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Pacote laboral: O perigo mantém-se. Só a unidade o esconjurará
categoria-editorial edicao-2026-03-26 (21)

Pacote laboral: O perigo mantém-se. Só a unidade o esconjurará

Apesar da derrota de Montenegro e de Ventura na greve geral e nas eleições presidenciais, a “concertação” em volta do pacote laboral recomeçou. E recomeçou porque Seguro veio em socorro do desacreditado Montenegro

Jornal Maio
As guerras de Trump não resolvem a crise do capitalismo: agravam-na
categoria-editorial edicao-2026-03-19 (20)

As guerras de Trump não resolvem a crise do capitalismo: agravam-na

Quando Donald Trump anunciou o aumento drástico das suas pautas aduaneiras, no “dia da Libertação”, anunciou-se a alvorada de uma nova época de proteccionismo. Porém, quando os índices na Wall Street começaram a cair, Donald Trump, negociou deals variados e, sobretudo, criou excepções e alçapões par

Jornal Maio
Vai garboso e não Seguro
categoria-editorial edicao-2026-03-12 (19)

Vai garboso e não Seguro

“Vem por aqui”, dizem-me alguns com olhos doces, / Estendendo-me os braços, e seguros / De que seria bom que eu os ouvisse / Quando me dizem: “vem por aqui”! / Eu olho-os com olhos lassos, / (Há, nos meus olhos, ironias e cansaços) / E cruzo os braços (…)

Jornal Maio
"Submete-te, ou morre"
categoria-editorial edicao-2026-03-05 (18)

"Submete-te, ou morre"

O assassinato do chefe político e religioso da teocracia iraniana, Khamenei, poucas semanas após o rapto do presidente Maduro da Venezuela, é um sinal novo, decalcado dos métodos das Mafias

Jornal Maio
40 anos de CEE/UE: Cá se vai andando com a cabeça entre as orelhas
categoria-editorial edicao-2026-02-26 (17)

40 anos de CEE/UE: Cá se vai andando com a cabeça entre as orelhas

“Com esta da austeridade, meu senhor / Nem sequer dá para ir desta pra melhor / Os funerais estão por um preço do outro mundo”, canta o Sérgio Godinho no Coro das Velhas.

Jornal Maio
Depois da tempestade vem o quê?
categoria-editorial edicao-2026-02-19 (16)

Depois da tempestade vem o quê?

Depois do “comboio de tempestades” que espalhou destruição no país há uma imensa tarefa de reconstrução pela frente. Porém, houve e há outras questões com efeitos devastadores que têm de ser enfrentadas e resolvidas: anos de privatizações, com grandes empresas privatizadas, como a EDP, comunicações e transportes, a subcontratarem a

Jornal Maio
O primeiro grande teste à nova “maioria presidencial”
categoria-editorial edicao-2026-02-12 (15)

O primeiro grande teste à nova “maioria presidencial”

António José Seguro venceu as eleições com perto de 67% dos votos. Ventura obteve 33%, ainda assim, mais de 1,7 milhão de votos. Dois terços dos que votaram rejeitaram o candidato fascista. Ventura só conseguiu acrescentar cerca de 400 mil votos ao seu resultado da primeira volta

Jornal Maio
O vendaval que deixou o Estado a nu
categoria-editorial edicao-2026-02-05 (14)

O vendaval que deixou o Estado a nu

A tempestade Katrin e o seu rasto de destruição deixaram à vista de todos um Estado falhado, desmantelado por décadas de neoliberalismo, e um Governo incapaz de responder à realidade.

Jornal Maio
Para que serve a educação?
categoria-editorial edicao-2026-01-29 (13)

Para que serve a educação?

Todas as classes dominantes da Europa estão a aplicar, sob a batuta centralizada da Comissão Europeia, um programa de desmantelamento dos “pilares do declínio”

Jornal Maio
Presidenciais Que fazer ante a ameaça fascista e a falência da esquerda institucional?
categoria-editorial edicao-2026-01-22 (12)

Presidenciais Que fazer ante a ameaça fascista e a falência da esquerda institucional?

Na segunda volta das eleições presidenciais, António José Seguro enfrentará o candidato do partido fascista, André Ventura.

Jornal Maio
O Maio e as eleições de 18 de janeiro
categoria-editorial edicao-2026-01-15 (11)

O Maio e as eleições de 18 de janeiro

O Maio é construído por trabalhadores que têm diferentes opções políticas. Não endossamos qualquer candidatura presidencial, optando antes por dar voz a apoiantes de diversas opções eleitorais em sufrágio.

Jornal Maio
Ao lado da Venezuela, contra a agressão de Trump
categoria-editorial edicao-2026-01-08 (10)

Ao lado da Venezuela, contra a agressão de Trump

A agressão militar e captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, pelos Estados Unidos é um crime e um ato de guerra e deve ser repudiado e condenado como tal.

Joana
categoria-editorial edicao-2026-03-26 (21)

Pacote laboral: O perigo mantém-se. Só a unidade o esconjurará

Apesar da derrota de Montenegro e de Ventura na greve geral e nas eleições presidenciais, a “concertação” em volta do pacote laboral recomeçou. E recomeçou porque Seguro veio em socorro do desacreditado Montenegro exortar centrais sindicais e patronato a regressarem à mesa das “conversações”. Se a resposta dos trabalhadores for fraca, Montenegro e Ventura negociarão umas modificações cosméticas para fazer de conta, e o pacote passará no Parlamento.

O Conselho Nacional da CGTP, reunido a 18 de Março, aprovou uma resolução em que, a abrir, declara, a propósito do pacote laboral, que “A greve geral [foi] momento alto da convergência na luta”. Acrescenta que “os trabalhadores rejeitaram o pacote laboral, exigem a revogação das normas gravosas que já hoje a legislação contém (...). Não aceitam retrocessos, exigem um outro rumo e uma outra política”.

