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Invadir
categoria-dicionário da novilíngua edicao-2026-10-15 (45)

Invadir

Segundo o Dicionário Priberam, é um verbo transitivo que significa: 1) entrar como por direito próprio em; 2) penetrar em; 3) assenhorear-se de. A Porto Editora é bem mais direta: entrar pela força, irromper; tomar ou ocupar militarmente; penetrar de forma hostil. EM NOVILÍNGUA: Fiquemo-nos pela aceção n.

Jornal Maio
Orçamento de Estado 2027: dar aos ricos e tirar aos pobres
categoria-editorial edicao-2026-10-15 (45) Orçamento do Estado Governo Saúde Função Pública Salários

Orçamento de Estado 2027: dar aos ricos e tirar aos pobres

Praticamente todas as medidas que aumentam a despesa ou reduzem a receita beneficiam capitalistas, proprietários e senhorios. 300 milhões caem no bolso das empresas (redução do IRC) e outros 300 milhões no dos senhorios. O ligeiro desagravamento fiscal em IRS dá aos salários mais baixos: nada; aos primeiros escalões que

Jornal Maio
Quando os indicadores de desempenho começam a mandar nos cuidados
categoria-voz dos sindicatos edicao-2026-10-15 (45) Saúde SIGIC USF Avaliação

Quando os indicadores de desempenho começam a mandar nos cuidados

O SNS deve pagar justamente aos seus profissionais, exigir qualidade e garantir que os cuidados respondem às necessidades da população. Os indicadores só fazem sentido se ajudarem a cumprir essa missão.

Gorete Pimentel
IA e universidades: a nova anatomia da fraude
categoria-educação edicao-2026-10-15 (45) Universidade IA Fraude Educação

IA e universidades: a nova anatomia da fraude

Que tipo de cultura educativa estamos a criar num contexto de aceleração tecnológica do capital?

Mauro Jarquín Ramírez
O nervo
categoria-crónica edicao-2026-10-15 (45) Palestina Colonos Morte Ocupação

O nervo

Ghassan Naddaf
O julgamento dos marinheiros do Mondego
categoria-opinião edicao-2026-10-15 (45) Navio Mondego Marinha Gouveia e Melo

O julgamento dos marinheiros do Mondego

Em breve será lida a sentença do caso dos marinheiros do navio Mondego, acusados pelo Ministério Público de violação do segredo de Estado. O Maio tem acompanhado os processos de que, às ordens do almirante Gouveia e Melo, e agora do seu sucessor, os militares do Mondego foram sendo alvo.

António Simões do Paço
O Chega, que invadiu a RUC, é uma milícia fascista
categoria-opinião edicao-2026-10-15 (45) RUC Rádio Chega Invasão

O Chega, que invadiu a RUC, é uma milícia fascista

Se estudantes e moradores “invadem” o espaço público em luta pelas suas escolas ou por habitação, por que não invadimos uma rádio que não nos dá colinho?, terá pensado o Chega.

Raquel Varela
Trotsky e a inteligência artificial
categoria-cultura edicao-2026-10-15 (45) Leon Trotsky Literatura IA

Trotsky e a inteligência artificial

As previsões do dirigente da Revolução Russa, a experiência da “escola formal” de estudos literários da década de 1920 e os actuais desafios postos pelas redes neuronais e grandes modelos linguísticos.

Said Gafurov
Ocupar e resistir
categoria-internacional edicao-2026-10-15 (45) Sindicato estudantil Habitação Madrid Sindicatos

Ocupar e resistir

Entrevista com Carlos Ochoa, porta-voz do Sindicato dos Estudantes, a maior organização estudantil do estado espanhol sobre a luta pelo direito à habitação em Madrid. Por Pâmela Cabreira.

Carlos Ochoa, Jornal Maio
O Maio começa um novo projeto: uma escola de trabalho e cultura
edicao-2026-10-15 (45) escola josé fontana

O Maio começa um novo projeto: uma escola de trabalho e cultura

A Escola José Fontana, Trabalho e Cultura será o centro de formação, educação e convívio do Jornal Maio.

Jornal Maio
O Chega, que invadiu a RUC, é uma milícia fascista
categoria-opinião edicao-2026-10-15 (45) RUC Rádio Chega Invasão

O Chega, que invadiu a RUC, é uma milícia fascista

Se estudantes e moradores “invadem” o espaço público em luta pelas suas escolas ou por habitação, por que não invadimos uma rádio que não nos dá colinho?, terá pensado o Chega.

Raquel Varela
Trotsky e a inteligência artificial
categoria-cultura edicao-2026-10-15 (45) Leon Trotsky Literatura IA

Trotsky e a inteligência artificial

As previsões do dirigente da Revolução Russa, a experiência da “escola formal” de estudos literários da década de 1920 e os actuais desafios postos pelas redes neuronais e grandes modelos linguísticos.

