Michael Roberts
dicionário da novilíngua
Resiliência
Segundo o Dicionário Infopédia da Língua Portuguesa da Porto Editora, nome feminino que significa 1) (mecânica) a capacidade de resistência de um material ao choque, que é medida pela energia necessária para produzir a fratura de um provete do material com dimensões determinadas; 2) (ecologia) capacidade de um sistema ecológico retornar ao estado original de equilíbrio, após suportar perturbação que o tenha afastado desse mesmo estado; 3) (psicologia) capacidade de reagir a trauma ou dificuldade, sem perda do equilíbrio emocional; 4) (figurado) capacidade de reagir e superar contrariedade ou situação de crise; faculdade de quem consegue lidar de forma positiva com fatores ou condições adversas.
EM NOVILÍNGUA:
A palavra resiliência é usada sobretudo nas últimas aceções acima mencionadas para designar a capacidade individual de reagir a traumas e dificuldades sem perda do equilíbrio emocional e de lidar de forma positiva com fatores ou condições adversas. Tornou-se, na linguagem empresarial e da governação, numa espécie de mantra que transfere para o indivíduo a responsabilidade por reagir a adversidades. Críticos do conceito, como o economista e sociólogo Thierry Ribault, que estudou catástrofes como a de Fukushima, sublinham “a natureza capacitista, irracional e determinista desta forma de religiosidade tecnofílica, que não está isenta de um conservadorismo que concede à genética um lugar central e hierárquico, como se existisse uma capacidade de resiliência associada a genes específicos”. Reagir a catástrofes naturais ou políticas como o comboio de tempestades deste inverno ou uma situação de guerra depende muito mais de políticas públicas e ação coletiva do que da “resiliência” de cada indivíduo. ASP
O Maio vai aproveitar os meses de verão para fazer algumas alterações. Vamos mudar de página (alojamento do site) para um modelo mais robusto, que diminua ataques informáticos e nos permita um ainda maior trabalho colaborativo. Neste julho faremos um Maio com cerca de 4 a 5 novos artigos por semana, sem editorial, e em agosto interromperemos três semanas, para férias e para mudar de site. Regressaremos no fim de agosto, retemperados, tal como vós, esperamos, por umas boas férias!
Partiu das redes sociais e de professores e intelectuais públicos – e não dos media do Estado ou empresariais – a avalanche de testemunhos de professores, com o ministro a negar os erros clamorosos dos exames. Quando a situação se tornou impossível de esconder, a comunicação política encontrou o seu spin: o “problema foi ser feito à pressa”, “não testaram antes”, é preciso apurar “responsabilidades”, “comissões de inquérito”. Estas declarações demonstram a distância com a realidade das escolas. Para milhares de professores, que tornaram pública a sua opinião, não se trata de fazer bem a digitalização, mas de parar este delírio, não se trata de fazer exames, mas de reconstruir o sentido da educação. A crise da IA desvelou a crise sistémica da escola, esmagada entre as pedagogias pós-modernas e o neoliberalismo tecnocrático.
Publicamos neste número do Maio uma resolução recentemente adoptada pelos delegados sindicais da fábrica-mãe da Mercedes-Benz em Estugarda na Alemanha. O seu título “Já basta! Protestar, resistir, greve! Os patrões querem luta de classes? Muito bem, vão tê-la!” não é o tom habitual que se espera na Alemanha da “co-gestão” e do “pacto social”.
O que se passa?
A fábrica da Mercedes Benz de Untertürkheim, perto de Estugarda, na Alemanha, tem actualmente cerca de 18 mil operários. É a fábrica-mãe da marca, fundada em 1904, considerada o berço da indústria automóvel. Ainda é o principal centro de competências da Mercedes. Ali se produzem motores de explosão e eléctricos, caixas de velocidades, eixos, baterias. Porém, está, como boa parte da indústria automóvel alemã, sob ataque do patronato. Reproduzimos aqui uma resolução dos delegados sindicais da Mercedes-Benz Untertürkheim.
Comissão sindical da Mercedes Untertürkheim
Os candidatos a técnicos superiores das escolas públicas merecem um processo de vinculação justo, transparente e coerente com os objetivos que lhe deram origem: combater a precariedade e valorizar profissionais que, há muitos anos, asseguram respostas fundamentais para o sucesso educativo, para a inclusão e para o bem-estar dos alunos.
O Tempo contra o Tempo é um podcast apresentado por Raquel Varela.