Assim é. Pouco preocupa mais os trabalhadores conscientes do que a possibilidade de o pacote laboral de Montenegro ser aprovado. Não só ele reduz drasticamente os direitos e condições de trabalho, mas, restringindo a liberdade sindical e o direito de greve, restringe gravemente a possibilidade de lutar por melhores salários e direitos no futuro.

Ora, já por algumas vezes o futuro do “pacote laboral” pareceu seriamente comprometido. A primeira foi fruto directo da grande greve geral de Dezembro. O PS já declarara que não votaria o pacote. O caudilho fascista Ventura, que sabe sempre de que lado sopra o vento, declarou então que não o viabilizaria naquela forma, por ele fazer suportar toda a carga aos trabalhadores. Para o governo da AD, minoritário, mesmo com o apoio da IL, a via parlamentar periclitava.

A segunda crise foi logo a seguir à eleição presidencial. As confederações patronais declararam, exasperadas, que, dado a UGT continuar indisposta a recuar das suas “linhas vermelhas” e a exigir a reposição de direitos pré-troika, “nada mais havia a discutir” (a CGTP, que não fora convidada para as “conversações”, protestou por ser excluída).

Apesar disso, a “concertação” recomeçou. E recomeçou porque o Presidente eleito, Seguro, veio em socorro do desacreditado Montenegro exortar centrais sindicais e patronato a regressarem à mesa das “conversações”.

Em resultado de todas estas manobras, mantém-se intacto o perigo para os trabalhadores.

Nós, no Maio, pensamos que os sindicatos servem para negociar e arrancar ao patronato os melhores resultados possíveis para os trabalhadores, na correlação de forças dada. Em contrapartida, discordamos de que os sindicatos participem na “concertação social”, que é política e institucional. “Concertação” não é negociação. É associação ao Estado e às políticas dos governos. Mesmo com governos “de esquerda”, se não romperem com o quadro institucional, essas políticas são sempre condicionadas e determinadas pelo mandamento de defender os interesses dos proprietários dos grandes meios de produção e troca e pelos ditames austeritários de Bruxelas.

Discordamos, portanto, da política de ambas as centrais sindicais de participação no CES, na concertação social e restantes instituições estatais e para-estatais. Nada de bom daí pode vir para os trabalhadores.

Em contrapartida, concordámos plenamente com ambas as centrais quando, face ao pacote laboral apresentado, elas declararam que a única solução que podiam aceitar era a retirada do pacote e não a sua concertação.

E fomos, desde o início, partidários de que as centrais convocassem conjuntamente a greve geral. Quando assim efectivamente aconteceu, verificou-se que os trabalhadores e a juventude aderiram em massa. A greve e a grande manifestação de 11 de Dezembro de 2025 em Lisboa ficou na memória de todos, e atordoou o Governo e o patronato.

A evidência é que a unidade na acção das grandes organizações representativas surte impacto máximo, sem prejuízo das legítimas diferenças de opinião e posições sindicais e políticas de cada um.

Independentemente da “influência” e dos efectivos que cada central reivindique para si, acções convocadas em unidade são um sinal poderoso para todos os trabalhadores: não há divisão; avançar, fazer greve, sair à rua não é perda de tempo e energia, é a via para a vitória.

Assim sendo, é difícil compreender que a longa resolução do Conselho Nacional da CGTP seja omissa em propostas à UGT e aos sindicatos independentes para prepararem em conjunto novas acções e uma nova greve geral, mais dura e longa, se o Governo não recuar. A resolução enumera, como todos os anos, o calendário de acções da CGTP para os meses a vir. Na linha final, menciona: “(...) ampla frente de luta construída, (...) que se desenvolverá com todas as formas de luta que a situação imponha, incluindo a Greve Geral.” Mas sem uma palavra sobre a preparação concreta da greve geral na unidade de todos os trabalhadores e organizações, caso a aprovação do pacote esteja iminente.

Todos sabemos o que acontecerá se o movimento operário e sindical não responder à altura. O movimento protofascista de Ventura é uma criatura do patronato, que este tem em reserva como última instância para pôr os trabalhadores “nos eixos” se nada mais funcionar. Se a resposta operária e sindical for fraca, Montenegro e Ventura negociarão umas modificações cosméticas para fazer de conta, e o pacote passará intacto no Parlamento.

Publicámos há semanas a plataforma unitária elaborada pelas direcções de uma dezena de sindicatos não filiados, que pedia a unidade para preparar nova greve geral, caso necessário. É agora responsabilidade das direcções das duas centrais sindicais pronunciarem-se claramente pela luta unida de todas as organizações sindicais e de trabalhadores para derrotar o pacote laboral.

categoria-editorial edicao-2026-03-19 (20)

As guerras de Trump não resolvem a crise do capitalismo: agravam-na

Quando Donald Trump anunciou o aumento drástico das suas pautas aduaneiras, no “dia da Libertação”, anunciou-se a alvorada de uma nova época de proteccionismo.

Porém, quando os índices na Wall Street começaram a cair, Donald Trump, negociou deals variados e, sobretudo, criou excepções e alçapões para os “Sete Magníficos”, os gigantes da “tech” que representam uma enorme parcela da variação do índice bolsista: Nvidia, Apple, Tesla, Meta, Alphabet, Amazon e Microsoft.

Quando Donald Trump anunciou o aumento drástico das suas pautas aduaneiras, no “dia da Libertação”, anunciou-se a alvorada de uma nova época de proteccionismo.

Porém, quando os índices na Wall Street começaram a cair, Donald Trump, negociou deals variados e, sobretudo, criou excepções e alçapões para os “Sete Magníficos”, os gigantes da “tech” que representam uma enorme parcela da variação do índice bolsista: Nvidia, Apple, Tesla, Meta, Alphabet, Amazon e Microsoft.