Said Gafurov
Ocupar e resistir
categoria-internacional edicao-2026-10-15 (45) Sindicato estudantil Habitação Madrid Sindicatos

Ocupar e resistir

Entrevista com Carlos Ochoa, porta-voz do Sindicato dos Estudantes, a maior organização estudantil do estado espanhol sobre a luta pelo direito à habitação em Madrid. Por Pâmela Cabreira.

Carlos Ochoa, Jornal Maio
O Maio começa um novo projeto: uma escola de trabalho e cultura
edicao-2026-10-15 (45) escola josé fontana

O Maio começa um novo projeto: uma escola de trabalho e cultura

A Escola José Fontana, Trabalho e Cultura será o centro de formação, educação e convívio do Jornal Maio.

Jornal Maio
categoria-opinião edicao-2026-10-15 (45) RUC Rádio Chega Invasão

O Chega, que invadiu a RUC, é uma milícia fascista

O Chega fez a sua primeira acção de milícias. Para a justificar socorreu-se da lógica formal, que há muito tomou conta do espaço público: se estudantes ocupam, disse o Chega, porque não invadimos também? A acção desta milícia, foi – não é de somenos! – contra um órgão de informação e na academia. Ou seja, a esfera pública que não controlam. Ora a greve, parar a produção, é legal, para defender os trabalhadores, mas parar a produção pelos patrões, lockout, é ilegal. Matar um judeu, comunista, cigano ou homossexual na II Guerra Mundial era matar; matar um nazi também é matar. Ambos os lados matavam, uns para impor a barbárie, outros estavam na resistência para defender-nos da barbárie. Prender um nazi assassino é proteger a sociedade, prender um opositor político é impor uma ditadura à sociedade. O Chega não é um partido, é uma milícia fascista, foi exatamente isso que foi ontem, às claras: uma milícia contra estudantes e jornalistas. Quem achar que é uma brincadeira o que se passou em Coimbra não percebe nada de política.

Matar um judeu, comunista, cigano ou homossexual na II Guerra Mundial era matar; matar um nazi também é matar. Ambos os lados matavam, uns para impor a barbárie, outros para defender-nos dela.

Ocupar uma praça para lutar pelo direito à habitação é ocupar um espaço público para defender a dignidade humana contra o roubo pelos fundos imobiliários, os que o Chega aprovou há duas semanas com o PSD e a IL; ocupar as terras e impedir máquinas de minas de avançarem e destruírem a água potável é lutar pelo direito à vida. Tudo isto é resistir, direito inscrito em todas as Constituições modernas. Já um partido fascista como o Chega invadir um órgão de comunicação social é esmagar o direito de os jornalistas decidirem quem entrevistam, como e quando. É usar da violência para impor uma ideologia que justifica a morte e perseguição de quem consideram indigno de viver ou ter direitos. 

Se um israelita atira uma pedra a um palestiniano está a lutar por roubar-lhe as terras, se um palestiniano atira uma pedra a um israelita está a lutar para não ser roubado. 

O Chega é um partido-milícia fascista. Não vivemos hoje num regime fascista, nem acho que sejam favas contadas lá chegarmos; a resistência na Europa ergue-se e apenas começa. Mas o Chega é uma criação monstruosa das classes dirigentes portuguesas que, com medo de greves e resistência popular aos salários miseráveis e horários de escravatura, financiam, apoiam e entrevistam vezes sem conta, nos jornais e nas televisões privadas e também do Estado, esta organização de violência e morte, que espalha pelo país a mais elementar manipulação e violência. Ontem silenciaram uma rádio, mas há anos que calam jornalistas e deputados, aos gritos e com ofensas. Já eram uma milícia, só não via quem não queria.

Precisamos de salvar Portugal do Chega. Não vai ser com o PS, já se percebeu, nem vai ser com queixinhas no Facebook. Organizemo-nos! Como dizem os bravos de Covas do Barroso, o povo tem de se juntar e impor a justiça, precisamos mesmo de nos juntar, organizar, porque há um mundo novo de paz que quer nascer. Para isso, precisamos de tirar da frente estas milícias da morte e da guerra, como o Chega. 

categoria-cultura edicao-2026-10-15 (45) Leon Trotsky Literatura IA

Trotsky e a inteligência artificial

ilustração: Mantraste

Há cem anos, o brilhante panfletista e crítico literário Lev Trotsky — tal avatar do dirigente da revolução será, para muitos, uma descoberta — antecipou o futuro. Especificamente, as discussões dos nossos dias sobre os grandes modelos linguísticos (GML) e as redes neuronais. O ensejo foi a famosa e emblemática polémica da década de 1920 acerca do método formal, da “escola formal” da literatura. Surdem do passado as sombras de Chklovski e Jakobson, Tynyanov e Eichenbaum — restando imaginar, interviesse a OPOIAZ (Sociedade para o Estudo da Linguagem Poética) com as ideias e métodos que eram os seus nos nossos dias, como se reflectiria a prática da inteligência artificial no processo literário contemporâneo.

