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Pornografia
categoria-um poema edicao-2025-11-06 (03)

Pornografia

Onde se esconde o pornográfico?  No púbis rapado de uma mulher de coxas expostas no pénis erecto de um amante excitado  no ousado perfil de um corpo chamando desejo  ou no ventre cheio de uma criança subnutrida? Onde se esconde o atentado à moral?  No custo sem preço de uma

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Populismo​
categoria-dicionário da novilíngua edicao-2025-11-06 (03)

Populismo​

Segundo a Infopédia (Porto Editora), “política, doutrina ou regime, geralmente de carácter paternalista, assente na ideia de que a liderança política deve ser exercida em estreita ligação com o povo, sem a intermediação de partidos”. EM NOVILÍNGUA: Em A Linguagem do Terceiro Reich, o filólogo Victor Klemperer adverte que “não

Jornal Maio
Semeador de Palavras
categoria-um livro José Afonso Biografia Canções edicao-2025-11-06 (03)

Semeador de Palavras

Entrevistas a José Afonso O livro Semeador de Palavras – entrevistas a José Afonso, edição da AJA – Associação José Afonso, organizado por Ana Ribeiro, Guadalupe Portelinha e José Rodrigues é um libelo contra o esquecimento, uma luta pela memória, e tem como propósito informar e esclarecer sobre o pensamento de José

Guadalupe Magalhães Portelinha
Para que serve  um gestor?
categoria-opinião Gestor Mercados edicao-2025-11-06 (03)

Para que serve um gestor?

Nas últimas décadas, nas grandes empresas do capitalismo moderno, a figura do gestor agigantou-se. A paga dessa figura, então, como se agigantou!

Adriano Zilhão
José. Da Silva
categoria-crónica Desigualdade Escola Pedagogia edicao-2025-11-06 (03)

José. Da Silva

Estudei em escolas que não tinham livros. A primeira, entre todas a mais precária, não tinha nome, não havia nada nas paredes que indicasse ser uma escola. Havia apenas uma professora e crianças. Isso parecia bastar.

Maria Augusta Tavares
A crise climática
categoria-inquietação Ação Coletiva Crise Climática edicao-2025-11-06 (03)

A crise climática

Não é novidade que existe atualmente um fenómeno de alterações climáticas provocado pela ação humana. Talvez algo que não se ouça de forma mais regular ou simplesmente mais assertiva é que esta é uma crise devida tanto à sua urgência como à injustiça

José Borges
Habitação como direito humano: um plano de ação
categoria-política Banco de terras Burocracia Habitação edicao-2025-11-06 (03)

Habitação como direito humano: um plano de ação

Hoje, ter um tecto digno tornou-se um símbolo de servidão moderna. De um lado, rendas de 1500 euros para quem aufere apenas 900. Do outro, créditos que amarram famílias a dívidas de 30 ou 40 anos

Jorge Van Krieken
Extrema-direita, cátedra e propinas: desafios para a esquerda socialista
categoria-educação Mercantilização Universidade edicao-2025-11-06 (03)

Extrema-direita, cátedra e propinas: desafios para a esquerda socialista

Este artigo examina dois pilares da investida pela refuncionalização das universidades impulsionada pela extrema-direita e a austeridade neoliberal que age para mercantilizá-las.

Roberto Leher
Das revoltas às greves
categoria-história Luditas Sabotagem edicao-2025-11-06 (03)

Das revoltas às greves

Em dezembro de 1831 escrevia o francês Journal des Débats: “A nossa sociedade comercial e industrial tem a sua praga como todas as outras sociedades...

Osvaldo Coggiola
Entrevista com Carlos Fernández Liria
categoria-conversa com... Escola Educação Familia Professores edicao-2025-11-06 (03)

Entrevista com Carlos Fernández Liria

Ensinar é uma relação, e as crianças e jovens foram convencidos a não aprender

Raquel Varela, Roberto Leher, Carlos Fernández Liria
Orçamento de Estado 2026: menos para a saúde, mais para a guerra
categoria-editorial edicao-2025-11-06 (03)

Orçamento de Estado 2026: menos para a saúde, mais para a guerra

O projeto de Orçamento do Estado (OE) para 2026 é retratado na imprensa como o “mais chato de sempre...