A imprensa financeira sabe o que determina Trump: “a chave para compreender bem Donald Trump não está na Casa Branca, está na Wall Street (...) Os depósitos dos investidores e os planos de aposentação dos seus eleitores dependem directamente da bolsa. Trump é um homem do mercado de capitais.” (The Pioneer, 11/3) Mais de um terço da população americana, a situada nos segmentos com rendimento anual superior a 40 mil dólares/ano, detém acções e segue com ansiedade as cotações.

Quando Trump torna claro que a China é o seu alvo principal e proíbe exportações de produtos de ponta, isso não o impede de proteger os interesses, por exemplo, da Nvidia, permitindo-lhe continuar a vender à China circuitos electrónicos (chips) de alto rendimento — evitando-lhe um colapso de vendas e da cotação bolsista.

Nos últimos anos, a subida de Wall Street deveu-se quase integralmente aos tais sete magníficos, enquanto o resto da economia estagna. Deve-se, muito em particular, à especulação com a expectativa de que o rápido desenvolvimento e expansão da inteligência artificial faça ganhar fortunas incomensuráveis a quem tiver apostado no cavalo certo.

O problema é que há vários cavalos e nem todos (se é que algum) ganharão essa corrida; e que todos eles têm em curso ou em preparação investimentos de dimensões sem precedentes: no desenvolvimento de algoritmos; na construção de centros de dados que os suportem; e em centrais de energia que alimentem estes. Todos esses investimentos têm de ser financiados.

Ora “investidores aventureiros precisam de dinheiro barato, razão porque Trump exige incansavelmente reduções da taxa de juro. Acresce que, se os multimilionários trumpianos da tech (Alphabet, Amazon, Meta e Microsoft) quiserem realizar realmente 650 mil milhões de investimentos, grande parte será financiada pelos mercados obrigacionistas. Também aqui, os juros determinarão o preço.” (The Pioneer 11/3)

Na verdade,“os grupos americanos estão a endividar-se a um ritmo nunca visto. Num só dia foram colocados mais de 65 mil milhões de dólares de obrigações de empresas, o maior valor diário da história”.

Acresce que um traço característico dos anos que se seguiram à última grande crise económica (2007-08) foi que uma parte muito significativa dos empréstimos deixou de ser feita por bancos comerciais, passando para fundos financeiros privados, não cotados e opacos. Ninguém sabe bem o que lá se passa, “debaixo do capô”.

Os sinais de alarme para a economia americana e mundial não cessam de se acumular — e agravam-se com as consequências da guerra. O fecho do estreito de Ormuz paralisa o tráfico de navios para e do Golfo Pérsico. Neste momento, 10 a 15% do petróleo está preso a montante do estreito.

Com efeito, se a guerra de Trump contra o Irão se destinava a destruir o último obstáculo à hegemonia militar absoluta de Israel na região do petróleo e a abrir, desse modo, caminho a negócios rocambolescos geradores de super-lucros para os gigantes americanos, os dos combustíveis fósseis evidentemente, mas também todos os outros, as consequências económicas arriscam-se, pelo contrário, a precipitar uma nova espiral inflacionista e das taxas de juro e a provocar um crash financeiro e bolsista como o de 2007 — ou pior.

E não é só o petróleo, agora negociado acima de cem dólares o barril. O custo dos fretes marítimos sobe estratosfericamente. Matérias-primas e primárias fundamentais de várias indústrias provêm da região: 22% da ureia e 45% do enxofre (indispensáveis à produção de fertilizantes e, portanto, de comida), um terço do hélio, produzido no complexo de Ras Laffan, no Qatar, agora encerrado (sem hélio não se podem arrefecer os imãs com que se fabricam os circuitos electrónicos), 69% do combustível usado por aviões a jacto europeus, 23 a 30% de vários insumos essenciais das indústrias do plástico, parte significativa do alumínio (The Economist, 16/3).

Os preços de todos estes produtos deram saltos mortais. Rapidamente se repercutirão nos preços de grande parte dos produtos de consumo das populações.

Segundo estimativas da ONU referidas por The Economist (16/3), um terço dos fertilizantes transportados por mar passa pelo estreito de Ormuz. Não se desbloqueando este, boa parte das próximas colheitas ficarão comprometidas, sobretudo nos países pobres.

Guerra, inflação e fome: o rosto da barbárie que o capitalismo imperialista apresenta aos povos do mundo.

Guerra contra a nação e os povos do Irão e da Venezuela (não os regimes!), de Cuba, da Palestina, do mundo. Guerra contra os trabalhadores dos EUA (como ultimamente no Minnesota). Guerra contra os trabalhadores alemães (50 mil despedimentos anunciados na VW e 20 mil na Bosch até 2030). Guerra contra os trabalhadores portugueses (pacotes laboral e da habitação de Montenegro, destruição do SNS e ensino público).

Só a resistência, a organização e a unidade dos trabalhadores e dos povos podem deter e vencer esta guerra.

categoria-editorial edicao-2026-03-12 (19)

Vai garboso e não Seguro

“Vem por aqui”, dizem-me alguns com olhos doces, / Estendendo-me os braços, e seguros / De que seria bom que eu os ouvisse / Quando me dizem: “vem por aqui”! / Eu olho-os com olhos lassos, / (Há, nos meus olhos, ironias e cansaços) / E cruzo os braços (…) *1

António José Seguro acaba de ser eleito Presidente da República com uma larguíssima maioria. Praticamente toda a esquerda e parte da direita votou nele, contra o candidato da extrema-direita. A sua primeira prova de fogo não é da guerra contra o Irão apenas porque conta com a complacência de um país que acha que Portugal, nestes grandes conflitos, “não risca nada”. A Espanha opôs-se à utilização das suas bases pelos EUA e o Governo de Portugal fez de conta que não viu os aviões americanos nas Lajes. O intrépido Rangel conseguiu até agradecer a Israel a ajuda no repatriamento de portugueses – que nunca existiu. Aparentemente confundiram com um cidadão brasileiro chamado Israel.

