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Narrativa
categoria-dicionário da novilíngua edicao-2026-06-11 (31)

Narrativa

Segundo o Dicionário da Língua Portuguesa da Academia das Ciências, nome feminino que significa 1) ação de contar, de relatar oralmente ou por escrito, um ou mais acontecimentos; 2) (Literatura) texto em que se conta um facto ou uma sucessão de factos reais ou imaginários, que decorrem num espaço e

Jornal Maio
Meus irmãos
categoria-um poema edicao-2026-06-11 (31)

Meus irmãos

Meus irmãos É preciso atrelar os nossos poemas à charrua do boi magro É preciso que este se enterre até aos joelhos Na vaza dos arrozais É preciso que eles façam todas as perguntas É preciso que recolham toda a luz É preciso que os nossos poemas como marcos quilométricos

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As ameaças à pequena pesca em Portugal
categoria-voz das associações Pesca Pescadores edicao-2026-06-11 (31)

As ameaças à pequena pesca em Portugal

A continuidade da pesca em Portugal, enquanto atividade económica, está seriamente comprometida. As condicionantes e dificuldades que se levantam ao exercício da atividade da pesca profissional acentuam o decréscimo do número de pescadores matriculados, que se verifica desde 1982, passando de 47 529

Francisco Silva
Posso ir à casa de banho, senhor supervisor?
Call centres Coletivo categoria-trabalho Trabalho edicao-2026-06-11 (31)

Posso ir à casa de banho, senhor supervisor?

O controlo dos corpos no trabalho contemporâneo toma proporções totalitárias. Só o podemos contrariar como colectivo.

Diogo Augusto
De mansinho, Governo Montenegro vai aprovando a demolição do país
categoria-editorial edicao-2026-06-11 (31)

De mansinho, Governo Montenegro vai aprovando a demolição do país

É verdade que Montenegro, dez meses depois, não conseguiu validar na “concertação social” o seu embrulho de medidas que visa destruir as formas de autodefesa legais de que muitos trabalhadores (mas não todos) ainda dispõem, aumentar horários de trabalho e a precariedade, baixando ao máximo o que ele

Jornal Maio
Ray Bradbury, Fahrenheit 451
categoria-um livro Distopia Hugo Tiago edicao-2026-06-11 (31)

Ray Bradbury, Fahrenheit 451

Fahrenheit 451 é a temperatura de combustão do papel na escala de Fahrenheit, escala de temperatura proposta por Daniel Gabriel Fahrenheit em 1724. A sua unidade é o grau Fahrenheit (símbolo: °F). Nesta escala o ponto de fusão da água é de 32°F e o ponto de ebulição é de 212°F. Os 451ºF corresponder

Hugo Tiago
A sombra dos dragões
categoria-crónica GNR Humberto Delgado Repressão edicao-2026-06-11 (31)

A sombra dos dragões

Acontecia-lhe às vezes ter um repente de valentia que surpreendia toda a gente. De resto, é frequente isto acontecer com muitas mulheres que de súbito saltam do anonimato da retaguarda das lutas sociais e tomam a cabeceira, levando os homens arrastados atrás de si.

Rui Viana Pereira
Marjane Satrapi e o tempo do devir
categoria-opinião Arte Irão Satrapi edicao-2026-06-11 (31)

Marjane Satrapi e o tempo do devir

Talvez seja esta a mais importante lição deixada por Marjane Satrapi, a autora de Persépolis, falecida em 4 de junho. Que os povos se reconheçam uns nos outros antes de se reconhecerem nos Estados que os governam e oprimem. Que a arte continue a ser um território de encontro, de denúncia e de imagin

Pâmela Peres Cabreira
O delator e o chefe
categoria-opinião Bufos Denúncia Estado neoliberal edicao-2026-06-11 (31)

O delator e o chefe

Os defensores da gestão neoliberal, a partir de indicações do Banco Mundial, reintroduziram a “denúncia” no léxico comum das empresas e sobretudo dos serviços do Estado. Alegadamente, para proteger “minorias” de racismo ou assédio sexual. Está nos documentos e diretrizes europeias – a “caixinha das

