Entrevista de Jonas Van Vossole a Amit Singh

dicionário da novilíngua

Ataque cirúrgico

Um ataque é um ataque. Já cirúrgico, segundo o Dicionário Infopédia da Porto Editora, é um adjetivo que significa 1) relativo a cirurgia; 2) (em sentido figurado) ação ou intervenção localizada; que é dirigido a área bem definida e circunscrita, ou 3) que exige ou que é executado com grande precisão e rigor.

EM NOVILÍNGUA:

Se consultarmos a IA, “ela” diz-nos que um ataque cirúrgico (ou bombardeamento cirúrgico) é “uma operação militar projetada para atingir um alvo inimigo específico com extrema precisão. O objetivo principal é destruir infraestruturas críticas ou neutralizar lideranças, minimizando danos colaterais a civis e áreas circundante”. Há anos, estes ataques “cirúrgicos” eram reportados com alguma ironia: quando, por ordem de Bill Clinton, em retaliação por atentados contra as embaixadas americanas no Quénia e na Tanzânia, “o Afeganistão (e os supostos locais das bases de treino dos terroristas ligados a Bin Laden) foram bombardeados com dezenas de mísseis de cruzeiro”, o resultado foi “a destruição de uma mesquita e a morte de umas quantas cabras” (Público, 19-9-2001). Já hoje, os ataques (bombardeamentos) israelo-americanos contra Gaza e o Líbano não convidam a nenhum tipo de ironia: alegadamente dirigidos com “precisão cirúrgica” contra “alvos” do Hamas ou do Hezbollah, destruíram milhares de casas e dezenas de milhares de vítimas. ASP

Pode fazer-se toda a espécie de especulações sobre as voltas e reviravoltas que levaram à rejeição no parlamento do pacote laboral, mas uma coisa é certa: foi nas empresas e nas ruas, com a luta dos trabalhadores, que o pacote morreu.

O Referencial de Competências da Administração Pública – ReCAP é o vilão silencioso que opera a matematização do real nas escolas. É o instrumento que permite homogeneizar, uma grelha de cinco níveis de exigência desenhada para escrutinar o foro íntimo do professor, asfixiando a possibilidade de qualquer autonomia intelectual.

Eis com que se parece uma semana normal numa empresa privada de prestação de serviços de localização e avaliação de modelos de IA para uma das “Big Five”1. O testemunho foi-nos prestado sob anonimato (lendo, percebe-se porquê). Descreve as relações entre o empregador e os trabalhadores no seu local de trabalho, “relações que evidenciam que não estamos, de forma alguma, numa relação entre partes iguais. Estamos numa relação assimétrica de poder onde quem necessita de trabalhar tem de aceitar o impensável e quem contrata é generosamente remunerado para defender os interesses da empresa – e é importante dizer que estes se resumem exclusivamente à subjugação do trabalhador e à demissão total da responsabilidade de ‘liderar’ e construir um bom produto para o cliente, de confiar ao trabalhador as condições e autonomia para produzir um bom produto”.

Anónimo

Médicos de diversos países a trabalhar em Gaza observaram um padrão perturbador: crianças com um único ferimento de bala na cabeça ou no peito, sinal de que tinham sido deliberadamente alvejadas. Esta conclusão pôde ser tirada graças a uma pesquisa do jornal neerlandês de grande circulação de Volkskrant, que falou com médicos que estão entre as últimas testemunhas oculares internacionais presentes na Palestina.

Nos últimos tempos, o presidente espanhol é tido como uma “voz progressista” face ao avanço da extrema-direita. As suas declarações a favor do povo palestiniano, discursos pelo “Não à guerra” e medidas como a regularização de milhares de migrantes tiveram impacto internacional. Compreende-se que, ante a ofensiva belicista de Trump e Netanyahu e as políticas de direitistas como Milei, o discurso de Sánchez desperte simpatia. No entanto, por detrás do seu discurso, espreita a gestão “progressista” do Estado capitalista e imperialista espanhol. Um projeto que, repetidamente, terminou em profundas deceções e preparou o terreno para o crescimento da extrema-direita.