Com característica agudeza e sarcasmo, Lev Davidovich caiu, pois, sobre os formalistas. Por via das dúvidas, rememore-se o contexto histórico, citando Victor Chklovsky: “A arte sempre foi livre, nunca na sua cor se reflectiu a cor da bandeira que ondeava no castelo.” Reitere-se, entretanto, que o nosso assunto é a incrível intuição de Trotsky no contexto da polémica contemporânea sobre grandes modelos linguísticos, redes neuronais e inteligência artificial.

Trotsky escreve:

“No fundo, os formalistas não levam às últimas consequências a maneira como encaram a arte. Encarar o processo de criação poética apenas como combinação de sons ou de palavras, desse modo tentando resolver todos os problemas da poesia, dá em que a única fórmula definitiva de ‘poética’ seja esta: munidos de Dalh1, criar por combinação e permutação algébrica de elementos literários todas as obras poéticas do mundo já criadas e todas as ainda por criar. Raciocinando ‘formalmente’, é possível chegar a Eugénio Onegin por dois caminhos: ou submetendo a escolha dos elementos literários a uma ideia artística pré-concebida (caso do próprio Pushkin), ou resolvendo o problema algebricamente. Sempre desse ponto de vista “formal”, o mais correcto é o segundo caminho, que não depende de estados de espírito, da inspiração e de outras coisas tremidas, tendo a vantagem adicional de, a caminho do Eugénio Onegin, nos proporcionar incontáveis outras grandes obras (…)”

Se analisarmos esta citação de Literatura e Revolução (1924) pelo prisma da arquitectura dos grandes modelos linguísticos contemporâneos, vemos que, ao criticar os formalistas, Trotsky descreve com precisão assustadora, quase radiográfica, o “motor”. Sem se dar conta disso, o comissário do povo para o Exército e a Marinha estava a descrever não só o formalismo radical, mas também o sonho assaz assustador de uma máquina de produção de arte que pegasse nos elementos literários, fixasse as suas regras combinatórias, percorresse o espaço das combinações e delas extraísse o Eugénio Onegin. E, do mesmo passo, um número infinito (no sentido da teoria dos conjuntos) de outras obras-primas. É uma caricatura intelectual quase perfeita (oxalá apenas uma caricatura!) daquilo que hoje conhecemos como grande modelo linguístico (GML), que, partindo do corpus da linguagem humana (da alta poesia e da gíria jurídica ao dialogar quotidiano e à voz de comando militar), procede, por combinações e permutações algébricas, à previsão probabilística do próximo token. Magia, nenhuma, apenas geometria multidimensional pura, álgebra linear e estatística.

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Pois não, a IA “não depende de estados de espírito, da inspiração e de outras coisas tremidas” — os GML/LLM não têm ritmos circadianos de sono e vigília, não sofrem de “névoa matinal”, não têm nem medo nem esperança; eles não se comovem com o trágico da cena de Pushkin em que os miúdos roubam a moeda ao tolo e este pede a morte deles, nem distinguem armagnac de zubrovka.

Há, porém, um matiz que Trotsky, no seu sarcasmo, deixou escapar e que, hoje em dia, é fundamental. Sim, os GML são capazes de gerar algebricamente um texto que será formalmente irrepreensível pela gramática, pelo estilo e até pela argumentação — mas o que confere sentido ao texto é (oxalá!) o ser humano. O mesmo ser humano, a mesma “ideia artística pré-concebida”, como lhe chama Chklovsky, a que subjaz a experiência de vida, a mulher amada, os “homenzinhos”, a dor pessoal ou a ironia e a auto-ironia, a compreensão de que o bem e o mal podem ser relativos, mas sem anular a diferença entre o bem e o mal. A ideia artística pré-concebida, no mais elevado sentido pushkiniano, transforma as “permutações algébricas” naquele texto vivo e certeiro, que um GML pode polir, eliminando gralhas e distracções.

Trotsky parte do princípio de que, uma vez que uma obra é composta por elementos literários, é possível obtê-la através de uma permutação algébrica desses elementos. Obter um enorme conjunto de sequências linguísticas já existentes, construir um modelo estatístico-estrutural complexo das suas inter-relações e, em seguida, gerar novas sequências. Com isso, ele está, na prática, a dar de barato um pressuposto fundamental: o de que o espaço da forma é suficiente para gerar conteúdo. Trotsky vislumbrou com absoluta perfeição a possibilidade de gerar automaticamente uma quantidade infinita de novos textos, mas talvez tenha errado precisamente quanto ao ponto em que a arte começa.

