Professor de História na Western Illinois University. Investigador associado no Instituto de Sociedade, Trabalho e Política da Universidade de Witwatersrand, África do Sul. Membro do Sindicato Local 4100 da Federação Americana de Professores
A segunda Jornada de Luta Internacional dos Estivadores em solidariedade com a Palestina e contra o militarismo terá sido porventura a mais vasta acção operária contra a guerra da história. Só por si, não muda o curso da história, mas é a confirmação de que é necessária uma classe trabalhadora politizada em todos os sete mares para causar transtorno às cadeias de abastecimento globais.
ilustração: Rita Comedida
Em 1984, a luta mundial contra o apartheid estava ao rubro. Para manifestar a sua hostilidade ao regime fascista de supremacia branca, os estivadores sindicalizados de São Francisco recusaram-se a descarregar carga sul-africana.
Reiteravam, assim, a resposta do primeiro presidente do Sindicato Internacional dos Estivadores (ILWU) a uma pergunta sobre o papel que os sindicalistas haviam de desempenhar na política mundial: “Interferir na política externa do país? Sim, absolutamente! É a nossa função, a nossa prerrogativa, o nosso direito, o nosso dever.”
Não há muitos trabalhadores que achem ter poder suficiente para manifestarem opiniões políticas no local de trabalho, quanto mais organizar paralisações para intervir na política mundial. Não obstante, como lembrava o sindicalista revolucionário “Big” Bill Haywood, “organizem-se os trabalhadores, que lhes basta meter as mãos nos bolsos para lixar a classe capitalista”.
Em 2023, a Federação Geral de Sindicatos Palestinianos (PGFTU) começou a apelar aos trabalhadores e sindicatos para “pararem de armar Israel”. Em 2025, pediu aos trabalhadores do mundo que “organizassem dias de revolta e solidariedade global de apoio à Palestina e ao seu bravo povo, nas fábricas e oficinas, nos portos e aeroportos, nas ruas e praças públicas”.
O movimento palestiniano pelo Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) bebe ostensivamente na luta contra o apartheid na África do Sul, que se pode considerar o mais eficaz movimento global pela justiça social do final do século XX. Já em 1959 o presidente do Congresso Nacional Africano, o chefe Albert Luthuli, mais tarde galardoado com o Prémio Nobel da Paz, declarara que “o boicote económico é a maneira de o mundo como um todo deixar claro às autoridades sul-africanas que ou mudam ou sofrem as consequências”.
Na sexta-feira, 30 de Outubro, os estivadores de cerca de cem portos de quase vinte países fizeram talvez a maior paralisação laboral coordenada da história mundial. O epicentro da luta é o Mediterrâneo — estivadores de dezenas de portos da Itália, da Grécia, de França, de Chipre, do País Basco e de Marrocos recusaram-se a trabalhar em parte ou na totalidade desse dia. Juntaram-se-lhes estivadores e outros trabalhadores em concentrações em Espanha, na Turquia, na Alemanha, na Irlanda, em Portugal, na Dinamarca, na Suécia, na Austrália, em Veracruz (México) e em Oakland (Califórnia), assim como em muitos portos da Índia.
Não reivindicam nem salários mais altos nem redução de horários. Citando dois dos muitos cartazes que por aí circulam, “os estivadores não trabalham pela guerra” e “nem um porto pelo genocídio”. O que os estivadores dizem é que se recusam a ser cúmplices da guerra, ainda menos do genocídio. O que a acção dos trabalhadores patenteia é que os trabalhadores têm o direito de — e potencial para — moldar o mundo.
Citando dois dos muitos cartazes que por aí circulam, “os estivadores não trabalham pela guerra” e “nem um porto pelo genocídio”.
Zarpe o navio a horas
A história das greves está indissociavelmente ligada ao transporte marítimo, agora parte integrante da indústria logística, ou seja, das ditas “cadeias de abastecimento”.
Não é por acaso que o termo inglês para a mais poderosa arma dos trabalhadores, strike (greve), tem origens náuticas. No livro Many-Headed Hydra (“Hidra de Muitas Cabeças”), Peter Linebaugh e Marcus Rediker descreveram como, em 1768, em Londres, os marinheiros arrearam “as velas dos navios, paralisando o comércio da principal cidade do império e acrescentando a greve ao arsenal da resistência”1. Desde essa altura, o termo usado para paralisação do trabalho em língua inglesa passou a ser “strike”, confirmando o lugar fundamental que o transporte marítimo ocupava no capitalismo. Ainda hoje, mais de 90 por cento de todos os bens consumidos (sejam matérias-primas, sejam produtos acabados) são transportados por mar.
Faz pelo menos um século que, de quando em quando, estivadores, marinheiros e outros trabalhadores do sector marítimo se recusam a carregar ou descarregar mercadorias em protesto contra o imperialismo, o fascismo e a guerra.