Jornal Maio
A lógica da guerra infinita como estratégia de governo
categoria-internacional Acumulação Primitiva Guerra Imperialismo Palestina Racismo Reprodução Social edicao-2025-11-06 (03)

A lógica da guerra infinita como estratégia de governo

Entender as dinâmicas de opressão e trabalho reprodutivo que se conjugam em Gaza é compreender as estruturas que naturalizam a utilização de artifícios imperialistas de governo...

Marcela Uchôa
Orçamento de Estado 2026: menos para a saúde, mais para a guerra
categoria-editorial edicao-2025-11-06 (03)

Orçamento de Estado 2026: menos para a saúde, mais para a guerra

O projeto de Orçamento do Estado (OE) para 2026 é retratado na imprensa como o “mais chato de sempre...

Jornal Maio
A lógica da guerra infinita como estratégia de governo
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A lógica da guerra infinita como estratégia de governo

Entender as dinâmicas de opressão e trabalho reprodutivo que se conjugam em Gaza é compreender as estruturas que naturalizam a utilização de artifícios imperialistas de governo...

Marcela Uchôa
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Orçamento de Estado 2026: menos para a saúde, mais para a guerra

O projeto de Orçamento do Estado (OE) para 2026 é retratado na imprensa como o “mais chato de sempre”, um documento sem “cavaleiros orçamentais”: em suma, um mapa de receitas e despesas, sem medidas nem políticas.

Diz-se que a razão de tanta “chatice” é que o governo precisa de maioria parlamentar para aprová-lo, e o melhor é não chatear demasiado ninguém pondo lá dentro horrores óbvios.

Se é isso, funcionou.

O secretário-geral do PS anunciou que o seu partido viabilizará o orçamento. Isso chateou, ainda assim, o cacique do Chega. JL Carneiro viabilizar cria a Ventura a chatice de ser mais difícil “negociar” alterações que queria impor a Montenegro. Aproveita para votar contra.

Estes três partidos dispõem-se, em geometria variável, a aprovar horrores contra os trabalhadores – dentro e fora do orçamento.

Fora: a revisão da lei laboral e da lei da greve destinam-se a fazer recuar direitos e meios de defesa dos trabalhadores ao pré-25 de Abril.

Fora: o pacote da habitação, o passado e o anunciado, dá prendas aos senhorios no valor de milhões sem fim. Os preços e rendas continuam, entretanto, a subir. Os grandes senhorios e fundos imobiliários enriquecem sem parar. Quem trabalha que se amontoe em subúrbios longínquos ou em barracas.

Fora e dentro: a anunciada “revisão estrutural” do SNS. Do orçamento, tiram-se ao SNS quase mil milhões em “consumos intermédios”. Um corte orçamental sem precedentes, sem sequer, diz o austero Conselho de Finanças Públicas (CFP), “medidas que o sustentem”: menos médicos, menos enfermeiros, menos camas, menos medicamentos e menos meios de diagnóstico. Lesta, a direção executiva do SNS já mandou aplicar “cortes nas aquisições e a produção dos hospitais não poderá ultrapassar a de 2025 [o que] significa desacelerar a resposta aos doentes, o que poderá ter impacto nas listas de espera para cirurgia e consultas que, segundo os últimos dados da Entidade Reguladora da Saúde (ERS), já estão a crescer”.

Dentro: o Governo só discutirá os salários dos funcionários uma vez aprovado o orçamento. Nessa altura, estarão gravados em letra de lei “aumentos” de 2,15%; como sempre, abaixo da inflação. A Frente Comum de sindicatos, por exemplo, exige aumentos de 15%, para repor ou manter o poder de compra.

Dentro: reduz-se o IRC, imposto que incide nas empresas, em 1 ponto percentual, depois de outro ponto em 2025. 500 milhões de euros nos bolsos dos patrões.

