dicionário da novilíngua

Desafio(s)

Segundo o dicionário da Porto Editora, nome masculino que designa: 1) ato ou efeito de desafiar ou chamar alguém para combate; provocação; 2) incitação; estímulo; 3) despique entre dois cantadores; 4) duelo; luta; 5) (desporto) competição desportiva; jogo; 6) situação em que os cantadores respondem um ao outro, improvisando.

EM NOVILÍNGUA:

Desafio começou a ser a tradução da palavra inglesa challenge (“algo que exige grande esforço mental ou físico para ser realizado com sucesso e, por isso, testa a capacidade de uma pessoa”, segundo o Dicionário Cambridge.  Palavras como “dificuldade” ou “adversidade” foram substituídas por termos mais suaves e motivacionais (por exemplo, desafio, oportunidade). Há uma pressão social para manter uma imagem de sucesso constante. Falar abertamente sobre dificuldades é muitas vezes evitado ou rotulado como “vitimização” ou “energia negativa”. Isto acontece tanto no trabalho, nas empresas, como no linguajar de políticos e economistas e, talvez o pior de tudo, na educação. Aprender exige esforço e enfrentar dificuldades. Negar isso e criar uma narrativa de resiliência e superação perpétua só pode dar mau resultado. ASP

O pacote laboral não nasceu das cabeças iluminadas de Montenegro e da ministra Palma Ramalho. Eles juntam-se ao coro global do patronato e ao “assalto concertado e sustentado das autoridades estatais e dos destruidores patronais da democracia aos direitos e condições de vida dos trabalhadores” de que fala o Índice Global dos Direitos da Confederação Sindical Internacional que analisamos no artigo de capa desta edição. A resistência dos trabalhadores também se quer concertada, sustentada – e unida.

Lentamente, entre as altas ervas verdes de Abril, vestido com uma combinação branca de apicultor, inclinado para a frente, Eyad Yousef avança, olhar fixo no chão. Caminho atrás enquanto ele vai trabalhando, colhendo as ervilhas que plantou com o irmão no início de Março. “Se lavrar um dunam de terra custa hoje cerca de 100 shekels, quanto irá custar um bidão de azeite? Quem o comprará?”, exclama.

No dia 23 de Março, 15 minutos antes de Trump anunciar que adiava os ataques à rede eléctrica iraniana, houve apostas de quase 600 milhões de dólares na queda dos preços do petróleo. No dia 17 de Abril, 20 minutos antes de o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araghchi, anunciar nas redes sociais que o estreito de Ormuz estava aberto, os corretores apostaram 760 milhões de dólares na queda dos preços do petróleo.

De uma penada, aqueles que procuram colocar questões, problematizar aquilo que lhes é apresentado como inevitabilidade ou facto consumado, rejeitando o discurso hegemónico sobre IA que se vai instalando são rotulados de tecnofóbicos e olhados com sobranceira repugnância. Seriam os novos luditas que, assim reza esta versão da história, teriam sido contra o desenvolvimento tecnológico, a inovação e o futuro.

Eliminado Orbán, a UE desbloqueou o empréstimo de 90 mil milhões de euros à Ucrânia e confirmou as sanções à Rússia. Em troca, Zelensky teve de aceitar o restabelecimento do oleoduto Drujbá, que, com o seu “ramo” ucraniano, transporta petróleo russo para a Hungria e a Eslováquia. No meio disto, uma Bulgária “pró-russa” poderia constituir um grão de areia na engrenagem no decurso de uma daquelas guerras que Trump declarava ir encerrar num piscar de olhos.

A 28 de Maio de 1926 a burguesia portuguesa, a maioria dela republicana (só uma pequena parte resistiu) opta pela ditadura para se afirmar como Estado-nação moderno (dos mais tardios de toda a Europa, na nossa análise) e controlar as greves e lutas do movimento dos trabalhadores, anarquista e comunista, e garantir a proletarização dos camponeses, agora transformados em trabalhadores, com salários baixos.

