Entrevista com
Aldo Cordeiro Sauda

dicionário da novilíngua

Ataque cirúrgico

Um ataque é um ataque. Já cirúrgico, segundo o Dicionário Infopédia da Porto Editora, é um adjetivo que significa 1) relativo a cirurgia; 2) (em sentido figurado) ação ou intervenção localizada; que é dirigido a área bem definida e circunscrita, ou 3) que exige ou que é executado com grande precisão e rigor.

EM NOVILÍNGUA:

Se consultarmos a IA, “ela” diz-nos que um ataque cirúrgico (ou bombardeamento cirúrgico) é “uma operação militar projetada para atingir um alvo inimigo específico com extrema precisão. O objetivo principal é destruir infraestruturas críticas ou neutralizar lideranças, minimizando danos colaterais a civis e áreas circundante”. Há anos, estes ataques “cirúrgicos” eram reportados com alguma ironia: quando, por ordem de Bill Clinton, em retaliação por atentados contra as embaixadas americanas no Quénia e na Tanzânia, “o Afeganistão (e os supostos locais das bases de treino dos terroristas ligados a Bin Laden) foram bombardeados com dezenas de mísseis de cruzeiro”, o resultado foi “a destruição de uma mesquita e a morte de umas quantas cabras” (Público, 19-9-2001). Já hoje, os ataques (bombardeamentos) israelo-americanos contra Gaza e o Líbano não convidam a nenhum tipo de ironia: alegadamente dirigidos com “precisão cirúrgica” contra “alvos” do Hamas ou do Hezbollah, destruíram milhares de casas e dezenas de milhares de vítimas. ASP

O INE anunciou que a população portuguesa, calculada com base em dados administrativos, é afinal de 11,4 milhões de pessoas, e não 10,6 milhões, como até agora se presumia, com base na extrapolação do último censo. Também o PIB per capita português, em paridade dos poderes de compra, é de 77% da média da UE, em vez do número até agora oficial de 82%. Ou seja, somos mais – e mais pobres.

O horror da guerra: vidas perdidas, casas destruídas; inválidos e mutilados; milhões de deslocados, logo, refugiados; espécies extintas, vastos danos ambientais; o planeta mortificado. Há, porém, quem não sofra por aí além com a guerra: o complexo militar-industrial de empresas das grandes economias, a indústria de combustíveis fósseis e os monopólios globais da alimentação — e a grande banca.

Médicos de diversos países a trabalhar em Gaza observaram um padrão perturbador: crianças com um único ferimento de bala na cabeça ou no peito, sinal de que tinham sido deliberadamente alvejadas. Esta conclusão pôde ser tirada graças a uma pesquisa do jornal neerlandês de grande circulação de Volkskrant, que falou com médicos que estão entre as últimas testemunhas oculares internacionais presentes na Palestina.

Ao entrarmos na terceira semana de protestos na Albânia, uma coisa é certa: eles ganham vulto dia após dia e já há muito deixaram para trás os limites estreitos da questão do investimento turístico de Kushner, espalhando-se por todo o país, com o foco em Tirana. Às 18 horas, tem adquirido características de encontro social, unindo diferentes grupos de trabalhadores à volta dos profissionais, estudantes e do sector mais instruído da população.

Os vencedores agora podem reescrever a história através da IA generativa. Mas qual o sentido de recorrer a uma tecnologia que falseia e deturpa?

Um projecto político-imobiliário na ilha de Sazan, na Albânia, no valor de 1400 milhões de dólares, cujo testa-de-ferro é o genro de Trump, Jared Kushner, tem vindo a enfrentar enorme rejeição popular. Têm sido diárias as manifestações de indignação popular em Tirana, a capital. A 11 de Junho, uma mobilização de dimensão histórica reuniu dezenas de milhares de pessoas nas ruas durante mais de cinco horas.

Quando se é adolescente/pré-adulto o valor que se recebe pelo tempo gasto em determinada atividade laboral pode significar muitos ingressos de cinema e lanches na lanchonete, porém, quando se torna adulto, constitui família, tem filhos, o valor que vai receber pela qualificação limitada na adolescência não vai ser suficiente para sustentar a sua família. Por isso optar por uma formação profissional que momentaneamente insere o ou a jovem no mercado de trabalho limitando a sua escolaridade ou uma formação científica-humanística que o faz com condições melhores de empregabilidade e remuneração e mais duradoras nas suas vidas é decisivo na vida das pessoas.

