Jornal Maio

"Submete-te, ou morre"

O assassinato do chefe político e religioso da teocracia iraniana, Khamenei, poucas semanas após o rapto do presidente Maduro da Venezuela, é um sinal novo, decalcado dos métodos das Mafias: o preço a pagar pela insubmissão à vontade do imperialismo mais poderoso e da administração mafio-nazi de Trump não é apenas a ameaça de guerra contra o país infractor; é a ameaça de eliminação física imediata dos dirigentes “insubmissos”. 

A nova agressão israelo-americana contra o Irão arrasta a humanidade para uma guerra generalizada de consequências incalculáveis. 

Não se deve, porém, ver na inaudita ferocidade e temeridade da dupla Netanyahu/Trump o mero fruto de um par de monstros psicopatas. Há método. 

Uma semana antes do ataque, o embaixador americano em Tel Aviv afirmou que Israel «tinha direitos»… em todos os territórios situados entre o Nilo e o Eufrates! 

Estamos perante um vasto plano neocolonial para pôr o Médio Oriente sob a administração directa de Trump, com o Estado genocida de Netanyahu a fazer de guarda pretoriana.

As contraditórias razões invocadas por Trump são, por odiosa que seja a ditadura teocrática, a mais ténue das parras a cobrir a nudez de uma agressão não provocada: o desenvolvimento, pelo Irão, da arma nuclear — declarado “obliterado” pelo mesmo Trump no bombardeamento anterior, há meses! — e de mísseis transcontinentais, em que nenhum “especialista” acredita.

As multinacionais americanas e europeias activas na República Democrática do Congo, um dos países mais ricos do mundo em minérios, transformaram ostensivamente toda a região africana dos grandes lagos num caos de guerra e guerra civil permanente, que dura há décadas. No meio desse caos, as multinacionais prosseguem os seus negócios sob a protecção de milícias contratadas, enquanto as populações vivem na miséria e na morte. 

Ao Médio Oriente do petróleo reserva-se idêntico destino.

Contudo, o assassinato do chefe político e religioso da teocracia iraniana, Khamenei, poucas semanas após o rapto do presidente Maduro da Venezuela, é um sinal novo, decalcado dos métodos das Mafias: o preço a pagar pela insubmissão à vontade do imperialismo mais poderoso e da administração mafio-nazi de Trump não é apenas a ameaça de guerra contra o país infractor; é a ameaça de eliminação física imediata dos dirigentes “insubmissos”. 

A passagem a ferro e fogo dos países vistos como aliados da China serve para convencer o mundo de que não adianta aliar-se ou fazer acordos com a China. Mas serve também para mostrar que no centro das preocupações do imperialismo americano se mantém firmemente, nos termos reiterados na recente estratégia de segurança nacional da administração, a China — e a generalização da guerra até ela cair.

No plano interno americano, o sinal dado pelos assassinatos a sangue frio perpetrados pela milícia-polícia do ICE, no Minnesota, tem idêntico significado: quem não se submete morre.

Não que isso seja um problema para o rastejante governo português. Ao assentir, caladinho, à utilização da base das Lajes para a guerra, Portugal tornou-se parte activa dela. 

Pelas regras em fumegante ruína do famoso direito internacional, a agressão sionista-norte-americana ao Irão é inteiramente ilegal — enquanto as medidas de autodefesa do regime iraniano contra os países agressores são legítimas. 

 Sem dar cavaco ao povo português nem sequer às caras “instituições democráticas”, o servil governo Montenegro-Rangel entrou em guerra não declarada com o Irão, tornando legítimo, à luz do tal direito internacional, o Irão alvejar Portugal se assim o entender. A isto chegámos.