Estivadores

Sindicatos de estivadores de seis países anunciam jornada de greve
categoria-internacional Estivadores Gaza Genocídio Greve Guerra edicao-2026-09-10 (40)

Sindicatos de estivadores de seis países anunciam jornada de greve

Sindicatos representativos de operários de quarenta portos da Europa e do Mediterrâneo apelam a jornada de luta internacional contra a guerra e o genocídio no dia 30 de Outubro.

Sarah Lazare
Trabalhadores portuários contra as guerras da Rússia e de Israel
categoria-internacional Boicote Estivadores Guerra Suécia edicao-2026-04-30 (25)

Trabalhadores portuários contra as guerras da Rússia e de Israel

Na Suécia, os trabalhadores boicotaram navios russos em resposta à invasão da Ucrânia e, posteriormente, fizeram o mesmo em relação ao comércio de armas de Israel. A sua ação demonstra o poder da solidariedade da classe trabalhadora contra o militarismo.

Raquel Varela, Erik Helgeson
Três excelentes notícias do Sindicato dos Estivadores da Suécia
categoria-internacional Estivadores Solidariedade Suécia edicao-2026-04-23 (24)

Três excelentes notícias do Sindicato dos Estivadores da Suécia

Erik Helgeson, vice-presidente do Sindicato dos Estivadores despedido alegadamente por ter dirigido o bloqueio imposto pelo sindicato ao manuseamento de armas com destino a e provenientes de Israel durante o ataque a Gaza está de novo a trabalhar nas docas.

Jornal Maio
Até sempre, Mariano! Raquel Varela
categoria-opinião Estivadores Mariano Sindicalismo edicao-2026-01-29 (13)

Até sempre, Mariano!

Na morte de António Mariano, que presidiu ao Sindicato dos Estivadores e à frente deste travou grandes lutas contra a precariedade, com vitórias e derrotas, Raquel Varela recorda o amigo e companheiro de algumas dessas batalhas.

Raquel Varela
Estivadores suecos bloqueiam comércio de armas com Israel
categoria-internacional Estivadores Palestina edicao-2025-10-16 (01)

Estivadores suecos bloqueiam comércio de armas com Israel

O Sindicato dos Estivadores (SDU) sueco não se deixará abater nem pela difamação nem por exaustivos processos judiciais. ...

Jornal Maio
categoria-internacional Estivadores Gaza Genocídio Greve Guerra edicao-2026-09-10 (40)

Sindicatos de estivadores de seis países anunciam jornada de greve

Faixa de greve em Ancona, com a seguinte mensagem: «O porto que resiste às guerras, ao rearmamento e às leis fascistas.» Fonte: Potere al Popolo Terni/Facebook

Sindicatos de estivadores de França, Grécia, País Basco, Turquia, Marrocos e Itália convocam para 30 de Outubro uma jornada internacional de luta “contra a guerra e a militarização”. Exigem o fim do “genocídio do povo palestiniano” e das “guerras de agressão dos EUA e de Israel no Médio Oriente e contra o Irão”.

“Cada sindicato decidirá a forma de mobilização mais adequada consoante as circunstâncias nacionais, a partir de acções de greve e de um compromisso comum de impedir carregamentos de morte e destruição”, lê-se numa declaração conjunta dos sindicatos enviada às publicações Workday Magazine e In These Times no dia 31 de Julho.

Em conjunto, estes sindicatos representam, como referem na sua declaração, operários de 40 portos da Europa e do Mediterrâneo. O apelo a escalar a luta saiu de uma reunião de sindicatos de trabalhadores portuários realizada em Istambul em Maio passado. No anúncio que fizeram, manifestam, ainda, “solidariedade plena com os povos de Cuba, da Venezuela e do Sudão” e defendem que “os portos não podem ser usados para transportar armas, munições, equipamento militar ou tropas destinados a zonas de guerra”.

“Não à economia de guerra, aos planos de rearmamento dos Estados e ao projecto de militarização dos portos e infra-estruturas estratégicas da UE”, defendem os sindicatos no comunicado. “Os recursos públicos devem servir para satisfazer as necessidades sociais da população, não para financiar guerras”. Entre os signatários contam-se a CGT FNPD de França, o ENEDEP da Grécia, o LAB do País Basco, o LIMAN-IS da Turquia, a ODT de Marrocos e a ORSA Porti e a USB de Itália.

Os recursos públicos devem servir para satisfazer as necessidades sociais da população, não para financiar a guerra.

Tem havido, desde Outubro de 2023, repetidos apelos de sindicalistas palestinianos aos sindicalistas de todo o mundo para que entrem em greve e se recusem a operar carregamentos de armas destinados a Israel, protestem contra a campanha militar de Israel em Gaza, denunciada como genocídio por grupos de direitos humanos de primeira linha e académicos (os Estados Unidos têm prestado decisivo apoio político e financeiro a Israel). Em 5 de Abril de 2025, a Federação Geral dos Sindicatos de Gaza apelou a que os sindicalistas “fizessem pressão a sério para acabar com esta guerra suja”. Os estivadores têm-se empenhado activamente em corresponder a este apelo.

Da Bélgica à Suécia e à Itália, estivadores têm-se recusado a manusear componentes de armas com destino a Gaza. No dia 6 de Fevereiro, paralisaram 21 portos em todo o Mediterrâneo, incluindo Bilbau e Tânger, em protesto contra o uso de infra-estruturas portuárias civis para fins militares e a integração dos seus postos de trabalho numa economia de guerra.

A declaração surge na sequência das duas greves gerais realizadas em Itália no Outono de 2025 em solidariedade com os Palestinianos. Há dez meses, cerca de 60 estivadores reuniram-se no edifício da Autoridade Portuária de Civitavecchia, uma pequena cidade costeira italiana a noroeste de Roma. Era o dia 22 de Setembro de 2025. Tinham abandonado os postos de trabalho ao começar o dia, paralisando o porto, como parte de uma greve geral para protestar contra o facto de o Governo italiano ser o terceiro maior fornecedor de armas a Israel. Viram-se rodeados por cerca de 600 pessoas a aplaudi-los — estudantes, professores, trabalhadores ferroviários, funcionários públicos —, uma multidão significativa para uma cidade tão pequena.

“Que bela imagem, os estivadores rodeados pela sua cidade”, recorda Riccardo Petrarolo, um membro da coordenadora nacional da USB (Unione Sindacale di Base) nos portos italianos.

Os estivadores começaram a receber mensagens WhatsApp de colegas de cidades maiores, como Livorno e Génova, a informá-los de que também os operários dessas cidades tinham paralisado os portos. E dos meios de comunicação social iam aparecendo notícias de greves e encerramentos. “Diziam que exactamente a mesma coisa estava a acontecer nos outros portos”, refere Petrarolo. De cada vez que estivadores anunciavam um novo encerramento pelo sistema de som, conta-me Petrarolo, a multidão soltava “um grito de aplauso, como num estádio”.

Estas acções são fruto de décadas de relações com os Palestinianos construídas pelos operários e de anos de mobilização contra a participação no transporte de armas. A 30 de Agosto de 2025, 40 mil pessoas reuniram-se em Génova para despedir a Flotilha Global Sumud, que partia para levar alimentos e ajuda a Gaza. A luta da flotilha para chegar a Gaza calou fundo entre os trabalhadores do mar — os que trabalham nas docas, os que carregam e descarregam navios, os que reparam e movimentam equipamento e transportam mercadorias para outros portos; e os ataques às embarcações causaram profunda indignação.