Não sendo, para já, a guerra, a outra prova de fogo é a do pacote laboral. E Seguro parece ceder aos que da direita lhe dizem com vozes doces “Vem por aqui!”

“Fiz um apelo e renovo”, declarou. “O país precisa de um acordo equilibrado em matéria de legislação laboral e, das informações que recolhi, nada está fechado”. Não está fechado? Três milhões de trabalhadores em greve geral recusaram o pacote laboral. A CGTP recusou sequer discuti-lo. Toda a esquerda política, incluindo PS, PCP e Bloco, de onde veio a maioria dos votos que o elegeram, recusa-o. Até a UGT concluiu que não há condições para assinar qualquer acordo. Governo e associações patronais ficaram a falar sozinhos.

“Se chegar o documento inicial do Governo, vetarei politicamente porque não resolve nenhum problema, pelo contrário, vem criar mais instabilidade social”, afirmou Seguro durante a campanha eleitoral, dando como exemplos o alargamento dos contratos a termo, a possibilidade de as empresas recorrerem ao outsourcing após um despedimento, a reposição do banco de horas individual ou a não reintegração de trabalhadores após despedimento ilícito. Mas o documento do Governo contém mais de 100 artigos. Para quê premiar um Governo condenado a negociar com o Chega (que os eleitores de Seguro derrotaram nas eleições presidenciais) para aprovar parte do seu pacote, abrindo a porta à aprovação de um pacote laboral recauchutado?

O poema de José Régio com que abrimos este editorial termina com as palavras: “Não sei para onde vou, / Sei que não vou por aí!” Talvez Seguro não saiba para onde vai, mas saberá por onde não pode ir?


1 José Régio, “Cântico Negro”.

categoria-editorial edicao-2026-03-05 (18)

"Submete-te, ou morre"

O assassinato do chefe político e religioso da teocracia iraniana, Khamenei, poucas semanas após o rapto do presidente Maduro da Venezuela, é um sinal novo, decalcado dos métodos das Mafias: o preço a pagar pela insubmissão à vontade do imperialismo mais poderoso e da administração mafio-nazi de Trump não é apenas a ameaça de guerra contra o país infractor; é a ameaça de eliminação física imediata dos dirigentes “insubmissos”.

A nova agressão israelo-americana contra o Irão arrasta a humanidade para uma guerra generalizada de consequências incalculáveis.

Não se deve, porém, ver na inaudita ferocidade e temeridade da dupla Netanyahu/Trump o mero fruto de um par de monstros psicopatas. Há método.

Uma semana antes do ataque, o embaixador americano em Tel Aviv afirmou que Israel «tinha direitos»… em todos os territórios situados entre o Nilo e o Eufrates!

Estamos perante um vasto plano neocolonial para pôr o Médio Oriente sob a administração directa de Trump, com o Estado genocida de Netanyahu a fazer de guarda pretoriana.

As contraditórias razões invocadas por Trump são, por odiosa que seja a ditadura teocrática, a mais ténue das parras a cobrir a nudez de uma agressão não provocada: o desenvolvimento, pelo Irão, da arma nuclear — declarado “obliterado” pelo mesmo Trump no bombardeamento anterior, há meses! — e de mísseis transcontinentais, em que nenhum “especialista” acredita.

As multinacionais americanas e europeias activas na República Democrática do Congo, um dos países mais ricos do mundo em minérios, transformaram ostensivamente toda a região africana dos grandes lagos num caos de guerra e guerra civil permanente, que dura há décadas. No meio desse caos, as multinacionais prosseguem os seus negócios sob a protecção de milícias contratadas, enquanto as populações vivem na miséria e na morte.

Ao Médio Oriente do petróleo reserva-se idêntico destino.

Contudo, o assassinato do chefe político e religioso da teocracia iraniana, Khamenei, poucas semanas após o rapto do presidente Maduro da Venezuela, é um sinal novo, decalcado dos métodos das Mafias: o preço a pagar pela insubmissão à vontade do imperialismo mais poderoso e da administração mafio-nazi de Trump não é apenas a ameaça de guerra contra o país infractor; é a ameaça de eliminação física imediata dos dirigentes “insubmissos”.

A passagem a ferro e fogo dos países vistos como aliados da China serve para convencer o mundo de que não adianta aliar-se ou fazer acordos com a China. Mas serve também para mostrar que no centro das preocupações do imperialismo americano se mantém firmemente, nos termos reiterados na recente estratégia de segurança nacional da administração, a China — e a generalização da guerra até ela cair.

No plano interno americano, o sinal dado pelos assassinatos a sangue frio perpetrados pela milícia-polícia do ICE, no Minnesota, tem idêntico significado: quem não se submete morre.

Não que isso seja um problema para o rastejante governo português. Ao assentir, caladinho, à utilização da base das Lajes para a guerra, Portugal tornou-se parte activa dela.

Pelas regras em fumegante ruína do famoso direito internacional, a agressão sionista-norte-americana ao Irão é inteiramente ilegal — enquanto as medidas de autodefesa do regime iraniano contra os países agressores são legítimas.

