Skip to main content

Jornal Maio

João Areosa

João Areosa
Há algum tempo li um dos livros mais perturbadores da minha vida: Memórias do Subterrâneo (ou Memórias do Subsolo, ou ainda Cadernos do Subterrâneo, dependendo da edição), de Fiódor Dostoievski, publicado em 1864. O protagonista é um personagem sem nome que vive atormentado dentro dos seus pensamentos obsessivos e não consegue parar de se autoanalisar. É um homem demasiado inteligente, mas tão agarrado ao hábito do sofrer que se torna incapaz de tomar decisões benéficas para si próprio. O sofrimento ao qual ele se condena, talvez por ser demasiado familiar, tornou-se parte da própria identidade. Neste livro, Dostoievski faz uma crítica profunda ao “racionalismo” que emergia na Rússia da sua época.
João Areosa
O erro humano é, essencialmente, um problema de gestão (e não tanto um problema do trabalhador operacional, dado que ele não concebe a organização do trabalho, nem gera as condições de trabalho). Os acidentes são multicausais e determinados por outrem, logo, apontar o erro humano como o único erro é um grande erro.
João Areosa
A distopia pode ser uma chamada de atenção para futuros cenários sombrios, alheados e profundamente desumanizados. Porém, pode ter um lado positivo, isto é, pode traduzir-se num sinal de alerta ou transformar-se numa potencial crítica sociopolítica de tudo aquilo que não queremos viver.