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Riccardo Rudino, um estivador filiado no Colectivo Autónomo dos Trabalhadores Portuários (CALP), um sindicato independente de Génova, prometeu à multidão que se despedia dos navios que “se perdermos o contacto com os nossos camaradas da flotilha, nem que seja por 20 minutos, bloquearemos toda a Europa a partir das docas de Génova. Nem um prego daqui sai. Será uma greve global”.

Os estivadores de Génova acabaram por convocar rapidamente uma greve geral, para 22 de Setembro, em protesto contra a cumplicidade da Itália no ataque a Gaza. A USB, que conta cerca de 100 mil membros nos sectores privado e público, apoiou a acção. Cerca de meio milhão de pessoas abandonaram os postos de trabalho nesse dia. Um milhão participou em protestos pelas vilas e cidades de toda a Itália. Auto-estradas, ruas e metros ficaram paralisados, ao passo que, em todo o país, a população fazia sua a palavra de ordem “Blocchiamo tutto”: “Bloqueemos tudo!”

José Nivoi, um estivador e porta-voz do CALP que embarcou na Flotilha Global Sumud, concedeu uma entrevista, de bordo, no dia 23 de Setembro, em que apoiava a greve. Disse ele que “as mobilizações que temos estado a fazer são em apoio total à Palestina, e nós nunca recuámos”.

Nos dias 1 e 2 de Outubro de 2025, Israel interceptou os navios da flotilha e deteve as centenas de pessoas a bordo. Chegava a hora de dar corpo à ameaça de “nem um prego”. Os militantes italianos responderam com uma greve geral ainda maior, a 3 de Outubro. Desta vez, a Confederazione Generale Italiana del Lavoro (CGIL), a maior federação sindical de Itália, convocou a greve, tal como a USB. Estima-se em 2 milhões os participantes nos protestos, em mais de oitenta cidades. Portos e auto-estradas bloqueados e encerrados, linhas ferroviárias interrompidas, escolas e universidades fechadas.

“As coisas organizaram-se muito rapidamente e fora do quadro legal de Itália. Tal como antes, envolveram cidades grandes e pequenas e muita gente que saiu à rua em solidariedade”, relata Petrarolo, da USB. “Claro que isso provocou uma reacção do Estado italiano, com multas aos sindicatos e acções policiais e judiciais contra os organizadores. Mas isso não impediu a organização, e o resultado concreto foi que, no dia seguinte, 1 milhão de pessoas saíram à rua em Roma.”

Os estivadores esperam aproveitar o balanço. O anúncio da jornada de luta de 30 de Outubro baseia-se na “Declaração de Istambul”, aprovada por todos os signatários. A par das reivindicações contra a guerra, os trabalhadores vincam a exigência de que “os acordos coletivos garantam aumentos salariais reais, emprego seguro, redução do horário de trabalho e disposições justas em matéria de pensões”. E não querem que a mecanização ou a inteligência artificial “eliminem postos de trabalho ou prejudiquem os direitos dos trabalhadores”.

Os sindicatos dizem-se “prontos para se reunirem com grupos organizados de estivadores de quaisquer outros portos interessados em integrar esta luta comum”.


*Sarah Lazare, publicado em In These Times (31 de Julho de 2026).

Tradução de Adriano Zilhão.

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Trabalhadores portuários contra as guerras da Rússia e de Israel

Entrevista com Erik Helgeson

Na Suécia, os trabalhadores boicotaram navios russos em resposta à invasão da Ucrânia e, posteriormente, fizeram o mesmo em relação ao comércio de armas de Israel. A sua ação demonstra o poder da solidariedade da classe trabalhadora contra o militarismo.

Erik Helgeson

Na véspera do Dia do Trabalhador de 2022, dois meses após o ataque em grande escala da Rússia à Ucrânia, os sindicalistas ucranianos apelaram à solidariedade com o país invadido. Artem Tidva, um ativista de esquerda e sindicalista ucraniano, dirigiu-se aos sindicatos internacionais apelando a ações para ajudar a travar a máquina de guerra russa.

Na Suécia, essa ação já estava em curso. Em março de 2022, os estivadores suecos tinham iniciado um bloqueio aos navios russos. Esta decisão, apoiada por uma votação a nível nacional entre os cerca de mil membros do Sindicato dos Estivadores Suecos, destacou a cumplicidade dos mecanismos capitalistas globais em facilitar a evasão das sanções por parte da Rússia. No entanto, também encontrou resistência tanto por parte dos empregadores como dos políticos, e o sindicato enfrentou problemas práticos na identificação dos navios russos.

No entanto, apesar dos desafios legais, incluindo dois processos judiciais, os estivadores suecos continuaram a sua ação de solidariedade. Estes esforços conquistaram o apoio da sociedade em geral, em grande parte graças ao facto de o presidente ucraniano Volodimir Zelensky ter mencionado a ação num discurso.

Erik Helgeson, trabalhador portuário em Gotemburgo há vinte anos, foi um dos ativistas sindicais envolvidos. Vice-presidente nacional do Sindicato dos Trabalhadores Portuários da Suécia, foi despedido do seu emprego no porto em 2025 — desta vez na sequência de mais uma ação de solidariedade, contra o transporte marítimo israelita.

Nesta entrevista, Tidva e Helgeson falaram sobre as ações suecas e o papel da solidariedade dos trabalhadores no combate à máquina de guerra.

Artem Tidva: Conte-nos como os sindicatos dos trabalhadores dos estaleiros navais e dos estivadores se recusaram a colaborar com os navios russos em 2022. Como é que tudo começou, como é que essas decisões são tomadas e que debates se travavam na sociedade naquela altura?

Erik Helgeson: O Sindicato Sueco dos Trabalhadores Portuários é um sindicato nacional, com trabalhadores em cerca de vinte portos. A iniciativa da ação contra os navios russos partiu de dois portos mais pequenos no Sul da Suécia. Penso que foi apenas uma reação espontânea ao que se passava na Ucrânia e ao que a Rússia estava a fazer. Temos uma longa tradição de ação em apoio aos sindicatos de outros países, mas também em defesa dos direitos humanos ou da autodeterminação.

A iniciativa partiu dos membros de base de dois portos de menor dimensão e, posteriormente, através das suas organizações locais, foi levada ao Conselho Nacional. Convocámos um referendo a nível de todo o sindicato, o que significa que todos os membros do sindicato em toda a Suécia votaram sobre a conveniência de levar a cabo a ação. O apoio foi muito forte, pelo que a decisão foi tomada e notificámos os empregadores sobre a nossa ação. Em seguida, enfrentámos uma pressão esperada, mas muito intensa, principalmente por parte da organização patronal, mas também por parte dos políticos.

Artem Tidva: Qual foi a reação dos ucranianos? Houve alguma cooperação com os camaradas ucranianos?

Erik Helgeson: Naquela altura, era extremamente difícil manter o contacto com as pessoas. A maior parte do que ficámos a saber foi que portos marítimos e fluviais tinham sido encerrados, quer devido à agressão russa, quer a bombardeamentos diretos, como em Odessa. Alguns portos, como Mariupol e Kherson, foram ocupados logo no início. Entrámos em contacto com vários camaradas sindicais ucranianos para perguntar como poderíamos ajudar. Um sindicato mais pequeno, que operava principalmente ao longo do rio Dniepre, acabou por nos dizer que tipo de apoio seria mais útil.