Sem dar cavaco ao povo português nem sequer às caras “instituições democráticas”, o servil governo Montenegro-Rangel entrou em guerra não declarada com o Irão, tornando legítimo, à luz do tal direito internacional, o Irão alvejar Portugal se assim o entender. A isto chegámos.

categoria-editorial edicao-2026-02-26 (17)

40 anos de CEE/UE: Cá se vai andando com a cabeça entre as orelhas

“Com esta da austeridade, meu senhor / Nem sequer dá para ir desta pra melhor / Os funerais estão por um preço do outro mundo”, canta o Sérgio Godinho no Coro das Velhas, de onde tirámos o título deste editorial. Mas antes de irmos para o outro mundo falemos deste e do que aconteceu a Portugal desde há 40 anos, quando entrámos para a CEE.

Construíram-se 3113 km de autoestradas. Temos a quarta maior rede da União Europeia em termos absolutos e a segunda em densidade por habitante (jornal Eco). Em contrapartida, a rede ferroviária nacional, segundo as Infraestruturas de Portugal, tem uma extensão total de aproximadamente 3600 km (mas só aproximadamente 2500 km se encontram em exploração ativa – ou seja, umas dezenas de quilómetros mais que no final do século XIX!

Melhorou muito a saúde e a educação, precisamente dois sectores que nos últimos anos mais têm estado sob ataque.

A riqueza média por habitante em Portugal multiplicou-se por 9,6 vezes nos últimos 40 anos, mas continua a ficar abaixo da média da União Europeia. E atualmente está praticamente ao mesmo nível em que se encontrava há três décadas! Mas se isto é para a média (em que tanto figuram os que comem a carne como os que roem os ossos), pior estão os de baixo: segundo um estudo de Eugénio Rosa, com base em dados do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, entre 2012 e 2025 o salário mínimo aumentou 79,4% (de 485€ para 870€). Mas por outro lado, entre 2012 e 2024, o salário mínimo, em percentagem da remuneração base média, aumentou de 53% para 63,2%. Ou seja, cada vez mais trabalhadores estão com os seus salários encostados ao salário mínimo. E os preços das casas e das rendas de casa cumprem o papel que há umas décadas tinha a inflação (que em 1985 era de 20% ao ano): socavar o poder de compra dos salários como o mar fez à areia das praias depois do “comboio de tempestades”: Entre 2015 e 2024, o índice de preços das casas subiu em Portugal 143%, enquanto o salário médio bruto cresceu apenas 36%.

Na próxima edição do Maio publicaremos um artigo de fundo a analisar a evolução do país nos últimos 40 anos.

categoria-editorial edicao-2026-02-19 (16)

Depois da tempestade vem o quê?

Depois do “comboio de tempestades” que espalhou destruição no país há uma imensa tarefa de reconstrução pela frente. Porém, houve e há outras questões com efeitos devastadores que têm de ser enfrentadas e resolvidas: anos de privatizações, com grandes empresas privatizadas, como a EDP, comunicações e transportes, a subcontratarem a manutenção das redes a pequenas empresas, ficando com cada vez menos trabalhadores qualificados. Com as barragens a serem geridas por privados, focados na obtenção de lucro, que acontecerá na bacia do Mondego, por exemplo?

As cheias do Mondego são agora utilizadas para voltar com o projeto da barragem de Girabolhos como solução, mas o problema não é a falta de barragens, mas sim as opções da sua gestão privada, onde a proprietária está interessada em manter o máximo de água possível (para poder produzir energia cara mais tarde quando o preço aumentar) em vez de manter o nível suficientemente baixo para ter volume de encaixe suficiente para responder às cheias.

Houve e há também a evidência de que a Nova Gestão Pública, com o seu SIADAP e os seus tiranetes nas chefias, corroeu o entusiasmo e capacidade de decisão dos trabalhadores sobre decisões como informação e prevenção sobre eventos extremos, ordenamento do território, infraestruturas, fiscalização de construções, emergência e apoio às populações.

Houve e há a dívida pública que remunera a ociosidade dos banqueiros que vivem do juro e é paga com cada vez piores salários na função pública e a pobreza dos trabalhadores e do país.

Houve e regressa o regime de “lay-off simplificado” inventado durante a crise do Covid para “manter os empregos”, que pôs os fundos da segurança social, portanto os nossos salários indiretos, a pagar os salários dos trabalhadores afetados, salvando os patrões, mas nem sequer impedindo o desemprego, com milhares de trabalhadores despedidos depois de as empresas receberem apoios.

Houve e há tudo isto e muito mais. E agora Montenegro parece que tem um plano: expropriar com indemnização a fixar depois, abater árvores sem parecer de especialistas – um tal “PTRR”, que ainda mal se conhece, mas que, tal como o PRR em vigor, implica mais aumento da dívida, pública e privada.

O que não entra no plano é o que era obviamente necessário.

Fora das opções do Governo ficou a requisição imediata das grandes empresas de construção civil — que a troika ajudou com o confisco de salários em 2011 e andam agora muito ocupadas a construir imóveis de luxo para a especulação. Ficou de fora a evidente necessidade de ter as comunicações, energia e transportes públicos sob administração pública e controlo das contas em acesso aberto ao público.

Uma coisa é certa: até mudarmos de rumo económico e voltarmos a ter serviços públicos robustos, ao serviço do bem comum e com trabalhadores bem pagos, cada catástrofe natural deixará o país “abandonado”, como em Pedrógão, no Elevador da Glória, na Kristin.

categoria-editorial edicao-2026-02-12 (15)

O primeiro grande teste à nova “maioria presidencial”

António José Seguro venceu as eleições para Presidente da República com perto de 67% dos votos. Ventura obteve 33%, ainda assim, mais de 1,7 milhão de votos. Dois terços dos que votaram rejeitaram o candidato fascista. Ventura só conseguiu acrescentar cerca de 400 mil votos ao seu resultado da primeira volta, apesar de os três candidatos de direita derrotados (Cotrim, Gouveia e Melo e Marques Mendes) terem somado mais de 2,3 milhões.