Coisa esta notável: o GML produz cem mil milhões de textos gramaticalmente impecáveis; um milhão de poemas perfeitos; dez mil textos com aspecto pushkiniano; mil textos que um literato confundiria com o Pushkin da juventude, mas é seriamente de duvidar que o modelo conseguisse, mesmo assim, produzir um único Onegin.

A arte até num castelo de marfim é social. Não se pode, numa sociedade, escrever poesia ou prosa, vendo-se livre da sociedade. Eugénio Onegin não é apenas uma dada combinação de palavras. Mesmo assumindo a posição mais formalista possível, nele existe uma estrutura do mais alto nível: a escolha do tema, da composição, do herói, da distância irónica, do aparelho de referências culturais, do ritmo, da relação do autor com o leitor, a consideração de questões de censura e assim por diante.

Se descrevermos de forma suficientemente completa e densa o espaço das regularidades formais da língua, conseguiremos obter automaticamente obras que antes exigiam criatividade humana?

Mas ainda mais interessante é que o GML moderno demonstra precisamente que a fronteira entre uma “combinação de palavras” e algo que se assemelhe ao pensamento é muito mais instável, menos óbvia do que até há pouco parecia. O modelo não se limita a percorrer palavra n.º 1 + palavra n.º 2 + palavra n.º 3, num sentido combinatório primitivo. Contempla um enorme espaço multidimensional de relações probabilísticas, seleccionando em seguida as continuações que condigam com o contexto. Ou seja, estamos bem mais perto de uma álgebra das relações entre elementos linguísticos do que da permutação mecânica de palavras tiradas do Dalh. É por isso que a frase de Trotsky se lê hoje quase como uma formulação preliminar do grandioso problema da IA generativa: se descrevermos de forma suficientemente completa e densa o espaço das regularidades formais da língua, conseguiremos obter automaticamente obras que antes exigiam criatividade humana?

Sabemos hoje que é tecnicamente fácil produzir um número incontável de obras; mas produzir um número incontável de grandes obras é outra história. Aí está o busílis! Para o ser humano, são importantes a situação social, o sujeito da narração, o grau de proximidade, o subtexto sexual, a marca do poder e da ternura. Ou seja, o que há de mais interessante na linguagem não mora apenas nas relações entre palavras, mas também em quem as diz, a quem, quando e para quê.

Porém, uma questão ainda mais fundamental se levanta então: se a linguagem não surgiu para transmitir a “verdade”, nem sequer para transmitir pensamentos prontos, mas sim como instrumento de coordenação da actividade conjunta e orientada dos primatas, que acontece exactamente quando o instrumento dessa actividade começa autonomamente a produzir linguagem?

Acaba por ser esta a questão ontológica e antropológica mais fundamental que se põe hoje à filosofia da consciência, à linguística e à teoria da IA. Se rejeitarmos a ilusão idealista de que a linguagem é um “espelho da verdade” ou um “telégrafo de transmissão de pensamentos” e regressarmos à visão materialista, evolucionista e baseada na praxis (da escola soviética de Vygotsky-Leontiev à antropologia evolucionista contemporânea de Michael Tomasello), o quadro não pode ficar mais rigoroso e claro.

A linguagem é um instrumento da física social. É necessária aos primatas para chegarem a acordo sobre como atrair o mamute para a armadilha, quem há-de ficar de vigia, quem acasala com quem, como se há-de repartir a carne e contra quem nos aliamos. A linguagem é a continuação do grooming (o “catar social” dos animais) que permite manter a coesão do grupo para lá do “número de Dunbar” (150 indivíduos). Como entram os grandes modelos linguísticos neste esquema?

Pode dizer-se que, no sentido hegeliano, marxista e não só, os GML representam a máxima “alienação” da actividade linguística colectiva do sujeito biológico e social. O modelo absorveu toda a soma de textos, ou seja, toda a pegada que a coordenação humana deixou ao longo de vários milénios, aprendendo a sintaxe da persuasão, do comando, do consolo e da mobilização, mas sem que nada de biológico esteja em jogo.

Quando um primata diz a um congénere: “Está ali um predador, toca a andar, escapemo-nos”, o que está por trás destas palavras é o medo da morte, a adrenalina e a necessidade evolutiva de sobrevivência do grupo. Quando os GML geram o texto “unamo-nos face à ameaça”, trata-se da reconstrução estatística de um padrão, sem intencionalidade de espécie alguma (intenção) e sem consequências para o seu “corpo”. O GML domina a forma da actividade colectiva, mas está totalmente excluído da sua prática material.

O popular psicólogo evolucionista norte-americano Michael Tomasello considerava que a principal diferença entre o ser humano e os outros primatas estava na capacidade de “intencionalidade partilhada”, ou seja, nós sermos capazes de criar o espaço mental comum do “NÓS”, onde um fim comum se situa. Também o GML imita de forma genial esta “posição do NÓS”, servindo-se para isso de marcadores de solidariedade, de técnicas retóricas de criação de coligações e de disparadores emocionais.

