dicionário da novilíngua

Resiliência

Segundo o Dicionário Infopédia da Língua Portuguesa da Porto Editora, nome feminino que significa 1) (mecânica) a capacidade de resistência de um material ao choque, que é medida pela energia necessária para produzir a fratura de um provete do material com dimensões determinadas; 2) (ecologia) capacidade de um sistema ecológico retornar ao estado original de equilíbrio, após suportar perturbação que o tenha afastado desse mesmo estado; 3) (psicologia) capacidade de reagir a trauma ou dificuldade, sem perda do equilíbrio emocional; 4) (figurado) capacidade de reagir e superar contrariedade ou situação de crise; faculdade de quem consegue lidar de forma positiva com fatores ou condições adversas.

EM NOVILÍNGUA:

A palavra resiliência é usada sobretudo nas últimas aceções acima mencionadas para designar a capacidade individual de reagir a traumas e dificuldades sem perda do equilíbrio emocional e de lidar de forma positiva com fatores ou condições adversas. Tornou-se, na linguagem empresarial e da governação, numa espécie de mantra que transfere para o indivíduo a responsabilidade por reagir a adversidades. Críticos do conceito, como o economista e sociólogo Thierry Ribault, que estudou catástrofes como a de Fukushima, sublinham “a natureza capacitista, irracional e determinista desta forma de religiosidade tecnofílica, que não está isenta de um conservadorismo que concede à genética um lugar central e hierárquico, como se existisse uma capacidade de resiliência associada a genes específicos”. Reagir a catástrofes naturais ou políticas como o comboio de tempestades deste inverno ou uma situação de guerra depende muito mais de políticas públicas e ação coletiva do que da “resiliência” de cada indivíduo. ASP

O Maio vai aproveitar os meses de verão para fazer algumas alterações. Vamos mudar de página (alojamento do site) para um modelo mais robusto, que diminua ataques informáticos e nos permita um ainda maior trabalho colaborativo. Neste julho faremos um Maio com cerca de 4 a 5 novos artigos por semana, sem editorial, e em agosto interromperemos três semanas, para férias e para mudar de site. Regressaremos no fim de agosto, retemperados, tal como vós, esperamos, por umas boas férias!

As oscilações por vezes brutais do preço dos combustíveis impulsionadas pelas intervenções imperialistas no Médio Oriente ou na Venezuela deveriam encorajar os países dependentes de importações de energia a enfrentar os seus défices energéticos e mitigar o empobrecimento que provocam entre os cidadãos. No entanto, poucos estão a empreender as ações ousadas necessárias para melhorar a independência energética.

Sabir Ammar e Hamza Hamouchene

A guerra colonial obrigou o regime autoritário do Estado Novo a intensificar a produção nacional de armamento. O Governo investiu recursos abundantes na produção nacional, na logística militar e na montagem local de armamento para equipar as tropas em África. Quando a Revolução dos Cravos derrubou a ditadura e pôs fim às guerras coloniais, o sector militar encolheu. Seguiram-se décadas de desenvolvimento nacional mínimo em matéria de defesa, fazendo as instituições do Estado as suas aquisições no estrangeiro. Porém, nos últimos cinco anos, Portugal construiu uma indústria militar surpreendentemente forte.

Na empresa capitalista, na relação entre trabalho e saúde, o desgaste dos trabalhadores não constitui um efeito fortuito, mas um elemento inerente à valorização do capital. A redução de efetivos, a intensificação do trabalho e o prolongamento das jornadas ampliam a sobrecarga dos trabalhadores, gerando manifestações de desgaste como acidentes, doenças e sofrimento.

Leonardo Dresch Eberhardt e Hugo Pinto de Almeida

O Tempo contra o Tempo é um podcast apresentado por Raquel Varela.

 #60

MUDAM SE OS TEMPOS
#3 A ditadura fascista com Pedro Cardoso

Durante o mês de julho vamos repor no Tempo Contra o Tempo o podcast Mudam-se os Tempos: Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades’ – já cantou o velho bardo. O curso da história move-se como as águas de um rio. Por vezes deixamo-nos levar por momentos de correntes rápidas, por outras, mansidão serena. Não é simples o seu movimento. Do ritmo que marca sempre passo, até à aceleração vertiginosa, avança-se nas conquistas sociais, mas as mesmas podem regredir em formas políticas avassaladoras. Ou vice-versa… Mas, ainda assim, ‘navegar é — sempre — preciso’. Estamos — todos e bem — embarcados. Este é o Podcast “Mudam-se os tempos”. Em cinco episódios com convidados especiais Roberto della Santa e Raquel Varela, historiadora, querem colocar sobre os próprios pés as principais ideias, imagens e conceitos que nos ajudam a saber e a fazer Portugal. De onde viemos? Para onde vamos? Toda a gente precisa interpretar a própria história para poder transformá-la. Em modo de conversa: como Portugal se formou? Quais são os seus principais desafios e dilemas? A isso vamos – agora mesmo!

Partiu das redes sociais e de professores e intelectuais públicos – e não dos media do Estado ou empresariais – a avalanche de testemunhos de professores, com o ministro a negar os erros clamorosos dos exames.  Quando a situação se tornou impossível de esconder, a comunicação política encontrou o seu spin: o “problema foi ser feito à pressa”, “não testaram antes”, é preciso apurar “responsabilidades”, “comissões de inquérito”. Estas declarações demonstram a distância com a realidade das escolas. Para milhares de professores, que tornaram pública a sua opinião, não se trata de fazer bem a digitalização, mas de parar este delírio, não se trata de fazer exames, mas de reconstruir o sentido da educação. A crise da IA desvelou a crise sistémica da escola, esmagada entre as pedagogias pós-modernas e o neoliberalismo tecnocrático.

Os candidatos a técnicos superiores das escolas públicas merecem um processo de vinculação justo, transparente e coerente com os objetivos que lhe deram origem: combater a precariedade e valorizar profissionais que, há muitos anos, asseguram respostas fundamentais para o sucesso educativo, para a inclusão e para o bem-estar dos alunos.

Os vencedores agora podem reescrever a história através da IA generativa. Mas qual o sentido de recorrer a uma tecnologia que falseia e deturpa?

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Nunca os trabalhadores precisaram tanto de uma voz independente.

Por Bruno Borges
#dinheironobolso

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Por
João Mascarenhas

A relação entre Portugal e a sardinha é uma das mais antigas, profundas e simbólicas da história alimentar do nosso país. Muito antes de se tornar a rainha dos santos populares ou o ícone das conservas portuguesas, a sardinha já fazia parte da economia e da cultura das comunidades costeiras da antiga Lusitânia romana.

Receita:
Sardinha marinada com
maionese de petinga em tomate

Mas por um homem ferido/ num labirinto perdido/ entre uma morte e uma vida! Transforma-se o oprimido/ em instrumento opressor/ Nasce num peito uma guerra! / E, lá longe… Na sua terra/o abutre, o carrasco, /o nazi, / a peste./ enchendo o ventre de carne/escreve:/ “DITOSA PÁTRIA QUE TAIS FILHOS DESTE.
António Calvinho 

Bardamerda para tal gente e um hurra aos cadáveres de todos os soldados perdidos, afinal todos nós. 
João Viegas