Enquanto pensava no que fazer do trambolho que está a ocupar espaço no pequeno ambiente em que vivo, comecei a associar o facto às relações pessoais. Não é incomum que pessoas se tornem descartáveis. Quem já não foi descartado?
Uma cidade mais antiga que Jesus Cristo tem por força de apresentar bons argumentos para sobreviver ao longo de 3000 anos. Fronteira ao mar, rodeada de auto-estradas navegáveis, rica de sal, peixe e marisco, Lisboa tornou-se um centro de gravidade comercial e geoestratégico. Mas o seu argumento mais interessante foi, durante bastante tempo, a cultura local. O magnetismo deste argumento transparece nas palavras dos poetas árabes, que elegeram Lisboa como o “paraíso na Terra”.
Por um instante, o Spy ficou como fulminado por um raio, paralisado. Para piorar as coisas, a sua incredulidade obrigou-o a apalpar melhor e mais minuciosamente o que lá encontrou, arrancando suspiros de prazer à Lola.
Descendo a Calçada, quanto mais vagueasse o transeunte curioso para as bandas da Rua dos Prazeres, para São Bento ou para as Mercês, mais pés descalços encontraria: os das adelas, das peixeiras, dos estivadores, cozinheiros, artesãos, guarda-freios, metalúrgicos, criados de baronesas refasteladas em vetustos palacetes, como aquele onde serviu o pai de Maria Matos.
Andei com a mala às costas por meio planeta achando que, a cada nova descoberta, tinha encontrado o meu espaço. Foi preciso o barulho tornar-se ensurdecedor e o caos uma notícia diária para perceber que, afinal, o paraíso do meu imaginário estava onde sempre esteve. Na ilha.
Falemos de encontros. Ou de desencontros. Não me refiro a encontros amorosos, no sentido íntimo, mas aos encontros entre sujeitos que se interdependem e que podem tornar mais leves as suas relações se puserem nela uma dose de humor, de empatia, de amor, por que não?
Publicamos com algum atraso este excerto da primeira parte da Crónica de D. João I (foi escrita por Fernão Lopes por volta de 1450), que narra a crise de 1383-1385, a insurreição ou insurreições populares que ocorreram tanto em Lisboa como noutros locais do país. Fernão Lopes não foca apenas os acontecimentos no seio da nobreza, destacando o papel da “arraia-miúda”, o povo, na revolução. Sendo guarda-mor da Torre do Tombo, utilizou arquivos, atas e relatos para procurar garantir a veracidade dos factos.
A sociedade atribuiu às mães um papel tão gigante que até uma ateia comunista, experiente na mesma tarefa e analisada por anos, não concebe pôr no lixo sem culpa uma velha foto de sua mãe.
A civilidade dispensa rodeios, floreios e o uso de meias palavras. Ser direto, agir com rigor, ser sério, ter espinha dorsal, não lamber botas, a meu ver, em nada significa rompimento com o pacto de não agressão.
Não sei se é possível, nem sei se quero catalogar em ordem alfabética e dispor em gavetas coisas como abandono, amantes, amigos, amor, casamento, divórcio, filhos, marido, pai, mãe, paixão, saudade, sexo, vida, morte.
Enquanto pensava no que fazer do trambolho que está a ocupar espaço no pequeno ambiente em que vivo, comecei a associar o facto às relações pessoais. Não é incomum que pessoas se tornem descartáveis. Quem já não foi descartado?
Uma cidade mais antiga que Jesus Cristo tem por força de apresentar bons argumentos para sobreviver ao longo de 3000 anos. Fronteira ao mar, rodeada de auto-estradas navegáveis, rica de sal, peixe e marisco, Lisboa tornou-se um centro de gravidade comercial e geoestratégico. Mas o seu argumento mais interessante foi, durante bastante tempo, a cultura local. O magnetismo deste argumento transparece nas palavras dos poetas árabes, que elegeram Lisboa como o “paraíso na Terra”.
Por um instante, o Spy ficou como fulminado por um raio, paralisado. Para piorar as coisas, a sua incredulidade obrigou-o a apalpar melhor e mais minuciosamente o que lá encontrou, arrancando suspiros de prazer à Lola.
Descendo a Calçada, quanto mais vagueasse o transeunte curioso para as bandas da Rua dos Prazeres, para São Bento ou para as Mercês, mais pés descalços encontraria: os das adelas, das peixeiras, dos estivadores, cozinheiros, artesãos, guarda-freios, metalúrgicos, criados de baronesas refasteladas em vetustos palacetes, como aquele onde serviu o pai de Maria Matos.
Andei com a mala às costas por meio planeta achando que, a cada nova descoberta, tinha encontrado o meu espaço. Foi preciso o barulho tornar-se ensurdecedor e o caos uma notícia diária para perceber que, afinal, o paraíso do meu imaginário estava onde sempre esteve. Na ilha.
Falemos de encontros. Ou de desencontros. Não me refiro a encontros amorosos, no sentido íntimo, mas aos encontros entre sujeitos que se interdependem e que podem tornar mais leves as suas relações se puserem nela uma dose de humor, de empatia, de amor, por que não?
Publicamos com algum atraso este excerto da primeira parte da Crónica de D. João I (foi escrita por Fernão Lopes por volta de 1450), que narra a crise de 1383-1385, a insurreição ou insurreições populares que ocorreram tanto em Lisboa como noutros locais do país. Fernão Lopes não foca apenas os acontecimentos no seio da nobreza, destacando o papel da “arraia-miúda”, o povo, na revolução. Sendo guarda-mor da Torre do Tombo, utilizou arquivos, atas e relatos para procurar garantir a veracidade dos factos.
A sociedade atribuiu às mães um papel tão gigante que até uma ateia comunista, experiente na mesma tarefa e analisada por anos, não concebe pôr no lixo sem culpa uma velha foto de sua mãe.
A civilidade dispensa rodeios, floreios e o uso de meias palavras. Ser direto, agir com rigor, ser sério, ter espinha dorsal, não lamber botas, a meu ver, em nada significa rompimento com o pacto de não agressão.
Não sei se é possível, nem sei se quero catalogar em ordem alfabética e dispor em gavetas coisas como abandono, amantes, amigos, amor, casamento, divórcio, filhos, marido, pai, mãe, paixão, saudade, sexo, vida, morte.