Raquel Varela e Roberto della Santa

O Tempo contra o Tempo é um podcast apresentado por Raquel Varela.

 #53

“Jamais daria Ritalina a uma criança ou jovem”

A pediatra e professora universitária Maria Aparecida Moysés afirma categoricamente: “Jamais daria Ritalina a uma criança.” A possibilidade de morte súbita não explicada em jovens que tomam Ritalina, Concerta ou outra droga dessas, que a médica e investigadora não reconhece como medicação, é 14 vezes maior. As crianças ficam obedientes, mas não aprendem mais. Não é medicamento, são substâncias psicoativas, usadas para drogar crianças. Quem toma estas drogas perde a capacidade de resistir, mas não de sentir, recorda a médica: “muitos jovens fingem tomar porque se sentem muito mal.” A conversa entre Raquel Varela e Maria Aparecida prolongou-se para o tema do sobrediagnóstico de doenças ditas mentais – para a médica há muitos jovens doentes sem apoio, porque os apoios se dividem por uma quantidade enorme de aumento de diagnósticos, como o do “espectro” do autismo; sobre a pressão da indústria farmacêutica, e sobre a falta de rigor de muitos estudos científicos. Uma conversa sobre o mundo de hoje e o papel da escola, professores, médicos e pais.

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Nunca os trabalhadores precisaram tanto de uma voz independente.

Os velhos

António Galopim de Carvalho

Socialismo sem Estado: de Proudhon à República Associativa

Abel Pereira Costa

As redes da censura

Rui Pereira

Os tachistas oportunistas 6 - O casal maravilha do Chega que come em todo o lado

Manuel da Silva Ramos

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O RISO PRECISA DE DENTES
 
Noticiário da República — Edição Especial
 
Boa noite.
Em Portugal, três em cada dez médicos trabalham mais de
cinquenta horas por dia,
superando com bravura o limite conhecido do tempo e da
física.
A Ordem dos Médicos já solicitou ao Ministério do
Espaço-Tempo
a criação de novos fusos horários especificamente para
profissionais exaustos.
 
Fontes hospitalares confirmam que alguns clínicos já
aprenderam a operar enquanto sonham,
a consultar pacientes em simultâneo através de doze
dimensões,
e a prescrever ansiolíticos a si próprios por telepatia.
 
Em Coimbra, um cardiologista foi avistado a ressuscitar o
seu próprio relógio de pulso.
Em Lisboa, uma cirurgiã realizou um transplante de
consciência
para poder descansar sem interromper a cirurgia.
 
O Governo garante que o novo Plano de Saúde
Interplanetário
vai incluir camas com gravidade variável,
salas de espera com loops temporais,
e um subsídio de café directamente injetado na veia
jugular.
 
Entretanto, os médicos que continuam a trabalhar
cinquenta horas por dia,
dormem três minutos por século,
e diagnosticam a realidade como estando em estado
terminal.

Fátima Vale
(Oshakati, Namíbia, 1975)
“O RISO PRECISA DE DENTES” integra P.E.L.E. — Programa da Erosão Lenta do Encontro (Edições Correntes de Ar, 2026).

A origem das sopas de cavalo cansado parece remontar ao século XIX, quando as deslocações eram feitas em carruagens puxadas por cavalos através de estradas difíceis e em viagens demoradas. Segundo uma explicação amplamente difundida na tradição popular portuguesa e galega, quando não havia possibilidade de substituir os cavalos cansados por animais frescos, era-lhes dada uma mistura energética de pão embebido em vinho e açúcar.

Receita:
Sopas de cavalo cansado com aveia e pera muito bêbeda

Episódios da luta de classes
Liderados pela Central Obrera Boliviana, protestos de trabalhadores e indigenas bloqueiam o pais.

TEMPO DAS CEREJAS

Acontecimentos relevantes do mundo
do trabalho

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Vais organizar greves, protestos, manifestações pelos teus direitos? Queres tornar pública uma luta no teu trabalho, bairro ou aldeia? Escreve-nos.

Por
João Mascarenhas

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