Dentro: o défice do Estado, da administração central é muito significativo. Mas “salva-o” o superavit da segurança social. O que é a segurança social? São salários diferidos de milhões de trabalhadores (muitos deles imigrantes sem direito a voto), que a lei pôs à guarda do Estado, e este usa para tapar os seus défices.

Dentro: o sector da “defesa” aumenta 5,1%. O início de uma subida em flecha, em obediência à NATO e a Trump. Dentro ainda, mas, para escândalo do austero e engravatado CFP, a fazer de conta que fora: o governo põe no orçamento o investimento adicional de mais 1200 milhões em armas para a NATO, mas não inclui esse valor no cálculo do saldo orçamental, onde se somam receitas e gastos.

À parte as aldrabices com as contas do SNS, as cativações, a segurança social, a aldrabice suprema: para a conta final não se soma tudo, deixa-se de fora o que não dá jeito, como os 1200 milhões para a guerra. Assim, o défice fica onde se quer que faça de conta que fica, que é onde a Comissão Europeia manda. Claro que a Comissão promete fazer vista grossa a tudo o que for para a guerra.


1 Expresso, 10 de outubro de 2025.
2 SIC Notícias, 9 de outubro de 2025.
3 cf. entrevista de Garcia Pereira no “Maio” de outubro
4 Público de 29 de outubro de 2025.

categoria-internacional Acumulação Primitiva Guerra Imperialismo Palestina Racismo Reprodução Social edicao-2025-11-06 (03)

A lógica da guerra infinita como estratégia de governo

Essa dinâmica de normalização das crises aponta para uma forma de governabilidade que naturaliza o uso de medidas excecionais e autoritárias

A Acumulação do Capital: Uma Contribuição à Teoria Econômica do Imperialismo, de Rosa Luxemburgo, foi publicado em 1913 às vésperas da Primeira Guerra Mundial. Suas avaliações críticas ao colonialismo e ao imperialismo não estavam apartadas da sua própria experiência como uma judia crescendo na Polónia ocupada pela Rússia, ela estava pessoalmente consciente dos impactos da dominação colonial.

Já nos seus primeiros trabalhos, esteve comprometida com a denúncia de como o extermínio dos povos indígenas e a interferência do capitalismo euro-americano nas formações sociais do mundo não ocidental não eram um acidente ocasional da acumulação de capital, mas sua própria base. Faz parte do capitalismo eliminar as economias pré-capitalistas, autossuficientes e não monetárias, transformando-as em ferramentas para acumulação de capital. Para tanto, faz uso de métodos como violência, fraude e até mesmo de genocídios.

Nesse sentido, embora motivações ideológicas facilitem o processo, o imperialismo é impulsionado pelas engrenagens do próprio capital, e por isso é viabilizado tanto em formas autoritárias de governo, quanto em “democracias” capitalistas.


“Essa dinâmica de normalização das crises aponta para uma forma de governabilidade que naturaliza o uso de medidas excecionais e autoritárias.”

Maria Mies, uma das primeiras feministas a analisar sistematicamente o papel das mulheres no capitalismo com base na estrutura de Rosa Luxemburgo, em seu livro Patriarcado e acumulação em escala mundial, aplica a teoria do imperialismo de Rosa Luxemburgo às mulheres, ao seu trabalho e à família.

A abordagem de Mies traça paralelos entre o trabalho feminino e o trabalho não remunerado de camponeses, colónias e outros “meios não capitalistas”, que Luxemburgo descreveu como sendo explorados “gratuitamente”, de forma semelhante à natureza. Maria Mies não vê o patriarcado e o capitalismo como sistemas separados, antes compreende que eles formam uma única entidade: o patriarcado capitalista. Por isso, para ela a subjugação das mulheres não se deve à misoginia masculina inerente, mas sim a uma necessidade estrutural para a acumulação de capital. Assim como Rosa Luxemburgo via a acumulação primitiva como intrínseca ao capitalismo, Mies afirma que o capitalismo não pode funcionar sem o patriarcado, visto que a acumulação contínua de capital requer a manutenção ou a criação de relações de género patriarcais e/ou coloniais.