O problema é ser um simulacro, uma vez que o modelo não participa da definição de objectivos, limitando-se a prever quais as palavras que com maior frequência estatística deram azo a que, no passado, os primatas iniciassem uma acção conjunta. É irónico ser precisamente esta a razão de os GML estarem tão bons a gerar ideologias, manifestos e propaganda e, de um modo geral, a ser excepcionalmente úteis aos estrategas políticos: eles copiam na perfeição o instrumentário da coordenação, sem se preocuparem aonde a coordenação conduz.

Ao longo da história da nossa espécie biológica, mitos, religiões, ideologias e mentiras descaradas saíram-se muito mais eficazmente na coordenação de milhões de pessoas do que a seca verdade empírica.

Se o objectivo da actividade linguística não é a verdade (seja lá o que por isso se entenda), mas sim a coordenação, então as famosas “alucinações” (invenções) das redes neuronais deixam de ser erro técnico e passam a ser norma evolutiva. Ao longo da história da nossa espécie biológica, mitos, religiões, ideologias e mentiras descaradas saíram-se muito mais eficazmente na coordenação de milhões de pessoas do que a seca verdade empírica.

Aprendendo de textos humanos, os GML assimilaram este princípio: o discurso que une e mobiliza é mais importante do que factos. É pedir ao modelo para escrever um discurso motivacional para uma start-up ou um programa político, e ele fornece exactamente aquilo que faz as pessoas agirem em conjunto, ainda que para tal seja preciso “dar um jeito” aos factos! Por outras palavras, o que os GML exactamente são é máquinas de produção de mitos coordenadores.

É lícita a pergunta: é directa a relação entre GMLs e actividade colectiva? Obviamente que não, pois o modelo não é um primata, não se pode sentar num círculo à volta da fogueira e participar dos riscos connosco. No entanto, vêm a ser uma nova ferramenta de trabalho e um novo meio de coordenação nossa.

Tal como o machado não corta a árvore sozinho, é uma extensão da mão do primata, também os GML vêm a ser uma extensão do nosso aparelho vocal. Nós (primatas) servimo-nos de GMLs para escrever código mais rapidamente, redigir contratos jurídicos, planear logística e articular textos políticos. Os GML não se coordenam connosco, mas medeiam a coordenação entre nós.

Segue-se que os GML são experiência social cristalizada, digitalizada e alienada da experiência colectiva da nossa espécie, uma espécie de mapa gigantesco de todas as interacções sociais possíveis alguma vez descritas pelos humanos. Mas o mapa não é o território e, no âmbito da nossa analogia, o território somos nós próprios, os primatas superiores, mortais, que continuam a servir-se desta ferramenta poderosíssima para negociar, guerrear, construir Estados e escrever artigos sobre inteligência artificial.

A responsabilidade por qual caminho esta linguagem assim gerada fará enveredar a nossa actividade colectiva — o caminho da criação ou o da aniquilação mútua — recai exclusivamente em nós, seres de carne e osso e instintos sociais. Encontrar-nos-emos então num ponto em que os mortais, sem se darem conta disso, transferiram a função de “manter a coesão do grupo” para um algoritmo? A pergunta requer resposta separada.

Trotsky enganou-se numa coisa: pensou que a máquina escreveria Onegin, mas não previu que a máquina escrevesse um milhão de textos sobre a razão de não ser possível o Onegin — e é exactamente nisso que há-de consistir a principal literatura do novo século.


1 Vladimir Dalh, o grande lexicógrafo russo do século XIX.

Said Gafurov é professor na Universidade Estatal de Línguas de Moscovo e membro do Conselho Central do Sindicato Independente O Novo Trabalho. Publicado em Литературная Газета [Literaturnaia Gazeta] n,º 38, 28 de Setembro de 2026.

Tradução de Adriano Zilhão.

categoria-internacional edicao-2026-10-15 (45) Sindicato estudantil Habitação Madrid Sindicatos

Ocupar e resistir

Carlos, nós no Maio temos vários sindicatos que compõem a nossa associação e trazem notícias sobre as suas lutas, reivindicações e perspetivas dos trabalhadores e trabalhadoras em Portugal. Gostaria de saber, neste sentido, como se organiza o Sindicato dos Estudantes e se mantém diálogo com outros sindicatos.

Bem, em primeiro lugar, muito obrigado por nos disponibilizarem este espaço; é um prazer poder responder a estas perguntas. O Sindicato dos Estudantes é a maior organização estudantil do Estado espanhol. Organizamo-nos nos estabelecimentos de ensino, tanto em escolas secundárias como em faculdades, e também realizamos assembleias por bairro e por cidade.