Houve também obstáculos políticos significativos. Na Suécia, dois sindicatos representam os trabalhadores portuários, e pertencemos a federações internacionais diferentes. Presumo que isso tenha criado alguma hesitação quanto à conveniência de certos sindicatos se associarem a nós. O nosso avanço mais importante ocorreu quando Zelensky mencionou a nossa greve num dos seus discursos como um exemplo de solidariedade genuína, ao mesmo tempo que apelava a outros sindicatos para que tomassem medidas para interromper o comércio com a Rússia. Esse reconhecimento foi extremamente útil. Antes disso, os empregadores e os políticos tinham tentado isolar-nos, retratando a nossa iniciativa como destrutiva, marginal ou mesmo prejudicial. Argumentavam que as nossas ações não eram bem-vindas pelos sindicatos, pelas empresas e pela sociedade ucranianos, ou que estávamos a tentar “dar um passo maior que a perna”. Mas quando os comentários de Zelensky foram notícia, tudo mudou. Isso deu-nos legitimidade e redirecionou o debate público para onde acreditávamos que ele devia estar. Enquanto havia intermináveis debates televisivos sobre as vantagens militares de aderir à NATO e questões semelhantes, o comércio com empresas russas continuava, fornecendo tanto dinheiro como material às forças de ocupação russas. Para nós, essa contradição era impossível de ignorar.

Artem Tidva: Como é que a vossa direção reagiu a isto?

Erik Helgeson: A organização patronal, Portos da Suécia, representa todas as empresas portuárias a nível nacional, por isso, no início, a maioria das empresas evitou comentar diretamente sobre o bloqueio. Tudo foi tratado através da organização patronal. Eles foram muito agressivos. Falaram connosco como se fôssemos crianças: “Isto pode parecer uma boa ideia, mas vocês não compreendem o que estão a fazer. Isto é um assunto sério, de adultos, não se metam nisto. É ilegal.” E intentaram ações judiciais contra o sindicato por duas vezes.

Apesar disso, avançámos com a medida, o que suscitou muitas questões práticas complexas. Por exemplo, como lidar com a carga russa que já se encontrava nos portos suecos e como determinar que navios deveriam ser detidos. Em muitos casos, não era imediatamente claro se um navio podia ser classificado como russo ou não. Lembro-me de um caso que envolveu uma das maiores companhias de navegação do mundo, em que, essencialmente, nos deparámos com as suas estruturas de evasão fiscal. Identificámos um navio registado sob o nome de uma grande empresa de navegação russa e recusámo-nos a trabalhar com ele. A empresa alegou que tinha adquirido o navio à empresa russa um ou dois anos antes. Dissemos-lhes que não iríamos lidar com o navio a menos que pudessem provar que já não era propriedade russa. Isso tornou-se um problema grave, porque as empresas de navegação muitas vezes não estão dispostas a divulgar detalhes sobre a propriedade devido a acordos de registo complexos que envolvem locais como Chipre, as Ilhas Virgens ou o Panamá.

Este tipo de desafios práticos marcou as primeiras semanas. Alguns empregadores locais ficaram extremamente frustrados. Publicamente, afirmavam apoiar a nossa iniciativa, mas quando esta começou a afetar os seus lucros — quando nos recusámos a trabalhar em navios que, por exemplo, faziam rotas entre a Suécia e a Rússia – tornaram-se hostis. Nessa altura, tentaram ativamente impedir a ação por todos os meios ao seu alcance.

Artem Tidva: Vemos que muitos instrumentos do capitalismo moderno, como o sistema de evasão fiscal offshore, estão efetivamente a ajudar a Rússia a contornar as sanções. Estes mecanismos não desapareceram desde o início da guerra; continuam a funcionar da mesma forma que funcionam na lavagem de dinheiro. Mencionou alguns paraísos fiscais. A Rússia também recorre a registos em vários países africanos e asiáticos para ocultar a sua chamada “frota fantasma”.

Erik Helgeson: Os trabalhadores dos estaleiros dir-lhe-ão que não são apenas os Estados párias ou os “maus” atores nacionais que utilizam estes sistemas. As organizações criminosas e os cartéis de droga também os utilizam, tal como toda a gente. Todos sabem que estes canais existem e são amplamente utilizados, mas nada muda realmente porque a mesma classe que gere grande parte da economia global também depende deles. Fala-se muito sobre paraísos fiscais e regulamentação internacional, mas, na prática, infelizmente, muito pouco acontece.

Artem Tidva: Mencionou as tentativas dos empregadores de processar o sindicato, e penso que também houve processos movidos contra si pessoalmente...

Erik Helgeson: O processo contra mim pessoalmente não está relacionado com o bloqueio dos navios russos. Posso falar sobre isso mais tarde. O Sindicato Sueco dos Trabalhadores Portuários é o único sindicato de operários independente e não alinhado com nenhum partido na Suécia; desempenhamos esse papel há mais de cinquenta anos, e isso moldou uma forte tradição de ações de solidariedade internacional, o que significa que quando a coisa fica feia — quando surgem grandes crises políticas ou humanitárias — há quase sempre uma iniciativa vinda da base.

Depois de termos dado a conhecer o bloqueio aos navios russos, fomos processados duas vezes, mas essas ações foram contra o sindicato, não contra mim pessoalmente. Na primeira instância, o apoio público foi tão forte que os empregadores acabaram por recuar. No entanto, quando continuámos o bloqueio, aumentou a pressão sobre o governo sueco para que agisse. E este foi extremamente lento. Embora a sua retórica contra a Rússia fosse forte, pouco fez no que diz respeito ao comércio e aos fluxos de receitas que beneficiam a economia russa. Como resultado, processaram-nos novamente. Desta vez, o tribunal decidiu contra nós e fomos multados, tendo o bloqueio sido considerado demasiado prolongado, apesar de, na Suécia, os trabalhadores disporem de múltiplos fundamentos legalmente reconhecidos para a ação sindical, incluindo greves de aviso e de solidariedade.

Em 2025, na sequência de um novo referendo interno, tentámos tomar medidas contra os navios que transportavam carga militar de e para Israel, em resposta ao ataque a Gaza e às dezenas de milhares de mortes de civis. E o modus operandi dos empregadores foi praticamente o mesmo: primeiro, pressionaram o sindicato para que suspendesse a ação e, depois — no mesmo dia em que o tribunal decidiu que podíamos prosseguir — despediram-me. Mas isso não está, na verdade, relacionado com o bloqueio de navios russos, mas sim com o comércio militar israelita.

Artem Tidva: Já vi muitos casos em que os empregadores tentam desacreditar ou reprimir atos de solidariedade. Na Grã-Bretanha, quando o sindicato GMB se mobilizou por melhores salários nas empresas britânicas de fabrico de armas, políticos conservadores e empregadores tentaram apresentar isso como algo que minava o apoio à Ucrânia.

Erik Helgeson: A análise do nosso sindicato é que muitos empregadores estão a usar o contexto mais amplo da guerra, da segurança nacional e dos objetivos militares para intensificar os seus ataques diários aos sindicatos.

É muito comum invocar um pretexto diferente para justificar a repressão, seja a defesa da Suécia, a política de segurança ou mesmo o que supostamente é do interesse da resistência ucraniana. Na realidade, estes argumentos são muitas vezes apenas uma desculpa para outra coisa.

As guerras forneceram uma justificação conveniente para fazer o que os empregadores há muito queriam fazer de qualquer maneira: enfraquecer os sindicatos, minar os acordos coletivos e reverter os direitos dos trabalhadores.

É também assim que entendemos a minha demissão. O esforço para se livrarem de mim, e possivelmente de outros representantes sindicais, não começou com as nossas ações de solidariedade com Gaza, e talvez nem mesmo com as ações de apoio aos civis ucranianos. Esses planos já existiam há anos. As guerras simplesmente forneceram uma justificação conveniente para fazer o que os empregadores há muito queriam fazer de qualquer maneira: enfraquecer os sindicatos, minar os acordos coletivos e reverter os direitos dos trabalhadores.