Raquel Varela
Em solidariedade ao povo boliviano e a Cuba
categoria-internacional Bolívia Brasil Cuba Solidariedade edicao-2026-06-11 (31)

Em solidariedade ao povo boliviano e a Cuba

Entrevistamos Antônio Battisti, ex-presidente do Sindicato dos Servidores Estaduais de Santa Catarina, Brasil, e um dos impulsionadores do Manifesto “Em Solidariedade ao Povo Boliviano e a Cuba – Lutar Contra o Imperialismo”. A entrevista foi feita por Anísio Homem, em 8 de maio de 2026

Anísio G. Homem, Antônio Battisti
A educação e a greve em Valência
Ensino privado Escola pública categoria-educação edicao-2026-06-11 (31)

A educação e a greve em Valência

A educação tornou-se um dos principais campos de batalha da direita espanhola: ligada, por razões religiosas e empresariais, bem como por laços pessoais, à educação privada e subsidiada, a direita nacional dirige as suas diatribes contra o ensino público, que recentemente tem vindo a chamar de “sect

Antonio Jesús Pinto Tortosa
Prestação Social Única: a barbárie aqui tão perto
categoria-política Prestações sociais PSU Trabalho forçado edicao-2026-06-11 (31)

Prestação Social Única: a barbárie aqui tão perto

Com a criação de uma Prestação Social Única (PSU), que deverá absorver treze prestações sociais, incluindo o Rendimento Social de Inserção (RSI), o subsídio social de desemprego, as pensões sociais (por velhice e invalidez) e outras prestações, o Governo Montenegro quer condenar desempregados pobres

Adriano Zilhão
Prestação Social Única: a barbárie aqui tão perto
categoria-política Prestações sociais PSU Trabalho forçado edicao-2026-06-11 (31)

Prestação Social Única: a barbárie aqui tão perto

Com a criação de uma Prestação Social Única (PSU), que deverá absorver treze prestações sociais, incluindo o Rendimento Social de Inserção (RSI), o subsídio social de desemprego, as pensões sociais (por velhice e invalidez) e outras prestações, o Governo Montenegro quer condenar desempregados pobres

Adriano Zilhão
categoria-política Prestações sociais PSU Trabalho forçado edicao-2026-06-11 (31)

Prestação Social Única: a barbárie aqui tão perto

Com a criação de uma Prestação Social Única (PSU), que deverá absorver treze prestações sociais, incluindo o Rendimento Social de Inserção (RSI), o subsídio social de desemprego, as pensões sociais (por velhice e invalidez) e outras prestações, o Governo Montenegro quer condenar desempregados pobres a trabalhos forçados gratuitos.

ilustração: Ricardo Ferreira

Na sua reunião de 29 de Maio passado, o Conselho de Ministros aprovou a criação de uma Prestação Social Única (PSU), que deverá absorver treze prestações sociais, incluindo o Rendimento Social de Inserção (RSI), o subsídio social de desemprego, as pensões sociais (por velhice e invalidez) e outras prestações destinadas a trabalhadores reduzidos à miséria.

A novidade desta PSU: para recebê-la, é condição prestar trabalho até 15 horas por semana. Trabalho forçado. Trabalho não remunerado.

O traçado da medida tresanda à pena do Chega. Da propaganda neofascista faz há muito parte obrigar os beneficiários do RSI a prestarem “trabalho comunitário” ou “serviços de utilidade pública”. A teoria subjacente é que “se não trabalham [é] porque não querem”, na lógica “liberal” de culpar o pobre, “preguiçoso”, pela sua pobreza.

Quem o governo UE/Montenegro/Ventura quer obrigar a prestar este trabalho forçado gratuito são pessoas com dependentes a cargo (que podem ser crianças, deficientes ou idosos) ou trabalhadores com problemas de saúde, ainda que sem diagnóstico formal, ou desempregados que, pela idade, por exemplo, já não conseguem aceder a um emprego. 

O trabalho forçado agravará forçosa e cumulativamente a situação social, económica, sanitária e física dos “beneficiários”. E se, por não conseguirem prestar o trabalho forçado, perderem o direito à prestação, as novas regras tiram-lhes os últimos meios de sobrevivência, a eles e aos dependentes.