Antonio Pinto Tortosa é historiador, professor na Universidade de Málaga. Estudou a revolução jacobina negra em Santo Domingo no século XVIII, a primeira revolução negra da história, bem como a história contemporânea de Espanha nos séculos XIX e XX e, ainda, temáticas da história da energia. Nesta segunda parte da entrevista, aborda a revolução haitiana e a francesa, o seu carácter e o seu destino e a figura contraditória de Toussaint Louverture.

Entrevista com o historiador António Pinto Tortosa, por Raquel Varela
(2.ª parte)

O Tempo contra o Tempo é um podcast apresentado por Raquel Varela.

 #58

MUDAM  SE OS TEMPOS #1  – A ideia moderna de Portugal com Rui Pereira

Durante o mês de julho vamos repor no Tempo Contra o Tempo o podcast Mudam-se os Tempos: Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades’ – já cantou o velho bardo. O curso da história move-se como as águas de um rio. Por vezes deixamo-nos levar por momentos de correntes rápidas, por outras, mansidão serena. Não é simples o seu movimento. Do ritmo que marca sempre passo, até à aceleração vertiginosa, avança-se nas conquistas sociais, mas as mesmas podem regredir em formas políticas avassaladoras. Ou vice-versa… Mas, ainda assim, ‘navegar é — sempre — preciso’. Estamos — todos e bem — embarcados. Este é o Podcast “Mudam-se os tempos”. Em cinco episódios com convidados especiais Roberto della Santa e Raquel Varela, historiadora, querem colocar sobre os próprios pés as principais ideias, imagens e conceitos que nos ajudam a saber e a fazer Portugal. De onde viemos? Para onde vamos? Toda a gente precisa interpretar a própria história para poder transformá-la. Em modo de conversa: como Portugal se formou? Quais são os seus principais desafios e dilemas? A isso vamos – agora mesmo!
Por Bruno Borges
#criseadolescencia

APOIA O MAIO!

Nunca os trabalhadores precisaram tanto de uma voz independente.

Mas as crianças, senhores

Raquel Varela

Camões, nosso contemporâneo

Elisa Costa Pinto

A Magnifica Humanidade de Leão XIV

Pe. José Luís Rodrigues

Marjane Satrapi e o tempo do devir

Pâmela Peres Cabreira

SEGUE-NOS

PÁTRIA
 

Creio no arco-íris, na cal duma velha casa e na reconciliação
das vozes dissonantes; creio na exaltação do ensejo do fogo
dos amantes; creio na claridade da alma e espírito da chuva;
creio na causa da lua sobre marés, na liberdade, nas palavras
Creio nos peixes, nos segredos do mar; creio nos sortilégios
duma árvore, na virtude da paz; creio no fecundo da poesia
e nos quatro elementos; creio na essência de vulcões e rios;
creio na eternidade das bibliotecas, na ressurreição do Poeta
Creio nos pássaros, nas dádivas da terra, na bondade do sol;
creio na agitação dos girassóis ao amanhecer; creio nos dias
que virão, na música, nas rosas, na fecundidade dos ventos.
Eis a Pátria que admito; creio nela sem medo de envelhecer.

Machado, Ivo.
Pátria. In: Verbo Possível. Lisboa, 2006.

A relação entre Portugal e a sardinha é uma das mais antigas, profundas e simbólicas da história alimentar do nosso país. Muito antes de se tornar a rainha dos santos populares ou o ícone das conservas portuguesas, a sardinha já fazia parte da economia e da cultura das comunidades costeiras da antiga Lusitânia romana.

Receita:
Sardinha marinada com
maionese de petinga em tomate

Hoje, 3 de Maio, de Patrícia Portela, é um romance sobre os modos como foi pintado o quadro de Goya “Os fuzilamentos de 3 de Maio” (não técnicas, mas mentalidades), como foi vivido, as circunstâncias, inclusive da narração e da narradora, os lugares geográficos, os que constituíram o pelotão de fuzilamento, os que foram assassinados, os testemunhos do lado do povo e da aristocracia. O leitor deverá cruzar na sua mente todas estas perspetivas, perfazendo uma unidade estética, que se constituirá como o bilhete de identidade do romance.

Episódios da luta de classes

O governo albanês autorizou o resort de Kushner numa ilha militar protegida, com áreas húmidas e espécies ameaçadas. A população foi à praia e derrubou as estruturas morro abaixo. É ação direta respondendo a uma decisão institucional que ignorou o protesto formal.

TEMPO DAS CEREJAS

Acontecimentos relevantes do mundo
do trabalho

PÕE A TUA LUTA NO MAIO!

Vais organizar greves, protestos, manifestações pelos teus direitos? Queres tornar pública uma luta no teu trabalho, bairro ou aldeia? Escreve-nos.

Por
João Mascarenhas

AGENDA