Isto não se resume apenas aos direitos sindicais. Afeta também a liberdade de expressão e o espaço democrático de forma mais ampla.

Até agora, penso que eles calcularam mal. Na Suécia, os lobistas empresariais esperavam divisões profundas — algumas pessoas a apoiar a guerra de Israel, outras a apoiar os Palestinianos —, mas a estratégia saiu pela culatra. Tornou-se cada vez mais claro para muitos que isto não tinha realmente nada a ver com a guerra ou com o comércio de armas. Tratava-se de uma ofensiva contra os sindicatos.

Vejo o mesmo padrão a repetir-se por toda a Europa.

Artem Tidva: Disse que perdeu um processo judicial porque o bloqueio durou “demasiado tempo”. O que é que isso significa?

Erik Helgeson: A Constituição sueca garante explicitamente o direito à greve. Mas esse direito está sujeito a várias limitações legais. E no que diz respeito à chamada ação política, existe um limite de tempo.

A lei não define qual é esse prazo. No nosso caso, prolongámos a ação por muito mais tempo do que o que normalmente se considera aceitável.

Em tribunal, defendemos que não se tratava, de forma alguma, de uma ação política. Sustentámos que se tratava de um ato de solidariedade para com outros sindicatos, especificamente os sindicatos ucranianos. O nosso argumento foi que os ataques russos afetam diretamente os trabalhadores portuários na Ucrânia: não podem trabalhar, perdem os seus rendimentos e, em muitos casos, perdem completamente os seus postos de trabalho. De acordo com a lei sueca, não há prazo limite quando se trata de apoiar outro sindicato num conflito laboral. Por exemplo, estamos atualmente a apoiar o Sindicato dos Metalúrgicos no seu conflito com a Tesla, e essa ação já se arrasta há mais de um ano, quase dois anos. No entanto, o tribunal não aceitou os nossos argumentos. Decidiu que há uma diferença fundamental entre apoiar um sindicato que luta contra despedimentos ou más condições de trabalho e apoiar um sindicato envolvido na resistência contra a ocupação militar ou um ataque armado.

Continuo a achar essa conclusão muito estranha. Se os empregadores atacam os trabalhadores através de despedimentos ou sanções legais, a solidariedade é permitida sem um prazo estrito. Mas se o “empregador” for, na prática, um agente estatal, como o Estado russo, que recorre à violência militar e mata trabalhadores, então, de repente, há um prazo. Para mim, isso faz pouco sentido. Mas é assim que o sistema jurídico o interpreta atualmente.

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Artem Tidva: Qual foi a reação da sociedade sueca e dos media?

Erik Helgeson: Em 2022, quando tomámos medidas contra os navios russos, muitas pessoas manifestaram alívio por se estar a fazer alguma coisa. Na altura, falava-se muito sobre a unidade europeia, a defesa da democracia e a resistência à Rússia, mas muitas empresas suecas estavam a obter lucros enormes ao continuarem a negociar com empresas russas. Quando os empregadores nos levaram a tribunal, essa contradição tornou-se evidente. Até mesmo os media de direita hesitaram em atacar-nos abertamente. Alguns criticaram-nos no início, mas perceberam rapidamente que lhes faltava um apoio mais alargado. Até mesmo setores da extrema-direita estavam relutantes em opor-se à ação. Tornou-se claro que tinham entrado numa situação que não podiam controlar facilmente, e essa é uma das razões pelas quais os empregadores não levaram a cabo totalmente as suas ameaças nessa fase.

Assim, a primeira ronda do bloqueio durou entre um mês e meio e dois meses, e os ataques legais recomeçaram algumas semanas depois. Conseguimos manter a luta durante bastante tempo na Suécia, principalmente porque contávamos com um apoio público muito alargado, mesmo por parte de forças que normalmente não apoiam sindicatos ou trabalhadores portuários.

Artem Tidva: As suas medidas diretas e concretas contra as empresas russas surgiram mais rapidamente do que as sanções da UE e, possivelmente, levaram os governos a agir. O que pensa sobre isso?

Erik Helgeson: Somos um sindicato relativamente pequeno, que representa cerca de mil trabalhadores nos portos suecos. Através da experiência, aprendemos a lidar com conflitos — e, na Suécia, os trabalhadores portuários sempre tiveram uma elevada consciência dos conflitos. Mas também sabemos que a nossa contribuição a nível internacional não reside tanto no impacto económico, mas sim no poder do exemplo. Por isso, penso que não há dúvida de que o que fizemos em 2022 influenciou a opinião pública e, consequentemente, pressionou o governo sueco. A certa altura, ouvimos: “Oh, não queremos fazer nada unilateralmente. Queremos esperar pela UE.” Mas todos os governos da Europa diziam isso, e ninguém queria ser o primeiro a deixar de negociar com mercados grandes ou lucrativos.

Pensava que a Suécia exportava principalmente armas para Israel. Na realidade, muitas vezes é o contrário: a Suécia está a comprar grandes quantidades de sistemas militares israelitas e a pagar centenas de milhões de euros para financiar as guerras de Israel.

Assim, o facto de terem surgido iniciativas na Suécia — e de também ter havido ações espontâneas noutros locais, como os Países Baixos — deu-nos uma plataforma para dizer: “Estão a fazer muito pouco, muito lentamente.” Denunciámos isso publicamente. Nesse sentido, mudámos claramente o debate na Suécia e podemos ter contribuído, de forma muito modesta, para uma discussão europeia mais ampla.

É também assim que vemos o nosso bloqueio mais recente contra o comércio militar israelita. Estamos plenamente conscientes de que não vamos impedir fisicamente grandes volumes de carga. Mas, ao tentarmos, chamamos a atenção para um comércio profundamente imoral que muitas pessoas na Suécia simplesmente desconhecem.

Há uma crença generalizada de que a indústria de armamento sueca só negoceia com países “responsáveis”, ou, pelo menos, de que as armas suecas não são utilizadas em guerras em curso. Para muitas pessoas, as nossas ações foram reveladoras. Mesmo quando enfrentamos críticas severas nos media ou ações judiciais, continuamos a sensibilizar a opinião pública.

Pessoalmente, o bloqueio ao comércio militar israelita desafiou as minhas próprias suposições. Inicialmente, pensava que a Suécia exportava principalmente armas para Israel. Na realidade, muitas vezes é o contrário: a Suécia está a comprar grandes quantidades de sistemas militares israelitas e a pagar centenas de milhões de euros para financiar as guerras de Israel.

Por isso, mesmo que não tenhamos poder suficiente para impedir a violência no terreno, assumir um pequeno risco continua a ser importante. Em situações difíceis, essa é, por vezes, a única contribuição que se pode dar. Caso contrário, eles ficam impunes a fazer o que querem o tempo todo.

Artem Tidva: Isto foi muito importante para nós. Quando partilhámos informações sobre as vossas ações e outras iniciativas de solidariedade com os nossos camaradas do setor dos transportes na Ucrânia, eles ficaram profundamente impressionados. Foi realmente importante saber que há pessoas no estrangeiro que apoiam genuinamente o direito da Ucrânia à autodeterminação.

A propaganda russa afirma constantemente que não é a Rússia, mas sim a Ucrânia que está isolada, que somos meramente um fantoche do Ocidente e que os países ocidentais não se importam verdadeiramente com a brutal invasão russa. Contra essa narrativa, a solidariedade prática e a cooperação real com camaradas de todo o mundo são extremamente poderosas.

Talvez saiba que, após o ataque com mísseis russos ao hospital infantil Okhmatdyt, em Kiev, as investigações revelaram que o míssil continha alguns componentes de fabrico europeu. Jornalistas da oposição russa também relataram que os tanques russos continuam a utilizar ótica e eletrónica de rádio europeias. Como é que isto é possível e como pode ser travado?