A proposta de lei não especifica os tipos de trabalho a prestar em “entidades públicas, autarquias, entidades da economia social ou estruturas da proteção civil”. Ficarão aparentemente à discrição das “entidades" abrangidas. Apenas se sabe que a obrigação só não se aplicará a idosos, crianças e cuidadores informais.

Pergunta-se: presumindo que o dito “trabalho social” obrigatório é trabalho socialmente necessário e útil, porque não se responde a essa necessidade e utilidade, criando postos de trabalho correctamente remunerados? 

Porque se condiciona a prestação, que serve para não morrer à fome, à prestação de trabalho forçado próprio do regime prisional (este, porém, remunera-o!) — a que não falta, sequer, o “controlo”, neste caso não por pulseira electrónica, mas pelo apelo à denúncia por um canal de bufaria criado especialmente para o efeito?

E porque se define sequer a prestação como “não contributiva”, quando a maioria dos seus beneficiários descontou de salários auferidos antes de cair na fatalidade que os tornou beneficiários da prestação, destinada ao último grau de privação social? 

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Mais uma vez: as prestações, já de si muito baixas, a incorporar na PSU servem essencialmente para evitar que haja fome generalizada no país. Ou, falando a venturosa linguagem de Montenegro, para evitar que Portugal não cumpra a meta de não ficar demasiado mal visto num qualquer relatório da OCDE, da ONU ou da UE. 

Acontece que a pobreza é para onde o actual sistema económico tendencialmente empurra todos os trabalhadores, à força de salários baixos, habitação inacessível e serviços de saúde destruídos e privatizados. Os primeiros a cair nela são necessariamente os mais fracos e vulneráveis: mães sós, crianças, deficientes, idosos.

Porém, a medida montenegro-venturina agrava a situação de todos os trabalhadores. Passando a haver maneira de empregar trabalhadores à tarifa horária de zero euros e subtraindo-se ao mercado de trabalho postos de trabalho em tarefas socialmente necessárias, a medida equivale a baixar o já miserável salário mínimo nacional para zero, puxando para baixo toda a estrutura salarial! 

Passando a haver maneira de empregar trabalhadores à tarifa horária de zero euros, a medida equivale a puxar para baixo toda a estrutura salarial do país.

É sequer preciso dizer que a medida viola os princípios da dignidade e os direitos laborais?

Nota final: a aprovação da PSU é uma das “metas” do PRR impostas por Bruxelas — lá metida ainda pelo Governo de António Costa, embora sem a inovação do trabalho forçado gratuito. Sabendo que de a meta ser alcançada, portanto a PSU ser aprovada pela Assembleia da República até final de Agosto, vai depender a libertação de uma “tranche” de mil e quinhentos milhões de euros do PRR, pode-se avaliar a sanha dos governantes… 

A rural justificação da pena de Montenegro é “não fazer do apoio social uma armadilha para eternizar as pessoas na situação de pobreza, fazer do apoio social um trampolim, um elevador para as pessoas se valorizarem a si e às suas famílias”. Palavras mansas de reitor do seminário de nossa senhora da caridade a dizer a mesma coisa que os palavrões do reitor da taberna de nossa senhora da barbaridade.

A responsável do pacote do Luís, Palma Ramalho, fala na “lógica de que quem recebe uma prestação como a PSU deve, de certa forma, contribuir para a sua comunidade, (…) e, portanto, isto é uma maneira de promover a integração.”

Independentemente da nossa senhora a que rezem, estes são os arautos da barbárie.

Prestação Social Única: a barbárie aqui tão perto
Prestação Social Única: a barbárie aqui tão perto
categoria-política Prestações sociais PSU Trabalho forçado edicao-2026-06-11 (31)

Prestação Social Única: a barbárie aqui tão perto

Com a criação de uma Prestação Social Única (PSU), que deverá absorver treze prestações sociais, incluindo o Rendimento Social de Inserção (RSI), o subsídio social de desemprego, as pensões sociais (por velhice e invalidez) e outras prestações, o Governo Montenegro quer condenar desempregados pobres

Adriano Zilhão

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