#59
MUDAM-SE OS TEMPOS #2 – O anarcossindicalismo operário, com António Cortez.
Os vencedores agora podem reescrever a história através da IA generativa. Mas qual o sentido de recorrer a uma tecnologia que falseia e deturpa?
Manolis Sera*
Ao entrarmos na terceira semana de protestos na Albânia, uma coisa é certa: eles ganham vulto dia após dia e já há muito deixaram para trás os limites estreitos da questão do investimento turístico de Kushner, espalhando-se por todo o país, com o foco em Tirana. Às 18 horas, tem adquirido características de encontro social, unindo diferentes grupos de trabalhadores à volta dos profissionais, estudantes e do sector mais instruído da população.
Um projecto político-imobiliário na ilha de Sazan, na Albânia, no valor de 1400 milhões de dólares, cujo testa-de-ferro é o genro de Trump, Jared Kushner, tem vindo a enfrentar enorme rejeição popular. Têm sido diárias as manifestações de indignação popular em Tirana, a capital. A 11 de Junho, uma mobilização de dimensão histórica reuniu dezenas de milhares de pessoas nas ruas durante mais de cinco horas.
Foram recentemente denunciadas situações na ULS Braga, com especial incidência sobre enfermeiros do bloco operatório, e na Santa Casa da Misericórdia de Vila Verde, em que terão ocorrido pressões explícitas para condicionar a adesão à greve, com a ameaça e até concretização de atribuir faltas injustificadas em dias de greve regularmente declarada. A coação sobre grevistas, alegadamente praticada em instituições privadas, instituições públicas, instituições de solidariedade social e instituições das Santas Casas da Misericórdia, é um claro desrespeito pelo direito à greve e pela Constituição. Quando os enfermeiros fazem greve, não estão apenas a defender melhores condições laborais e remuneratórias, mas também a qualidade e a sustentabilidade do sistema de saúde.
O horror da guerra: vidas perdidas, casas destruídas; inválidos e mutilados; milhões de deslocados, logo, refugiados; espécies extintas, vastos danos ambientais; o planeta mortificado. Há, porém, quem não sofra por aí além com a guerra: o complexo militar-industrial de empresas das grandes economias, a indústria de combustíveis fósseis e os monopólios globais da alimentação — e a grande banca.
Em 18 de junho de 2026, a Assembleia Nacional do Poder Popular aprovou, em sessão extraordinária, o maior pacote de reformas económicas da história de Cuba depois da Revolução: 176 medidas que abrem espaço à banca privada, convertem empresas estatais em sociedades por ações, eliminam o teto de trabalhadores das pequenas e médias empresas, autorizam o investimento de cubanos residentes no exterior — com usufruto de terras por até 99 anos — e suprimem o cabaz alimentar universal vigente desde 1962. Anunciado como Programa Económico y Social 2026 e justificado pelo próprio Governo como resposta à asfixia provocada pelo bloqueio, o pacote inscreve em lei a viragem pró-mercado mais profunda desde 1959. A entrevista que aqui publicamos, realizada em Havana e Cienfuegos com Aldo Cordeiro Sauda e originalmente publicada no site brasileiro Quilombo Invisível em maio de 2026, antecedeu em poucas semanas a institucionalização desse programa.
Entrevista com Aldo Cordeiro Sauda
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Nunca os trabalhadores precisaram tanto de uma voz independente.
TEMPO DAS CEREJAS
Acontecimentos relevantes do mundo
do trabalho
8º Fórum Liberdade e Pensamento Crítico Nova ordem mundial e democracia
Escola Secundária Camões, Lisboa 9.30 às 21 horas
A gastronomia na cidade dos arquivos
Como se comia (e come) no Barreiro em tempos de fome?
Barreiro, Moinho de Maré Grande
Exposição. 9 a 30 de junho
Greve dos educadores de infância e docentes do 1.º CEB
10 horas: Concentração frente ao MECI pela Equidade na Monodocência
Greve dos professores
Fenprof marca manifestação para 16 de Maio e admite greves no 3.º período.
Conselho nacional considerou que “é da maior urgência” avançar para novas acções de luta e acusou o Governo de ultrapassar “linhas vermelhas”, como a habilitação profissional para a docência.