Erik Helgeson: Não tenho conhecimentos técnicos para entrar em pormenores. O que posso dizer é que, durante muito tempo, houve um intenso comércio entre os países da UE e a Rússia. Não é claro em que medida o que vemos hoje provém de equipamento militar adquirido antes das sanções e em que medida está a ser contrabandeado neste momento. Também não tenho conhecimento detalhado de como a chamada frota fantasma opera atualmente. O que enfrentámos durante o bloqueio foi muito mais básico. Durante meses, concentrámo-nos em interromper fluxos comerciais muito concretos e quotidianos. Recusámos manusear carga que fosse claramente destinada à Rússia, mesmo quando se tratava de mercadorias de valor relativamente baixo. Recusámos carregamentos de lingotes de ferro e até navios que transportavam bananas, quando sabíamos que se dirigiam para São Petersburgo depois de deixarem a Suécia.

Ao aumentar consistentemente a pressão e identificar cargas sempre que possível, muitas empresas suecas acabaram por se retirar do mercado russo. Talvez o tivessem feito de qualquer forma, mas as nossas ações aceleraram claramente as suas decisões. As empresas não queriam perturbações contínuas nas suas cadeias de abastecimento.

Artem Tidva: Como acha que essas sanções e instrumentos de pressão económica podem afetar o fornecimento de armas a longo prazo — aumentando os custos ao ponto de tornar a continuação da guerra insuportável para pessoas como Vladimir Putin e levando-as a optar pelo diálogo em vez da guerra?

Erik Helgeson: Sem pressão vinda da base, os sindicatos que não estão dispostos a agir argumentarão sempre que as sanções são inúteis, que as mercadorias acabarão por passar na mesma, que existe a frota fantasma e que, por isso, nada muda realmente.

Mas o que se pode fazer é perseguir estas cadeias de abastecimento e tentar interrompê-las. Mesmo quando não se consegue totalmente, ainda assim cria-se risco e incerteza. Só isso já aumenta os custos. Aumentar o custo do comércio pode não parar tudo imediatamente, mas a longo prazo desencoraja as empresas de permanecerem nestes mercados, porque os riscos se tornam demasiado elevados.

A frota fantasma é, sem dúvida, um enorme problema. Mas o facto de a Rússia ter de operar clandestinamente, ocultar a propriedade e apagar os seus rastos significa que paga muito mais pelas armas e pelos componentes do que pagaria em condições normais.

A Rússia continuará a obter alguns componentes, mesmo após anos de guerra, mas a um preço significativamente mais elevado, o que inevitavelmente afeta a economia. Esta é a mesma lógica que aplicamos às exportações militares israelitas. Sabemos que não podemos, sozinhos, impedir as Forças de Defesa de Israel de obter armas utilizadas para destruir bairros ou matar civis. Mas, ao exercer uma pressão contínua, aumentamos os custos ao longo do tempo.

Historicamente, foi isso que derrubou o apartheid na África do Sul e que enfraqueceu muitos regimes envolvidos em agressões militares. Não é a ausência imediata de munições que muda os resultados, mas o custo económico a longo prazo da sua aquisição.

Se nos concentrarmos demasiado em alcançar resultados perfeitos de imediato, intercetando cada carga específica, corremos o risco de ficar desapontados e desistir completamente. É essencial ter uma perspetiva de longo prazo.

Artem Tidva: Esses esforços para comprometer a capacidade económica dos regimes de ocupação também ajudam os investigadores e as instituições que combatem a frota fantasma. Sem essa pressão, mais alguns navios clandestinos passariam despercebidos e os ditadores não sentiriam qualquer resistência. Quando o comércio flui normalmente, torna-se fácil normalizar a destruição infligida às suas próprias populações e aos países vizinhos.

Em vez disso, vemos frequentemente o efeito oposto: é mais difícil para mim comprar azulejos italianos em Kiev e impossível comprar uma máquina de lavar roupa LG coreana, enquanto as pessoas em São Petersburgo não têm esses problemas. Não posso voar de Kiev para a Turquia ou a Geórgia, mas os russos podem voar de Moscovo para Istambul ou Tbilisi e depois para países da UE, por exemplo. Às vezes, parece que vivemos sob restrições de sanções, embora não seja a Ucrânia, mas sim a Rússia, a culpada por isso. Houve uma altura em que os mercados consideravam arriscada a cooperação com a Ucrânia, enquanto trabalhar com a Rússia não tinha consequências morais. As pessoas percebem muito rapidamente esta hipocrisia. No entanto, precisamos de objetivos realistas e alcançáveis para nos mantermos motivados. O que o motiva?

Erik Helgeson: Enquanto sindicato, sabemos que não podemos impedir diretamente que os oligarcas russos comprem azulejos italianos. Mas se esses azulejos passarem subitamente a custar dez vezes mais devido à limitação do acesso aos mercados, isso acabará por afetar a economia. E é a economia que sustenta a guerra. Esta é a nossa perspetiva, falando a partir da posição privilegiada em que não somos bombardeados todos os dias. Não é perfeita, mas é uma forma de pensar que nos motiva a continuar. Exercer pressão sustentada, mesmo quando os resultados são graduais, continua a ser significativo, e é assim que seguimos em frente.

Artem Tidva: Mencionou que, mais tarde, se recusou a lidar com o comércio relacionado com Israel, não apenas com o envio de armas, e que este mercado funciona nos dois sentidos. Como reagiram as autoridades suecas à sua decisão de se opor ao comércio com Israel e por que razão decidiu prosseguir, apesar das consequências?

Erik Helgeson: Penso que o atual governo se tem mostrado extremamente relutante em tomar quaisquer medidas concretas para regulamentar o comércio com Israel, independentemente da situação. Os responsáveis podem manifestar preocupação com atrocidades específicas ou vítimas civis, mesmo durante os cessar-fogos, mas essas declarações não se traduzem em ação.

Nesse sentido, o nosso bloqueio foi em grande parte simbólico, e teve um custo real. Fui despedido e estou agora a contestar em tribunal esse despedimento. Ao mesmo tempo, há tentativas contínuas de enfraquecer o sindicato e limitar a sua capacidade de realizar o seu trabalho essencial: defender os membros e proteger as suas condições de trabalho.

Não há muito que pudéssemos ter feito de forma diferente, de forma realista. Para mim, pessoalmente, tornou-se uma questão moral. Se a escolha for entre perder o meu emprego ou permanecer passivo enquanto crianças são mortas com impunidade, continuaria a tomar a mesma decisão. São estes os tempos em que vivemos. Se não estivermos dispostos a correr riscos, por vezes a um nível muito pessoal, não alcançaremos nada de significativo.

Artem Tidva: Como acha que os ativistas de esquerda e os sindicalistas ucranianos e de todo o mundo podem apoiá-lo, tanto na sua luta pessoal e na defesa dos trabalhadores do seu sindicato, como, de forma mais ampla, na pressão para que sejam impostas sanções mais fortes e eficazes contra aqueles que iniciam e sustentam guerras brutais?

Erik Helgeson: No que diz respeito ao meu processo judicial e ao despedimento, há dois níveis principais em que o apoio pode fazer a diferença.

A nível político e institucional, cartas de apoio enviadas à Embaixada da Suécia ou à organização patronal, Portos da Suécia, podem ser importantes, especialmente se condenarem claramente o despedimento e o identificarem como uma medida antissindical.

Penso que o movimento sindical precisa de compreender claramente que os direitos sindicais assentam nos direitos humanos e nas liberdades civis. Não se pode separar os dois.