Paradoxalmente, Seguro, com os seus quase 3,5 milhões de votos, é a estabilidade do que continua a estar mal, contra a ameaça da violência fascista, protagonizada pelo Chega.

O Governo Montenegro sai destas eleições e da sua inépcia para reagir à destruição das tempestades que vêm assolando o país politicamente mais morto que vivo. Não obstante, tentará continuar a aplicar a sua política de destruição do SNS e da escola pública, de destruição dos direitos laborais, de fomento dos senhorios e de despejo dos trabalhadores.

O primeiro grande teste ao presidente eleito será a sua atitude perante o pacote laboral de Montenegro: irá vetá-lo ou deixá-lo passar? Durante a campanha eleitoral afirmou apenas que não publicaria as alterações à legislação laboral tal como estão porque a questão “não fez parte” das propostas eleitorais e porque “não houve acordo” em concertação social.

O pacote laboral é inegociável. É para derrotar. E não para ficar na mesma, mas para repor direitos básicos há muito retirados. E isso não depende da “concertação social”, mas da força que o país que trabalha demonstrou agora no voto para derrotar o candidato fascista para, nas empresas e nas ruas, o derrotarem por KO.

categoria-editorial edicao-2026-02-05 (14)

O vendaval que deixou o Estado a nu

A tempestade Kristin e o seu rasto de destruição deixaram à vista de todos um Estado falhado, desmantelado por décadas de neoliberalismo, e um Governo incapaz de responder à realidade.

As sucessivas tempestades que fustigaram o país na última semana puseram a nu o Governo e o Estado. O que ficou exposto foi um Estado falhado, desmantelado por décadas de neoliberalismo, e um Governo incapaz de responder à realidade. Durante vários dias, assistimos a uma ausência quase total do poder público: dezenas de milhares de casas tornaram-se inabitáveis, fábricas foram destruídas, populações ficaram sem água, energia e comunicações — e, durante três dias, nem sequer o 112 funcionou na zona de Leiria.

A resposta governamental foi tardia, irresponsável e esclarecedora. O ministro da Defesa demorou quatro dias a mobilizar algumas dezenas de militares para apoiar as populações afetadas. A ministra da Administração Interna revelou desconhecer a existência de planos de emergência. Pelo meio, o ministro da Economia considerou aceitável afirmar que as vítimas do furacão não precisariam de ajuda imediata por terem acabado de receber o salário no final do mês. Some-se a isto a já conhecida incompetência dos responsáveis pela Saúde — a ministra associada aos bebés nos parques de estacionamento — e pela Educação — o ministro que pretende empurrar os professores para um regime de contratação privada.

Mas não nos enganemos: isto não é apenas incompetência. É vontade política. É programa ideológico. O que aqui se manifesta é um governo que, por fidelidade aos interesses do grande capital, sempre procurou desmantelar o Estado e a coisa pública. Tudo é alvo de destruição: serviços públicos, proteção social, capacidade de resposta coletiva. Tudo, exceto o essencial para o Estado mínimo liberal que serve o capital: novos meios nunca faltam para a polícia, chamada a conter a chamada “ameaça interna” contra a propriedade e a ordem, nem para um Exército orientado para a defesa de interesses geopolíticos e imperialistas, obediente à NATO.

Mas as catástrofes revelam os regimes. As cheias de 1967 também expuseram o Estado Novo: evidenciaram a incompetência dos dirigentes, a censura, e ensinaram às populações atingidas e aos estudantes mobilizados uma lição fundamental: só podiam contar consigo próprios. Daí nasceram processos de auto-organização popular e um verdadeiro momento pedagógico, que conduziu da revolta à organização e contribuiu para o derrube do regime em 1974.

Hoje, o Governo e o Estado atravessam um processo semelhante de deslegitimação. Que este seja também um momento pedagógico: compreender que a ausência do Estado não é um acidente, mas uma escolha política. E que, perante ela, resta-nos fazer o que outros fizeram antes de nós: revoltarmo-nos e organizarmo-nos.

categoria-editorial edicao-2026-01-29 (13)

Para que serve a educação?

Todas as classes dominantes da Europa estão a aplicar, sob a batuta centralizada da Comissão Europeia, um programa de desmantelamento dos “pilares do declínio”: a segurança do emprego e os direitos dos funcionários públicos, a segurança social e as pensões “sucedâneo de salário”, a indústria “obsoleta” … e o ensino público.

“Quais as cinco razões para o declínio económico da Alemanha?”, interrogava recentemente uma publicação de orientação neoliberal ligada ao reacionário Grupo Springer. E respondia: o Estado de funcionários permanentes, o sistema de segurança social, as pensões distributivas, a indústria do século XIX e o sistema de ensino.

Sobre este último, o sistema de ensino, vejamos o que pensava o também alemão Wilhelm von Humboldt, considerado o pai da universidade moderna, e o que dele “pensam” os neoliberais ao estilo do ministro Fernando Alexandre.

“Em 1810, Wilhelm von Humboldt criou um sistema educativo cujos pilares eram a autonomia, a formação geral e o desenvolvimento da personalidade. Foi um modelo pioneiro – ainda hoje é a base do sistema educativo alemão. Só que não sofreu praticamente nenhum desenvolvimento desde essa altura. A ideia humboldtiana obedecia a uma ideia humanista, não a um princípio económico. Em primeiro plano estava não o fomento do núcleo produtivo do país, mas a promoção do indivíduo. Aprender não servia para desenvolver, digamos, o potencial económico, mas a personalidade. A educação bastava-se a si mesma. A aprendizagem educou os estudantes para serem eruditos, espíritos cultos, mas não empresários, o que explica que não se veja surgir em torno de nenhuma universidade alemã uma cena de start-ups comparável à da Universidade de Stanford, na Califórnia.2”

A que propósito vem esta discussão “alemã”?

