Os cães contra o futuro

Soltaram os cães contra o futuro
Abrem à bastonada
os ossos jovens

quebram os seus filhos
esmagam o amanhã

marcham contra a verdade
cobrem na noite
a coragem
a esperança

Erguem os muros
que rompem da terra
e tudo arrastam

Se uma chuva de borboletas
Uma estrela rasgada
os abrisse dos seus cárceres

Como acordar neste dia?
Como fingir que podemos viver?
Sextas negras
Faixas limitadas
Crianças mortas de inocência

E a injustiça que rasga
E a morte trocada pelo nada
os turistas pelas ruas
E as batalhas?
E a morte de um rio?

Os buracos negros
A dança dos astros
O imenso engano debaixo da pele
Como se o futuro fosse possível de morder

Ramos Mar outubro 2026

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