Ao nível das bases, o apoio funciona de forma diferente e, em muitos aspetos, de forma mais impactante. Partilhar vídeos, declarações ou atualizações é incrivelmente eficaz. O simples facto de mostrar que as pessoas sabem o que está a acontecer é muito importante. Quando os nossos membros veem que as suas ações têm repercussão a milhares de quilómetros de distância, isso reforça o moral de uma forma muito real e tangível.

Isto não se limita aos sindicalistas ucranianos. Aplica-se o mesmo em todo o lado. Um pequeno vídeo ou foto dos trabalhadores portuários gregos, por exemplo, ou uma mensagem que enviamos em resposta, tem frequentemente mais impacto nos membros das bases do que uma carta cuidadosamente redigida enviada a uma embaixada. Idealmente, deve trabalhar-se em ambos os níveis.

De forma mais ampla, penso que o movimento sindical precisa de compreender claramente que os direitos sindicais assentam nos direitos humanos e nas liberdades civis. Não se pode separar os dois. Não se pode permanecer passivo enquanto a liberdade de expressão, os julgamentos justos ou as proteções legais básicas estão a ser desmantelados e esperar que os direitos sindicais, de alguma forma, sobrevivam por si próprios.

Se nenhum princípio for considerado sagrado, se tudo se tornar negociável, então os direitos sindicais são apenas palavras no papel e podem ser facilmente retirados. Já vimos este padrão repetidamente: primeiro, os direitos são retirados aos migrantes, aos requerentes de asilo ou às minorias impopulares; depois, os direitos de protestar ou de se expressar livremente são restringidos; e, por fim, o direito à greve e à organização é atacado.

Se os sindicatos se posicionarem como se estivessem preocupados apenas com salários, contratos e regras no local de trabalho, mantendo-se à margem enquanto outros direitos são erodidos, ficaremos sem aliados quando chegar a nossa vez. E quando os direitos humanos forem desrespeitados em geral, os direitos sindicais também não sobreviverão.

Artem Tidva: Concordo plenamente. Muitos direitos já estão consagrados nas constituições, mas só permanecem garantidos se forem ativamente exercidos. Na sua opinião, quais são as sanções mais eficazes contra aqueles que desencadeiam guerras sangrentas?

Erik Helgeson: Se olharmos para a história, a classe trabalhadora sempre encontrou formas de resistir à guerra. Estes métodos não são novos, mas precisam de ser adaptados ao mundo atual. Ainda assim, a forma mais eficaz de pôr fim às guerras, às ocupações injustas e às invasões é a ação coletiva da classe trabalhadora. É assim que o fazemos. Quando os trabalhadores se recusam a cooperar, quando nos recusamos a financiar, transportar ou manusear carga, armas ou outros bens que sustentam a guerra, podemos ter um impacto real. É assim que a classe trabalhadora ajudou a impedir várias guerras injustas no passado e evitou mais massacres de civis.

Temos de ser honestos também: já falhámos muitas vezes. As ações de solidariedade nem sempre são bem-sucedidas. Mas isso não significa que sejam inúteis. Podem funcionar. E, em última análise, têm de funcionar. O mundo não está a caminhar para um futuro mais pacífico neste momento; está a caminhar para uma instabilidade e um perigo crescentes.

O que se está a viver na Ucrânia, o que os Palestinianos estão a passar e o que muitas outras pessoas em todo o mundo já sentem não são situações isoladas. Se os trabalhadores não agirem coletivamente para resistir à guerra e ao militarismo, estas realidades só irão alastrar.


Erik Helgeson é vice-presidente nacional do Sindicato dos Trabalhadores Portuários da Suécia. Organizador sindical militante, foi despedido do seu emprego no porto na sequência da sua participação ativa em bloqueios contra navios pertencentes a companhias de navegação russas e israelitas. Entretanto, como noticiado no último Maio, e em consequência da luta dos estivadores, já foi reintegrado.

Artem Tidva é um socialista ucraniano, membro do Movimento Social e um jovem ativista sindical. É ex-editor da revista Commons.


Tradução de Octávio Lima.

categoria-internacional Estivadores Solidariedade Suécia edicao-2026-04-23 (24)

Três excelentes notícias do Sindicato dos Estivadores da Suécia

Erik Helgeson, vice-presidente do Sindicato dos Estivadores despedido alegadamente por ter dirigido o bloqueio imposto pelo sindicato ao manuseamento de armas com destino a e provenientes de Israel durante o ataque a Gaza está de novo a trabalhar nas docas. Os estivadores angariaram fundos para o apoiar e demonstraram a existência de um plano patronal de ataque a ele e a outros dirigentes sindicais para os pôr numa lista negra e impedi-los de se candidatar a eleições sindicais.

→ A campanha de angariação de fundos para ajudar o sindicato a manter no cargo o vice-presidente nacional demitido, Erik Helgeson, é um enorme sucesso. Graças ao forte apoio da comunidade internacional dos estivadores e da população sueca, o SDU recebeu até agora cerca de 48 000 euros. Com isto, os empregadores portuários vão ter de se haver diariamente com o nosso representante eleito, Erik, por muito tempo.

→ O Sindicato dos Estivadores da Suécia está agora em condições de provar que o despedimento de Erik não foi motivado pelo bloqueio, legal, imposto pelo sindicato ao manuseamento de armas com destino a e provenientes de Israel durante o ataque a Gaza. O Tribunal do Trabalho sueco foi informado de que o ataque ao SDU em geral, e a Erik em particular, estava, de facto, planeado pelo Terminal RoRo de Gotemburgo, propriedade da DFDS, e pela APM Terminals de Gotemburgo desde 2023.


O ataque ao sindicato em geral, e a Erik em particular, estava planeado pelo Terminal RoRo de Gotemburgo, propriedade da DFDS, e pela APM Terminals de Gotemburgo desde 2023.

→ O plano anti-sindical dos empregadores passava por colocar Erik numa lista negra para trabalho em docas suecas, impedindo-o de se candidatar a futuras eleições sindicais. As empresas até se deram ao trabalho de estudar os estatutos do SDU, concluindo que lhe seria impossível ser reeleito se já não tivesse actividade na profissão.

Essa parte do plano falhou. Erik está outra vez a trabalhar nas docas, noutro porto, depois de ter passado em todas as verificações de segurança necessárias.

categoria-opinião Estivadores Mariano Sindicalismo edicao-2026-01-29 (13)

Até sempre, Mariano!

Na morte de António Mariano, que presidiu ao Sindicato dos Estivadores e à frente deste travou grandes lutas contra a precariedade, com vitórias e derrotas, Raquel Varela recorda o amigo e companheiro de algumas dessas batalhas.

Morreu o meu amigo e ex-presidente do Sindicato dos Estivadores, António Mariano. Este é um texto muito difícil para mim. Porque cruza-se com as feridas de Portugal. Com as nossas glórias e derrotas, como país, questiona o movimento sindical, como um todo e também, imaginem, ilumina a greve geral de 23 de janeiro em Minneapolis, a primeira nos EUA desde 1946, contra o ICE.

Conhecemo-nos no British Bar em Lisboa, quando ainda se podia conspirar aí. Os estivadores faziam então um tipo de greve genial que eu só conhecia como historiadora, nunca tinha visto na realidade: “paramos se entrar aqui algum precário.” Todos os que entram têm de ter contrato. Contrastava com o sindicalismo pós 1980: “somos contra a precariedade, mas assinamos, podem vir os precários desde que para os mais velhos os direitos se mantenham”. Este é o resumo brutal do sindicalismo português desde 1980.

