Invadir

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Segundo o Dicionário Priberam, é um verbo transitivo que significa: 1) entrar como por direito próprio em; 2) penetrar em; 3) assenhorear-se de. A Porto Editora é bem mais direta: entrar pela força, irromper; tomar ou ocupar militarmente; penetrar de forma hostil.

EM NOVILÍNGUA:

Fiquemo-nos pela aceção n.º 1. Foi como por direito próprio que, em 1961, Salazar mandou tropas para Angola, “rapidamente e em força”, contra quem chamava “terroristas” (v. Terroristas). Já a Revolução de Abril fez-se muito de ocupações (de escolas, hospitais, fábricas, praças e terras) e não discutiu com a Legião Portuguesa, dissolveu-a. Em 1969, o presidente da AAC, Alberto Martins, pediu a palavra ao almirante Américo Tomás; foi-lhe negada. Em 2026, na mesma Academia de Coimbra, uma milícia de uma trintena de elementos do partido neofascista Chega, com as deputadas Rita Matias e Madalena Cordeiro, já não a pediu – invadiu a Rádio Universidade de Coimbra, de onde a AAC as vetara, sequestrou o microfone e forçou o corte da emissão. Rita Matias chama-lhe “democracia”; alguns bem-pensantes clamam por “debate”. Mas com o fascismo não se debate, e a Constituição (art. 46.º) não o consente. O Chega sabe de que lado está. Absteve-se no pacote da habitação, chumbou a lei contra a especulação imobiliária e invade uma rádio que não os leva ao colo. No Brasil, o MST ocupa terras e chamam-lhe “invasão”; Israel invade Gaza e a Cisjordânia e chamam-lhe “operação”. Os estudantes franceses ocupam para resistir; a mocidade portuguesa do Chega invade para esmagar. E tu, de que lado estás? RdS

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