa reestruturar ou ajustar variáveis para obter o maior rendimento ou o melhor resultado possível. Usando a nossa própria inteligência, numa simples ida ao supermercado, podemos ver como se “reestruturam ou ajustam variáveis para obter o maior rendimento ou o melhor resultado possível”: a variável “emprego” nas caixas foi “reestruturada” para obter o “maior rendimento ou o melhor resultado possível” (para os patrões): os clientes são agora “convidados” a fazer o trabalho dos e das operadoras de caixa que foram, entretanto, despedidos. Ou então fazem fila pacientemente por vezes na única caixa aberta operada por um empregado. ASP

O Leste da Alemanha era das zonas mais industrializadas do mundo. Hoje, pouco resta. No espaço de uma geração, a população trabalhadora da Alemanha de Leste foi despedida e reduzida a viver de subsídios miseráveis. As mulheres jovens deixaram completamente de ter filhos, fenómeno só visto durante grandes guerras, quando ninguém vê futuro. O nível de vida nos países de Leste em geral, URSS incluída, caiu para menos de metade. Eis o caldo de cultivo da vitória da extrema-direita num estado da ex-RDA.

O crescimento da produtividade desde 2022 deve-se mais a um uso mais intensivo de tecnologia existente após o fim da pandemia do que à introdução de IA. A adopção de IA tem aumentado, sim, mas ainda está muito longe do pico. A Goldman Sachs estima que possa demorar quinze anos a lá chegar; a OCDE aponta para vinte. Conseguirão as actuais empresas de IA sobreviver tanto tempo? Poderão as bolsas esperar tanto tempo sem a bolha rebentar antes?

Na Venezuela, o realismo mágico de Gabriel García Márquez manifesta-se em toda a sua plenitude: o atual ministro da Defesa, general Gustavo González López, continua a pronunciar, diante dos seus subordinados, a saudação de “Chávez vive, pátria, socialismo ou morte”, enquanto coordena as agendas de trabalho com o diretor da CIA ou com generais norte-americanos.

Na saúde, a reforma que verdadeiramente falta continua por fazer: salários e carreiras valorizados, condições de trabalho dignas e uma negociação coletiva séria, capaz de trazer e manter no SNS os médicos e os profissionais de saúde de que a população precisa.

A massificação da flauta de bisel no ensino da música limitou outras oportunidades pedagógicas musicais. Devia promover-se a aprendizagem de outros instrumentos musicais como cordofones, instrumentos de percussão, e criar grupos de música tradicional portuguesa, bandas rock, grupos corais.

Na luta do movimento operário não houve duas fases em sequência cronológica, primeiro sindical (em defesa do valor da força de trabalho) e, só depois, política (luta pelo poder na sociedade e pela abolição da exploração capitalista). Toda a luta de classes tendia a ser uma luta política.

Todos os anos, nas freguesias da ilha Terceira, mais de 50 grupos de “bailinhos” auto-organizados, andam de freguesia em freguesia, de sexta a terça de Carnaval, mais de 1500 músicos e atores. Em geral, começam por um grupo de amigos, pelas alturas do Natal. Um diz: “Este ano tiramos um bailinho?”

A Odisseia é uma das principais epopeias da literatura grega antiga e uma das obras literárias mais antigas que sobreviveram. É atribuída a Homero, que teria vivido no século VIII antes da era corrente (AEC) e, tal como a Ilíada, centra-se nos acontecimentos associados a uma guerra, a de Troia, que terá ocorrido no século XIII ou início do século XII AEC, portanto há mais de 3000 anos. O realizador britânico Christopher Nolan, autor de filmes como a série dos Batman, Dunkirk ou Oppenheimer, realizou uma adaptação da Odisseia que tem levado multidões ao cinema neste verão de 2026 – e atraído também imensas críticas. O Maio publica, pela sua relevância, este texto de Andrés Ávila, da revista chilena El Porteño, para quem Nolan subverte completamente o sentido do poema. Isso “começa quando o filme coloca a culpa no centro da identidade do protagonista. Em Homero, a culpa constitui uma experiência que o herói deve viver e integrar; nunca o que o define. Na adaptação ocorre exatamente o contrário. A culpa deixa de ser uma dimensão da existência e passa a ser a essência do personagem. A partir desse momento, a viagem deixa de conduzir à autorrealização e passa a conduzir à negação de si próprio.”

Um podcast do Jornal Maio.

 #63

Bento Correia: a Revolução Portuguesa
contada por quem a viveu

Bento Correia foi operário agrícola aos 14 anos. Tem 20 quando, depois do golpe dos capitães em 25 de Abril de 1974, começa a revolução portuguesa. Bento conta-nos a história real da reforma agrária e de como o povo trabalhador se organizou para mudar o país, formando comissões de trabalhadores, moradores, cooperativas, associações de todo o tipo. Como o povo começou a tomar o poder, no campo e nas cidades; e porque não conseguiu levar a revolução até ao fim.

A história do povo contada pelo povo.

Coluna Vertebral - A decadência final do país dos 19 e 20 valores

António Carlos Cortez

Armadilhas da desinformação

Sylvia Debossan Moretzsohn

Um ano do Chega em Albufeira. Já chega?

Hugo Filipe Lopes aka Cobramor

O último Eça

Miguel Real
Por Bruno Borges
#umaemesmacoisa

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Nunca os trabalhadores precisaram tanto de uma voz independente.

“A poesia está guardada nas palavras – é tudo que eu sei.
Meu fado é o de não saber quase tudo.
Sobre o nada eu tenho profundidades.
Não tenho conexões com a realidade.
Poderoso para mim não é aquele que descobre ouro.
Para mim poderoso é aquele que descobre as insignificâncias (do mundo e as nossas).
Por essa pequena sentença me elogiaram de imbecil.
Fiquei emocionado.
Sou fraco para elogios.”

Manoel de Barros

In:Tratado geral das grandezas do ínfimo (2001)
Episódios da luta de classes

“Baratas, uni-vos!”

O Movimento Cockroach (ou “Partido Popular das Baratas”) nasceu em maio de 2026 e tem vindo a animar as vagas de protestos contra o governo de Modi. Um juiz do Supremo tribunal batizou involuntariamente o movimento quando comparou os jovens desempregados e politicamente ativos a “baratas e parasitas”. O ativista Abhijeet Dipke lançou o desafio “Baratas, uni-vos!” e obteve mais de 20 milhões de seguidores nas redes sociais.

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Por João Mascarenhas

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