Arte pela Palestina
5.ª edição (artes, cinema, música)
14 maio a 17 maio
vários horários
Dia Internacional do Enfermeiro com greve nacional e manifestação
12 de maio, 10h30
Concentração entre o Campo Pequeno (Lisboa) e o Ministério da Saúde
CGTP convoca manifestação do 1° de Maio em Lisboa
1º de Maio internacionalista no Porto
1º de Maio internacionalista no Porto, por iniciativa da Habitação Hoje e outros colectivos
Manifestação do 25 de Abril
Piquenique do Maio, seguido de ida para a manifestação (encontro às 13h no Jardim Amália Rodrigues, junto ao espelho de água)
Abaixo o Pacote Laboral
Manifestação Nacional CGTP “Abaixo o Pacote Laboral”, às 14h30 no Saldanha (Lisboa) até à Assembleia da República
Manifestação Casa para Viver
Lisboa: Marquês de Pombal, 15h; Porto: Praça da Batalha, 15h; Coimbra: Ponte de Santa Clara (junto ao Mosteiro), 15h; Leiria: Fonte Luminosa, 17h; Barreiro: Terminal Fluvial, 10h30; Covilhã: Praça do Município Pelourinho, 11h; Viseu: Rossio, 15h; Aveiro: Largo Dr. Jaime Magalhães Lima, 15h; Portalegre: Rossio, 10h; Braga: Avenida da República, 15h; Lagos: Rua Victor da Costa e Silva, 10h30; Funchal: Em frente à Assembleia Legislativa Regional da Madeira, 11h30;
Palestra ASITRAP - Porto
Acidentes de trabalho e o trabalhador precário
Manifestação contra o Pacote Laboral
Manifestação CGTP
Manifestação em defesa do Parque Natural do Tejo Internacional
O Interior Não Está à Venda — Não às Megacentrais Solares! Estação de Santa Apolónia
Concentração contra os atrasos nas bolsas de estudo
Os bolseiros de 2025 estão ainda a aguardar o início dos seus contratos, sem comunicação atempada e transparente com as Instituições.
MECI, Av. Infante Santo 2, Lisboa
Greve TVDE
Nas horas de ponta dos dias 17 a 24 de Janeiro, das 7 às 10 horas, os motoristas TVDE vão desligar, na segunda, quarta e sexta-feira, a plataforma UBER, e na terça, quinta e sábado, a Bolt.
Manifestação para exigir a retirada do pacote laboral
Largo de Camões até São Bento
Greve dos trabalhadores da saúde às horas extras e às cirurgias adicionais no âmbito do Sistema Integrado de Gestão de Inscritos para Cirurgia (SIGIC)
De 1 de Janeiro a 31 de Dezembro de 2026
2026
Manifestação de 13 de Dezembro das populações do Fundão
GREVE GERAL
Acordo entre CGTP e UGT para greve geral contra o anteprojecto de reforma laboral, com já vários sindicatos independentes a aderir ao apelo.
Manifestação “O nosso futuro não está à venda! Fim ao fóssil até 2030
Início dia 22/11 às 15 horas, Largo Camões, Lisboa.
Manifestação contra o pacote laboral
Perante o pacote de contra-reforma laboral anunciado pelo Governo, foi convocada uma nova manifestação pela CGTP, para o dia 8 de Novembro
Greve na Intelcia
Os trabalhadores da Intelcia cumprirão, no dia 6 de Novembro, uma greve de 24 horas em toda a empresa. Com a acção, os trabalhadores exigem, afirma o SINTTAV, que a empresa negoceie, «sem quaisquer preconceitos», com este sindicato, o caderno reivindicativo, que prevê, entre outros, aumentos salariais de 80 euros, subsídio de refeição de sete euros, folga no aniversário e 10 minutos de pausa por cada hora trabalhada.
Manifestantes protestam no Fundão contra instalação de central fotovoltaica
O Gardunha Sul é um movimento cívico de cidadãos residentes na União de Freguesias de Vale de Prazeres e Mata da Rainha (concelho do Fundão) que tem como objetivo uma maior envolvência, uma participação mais ativa e a construção de pontes entre o poder local e os cidadãos.
Greve dos revisores da CP nos serviços de longo curso
Arranca uma greve parcial convocada pelo Sindicato Ferroviário da Revisão Comercial Itinerante, que se estende até 13 de novembro. A paralisação pode afetar comboios de longo curso, Intercidades e Alfa Pendular, já que a ausência de revisores pode levar ao cancelamento de composições. Os trabalhadores lutam para que o Governo da AD e a Administração cumpram plenamente o Acordo de Empresa a que chegaram.
3º ENCONTRO NACIONAL DOS SOLIDÁRIOS
Para esclarecer e mobilizar para a luta! rejeitamos o caminho da servidão e da uberização! trabalhemos, todos, para a unidade e a mobilização para a greve geral!