Em 1935-36, os estivadores de portos da África do Sul — Durban, Cidade do Cabo e Baía de Lüderitz —, assim como os de São Francisco, recusaram-se a carregar mercadorias para bordo de navios italianos em protesto contra a invasão da Etiópia pelo império fascista italiano.
No final da década de trinta, os estivadores da décima secção do ILWU da região da Baía de São Francisco uniram-se à comunidade chinesa, recusando-se a carregar mercadoria para o Japão imperial em protesto contra a invasão japonesa da China.
O exemplo mais vasto de militância dos estivadores foi contra o apartheid na África do Sul. Em São Francisco, Brooklyn, Sydney, Porto Espanha (Trindade), Gotemburgo (Suécia), Copenhaga e muitos outros portos, os operários sindicalizados recusaram-se a movimentar carga.
O activismo dos trabalhadores contra o apartheid não ficou restrito ao trânsito marítimo. Os trabalhadores dos supermercados irlandeses mantiveram, anos a fio, uma campanha em que se recusavam a servir clientes que comprassem produtos sul-africanos, conforme dramaticamente descreveu a autora irlandesa Sally Rooney.
Talvez o exemplo mais relevante tenha sido a campanha da 10ª secção do ILWU contra o Chile fascista. Em 1978, os estivadores e empregados de escritório de São Francisco sindicalizados na 34ª secção do ILWU descobriram que as forças armadas dos EUA estavam a enviar secretamente armas para o Chile. O ILWU tinha apoiado com todas as suas forças o regime anterior, encabeçado pelo socialista Salvador Allende, derrubado por um golpe de Estado militar, em 1973, chefiado por Augusto Pinochet, com o apoio activo dos Estados Unidos.
Os sindicalistas da 10ª secção, entre eles Herb Mills, que mais tarde escreveu um relato ficcionado intitulado Presenté, puseram-se em contacto com exilados chilenos, “latinos” da baía de São Francisco, a Igreja Católica e outros para pressionar o governo dos EUA a parar de enviar material militar. Trabalhando com congressistas solidários, o ILWU ajudou a convencer a Administração Carter da necessidade de reverter a política dos EUA e parar de mandar material militar para o Chile.
Solidariedade dos estivadores com a Palestina: de Génova ao Mediterrâneo e ao mundo
O apelo da PGFTU de 2025, “Cry Before Death” (O Grito Ante a Morte), apelava aos “camaradas do nosso sindicato, aguardamos que façais a vossa parte e transmitais o grito das crianças e trabalhadores de Gaza até aos decisores políticos e às ruas”.
A segunda Jornada Internacional de Luta dos Estivadores visa, em solidariedade com o movimento operário palestiniano, paralisar a cadeia de abastecimento global, antes de mais nada nos portos do Mediterrâneo. Estes estão na “linha da frente” na luta contra a guerra de Israel contra a Palestina, bem como contra as guerras de Israel contra o Líbano, a Turquia, a Síria e o Irão, todas elas alimentadas por equipamento e munições militares vindos dos EUA e da Europa.
Desde que, em 2019, se recusaram a carregar armas para a guerra travada pela Arábia Saudita no Iémen, os estivadores sindicalizados do porto de Génova, o de maior movimento da Itália, emergiram como vanguarda, tanto o Collettivo Autonomo Lavoratori Portuali (Colectivo Autónomo de Estivadores, CALP) como a Unione Sindacale di Base (Sindicato de Base ou USB). No ano passado, em solidariedade com a Frota Global Sumud, que procurou romper o bloqueio ilegal de Gaza por Israel, o estivador genovês Riccardo Rudino prometeu que “se perdermos o contacto com os nossos barcos, com os nossos camaradas, mesmo que apenas por 20 minutos, bloqueamos toda a Europa”. No outono passado, entre os participantes da frota encontrava-se outro estivador genovês, José Nivoi (assim como o sindicalista da Amazon Chris Smalls).
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Os estivadores genoveses contam com forte apoio de uma sociedade civil bem organizada, de grupos de estudantes e de um governo local solidário. Este outono, Génova acolhe uma potente instalação sonora da artista Hajra Waheed, “Hum III: From Port to Port, A Sonic Convening”. A exposição de Waheed explora a tradição histórica do sindicalismo radical, do antifascismo e do internacionalismo em Casablanca, Chattogram (Chatigão), Durban, Génova, Sydney, Jaffa e outros portos. Waheed faz uma ligação ostensiva entre as histórias de acção directa e a oposição dos estivadores ao apartheid israelita, também na jornada de 30 de Outubro.
A Federação Mundial dos Sindicatos (WFTU), organização com sede em Atenas, cujos sindicatos filiados representam 105 milhões de trabalhadores, co-patrocina a acção.