Todas as classes dominantes da Europa estão a aplicar, sob a batuta centralizada da Comissão Europeia, um programa de desmantelamento dos “pilares do declínio”: a segurança do emprego e os direitos dos funcionários públicos, a segurança social e as pensões “sucedâneo de salário”, a indústria “obsoleta” … e o ensino público que forma cidadãos em vez de empresários (ou gente que faz negócios).

É o programa em aplicação na era Von der Leyen. Montenegro e os seus acólitos limitam-se a segui-lo. E é o pano de fundo para compreender o alcance das medidas para os professores e o ensino do Governo Montenegro denunciadas no anterior e neste número do Maio.


1 “Outdated: Das Betriebssystem der Bundesrepublik” (O sistema operativo da Alemanha está desatualizado), The Pioneer, 21/11/2025.
2 Idem, ibidem.

categoria-editorial edicao-2026-01-22 (12)

Presidenciais Que fazer ante a ameaça fascista e a falência da esquerda institucional?

Na segunda volta das eleições presidenciais, António José Seguro enfrentará o candidato do partido fascista, André Ventura.

Os grandes derrotados da primeira volta foram o governo AD e o seu primeiro-ministro. Luís Montenegro ficou, na prática, refém de Ventura.

No entanto, a esquerda institucional foi incapaz de romper com a lógica do sistema e de apresentar alternativas sérias. LIVRE, Bloco de Esquerda e PCP não alcançaram, em conjunto, 5% dos votos.

Sabíamos de antemão que o mais certo era o candidato fascista passar à segunda volta, pela primeira vez desde 1974.

Ainda assim, Ventura perdeu votos: teve menos 111.233 votos que nas últimas legislativas. Isso não o impedirá de se apresentar como novo “líder da direita”.

A segunda volta vai mostrar o grau de radicalização atingido pelo eleitorado da direita dita democrática. Aceitará ele conviver com o fascismo? Sabemos que os “neoliberais” têm por costume abrir a porta ao fascismo. João Cotrim Figueiredo não “desapontou”: recusou-se a apoiar Seguro, dando a entender ser igualmente aceitável votar em Ventura. Não ficou sozinho: também os outros grandes derrotados, o candidato bonapartista, Gouveia e Melo, e o candidato do PSD se recusaram a fazê-lo.

O novel refém de Ventura, Montenegro, o maior derrotado da noite eleitoral, também: absteve-se de indicação de voto, transido de medo de alienar uma parte do eleitorado de direita mais radicalizado, se escolher como parceiro parlamentar fixo o PS.

E a vitória provisória de Seguro?

Não foi certamente uma vitória da esquerda; muito menos, de uma verdadeira alternativa política. Foi um voto anti-Ventura. Do medo e da falta de alternativa política, representados na pressão ao voto útil. Sem candidatura de ruptura à esquerda, a classe trabalhadora viu-se forçada a escolher o voto defensivo.

Não houve “recuperação” eleitoral do PS. Não se abre nenhum horizonte de transformação e de esperança em um outro possível, se Seguro vencer a segunda volta.

O regime democrático-liberal e as condições de vida degradam-se a cada eleição que passa.

Entretanto, o foco dos partidos da esquerda parlamentar nas instituições, no eleitoralismo e na “moderação”, no marketing político, portanto, fê-los abandonar a organização política de base e qualquer programa político anticapitalista para quem vive do seu trabalho. Tornaram-se gestores secundários de um sistema cada vez mais desacreditado.

A greve geral de 11 de dezembro abriu um horizonte de combatividade — que nenhuma das candidaturas de esquerda, porém, fortaleceu. O confronto em torno do pacote laboral será, depois das presidenciais, o próximo grande embate político do nosso lado.

Na primeira volta, o Maio não apoiou nenhum dos candidatos presidenciais.

Com os resultados do último domingo, a situação política mudou. Muitos — mais ainda do que na primeira volta — serão os jovens e trabalhadores que optarão por votar em Seguro contra o candidato fascista, em nome da rejeição do autoritarismo, da repressão e da violência.

Seguro fará campanha em defesa de uma democracia liberal abstracta, que não defende a democracia no trabalho, a habitação para todos e a cultura como essência do modo de vida.

Se Ventura vencer, pode o regime mudar?

Uma vitória de Ventura significaria uma ameaça iminente de violenta degradação dos direitos, liberdades e garantias. O candidato a ditador fascista, no poder, pioraria terrivelmente as condições em que os trabalhadores têm de lutar.

Quem, recordado da conivência do PS e seus parceiros com a austeridade, martirizado pelas políticas de José Sócrates e da “geringonça", se abstém, fá-lo porque não vê alternativa, não porque se esteja nas tintas para Ventura ganhar.

Estas são as questões em jogo nesta votação.

Uma coisa precisamos de ter claro. Pode-se derrotar o fascismo nas urnas, mas só momentaneamente; definitivamente, o fascismo só se derrota nas ruas, nos locais de trabalho, na greve, na luta, na cooperação, nos movimentos associativos e culturais.