Somos uma organização de esquerda, feminista, antirracista, revolucionária e anticapitalista. Uma coisa que explicamos sempre é que não somos o sindicato de todos os estudantes, mas sim a organização dos filhos e das filhas da classe trabalhadora. Neste sentido, a nossa ligação ao movimento operário sempre foi muito estreita, desde o início. Esta é uma das nossas marcas distintivas e, como tal, participámos em centenas de conflitos sindicais, grandes ou pequenos, e sempre contribuímos com tudo o que estava ao nosso alcance para os fazer avançar. Como filhos e filhas de trabalhadores e trabalhadoras, sabemos que a luta deles é a nossa luta. Os exemplos são muitos: a greve da indústria metalúrgica em Cádis, a Coca-Cola, a Airbus, as trabalhadoras dos serviços de assistência ao domicílio…

É evidente que mantemos uma relação mais quotidiana com os sindicatos do setor da educação. Temos estado ao lado deles nas várias greves deste setor que ocorreram nos últimos meses, apelando sempre ao movimento estudantil para que participe nesta luta ao lado dos professores e professoras. Agora, por exemplo, a poucos dias da greve educativa por tempo indeterminado em Madrid, o Sindicato dos Estudantes faz parte do Comité de Greve, juntamente com os restantes sindicatos e coletivos que a convocaram.

Neste sentido, sempre mantivemos um diálogo constante com os sindicatos. Isto não significa que não tenhamos denunciado e criticado duramente as direções sindicais que se venderam ao patronato. Nunca aceitámos a receita da “paz social” nem a da “colaboração de classes”, que apenas conseguiram um gravíssimo retrocesso nas condições de vida da classe trabalhadora e da juventude. A nossa organização, por exemplo, há anos que exige a convocação de uma greve geral face à crise da habitação, e temos confrontado a atitude das direções das Comisiones Obreras (CCOO) e da UGT [os sindicatos maioritários], que se recusaram a mexer um dedo para fazer frente a uma situação que oprime a nossa classe. Por fim, a explosão social em torno da habitação não lhes deixou outra alternativa senão convocar a greve.

Como começou a ocupação na Puerta del Sol, em Madrid, e qual foi a posição do Sindicato dos Estudantes?

Na quarta-feira 26 de setembro ocorreu o despejo de Maricarmen na cidade de Madrid. As imagens de uma mulher de 87 anos a ser retirada da sua casa numa maca e da polícia a reprimir as centenas de ativistas que se reuniram para impedir o despejo espalharam-se como fogo. Nesse dia, realizou-se uma grande manifestação convocada pelo Sindicato das Inquilinas em Madrid, o que já era um indício de que o que se estava a manifestar era muito mais do que um protesto contra um despejo.

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No sábado 26 de setembro, o Sindicato das Inquilinas convocou outra manifestação. O apelo foi atendido por centenas de milhares de pessoas que lotaram o centro de Madrid. Não posso alongar-me, mas a componente explosiva e de críticas tanto à direita como à esquerda governamental, que protege o rentismo, era enorme.

Então, o Sindicato das Inquilinas, num comício no final da manifestação, anunciou que tinha começado um acampamento na Puerta del Sol, onde se situa a sede da Comunidade de Madrid e onde, há 15 anos, ocorreu o chamado 15M.

Os camaradas do Sindicato dos Estudantes estavam a participar nessa manifestação com um grande bloco, com faixas a exigir a expropriação dos rentistas e a convocação de uma greve geral. Quando soubemos que esta iniciativa tinha sido lançada, sem hesitar, apelámos à participação, pois entendemos que se tratava de um passo em frente nesta luta. O nosso grupo deu a volta e dirigimo-nos para a Puerta del Sol a gritar palavras de ordem.

Levámos milhares de pessoas até à Puerta del Sol e, uma vez lá, trouxemos tendas e tudo o que era necessário para acamparmos. A nossa posição, tanto naquela altura como agora, é que o acampamento constitui uma referência para milhões de ativistas em todo o país e se tornou o centro nevrálgico da luta pela habitação. Um espaço de contrapoder popular que, além disso, repeliu as ameaças e as agressões fascistas através da organização e da luta de massas.

Que organizações integram essa ocupação? Têm acontecido conversas frutíferas entre os diferentes grupos?

Há muitas organizações e coletivos a participar. O Sindicato das Inquilinas foi o promotor da iniciativa, mas juntaram-se muitas outras, como os sindicatos da Habitação dos diferentes bairros de Madrid, organizações da esquerda combativa, sindicatos, associações antirracistas e ambientalistas…

O nosso diálogo é constante e cordial, uma vez que estamos todos do mesmo lado da barricada.

Quais são os objetivos e as perspetivas do movimento?