Antonio Pinto Tortosa é historiador, professor na Universidade de Málaga. Estudou a revolução jacobina negra em Santo Domingo no século XVIII, bem como a história contemporânea de Espanha nos séculos XIX e XX e, ainda, temáticas da história da energia. Na primeira parte desta entrevista aborda as contradições na sociedade colonial das Caraíbas, nomeadamente na ilha Hispaniola, as contradições sociais e o conflito entre duas potências coloniais, Espanha e França, que levaram à primeira revolução negra da história.

Entrevista com o historiador António Pinto Tortosa, por Raquel Varela 

O Tempo contra o Tempo é um podcast apresentado por Raquel Varela.

 #57

Raquel Varela em entrevista por Joel Neto, na Lar Doce Livro

ESPECIAL MONTE BRASIL – FESTIVAL INTERNACIONAL DE LITERATURA E HISTÓRIA DE ANGRA DO HEROÍSMO. O crescimento eleitoral da extrema-direita, bem como a sua crescente normalização no espaço mediático e na intervenção pública dos partidos do arco democrático, levam muitos observadores a assumir como inevitável a sua chegada à chefia do Governo, com consequente alteração das regras do jogo democrático. Raquel Varela manifesta a sua profunda preocupação com o rumo dos acontecimentos, determina as verdadeiras procedências do momento em que vivemos, mas vê chegarem dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha inesperados sinais de esperança… Uma grande entrevista gravada ao vivo no espaço da LAR DOCE LIVRO – livraria, café & posta-restante, de Angra do Heroísmo
Por Bruno Borges
#Cosplay Sindical

APOIA O MAIO!

Nunca os trabalhadores precisaram tanto de uma voz independente.

Mas as crianças, senhores

Raquel Varela

Camões, nosso contemporâneo

Elisa Costa Pinto

A Magnifica Humanidade de Leão XIV

Pe. José Luís Rodrigues

Marjane Satrapi e o tempo do devir

Pâmela Peres Cabreira

SEGUE-NOS

A relação entre Portugal e a sardinha é uma das mais antigas, profundas e simbólicas da história alimentar do nosso país. Muito antes de se tornar a rainha dos santos populares ou o ícone das conservas portuguesas, a sardinha já fazia parte da economia e da cultura das comunidades costeiras da antiga Lusitânia romana.

Receita:
Sardinha marinada com
maionese de petinga em tomate

Filhos da época
 

Nós somos filhos da época,
a época é política.

Todas as tuas, nossas, vossas
questões diárias, questões nocturnas
são questões políticas.

Queiras tu ou não
os teus genes têm passado político,
a pele matiz político,
os olhos aspecto político.

Os temas que abordas têm ressonância,
o que calas tem expressão
de um modo ou outro na política.

Passeias pela floresta
e dás passos políticos
num chão político.

Também são políticos os versos apolíticos,
e lá no alto a lua resplandece,
a lua já objecto não lunar.
Ser ou não ser, eis a questão.
Mas que questão, responde lá, então.
Questão política.

Não tens sequer que ser um ser humano
para adquirires significado político.
Basta-te seres petróleo bruto,
matéria-prima, forragem substancial.

Ou mesa então de reuniões em cuja forma
se apoiaram longos meses:
na qual se negociou a vida ou morte,
quadrada ou redonda.

Pessoas entretanto faleceram,
morreram animais,
casas arderam
e campos tornaram-se bravios
como nos tempos de outrora
muito menos políticos.

Wisława Szymborska,(1923–2012)
Filhos da Época
Tradução de Júlio Sousa Gomes.
In: Paisagem com Grão de Areia. Lisboa: Relógio d’Água, 1998.

Hoje, 3 de Maio, de Patrícia Portela, é um romance sobre os modos como foi pintado o quadro de Goya “Os fuzilamentos de 3 de Maio” (não técnicas, mas mentalidades), como foi vivido, as circunstâncias, inclusive da narração e da narradora, os lugares geográficos, os que constituíram o pelotão de fuzilamento, os que foram assassinados, os testemunhos do lado do povo e da aristocracia. O leitor deverá cruzar na sua mente todas estas perspetivas, perfazendo uma unidade estética, que se constituirá como o bilhete de identidade do romance.

Episódios da luta de classes

TEMPO DAS CEREJAS

Acontecimentos relevantes do mundo
do trabalho

PÕE A TUA LUTA NO MAIO!

Vais organizar greves, protestos, manifestações pelos teus direitos? Queres tornar pública uma luta no teu trabalho, bairro ou aldeia? Escreve-nos.

Por
João Mascarenhas

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