A mobilização desenrola-se num momento crítico, com conflitos militares em alastramento e frentes de guerra a progredirem e interligarem-se perigosamente, da Ucrânia ao Médio Oriente. O Estado assassino de Israel, apoiado pelos EUA, pela União Europeia e pela NATO, prossegue a sua actividade criminosa contra o povo palestiniano e intensifica a agressão militar contra o Irão e o Líbano, aumentando o perigo de um conflito ainda mais alargado.
A WFTU salienta que os operários “da indústria metalúrgica e dos estaleiros navais, dos caminhos-de-ferro, da energia, das telecomunicações, dos transportes e da logística… ligam portos, zonas industriais e infra-estruturas militares… [e] podem desempenhar um papel decisivo na luta comum contra a guerra imperialista e a exploração”.
A investigadora especializada no estudo de perturbações das cadeias de abastecimento, activista sindical e pela Palestina Charmaine Chua refere mais pormenores sobre:
… os nós estratégicos em que o genocídio israelita se sustém: da Turquia, que fornece petróleo bruto através do porto de Ceyhan, às exportações de carvão da África do Sul, aos envios de componentes para a Elbit Systems por Génova, Ravena, Livorno e outros portos, ao papel de Oakland no aprovisionamento das operações militares americanas pelo mundo fora. Ao traçar o papel destes portos no genocídio, veem-se os tentáculos do combustível, dos sistemas de armamento e das energias renováveis a alimentar as máquinas de guerra israelita e norte-americana. Se nos portos se cristalizou de forma surpreendente a brutal cumplicidade dos nossos Estados com a máquina de guerra, já a enorme solidariedade dos estivadores e da sociedade civil é sinal da maciça oposição que toma forma em resposta a estas catástrofes em marcha.
É forçoso compreender, também, que, sendo as cadeias de abastecimento — que tornam possível a guerra “moderna” — globais, não basta encerrar um porto, nem mesmo todos os portos de um país. Katy Fox-Hodess escreveu que não há nenhum ponto de estrangulamento estratégico que seja uma “solução milagrosa”. Com a sua frequente co-autora Rafeef Ziadah, pôs-se a estudar o “Internacionalismo dos Trabalhadores numa Época de Genocídio".
Chua vai mais longe: “O movimento operário prestar solidariedade a sério à Palestina exige de todos nós que encontremos nos nossos próprios locais de trabalho outras alavancas influentes, mantenhamos viva a base da organização sindical no nosso próprio chão de fábrica e construamos um sindicalismo empenhado em organizar em toda a parte, não apenas em pontos estratégicos.”
Embora se estejam a preparar para subir ao palco, houve estivadores que não esperaram. Na semana passada, em Livorno, os estivadores interromperam o transporte de carga militar norte-americana da base aérea conjunta italo-americana de Sigonella, considerada o centro nevrálgico do Mediterrâneo.
Em 30 de Outubro, os estivadores de boa parte do Mediterrâneo e não só paralisaram o trabalho, manifestando-se contra a guerra e o genocídio. As suas acções são apenas o início. No mundo actual, os trabalhadores que queiram moldar a política mundial têm de se organizar transversalmente aos sectores e países. A jornada dessa sexta-feira será certamente gigante; mais importante ainda será como os trabalhadores responderão nas semanas seguintes.
Traduzido e ligeiramente adaptado de jacobin.com por Adriano Zilhão.
1 Em 1768, os marinheiros, em apoio das manifestações em Londres, “struck”, ou seja, arriaram as velas de gávea dos navios mercantes no porto, incapacitando-os assim de navegar.
A Direcção do Sindicato Ferroviário da Revisão Comercial Itinerante (SFRCI) manifesta o seu mais profundo pesar e consternação pelo trágico acidente ferroviário ocorrido em Espanha, endereçando as mais sentidas condolências às famílias e amigos das vítimas mortais, bem como uma palavra de solidariedade aos passageiros feridos e a todos os ferroviários espanhóis, que vivem momentos de profunda dor e angústia.
Perante esta tragédia, o SFRCI expressa a sua solidariedade para com os trabalhadores ferroviários espanhóis, reconhecendo o impacto humano e profissional de acontecimentos desta natureza numa classe que diariamente assume responsabilidades fundamentais na segurança e no transporte de passageiros.
As referências à eventual falha dos sistemas de segurança e à insuficiência de meios redundantes de protecção, capazes de assegurar a operação em condições de segurança quando os sistemas digitais falham, reforçam a necessidade de uma investigação rigorosa e independente, que permita apurar as causas do acidente e retirar todas as conclusões necessárias à prevenção de futuras tragédias.