O Maio continuará, como sempre, ao lado do mundo do Trabalho e da Cultura, da solidariedade e da liberdade.

categoria-editorial edicao-2026-01-15 (11)

O Maio e as eleições de 18 de janeiro

O Maio é construído por trabalhadores que têm diferentes opções políticas. Não endossamos qualquer candidatura presidencial, optando antes por dar voz a apoiantes de diversas opções eleitorais em sufrágio. Opção que não nos impede de traçar “linhas vermelhas”. O Maio não é o espaço de candidaturas que representem a burguesia na sua ofensiva contra os direitos dos trabalhadores, exemplificada com o “pacote laboral” do Governo da AD, que tenham como objetivo dividir os trabalhadores portugueses com base na sua etnia, cor, país de origem, género ou orientação sexual e que apoiem ou se calem perante o genocídio do povo palestiniano levado a cabo por Israel e as agressões e ameaças em curso contra outros Estados. O apelo que o Maio faz nestas eleições aos trabalhadores que nos leem é que não lhes falhe o instinto que, no seu dia a dia de vida e de trabalho, os ajuda a distinguir o trigo do joio, entre aqueles que estão do nosso lado e os outros, aqueles que têm muitos recursos para se mascararem de “amigos do povo” no baile de máscaras eleitoral, mas apenas representam a continuidade deste regime de exploração ou mudá-lo para ainda pior.

categoria-editorial edicao-2026-01-08 (10)

Ao lado da Venezuela, contra a agressão de Trump

A agressão militar e captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, pelos Estados Unidos é um crime e um ato de guerra e deve ser repudiado e condenado como tal.

Há anos, desde a sua primeira administração, que Donald Trump intervinha na Venezuela para pôr fim ao regime venezuelano encabeçado por Nicolás Maduro. Conspirou, promoveu atos terroristas, patrocinou golpes de Estado com a extrema-direita venezuelana, mas falhou sempre.

Voltou à carga nos últimos meses. Concentrou enormes meios militares ao largo da Venezuela, encerrou o seu espaço aéreo, capturou petroleiros venezuelanos e matou mais de 150 pessoas ao atacar navios civis. Sem quaisquer provas e mentindo descaradamente, acusou Maduro de encabeçar um cartel de tráfico de droga.

A agressão ordenada por Trump não é apenas ilegal à luz do Direito Internacional. Também subverte a própria ordem constitucional dos Estados Unidos ao ter sido ordenada sem autorização do Congresso, o que é mais um passo na transformação do regime político norte-americano numa tirania em que o chefe de Estado tudo pode e manda.

Independentemente da opinião que se tenha sobre o regime de Maduro, todos sabemos que a “oposição” encabeçada pela extrema-direita e financiada pelos EUA promete não a “democracia”, mas miséria e espoliação das riquezas do país impostas pela força das armas norte-americanas. “Vamos mandar no país” (we are going to run the country) e “as nossas empresas petrolíferas vão para lá”, disse Trump sem rodeios no seu discurso de 3 de janeiro de 2026.

Não é a democracia venezuelana que está em causa para os Estados Unidos (nem para a União Europeia). Nunca esteve. O que está verdadeiramente em causa são os recursos naturais (petróleo, gás e minerais raros) venezuelanos e a proximidade do regime de Maduro à Rússia e à China. É a disputa geopolítica mundial e de recursos, o imperialismo, antes do grande choque geopolítico.

O Maio apoia a resistência do povo venezuelano e dos povos latino-americanos à agressão norte-americana e ao intento, hoje afirmado por Trump de recuperar e ultrapassar a “doutrina Monroe”, que trata toda a América Latina como o “quintal das traseiras” dos EUA. Apelamos ao boicote de todas as compras e vendas de armas com os Estados Unidos por parte de Portugal e de toda a União Europeia.

Pacote laboral: O perigo mantém-se. Só a unidade o esconjurará
As guerras de Trump não resolvem a crise do capitalismo: agravam-na
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Pacote laboral: O perigo mantém-se. Só a unidade o esconjurará

Apesar da derrota de Montenegro e de Ventura na greve geral e nas eleições presidenciais, a “concertação” em volta do pacote laboral recomeçou. E recomeçou porque Seguro veio em socorro do desacreditado Montenegro

Jornal Maio
As guerras de Trump não resolvem a crise do capitalismo: agravam-na
categoria-editorial edicao-2026-03-19 (20)

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Quando Donald Trump anunciou o aumento drástico das suas pautas aduaneiras, no “dia da Libertação”, anunciou-se a alvorada de uma nova época de proteccionismo. Porém, quando os índices na Wall Street começaram a cair, Donald Trump, negociou deals variados e, sobretudo, criou excepções e alçapões par

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Vai garboso e não Seguro
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Vai garboso e não Seguro

“Vem por aqui”, dizem-me alguns com olhos doces, / Estendendo-me os braços, e seguros / De que seria bom que eu os ouvisse / Quando me dizem: “vem por aqui”! / Eu olho-os com olhos lassos, / (Há, nos meus olhos, ironias e cansaços) / E cruzo os braços (…)

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O assassinato do chefe político e religioso da teocracia iraniana, Khamenei, poucas semanas após o rapto do presidente Maduro da Venezuela, é um sinal novo, decalcado dos métodos das Mafias

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40 anos de CEE/UE: Cá se vai andando com a cabeça entre as orelhas
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“Com esta da austeridade, meu senhor / Nem sequer dá para ir desta pra melhor / Os funerais estão por um preço do outro mundo”, canta o Sérgio Godinho no Coro das Velhas.

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Depois da tempestade vem o quê?
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Depois do “comboio de tempestades” que espalhou destruição no país há uma imensa tarefa de reconstrução pela frente. Porém, houve e há outras questões com efeitos devastadores que têm de ser enfrentadas e resolvidas: anos de privatizações, com grandes empresas privatizadas, como a EDP, comunicações e transportes, a subcontratarem a

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categoria-editorial edicao-2026-02-12 (15)

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António José Seguro venceu as eleições com perto de 67% dos votos. Ventura obteve 33%, ainda assim, mais de 1,7 milhão de votos. Dois terços dos que votaram rejeitaram o candidato fascista. Ventura só conseguiu acrescentar cerca de 400 mil votos ao seu resultado da primeira volta

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A tempestade Katrin e o seu rasto de destruição deixaram à vista de todos um Estado falhado, desmantelado por décadas de neoliberalismo, e um Governo incapaz de responder à realidade.

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Joana

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