40 anos de CEE/UE: Cá se vai andando com a cabeça entre as orelhas
“Com esta da austeridade, meu senhor / Nem sequer dá para ir desta pra melhor / Os funerais estão por um preço do outro mundo”, canta o Sérgio Godinho no Coro das Velhas, de onde tirámos o título deste editorial. Mas antes de irmos para o outro mundo falemos deste e do que aconteceu a Portugal desde há 40 anos, quando entrámos para a CEE.
“Com esta da austeridade, meu senhor / Nem sequer dá para ir desta pra melhor / Os funerais estão por um preço do outro mundo”, canta o Sérgio Godinho no Coro das Velhas, de onde tirámos o título deste editorial. Mas antes de irmos para o outro mundo falemos deste e do que aconteceu a Portugal desde há 40 anos, quando entrámos para a CEE.
Construíram-se 3113 km de autoestradas. Temos a quarta maior rede da União Europeia em termos absolutos e a segunda em densidade por habitante (jornal Eco). Em contrapartida, a rede ferroviária nacional, segundo as Infraestruturas de Portugal, tem uma extensão total de aproximadamente 3600 km (mas só aproximadamente 2500 km se encontram em exploração ativa – ou seja, umas dezenas de quilómetros mais que no final do século XIX!
Melhorou muito a saúde e a educação, precisamente dois sectores que nos últimos anos mais têm estado sob ataque.
A riqueza média por habitante em Portugal multiplicou-se por 9,6 vezes nos últimos 40 anos, mas continua a ficar abaixo da média da União Europeia. E atualmente está praticamente ao mesmo nível em que se encontrava há três décadas! Mas se isto é para a média (em que tanto figuram os que comem a carne como os que roem os ossos), pior estão os de baixo: segundo um estudo de Eugénio Rosa, com base em dados do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, entre 2012 e 2025 o salário mínimo aumentou 79,4% (de 485€ para 870€). Mas por outro lado, entre 2012 e 2024, o salário mínimo, em percentagem da remuneração base média, aumentou de 53% para 63,2%. Ou seja, cada vez mais trabalhadores estão com os seus salários encostados ao salário mínimo. E os preços das casas e das rendas de casa cumprem o papel que há umas décadas tinha a inflação (que em 1985 era de 20% ao ano): socavar o poder de compra dos salários como o mar fez à areia das praias depois do “comboio de tempestades”: Entre 2015 e 2024, o índice de preços das casas subiu em Portugal 143%, enquanto o salário médio bruto cresceu apenas 36%.
Na próxima edição do Maio publicaremos um artigo de fundo a analisar a evolução do país nos últimos 40 anos.