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Jornal Maio

cultura

João Areosa
Há algum tempo li um dos livros mais perturbadores da minha vida: Memórias do Subterrâneo (ou Memórias do Subsolo, ou ainda Cadernos do Subterrâneo, dependendo da edição), de Fiódor Dostoievski, publicado em 1864. O protagonista é um personagem sem nome que vive atormentado dentro dos seus pensamentos obsessivos e não consegue parar de se autoanalisar. É um homem demasiado inteligente, mas tão agarrado ao hábito do sofrer que se torna incapaz de tomar decisões benéficas para si próprio. O sofrimento ao qual ele se condena, talvez por ser demasiado familiar, tornou-se parte da própria identidade. Neste livro, Dostoievski faz uma crítica profunda ao “racionalismo” que emergia na Rússia da sua época.
Andrés Águila
A Odisseia é uma das principais epopeias da literatura grega antiga e uma das obras literárias mais antigas que sobreviveram. É atribuída a Homero, que teria vivido no século VIII antes da era corrente (AEC) e, tal como a Ilíada, centra-se nos acontecimentos associados a uma guerra, a de Troia, que terá ocorrido no século XIII ou início do século XII AEC, portanto há mais de 3000 anos. O realizador britânico Christopher Nolan, autor de filmes como a série dos Batman, Dunkirk ou Oppenheimer, realizou uma adaptação da Odisseia que tem levado multidões ao cinema neste verão de 2026 – e atraído também imensas críticas. O Maio publica, pela sua relevância, este texto de Andrés Ávila, da revista chilena El Porteño, para quem Nolan subverte completamente o sentido do poema. Isso “começa quando o filme coloca a culpa no centro da identidade do protagonista. Em Homero, a culpa constitui uma experiência que o herói deve viver e integrar; nunca o que o define. Na adaptação ocorre exatamente o contrário. A culpa deixa de ser uma dimensão da existência e passa a ser a essência do personagem. A partir desse momento, a viagem deixa de conduzir à autorrealização e passa a conduzir à negação de si próprio.”
Rafael Rosa Hagemayer
Portugal assistiu, em 3 de junho, a mais uma greve geral, a segunda em menos de meio ano. Contudo, não é fácil encontrar canções que falem de greves, da sua organização, do seu significado. A própria palavra que usamos em português é de origem francesa e remete para uma praça de Paris – Place de la Grève –, onde os trabalhadores grevistas se reuniam.
Rafael Rosa
A partir de 1890, o 1º de Maio passa a ser um dia de greves no mundo inteiro em defesa da redução da jornada de trabalho. Em Itália, o advogado anarquista Pietro Gori, preocupado com desenvolver alguma tática para convencer as famílias trabalhadoras a aderirem à greve, resolve escrever uma peça de teatro, “O Primeiro de Maio”. Em fundo, era entoada a canção, com a melodia da ária “Va, pensiero”, da ópera Nabucco, de Verdi, que representava o cativeiro do povo hebreu na Babilónia. Esse canto de libertação dos oprimidos passou a ter o significado de um apelo ao levantamento da classe trabalhadora contra a exploração capitalista.
Jornal Maio
O Livros a Oeste – Festival do Leitor regressa à Lourinhã entre 12 e 16 de maio para a sua 14.ª edição. Define-se como um espaço de encontro em torno do livro, da palavra e do pensamento, entendido aqui como gesto de criação, mas também como forma de participação na vida pública.
Rafael Rosa
Rafael Rosa Hagemayer homenageia a canção de intervenção em Portugal e o 25 de Abril neste videodocumentário. Letra, música, arranjo, interpretação e edição do autor.
Armanda Zenhas
Quando, em 1981, professora de alfabetização de adultos, cheguei à aldeia de Vilar (Vila do Conde), levava muitos sonhos e curiosidade de descobrir mais sobre Joaquim Moreira da Silva (JMS), um poeta (falecido 20 anos antes) que descobrira em Poetas Populares (II vol.), de Fernando Cardoso. A vida e obra de JMS foram um dos primeiros temas do curso, dada a entusiástica recetividade do meu grupo de adultos a essa ideia. A minha pesquisa foi, assim, iniciada com a sua colaboração.
Rafael Rosa
Merle Travis gravou a sua versão de “16 tons”, que segundo ele foi inspirada numa carta escrita pelo seu irmão John, que trabalhava nas minas de carvão do Kentucky, onde vigorava o sistema em que os trabalhadores não eram pagos em dinheiro, mas na forma de “vales”, aceites apenas pelo armazém da empresa mineradora. Assim endividavam-se para além do que ganhavam. Depois de extrair “dezasseis toneladas” de carvão por dia, que ganhava um mineiro? Apenas ficava “um dia mais velho e com uma dívida maior”, segundo o irmão de Travis.
Jornal Maio
A Associação Cultural e Artística ArtMatriz lança a edição de 2026 do MostrART, dedicada ao tema “O Preço de Viver”, um convite à reflexão artística sobre uma das realidades mais marcantes da sociedade atual. Num tempo em que viver se tornou cada vez mais caro, esta edição do mostrART convida artistas a refletir sobre o verdadeiro custo da vida na sociedade contemporânea.
Rafael Rosa
Em 1811, em Inglaterra, o movimento de destruição de máquinas superou o nível da revolta espontânea e local, ganhando dimensão nacional. O seu nome vem de Ned Ludd, um dos seus líderes, que, em Nottingham, aborrecido com o patrão, destruiu a sua oficina têxtil.