É evidente que esta explosão social tem raízes muito profundas. Milhões de pessoas compreenderam que não bastam medidas cosméticas nem soluções provisórias para resolver o problema da habitação. Por isso, a manobra do governo, que anunciou dois decretos com medidas temporárias e insuficientes (decretos que foram posteriormente rejeitados pela direita no Congresso dos Deputados), foi rejeitada pelo movimento. Esta explosão social aponta para o cerne da propriedade: para que a habitação seja um direito, tem de deixar de ser um negócio. E a única forma de o fazer, de garantir habitação pública, universal e de qualidade para a classe trabalhadora, é expropriando os bancos, os fundos abutres e os senhorios especuladores.

Para que a habitação seja um direito, tem de deixar de ser um negócio.

Esta luta é um golpe duríssimo contra a direita e a extrema-direita. No caso de Madrid, as políticas do PP têm consistido em conceder a máxima garantia aos investidores e aos rentistas. Destruíram a habitação pública e têm sido os firmes guardiões dos lucros dos rentistas. Por isso, esta luta é também antifascista.

Mas este movimento também aponta o dedo ao governo do PSOE, que em oito anos não mexeu um dedo para travar o negócio imobiliário. A luta obrigou-os a reagir com dois decretos insuficientes, mas, como já disse, isso não conseguiu abafar o movimento.

Esta explosão social provocou um verdadeiro terramoto político, ao ponto de o governo não ter tido outra alternativa senão convocar eleições. Com esta convocatória, pretendem canalizar todo o descontentamento para o plano eleitoral. Mas, aos olhos de milhões de pessoas, é evidente que votar de quatro em quatro anos não é suficiente: já são oito anos de governo “progressista” que não resolveram absolutamente nada. É por isso que afirmamos que a nossa campanha eleitoral será a greve geral: manter a pressão nas ruas, protagonizar uma greve geral histórica a 11 de novembro, desferir um duro golpe à direita e à extrema-direita e obrigar a esquerda parlamentar a tomar medidas sérias a favor da classe trabalhadora.

Está prevista pelo movimento como um todo uma greve geral contra a crise da habitação no Estado espanhol?

Sim, de facto, já foi convocada. As CCOO e a UGT anunciaram há uma semana a convocação de uma greve geral para 11 de novembro. A maioria dos sindicatos aderiu a esta greve e, por parte do Sindicato dos Estudantes, já anunciámos que convocamos uma greve estudantil e que tudo será paralisado nesse dia.

Isto é importante porque se trata da primeira greve geral em 14 anos. Foram anos em que a burocracia sindical impôs, de cima para baixo, uma paz social completamente injustificada, que apenas serviu para provocar um grave retrocesso nas nossas condições de vida. Uma paz social que, já nos últimos meses, tem sido fortemente questionada e ultrapassada em conflitos emblemáticos, como a luta dos metalúrgicos em Cádis, a da Airbus em Getafe, a das creches em Madrid ou as greves no setor da educação na Catalunha e na Comunidade Valenciana.

Esta explosão social colocou-os entre a espada e a parede e não tiveram outra alternativa, pois o apelo à greve geral tinha-se tornado um clamor em todo o Estado. Sem dúvida que a burocracia sindical espera que, a 11 de novembro, assistamos a um evento simbólico que permita simplesmente aliviar um pouco a pressão, para que todo este descontentamento seja canalizado para as águas calmas do parlamentarismo. Mas não vai ser assim.

Vamos alargar esta greve a partir da base, com a iniciativa e o empenho da classe trabalhadora e da juventude. E, a partir do Sindicato dos Estudantes, faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para que isso seja possível: realizando uma greve total a 11 de novembro, fechando todas as escolas secundárias e faculdades em todo o Estado e apelando a que as mobilizações sejam massivas.

As políticas de destruição dos serviços públicos, a estagnação salarial, a inflação e a especulação imobiliária são pontos comuns em toda a Europa

Em Portugal, vivemos uma profunda crise política, social e económica, com baixos salários, precariedade laboral e um custo de vida absurdamente elevado. A crise da habitação agrava-se a cada dia que passa, com preços inaceitáveis para a classe trabalhadora e um deslocamento constante dos residentes dos centros urbanos em favor do turismo e da especulação imobiliária. O que é preciso para que esta luta se espalhe por aqui, para que essa consciência se traduza em luta?

Penso que, neste momento, o fantasma da rebelião social assola a Europa. Em França, na Alemanha, na Bélgica, milhares de jovens estão a tomar as ruas. Mas o que estas rebeliões juvenis refletem é que existe um profundo descontentamento em toda a classe trabalhadora.

As políticas de destruição dos serviços públicos, a estagnação salarial, a inflação e a especulação imobiliária são pontos comuns em toda a Europa. Tudo isto, aliás, promovido pelos governos de direita e de extrema-direita que declararam guerra à classe trabalhadora e à juventude, como é o caso de Portugal.