Queixam-se, mas assinam. E assinam lixar os mais novos. Lixando-se a si próprios. Porque isso destrói as relações sociais como um todo, a segurança social, etc. Por isso, hoje, num local de trabalho há dez pessoas que fazem o mesmo, todas com condições de trabalho distintas. Veja-se agora o silêncio, espero que por desconhecimento, perante a aprovação pela AD de que os novos professores serão todos precários.

Foram os estivadores que fizeram a manifestação “Precariedade nem para nós nem para ninguém”. Um cartaz lindo do Pedro Páscoa e essa palavra de ordem, que tanto debatemos. O Mariano olhava a classe trabalhadora como um todo. E pensava como um homem político. Tudo é política.

Quando lhe perguntaram até onde iriam os estivadores, ele respondeu, com a calma que o caracterizava: “Até o governo cair.” Foi aí que eu vi aquilo e liguei-lhe. Marcámos encontro no British, com uma cerveja branca. Não nos conhecíamos pessoalmente, sabíamos da existência um do outro. Selámos um pacto que cumprimos: dizer sempre a verdade.

Pouco depois, ele deu-me um presente de luxo. Pediu-me para explicar, numa reunião no sindicato internacional dos estivadores no Reino Unido, como a precariedade, se avançasse em Lisboa, ia contaminar todos os portos. Aprovada aqui, passariam para Algeciras, dizendo que se Algeciras não cumprisse iam para Lisboa, Tânger, Barcelona, até chegar a Gotemburgo. Eu estava cheia de febre com uma amigdalite, mas meti-me no avião com ele, aterrámos na reunião. Ele falou, determinado, sabia para onde ia e como ia, e tinha uma base organizada em plenários regulares, era essa a sua força. Falei eu a seguir, algumas perguntas e o John Harrison, um gigante do afeto e da luta, estivador dinamarquês, pede a palavra: “Nós, estivadores dinamarqueses, queremos bloquear as cargas para Lisboa. Por nós, podemos já passar à votação”, dito naquele estilo dele, não me tirem mais tempo. O John é daqueles que quando teve de ir ao diálogo social em Bruxelas, que ele é contra, sai e fica a beber cervejas. Eu vi o Mariano e o John, e pensei: “Agora os livros que li ganharam vida, eles existem.”

Esta foi a única greve europeia de solidariedade na crise de 2008. Fizemos história com ele, Mariano. Teve lugar, os patrões cederam um dia depois. Tínhamos vencido. Era o internacionalismo operário.

Seria impossível contar-vos aqui todos os momentos por que passámos. Eu ouvia-o fascinada. Ele ouvia-me com respeito, e pensava muito. Tínhamos reuniões de debate político, em torno de uma revista, a Rubra, porque ele “queria perceber o que se estava a passar no país”. Não era figura pública, era muito melhor, era um organizador coletivo.

Foi assim que eles prepararam a batalha de Setúbal. Durante meses reuniram em plenário com os precários, fizeram um fundo de greve dos fixos para os precários, e quando entraram em greve, venceram. Na altura estive lá, dias e noites, ajudando, orgulhosa, solidária.

O melhor, lamento, não posso contar. Porque, como sabem, há um Estado e uma lei, e os estivadores sabiam que o Estado e a lei eram seus inimigos.

Foi por inspiração desse trabalho coletivo, de que o Mariano era o organizador chave, que nasceram sindicatos independentes combativos – porque ele percebia que os estivadores sozinhos seriam derrotados. Solidário com professores, motoristas, enfermeiros, AutoEuropa, quantas horas e horas dedicámos a isso, entre eles o Carlos Renato Teixeira e tantos de nós, dezenas de nós, em tantos sectores, eles eram um exemplo de solidariedade real (fundos de greve entre fixos e precários), democracia real (plenários regulares sem manipulações administrativas e, claro, garra. Em vez do queixume. Sujeitos e não vítimas.

Éramos amigos, fizemos tantas patuscadas, ele era um grande cozinheiro – o que, já se sabe, é logo uma razão para a morte ser proibida; era um homem radicalmente honesto, reflexivo.

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Os estivadores foram derrotados em 2020. E a sua derrota foi a nossa, porque ele tinha sido a chave da organização de um sindicalismo que fazia lembrar o PREC e o socialismo de Antero. E quando eles, estivadores, foram derrotados – com uma estratégia de luta da qual discordei, e nunca em momento algum a nossa amizade se perdeu por isso –, no primeiro dia do estado de emergência da Covid, tive de lutar contra o desânimo.

Quando no Governo da Geringonça vi que as greves iam diminuindo e aumentando as “audições parlamentares”, quando Pedro Nuno Santos aparecia como o tipo porreiro “preocupado com os estivadores”, e já o Chega espreitava, os salários tinham caído com a Troika e a Mota Engil tinha ido ganhar mais para a ferrovia, e uns “turcos” tinham comprado a concessão do porto, aí começou o que fizeram na Lisnave: salários em atraso. Assim é a burguesia delicada. À facada.

Eu disse o que pensava: isto só vai lá com greves, sem audições parlamentares que não servem para nada, é preciso exigir a nacionalização dos portos e emprego público. Essa deve ser a estratégia. Nenhuma luta coletiva se ganha em tribunal.

O governo da Geringonça não está junto de quem trabalha, os de direita muito menos. A esquerda entreteve o caso no parlamento. A extrema-direita quer – em vez da força solidária dos estivadores com os precários – a violência contra os mais frágeis. Contra a luta comum de todos, os fascistas e neonazis semeiam armas, o ódio contra imigrantes e precários. Estão ao serviço dos patrões.

Sem qualquer apoio real de qualquer outro grande sindicato, com meses de salários em atraso, o Governo de Costa aprova um estado de emergência que no primeiro dia da Covid proíbe as greves, e nesse mesmo dia os estivadores de Lisboa veem o acesso ao porto bloqueado com uma carta de despedimento coletivo. As medidas de saúde podiam ter sido feitas ao abrigo da lei de saúde pública, mas Costa escolheu uma que proibia a greve em pleno pânico nacional (e assim derrotava os estivadores que queriam ter salários seguros e decentes). Costa, o homem da guerra, que ganha 35 mil euros/mês.

Depois desta derrota, o meu irredutível apoio aos estivadores e contra o estado de exceção foi a real razão, junto com a minha contratação na universidade, de uma campanha negra de um jornal dito de referência e mais uns membros da Geringonça na universidade, hoje em cargos de direção a gerir força de trabalho. Entrei num longo período de silêncio público sobre a derrota dos estivadores. Não falei nunca dessa derrota, porque senti que as circunstâncias que recaíam sobre eles eram esmagadoras.

Pode parecer exagero, porque as derrotas contam, mas morreu o maior dirigente sindical português desde os anos 1980.

Fiz uma reflexão política pessoal, que me levou a escrever um livro. Nesse livro, que escrevi com o meu marido e companheiro intelectual, respondia ao desafio do meu marido, Roberto della Santa: “tens de submeter à teoria da história o teu coração sindicalista revolucionário, o que aconteceu estava escrito que ia acontecer". Ele escreveu o livro a pensar na formação social em que vivemos, contra as ideias de um país que teria 900 anos, eu fiz a psicanálise do sindicalismo português, foi um empreendimento amoroso a nossa Breve História de Portugal. Concluímos que a burguesia portuguesa não existe hoje, e que a crise de direção política dos trabalhadores passa justamente pela ausência de estratégia política. Foi assim no PREC e foi assim no século XIX.

Sem uma coordenação política das lutas (um ou mais partidos, ou organizações) nos locais de trabalho que pensem politicamente o país, todas as greves, mesmo as mais radicais e combativas, serão derrotadas. Tanto que o sindicato internacional dos estivadores dividiu-se em dois, o europeu que mantém o espírito, e o dirigido pelos americanos da costa leste, que apoiam Trump!