João Areosa
Há algum tempo li um dos livros mais perturbadores da minha vida: Memórias do Subterrâneo (ou Memórias do Subsolo, ou ainda Cadernos do Subterrâneo, dependendo da edição), de Fiódor Dostoievski, publicado em 1864. O protagonista é um personagem sem nome que vive atormentado dentro dos seus pensamentos obsessivos e não consegue parar de se autoanalisar. É um homem demasiado inteligente, mas tão agarrado ao hábito do sofrer que se torna incapaz de tomar decisões benéficas para si próprio. O sofrimento ao qual ele se condena, talvez por ser demasiado familiar, tornou-se parte da própria identidade. Neste livro, Dostoievski faz uma crítica profunda ao “racionalismo” que emergia na Rússia da sua época.
Andrés Águila
A Odisseia é uma das principais epopeias da literatura grega antiga e uma das obras literárias mais antigas que sobreviveram. É atribuída a Homero, que teria vivido no século VIII antes da era corrente (AEC) e, tal como a Ilíada, centra-se nos acontecimentos associados a uma guerra, a de Troia, que terá ocorrido no século XIII ou início do século XII AEC, portanto há mais de 3000 anos. O realizador britânico Christopher Nolan, autor de filmes como a série dos Batman, Dunkirk ou Oppenheimer, realizou uma adaptação da Odisseia que tem levado multidões ao cinema neste verão de 2026 – e atraído também imensas críticas. O Maio publica, pela sua relevância, este texto de Andrés Ávila, da revista chilena El Porteño, para quem Nolan subverte completamente o sentido do poema. Isso “começa quando o filme coloca a culpa no centro da identidade do protagonista. Em Homero, a culpa constitui uma experiência que o herói deve viver e integrar; nunca o que o define. Na adaptação ocorre exatamente o contrário. A culpa deixa de ser uma dimensão da existência e passa a ser a essência do personagem. A partir desse momento, a viagem deixa de conduzir à autorrealização e passa a conduzir à negação de si próprio.”
Rafael Rosa Hagemayer
Portugal assistiu, em 3 de junho, a mais uma greve geral, a segunda em menos de meio ano. Contudo, não é fácil encontrar canções que falem de greves, da sua organização, do seu significado. A própria palavra que usamos em português é de origem francesa e remete para uma praça de Paris – Place de la Grève –, onde os trabalhadores grevistas se reuniam.
Rafael Rosa
A partir de 1890, o 1º de Maio passa a ser um dia de greves no mundo inteiro em defesa da redução da jornada de trabalho. Em Itália, o advogado anarquista Pietro Gori, preocupado com desenvolver alguma tática para convencer as famílias trabalhadoras a aderirem à greve, resolve escrever uma peça de teatro, “O Primeiro de Maio”. Em fundo, era entoada a canção, com a melodia da ária “Va, pensiero”, da ópera Nabucco, de Verdi, que representava o cativeiro do povo hebreu na Babilónia. Esse canto de libertação dos oprimidos passou a ter o significado de um apelo ao levantamento da classe trabalhadora contra a exploração capitalista.
Jornal Maio
O Livros a Oeste – Festival do Leitor regressa à Lourinhã entre 12 e 16 de maio para a sua 14.ª edição. Define-se como um espaço de encontro em torno do livro, da palavra e do pensamento, entendido aqui como gesto de criação, mas também como forma de participação na vida pública.
Rafael Rosa
Rafael Rosa Hagemayer homenageia a canção de intervenção em Portugal e o 25 de Abril neste videodocumentário. Letra, música, arranjo, interpretação e edição do autor.
Armanda Zenhas
Quando, em 1981, professora de alfabetização de adultos, cheguei à aldeia de Vilar (Vila do Conde), levava muitos sonhos e curiosidade de descobrir mais sobre Joaquim Moreira da Silva (JMS), um poeta (falecido 20 anos antes) que descobrira em Poetas Populares (II vol.), de Fernando Cardoso. A vida e obra de JMS foram um dos primeiros temas do curso, dada a entusiástica recetividade do meu grupo de adultos a essa ideia. A minha pesquisa foi, assim, iniciada com a sua colaboração.
Rafael Rosa
Merle Travis gravou a sua versão de “16 tons”, que segundo ele foi inspirada numa carta escrita pelo seu irmão John, que trabalhava nas minas de carvão do Kentucky, onde vigorava o sistema em que os trabalhadores não eram pagos em dinheiro, mas na forma de “vales”, aceites apenas pelo armazém da empresa mineradora. Assim endividavam-se para além do que ganhavam. Depois de extrair “dezasseis toneladas” de carvão por dia, que ganhava um mineiro? Apenas ficava “um dia mais velho e com uma dívida maior”, segundo o irmão de Travis.
Jornal Maio
A Associação Cultural e Artística ArtMatriz lança a edição de 2026 do MostrART, dedicada ao tema “O Preço de Viver”, um convite à reflexão artística sobre uma das realidades mais marcantes da sociedade atual. Num tempo em que viver se tornou cada vez mais caro, esta edição do mostrART convida artistas a refletir sobre o verdadeiro custo da vida na sociedade contemporânea.
Rafael Rosa
Em 1811, em Inglaterra, o movimento de destruição de máquinas superou o nível da revolta espontânea e local, ganhando dimensão nacional. O seu nome vem de Ned Ludd, um dos seus líderes, que, em Nottingham, aborrecido com o patrão, destruiu a sua oficina têxtil.