Fins de semana
Greve Trabalhadores da RHMAIS/RANDSTAD
Os trabalhadores contestam política surda perante as reivindicações dos trabalhadores, anunciando uma greve para todo o mês de Outubro. Entre outras coisas, exigem firmemente o fim à precariedade contratual, aos baixos salários e à desregulação horária
Manifestação Não nos Atirem Burcas para os Olhos
Lisboa (Rossio), 15:30; Porto (Aliados), 15:30
Greve trabalhadores da Administração Pública
A Frente Comum apresentou ao governo 73 propostas para valorizar o trabalho e os Serviços Públicos!
Marcha pela Palestina
Plataforma Unitária de Solidariedade com a Palestina Fundação José Saramago Amnistia Internacional Portugal Greenpeace Portugal
1.500 MANIFESTAÇÕES ANTI-TRUMP JÁ CONVOCADAS PARA 18 DE OUTUBRO
Mil e quinhentas manifestações contra Trump e suas políticas estão sendo convocadas nos Estados Unidos. Embora convocadas por organizações às vezes distantes do movimento trabalhista, não há dúvida de que milhões de trabalhadores e jovens participarão
Greve Nacional Enfermeiros
Sindicato dos Enfermeiros Portugueses aponta o impedimento de progressão na carreira, a desconsideração do tempo da passagem de turno como tempo efetivo de trabalho, e a extensão do horário em mais 4 e 5 horas (não considerado trabalho extraordinário)
Milhares de pessoas protestam em Espanha durante greve geral pela Palestina
Docentes decidem greve por tempo indeterminado na Escola Portuguesa de Luanda
Os docentes da Escola Portuguesa de Luanda (EPL) reunidos hoje, dia 1 de outubro de 2025, em plenário realizado pelo Sindicato de Todos os Profissionais de Educação - S.TO.P. decidiram por unanimidade convocar uma greve por tempo indeterminado a partir de dia 9 de outubro de 2025.
Trabalhadores da Intelcia avançam para a greve
Perante um cenário de portas cada vez mais ‘fechadas’ para a negociação, os trabalhadores da Intelcia avançam com greves intermitentes durante Outubro e com uma greve geral para o mês de Novembro. Aumento do subsídio de refeição, tempos de pausa e aumentos salariais são três das exigências apresentadas no comunicado oficial
CESP
Conquista aumentos salariais no Contrato Colectivo com a ANAREC
Greve geral contra a jornada laboral de 13 horas paralisou Grécia
Greve no Terminal XXI
Greve dos trabalhadores do Porto de Sines afectou cerca de metade das operações da empresa
STRAMM
Trabalhadores do Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários e Actividades Metalúrgicas da Região Autónoma da Madeira conseguem aumento salarial e outros complementos, no caminho da equiparação do sector privado ao sector público dos transportes
Greve Trabalhadores da Carris
Sem acordo alcançado com a empresa e o governo, trabalhadores da Carris avançaram para a greve, recusando todo o trabalho extraordinário na 2ª e 3ª semanas
Manifestação Direitos iguais
Manifestação reúne milhares de imigrantes em Lisboa, proclamando “Imigrantes contra a escravatura” e direitos iguais
Vigilia TSDT
Cerca de 200 Técnicos Superiores de Diagnóstico e Terapêutica da ULS do Amadora/Sintra trabalham mais 1 hora e recebem menos do que os seus colegas. Exigem integração destes em contrato colectivo e fim da aplicação do acordo da antiga gestão privada
2025
A relação entre Portugal e a sardinha é uma das mais antigas, profundas e simbólicas da história alimentar do nosso país. Muito antes de se tornar a rainha dos santos populares ou o ícone das conservas portuguesas, a sardinha já fazia parte da economia e da cultura das comunidades costeiras da antiga Lusitânia romana.
Receita:
Sardinha marinada com
maionese de petinga em tomate
Mas por um homem ferido/ num labirinto perdido/ entre uma morte e uma vida! Transforma-se o oprimido/ em instrumento opressor/ Nasce num peito uma guerra! / E, lá longe… Na sua terra/o abutre, o carrasco, /o nazi, / a peste./ enchendo o ventre de carne/escreve:/ “DITOSA PÁTRIA QUE TAIS FILHOS DESTE.
António Calvinho
Bardamerda para tal gente e um hurra aos cadáveres de todos os soldados perdidos, afinal todos nós.
João Viegas