A segurança ferroviária tem de ser uma prioridade absoluta e inegociável. A tecnologia é fundamental, mas não pode constituir a única barreira de protecção. É indispensável garantir sistemas de segurança fiáveis, mecanismos redundantes de recurso, manutenção adequada, investimento contínuo nas infraestruturas e condições de trabalho que permitam aos profissionais desempenhar as suas funções com segurança.
Nenhuma consideração económica ou operacional pode sobrepor-se à vida humana. Um sistema ferroviário verdadeiramente seguro exige prevenção, investimento, responsabilidade e respeito por todos os trabalhadores e passageiros.
Neste momento de dor, a Direcção do SFRCI associa-se ao luto dos ferroviários espanhóis e de todo o sector ferroviário, reiterando a sua solidariedade para com as famílias enlutadas e desejando uma rápida e plena recuperação a todos os feridos.
Às vítimas mortais, a nossa homenagem. Às famílias, as nossas sentidas condolências. Aos feridos, os votos de rápidas melhoras. Aos ferroviários espanhóis, a nossa solidariedade fraterna.
A tragédia ferroviária de 28 de outubro, em Urda, Toledo, exige respostas que não se compadecem com a simples alegação de erro humano. Antes de se responsabilizar um trabalhador, é necessário esclarecer como falharam as proteções que deveriam impedir uma colisão entre comboios.
As primeiras notícias atiram imediatamente o foco para quem, alegadamente, tomou uma decisão errada. Mas identificar um eventual erro individual não explica a avaria inicial, a organização do trabalho, nem por que razão as restantes barreiras de segurança não impediram o desastre.
Os profissionais do centro de controlo de Atocha denunciam a concentração de tarefas numa única pessoa por posto: acompanhar a circulação, supervisionar sistemas, atender maquinistas e transmitir instruções – tudo entregue a um só ser humano. Quando ocorre uma avaria, essas exigências multiplicam-se precisamente quando cada decisão requer maior cuidado.
Os profissionais do centro de controlo de Atocha denunciam a concentração de tarefas numa única pessoa por posto: acompanhar a circulação, supervisionar sistemas, atender maquinistas e transmitir instruções – tudo entregue a um só ser humano.
Teria uma equipa reforçada, com funções claras de apoio e verificação, permitido detetar o perigo a tempo? A investigação deve responder. Não basta contar pessoas numa sala. Importa perceber que apoio estava disponível e como funcionou.
A redundância na segurança também se faz com trabalhadores.É necessário prever o erro e garantir meios para o detetar e corrigir, antes de provocar consequências irreversíveis.
José Luis Villa, antigo diretor-geral da Renfe, questionou no El Mundo a explicação centrada no indivíduo, apontando responsabilidades de gestão e problemas de coordenação. A sua avaliação não substitui a investigação, mas lembra que as decisões de quem organiza e dirige também devem ser escrutinadas.
Portugal precisa de ter esta discussão perante a perspetiva de mais empresas de passageiros na rede. Pergunto: mais operadores e circulações serão acompanhados por investimento na infraestrutura, manutenção, contratação e coordenação? Se aumentarem as exigências sem aumentarem os meios, não estaremos a criar condições para um risco acrescido?
Esta discussão também exige olhar para as prioridades do investimento. A modernização ferroviária deve melhorar as deslocações quotidianas, ligar populações e garantir alternativas de transporte. Os comboios suburbanos, regionais e serviços do interior precisam de investimento continuado, tal como as oficinas e os profissionais que asseguram o seu funcionamento. A alta velocidade não dispensa uma rede de proximidade fiável.
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O valor de um serviço público não se mede apenas pela receita dos bilhetes. Mede-se também pelas populações que serve, pela coesão territorial e pela segurança que oferece. E qualquer modelo de exploração deve ser avaliado por esses critérios.
Entretanto, os maquinistas espanhóis já tinham uma greve convocada para 29 de outubro. Exigiam melhorias de segurança, comunicações de emergência, contratação e cumprimento das pausas. Não sabemos se essas medidas teriam evitado esta tragédia. E se tivessem? Sabemos que os trabalhadores já reclamavam respostas e queriam ser ouvidos. E se tivessem sido?
Quando uma greve é apresentada apenas pelos transtornos que provoca, fica por explicar aquilo que os trabalhadores procuram proteger. Defender quem trabalha na ferrovia é também defender quem viaja. A segurança exige investimento, organização e trabalhadores em número suficiente para a garantir.
O direito de reunião (e as polícias profissionais) nasceu contra a lei, depois de 100 mortos no chamado Massacre do Rossio, em 1838. As polícias modernas nasceram, em Portugal também, e têm como função reprimir os cidadãos que lutam por direitos. Nunca a sua função foi a ordem e segurança públicas, mas a repressão contra quem luta por direitos. São um corpo dos empresários e do Estado, foi assim em 1838, na Maria da Fonte, na República e no Estado Novo, é assim hoje no Rossio e em Covas de Barroso.