Se Mies vê o patriarcado como expressão intrínseca da acumulação primitiva, também é verdade que os sujeitos dentro de um estado de exceção estão a mercê da mesma lógica da acumulação primitiva. Nesse sentido, os corpos racializados e colonizados de Gaza encontram-se em posição equiparada de exploração. Se em certo contexto histórico de superexploração, trabalhavam para empresas israelitas como forças de reservas para baixarem os salários, agora são expulsos do próprio território para aumentarem o valor de exploração.

No livro Pele Negra, máscaras brancas Frantz Fanon argumentou que a crescente conscientização dos trabalhadores em países colonizadores e racistas – levou a uma evolução no conceito de raça. Se o racismo vulgar e biológico correspondia ao período de exploração bruta do trabalho físico, onde a subjugação e a desumanização dos escravizados eram justificadas por hierarquias raciais pseudocientíficas, à medida que os meios de produção se tornaram mais avançados, as técnicas de exploração — e as formas de racismo — tornaram-se mais dissimuladas. A distinção colonial/racial entre civilização e barbárie evoluiu para uma divisão entre aqueles percebidos como capazes de dominar a natureza e aqueles vistos como subjugados por ela ou inerentemente parte dela.

Tithi Bhattacharya defende que todo esse processo sempre aconteceu sobre uma base de racialização intensa, o que não só fomentou a manutenção dos salários baixos, como fez subempregos parecerem um presente do capital a determinadas comunidades racializadas. Reconhecer as principais vítimas desse caminho também nos faz compreender porque sindicatos formados em sua maioria por trabalhadores do Sul global compostos por uma classe trabalhadora diversa, demonstram maior solidariedade e identificação com Gaza do que tantos outros da Europa.

Contudo, é importante reconhecer que o que tem sido feito ainda é muito pouco. O que estamos a assistir nada mais é do que a lógica da guerra infinita como dispositivo de governo, onde a desordem contínua é a única condição para a preservação de uma ordem que não tem mais como garantir horizontes normativos estáveis. Antes, o que temos visto é a consolidação daquilo que Giorgio Agamben chamou de paradigma da exceção. Simplesmente, porque militarizar as mentes é também acabar com todos os vínculos possíveis de solidariedade em nome de um suposto inimigo. É a banalização das piores violências, como um soberano que tem direito sobre a vida do outro.

Segundo Carl Schmitt, trata-se da construção no imaginário social de um inimigo eterno, onde a militarização das mentes emerge como uma técnica eficaz para acabar com todos os vínculos possíveis de solidariedade em nome de um suposto inimigo.

Fenómenos que podem ser observados desde os discursos de ódio e dessensibilização em face à violência estatal nas periferias do mundo, quanto na execução da política colonialista do Estado israelita que se estrutura desde a Guerra Fria através da emergência de um Estado que se estabeleceu enquanto superpotência na ordem bipolar. A política baseada no proveito político e económico feito pelo movimento sionista que fez que este se aliasse a uma potência capitalista imperialista, capaz de assegurar a expulsão sistemática dos Palestinos, é a prova da instrumentalização desse processo. Características que podem ser observadas na tentativa de confinar o máximo de palestinianos, mas também no roubo de recursos estratégicos (água e terra cultivável), utilização da mão de obra barata, trabalho análogo ao escravo.

Entender as dinâmicas de opressão e trabalho reprodutivo que se conjugam em Gaza há décadas é compreender as estruturas que autorizam e naturalizam a utilização de artifícios imperialistas de governo a serem aplicados em escala indefinida contra populações colocadas em extrema vulnerabilidade. Essa dinâmica de normalização das crises aponta para uma forma de governabilidade que naturaliza o uso de medidas excecionais e autoritárias.

A lógica da guerra infinita como estratégia de governo
Orçamento de Estado 2026: menos para a saúde, mais para a guerra
categoria-editorial edicao-2025-11-06 (03)

Orçamento de Estado 2026: menos para a saúde, mais para a guerra

O projeto de Orçamento do Estado (OE) para 2026 é retratado na imprensa como o “mais chato de sempre...

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Marcela Uchôa

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