O Mariano, quando começou a greve em Inglaterra em 1997 de fixos com precários, conheceu os dirigentes estivadores sindicalistas revolucionários da Suécia, o Peter, e trotskistas dos EUA e da Austrália, como o Bob Carnegie e o Jack Heyman. Este último começou a lutar contra a guerra do Vietname e bloqueou os portos contra a guerra do Iraque. E que romperam com a todo-poderosa Internacional Transport Federation, a burocracia sindical mundial que manda nos transportes, entre eles nos portos de Hamburgo e Roterdão. São uma âncora do capitalismo.

O Mariano ficou fascinado com o filme do Ken Loach sobre essa greve, A Chama Ardente. O Mariano era o regresso do espírito de Antero, na sua dupla dimensão, um olhar radical para a sua classe trabalhadora, mas ainda assim demasiado longe da política. Faltaram ainda mais uns pozinhos de política para não sermos derrotados.

A vida dele – estive lá, com eles, em São Francisco ou Brisbane, na Austrália – é a dos homens que embargaram as armas contra o apartheid, pararam contra a invasão do Iraque e o genocídio em Gaza. A vida dele esteve entrelaçada com a esperança que nasceu de um novo sindicalismo solidário, político e combativo em Portugal. E com períodos de luta contra a guerra e o capitalismo. Cujas armas e peças de drones circulam pelos contentores que eles descarregam. E também que eles podem parar.

Podia dizer que o Mariano foi um homem e as suas circunstâncias. A verdade é que ele foi além das circunstâncias. Pode parecer exagero, porque as derrotas contam, mas morreu o maior dirigente sindical português desde os anos 1980. Ele trouxe-nos a organização real entre a classe trabalhadora, ele empenhou-se nisso a sério, ele deu-nos esperança. Até sempre, companheiro!

categoria-internacional Estivadores Palestina edicao-2025-10-16 (01)

Estivadores suecos bloqueiam comércio de armas com Israel

Sindicato dos Estivadores (SDU) sueco não se deixará abater nem pela difamação nem por exaustivos processos judiciais. Nenhuma compensação ou ajuste que não inclua o regresso ao trabalho no cais do seu porta-voz Erik Helgeson será aceite.

O Sindicato dos Estivadores (SDU) sueco reafirmou o seu compromisso de acabar com o comércio de material militar com Israel. O Tribunal do Trabalho escuta, entretanto, as alegações iniciais relativas ao despedimento do porta-voz nacional do sindicato, Erik Helgeson.

Em dezembro do ano passado, o Sindicato dos Estivadores sueco organizou um referendo sobre uma acção sindical de embargo do transporte por portos suecos de material militar de e para Israel. 68% dos sindicalizados de todo o país votaram a favor de avançar com o protesto, em solidariedade com a população civil palestiniana de Gaza e da Cisjordânia.

A acção do sindicato foi ferozmente contestada pelos empregadores portuários tanto na comunicação social como junto do Tribunal do Trabalho sueco. O sindicato avançou na mesma. Em fevereiro, o Tribunal do Trabalho concluiu pela legalidade da acção de solidariedade, que se poderia desenrolar nos termos planeados.

No entanto, no próprio dia do veredicto, o porta-voz do sindicato e vice-presidente nacional, Erik Helgeson, foi despedido pelo seu empregador, o Terminal Roro (de embarque e desembarque rolante) de Gotemburgo, cujo proprietário é a DFDS. O empregador notificou o despedimento em comunicado de imprensa em que referia preocupações de “segurança nacional”.

Esta semana, oito meses depois de defender em tribunal a acção solidária do sindicato, Helgeson voltou ao Tribunal do Trabalho de Estocolmo. Estava em causa, desta vez, o seu próprio despedimento ilegal. Era a primeira audição do caso, que se prevê arrastar-se até ao segundo semestre de 2026.

Na segunda-feira, dirigindo-se a apoiantes à porta do tribunal, Helgeson reafirmou que o sindicato se manterá firme.

* Nunca os empregadores irão ditar quem há-de poder falar pelo SDU. Numa democracia digna desse nome, tal decisão cabe exclusivamente aos estivadores sindicalizados.

* O SDU não se coibirá de manifestar solidariedade com outros trabalhadores sujeitos a injustiças. Atacar os nossos representantes eleitos não nos silenciará. A decisão dos sindicalizados de estarem solidários com a classe trabalhadora palestiniana mantém-se.

* É uma vergonha que o Estado sueco esteja, na realidade, a aumentar as suas importações de material militar de Israel quando 20 mil crianças palestinianas foram mortas na ofensiva contra Gaza. De acordo com a organização Save The Children, é o equivalente a uma criança morta por hora ao longo dos últimos 23 meses. O comércio de material militar com Israel tem de acabar.

* O SDU não se deixará abater nem pela difamação nem por exaustivos processos judiciais. Nenhuma compensação ou ajuste que não inclua o regresso de Erik ao trabalho no cais será aceite.

Sindicatos de estivadores de seis países anunciam jornada de greve
Trabalhadores portuários contra as guerras da Rússia e de Israel
Três excelentes notícias do Sindicato dos Estivadores da Suécia
Até sempre, Mariano!
Estivadores suecos bloqueiam comércio de armas com Israel
Sindicatos de estivadores de seis países anunciam jornada de greve
categoria-internacional Estivadores Gaza Genocídio Greve Guerra edicao-2026-09-10 (40)

Sindicatos de estivadores de seis países anunciam jornada de greve

Sindicatos representativos de operários de quarenta portos da Europa e do Mediterrâneo apelam a jornada de luta internacional contra a guerra e o genocídio no dia 30 de Outubro.

Sarah Lazare
Trabalhadores portuários contra as guerras da Rússia e de Israel
categoria-internacional Boicote Estivadores Guerra Suécia edicao-2026-04-30 (25)

Trabalhadores portuários contra as guerras da Rússia e de Israel

Na Suécia, os trabalhadores boicotaram navios russos em resposta à invasão da Ucrânia e, posteriormente, fizeram o mesmo em relação ao comércio de armas de Israel. A sua ação demonstra o poder da solidariedade da classe trabalhadora contra o militarismo.

Raquel Varela, Erik Helgeson
Três excelentes notícias do Sindicato dos Estivadores da Suécia
categoria-internacional Estivadores Solidariedade Suécia edicao-2026-04-23 (24)

Três excelentes notícias do Sindicato dos Estivadores da Suécia

Erik Helgeson, vice-presidente do Sindicato dos Estivadores despedido alegadamente por ter dirigido o bloqueio imposto pelo sindicato ao manuseamento de armas com destino a e provenientes de Israel durante o ataque a Gaza está de novo a trabalhar nas docas.

Jornal Maio
Até sempre, Mariano! Raquel Varela
categoria-opinião Estivadores Mariano Sindicalismo edicao-2026-01-29 (13)

Até sempre, Mariano!

Na morte de António Mariano, que presidiu ao Sindicato dos Estivadores e à frente deste travou grandes lutas contra a precariedade, com vitórias e derrotas, Raquel Varela recorda o amigo e companheiro de algumas dessas batalhas.

Raquel Varela
Estivadores suecos bloqueiam comércio de armas com Israel
categoria-internacional Estivadores Palestina edicao-2025-10-16 (01)

Estivadores suecos bloqueiam comércio de armas com Israel

O Sindicato dos Estivadores (SDU) sueco não se deixará abater nem pela difamação nem por exaustivos processos judiciais. ...

Jornal Maio

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