O problema fundamental não é que a classe trabalhadora não queira lutar. O problema é a atitude passiva das direções sindicais e da esquerda parlamentar. Aqui, vimos como a classe trabalhadora portuguesa foi capaz de travar a contrarreforma laboral com duas greves gerais. Este exemplo, que nos inspira profundamente a nós, camaradas do Sindicato dos Estudantes, é a prova de que a classe trabalhadora pode conquistar o que se propõe quando entra em ação.

Acredito que as condições para uma explosão social como a que ocorreu em Espanha ou como a que estamos a assistir em França já existem em Portugal e em muitos países da Europa. E, a partir do Sindicato dos Estudantes, continuaremos a acompanhar com entusiasmo o desenrolar dos acontecimentos e apoiaremos, sem hesitação, a revolta das nossas irmãs e irmãos portugueses.


Link para vídeo do Carlos Ochoa no Instagram:
https://www.instagram.com/reel/DdzBJcnKmME/

edicao-2026-10-15 (45) escola josé fontana

O Maio começa um novo projeto: uma escola de trabalho e cultura

As actividades são gratuitas para os associados, tendo estes prioridade nas inscrições. Quem não for associado poderá na mesma inscrever-se, sendo que algumas das actividades serão pagas. Esse valor será usado para apoiar o Jornal, os artistas e os professores das várias actividades e cursos

CURSOS


Curso 01.
Vigotsky, Ideias fundamentais. 14 de Outubro, 18-21 horas. Escola Secundária Camões (Lisboa) | Roberto Valdés Puentes

Curso sobre a Lei Genética Geral do Desenvolvimento das Funções Psíquicas Superiores (interpsíquico → intrapsíquico), Zona de Desenvolvimento Possível e a nova concepção de aprendizagem coletiva (obutchénie). Distingue-se utchénie (individual) de obutchénie (coletiva), com suas fases (escolar/não escolar), níveis (espontânea, espontânea- reativa, reativa) e variantes (baseada no ensino ou na atividade). Ênfase na tese: só a aprendizagem coletiva escolar baseada na atividade impulsiona o desenvolvimento. Análise das traduções e implicações para a prática pedagógica.

Entrada gratuita, com inscrição obrigatória para geral@jornalmaio.org


Curso 02.
Compreender a conjuntura política, conceitos fundamentais. 16 Outubro, 18-21 horas. Escola Secundária Camões (Lisboa) | Roberto Leher

A crise política surge como um confuso amálgama de escândalos, lutas fraccionais, degradação da esfera pública, mas toda crise é de igual alcance? É possível pensar conexões entre a ascensão da extrema-direita e as crises que se interrelacionam? A aula discute a atualidade de categorias gramscianas de análise de correlações de forças para compreender melhor a situação portuguesa, europeia e mundial. Aborda conceitos como hegemonia, crise de hegemonia (crise de representação, abstenção, lutas entre os de cima, jornais), crise orgânica, correlação de forças e a centralidade dos aparelhos privados de hegemonia no manejo e superação das crises.

Entrada gratuita, com inscrição obrigatória para geral@jornalmaio.org

O Chega, que invadiu a RUC, é uma milícia fascista
Trotsky e a inteligência artificial
Ocupar e resistir
O Formigueiro #12
O Maio começa um novo projeto: uma escola de trabalho e cultura
O Chega, que invadiu a RUC, é uma milícia fascista
categoria-opinião edicao-2026-10-15 (45) RUC Rádio Chega Invasão

O Chega, que invadiu a RUC, é uma milícia fascista

Se estudantes e moradores “invadem” o espaço público em luta pelas suas escolas ou por habitação, por que não invadimos uma rádio que não nos dá colinho?, terá pensado o Chega.

Raquel Varela
Trotsky e a inteligência artificial
categoria-cultura edicao-2026-10-15 (45) Leon Trotsky Literatura IA

Trotsky e a inteligência artificial

As previsões do dirigente da Revolução Russa, a experiência da “escola formal” de estudos literários da década de 1920 e os actuais desafios postos pelas redes neuronais e grandes modelos linguísticos.

Said Gafurov
Ocupar e resistir
categoria-internacional edicao-2026-10-15 (45) Sindicato estudantil Habitação Madrid Sindicatos

Ocupar e resistir

Entrevista com Carlos Ochoa, porta-voz do Sindicato dos Estudantes, a maior organização estudantil do estado espanhol sobre a luta pelo direito à habitação em Madrid. Por Pâmela Cabreira.

Carlos Ochoa, Jornal Maio
O Maio começa um novo projeto: uma escola de trabalho e cultura
edicao-2026-10-15 (45) escola josé fontana

O Maio começa um novo projeto: uma escola de trabalho e cultura

A Escola José Fontana, Trabalho e Cultura será o centro de formação, educação e convívio do Jornal Maio.

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