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Verdade
categoria-um poema edicao-2026-01-08 (10)

Verdade

A porta da verdade estava aberta, mas só deixava passar meia pessoa de cada vez. Assim não era possível atingir toda a verdade, porque a meia pessoa que entrava só trazia o perfil de meia verdade. E sua segunda metade voltava igualmente com meio perfil. E os dois meios perfis

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Extração​
categoria-dicionário da novilíngua edicao-2026-01-08 (10)

Extração​

Segundo o dicionário da Porto Editora, eis as principais correspondências deste nome feminino: 1. ato ou efeito de extrair, de tirar; 2. Arrancamento; 3. operação cirúrgica para remoção de um órgão ou de um objeto estranho que se tenha alojado no corpo; 4. Sorteio. Em termos militares também se vulgarizou

Jornal Maio
Nada diz mais de nós que a nossa casa.
categoria-crónica Maria Augusta Tavares edicao-2026-01-08 (10)

Nada diz mais de nós que a nossa casa.

Para o padrão da classe média brasileira eu moro numa casa pequena. Casa de solteira: sem quarto de hóspede. Um lugar bonito, colorido, acolhedor, cheio de personalidade. Pensado, planejado, devia estar pronto, acabado, uma vez que já vão cinco anos dessa nossa história. Não exatamente. Para ser precisa, metade Intermares¹

Maria Augusta Tavares
Ao lado da Venezuela, contra a agressão de Trump
categoria-editorial edicao-2026-01-08 (10)

Ao lado da Venezuela, contra a agressão de Trump

A agressão militar e captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, pelos Estados Unidos é um crime e um ato de guerra e deve ser repudiado e condenado como tal.

Joana
Premissas económicas para a paz
categoria-internacional Guerra Rússia edicao-2026-01-08 (10)

Premissas económicas para a paz

Ao avaliar, no final de 2025, a situação económica na Rússia, Ekaterina Shulman, considerada agente do estrangeiro, sugeriu que o país estava a ficar sem dinheiro e sem pessoas. E, de facto, tudo indica que alguma coisa está a acabar. Mas o dinheiro não é com certeza. Ao Estado nunca se acaba o dinh

Boris Kagarlitski
O inimigo dentro de portas
categoria-dossier: Guerra e resistência Guerra Rússia União Europeia Venezuela edicao-2026-01-08 (10)

O inimigo dentro de portas

A EU, em conivência com Zelenski, faz campanha não só para continuar a guerra, mas para a intensificar e alargar com a entrada direta dos países europeus, e, pelo menos parcialmente, da NATO.

Viriato Soromenho-Marques
Retrocesso laboral em 2026: Uma reforma sem justificação que divide Portugal
categoria-voz dos sindicatos Código do Trabalho Pacote Laboral Precariedade edicao-2026-01-08 (10)

Retrocesso laboral em 2026: Uma reforma sem justificação que divide Portugal

O ano de 2025 encerrou com uma contestação generalizada ao novo pacote laboral do Governo. Economistas, antigos governantes e sindicatos unem-se num coro de críticas, classificando as alterações ao Código do Trabalho como um risco desnecessário para a estabilidade social e económica do país.

Luís Bravo
Greve da Manutenção da CP no Metro do Porto
categoria-voz dos sindicatos Ferroviarios Privatização edicao-2026-01-08 (10)

Greve da Manutenção da CP no Metro do Porto

Entre 8 e 22 de janeiro, o STMEFE – Sindicato dos Trabalhadores do Metro e Ferroviários decretou nova greve parcial por turnos.

Bruno Oliveira
Da destruição das máquinas ao sindicalismo
categoria-história Ludismo Sindicatos edicao-2026-01-08 (10)

Da destruição das máquinas ao sindicalismo

Na década de 1830, os trabalhadores ingleses organizaram os primeiros sindicatos (trade unions) sob a forma de associações de base local, ou por ofício, para obter melhores condições de trabalho e de vida.

Osvaldo Coggiola
Luís Portilheiro, o desejável
categoria-opinião Autarca Chega edicao-2026-01-08 (10)

Luís Portilheiro, o desejável

Candidato do Chega à União das Freguesias de Sé e São Lourenço em Portalegre, este alentejano acalorado mostrou-se uns dias antes das autárquicas muito despido, mostrando o rabo e simulando fazer sexo com outro homem.

Manuel da Silva Ramos
Portugal e estas eleições, ou um país doente
categoria-opinião Legislação laboral Motoristas edicao-2026-01-08 (10)

Portugal e estas eleições, ou um país doente

Vivemos, argumenta o autor, “o momento mais sério e perigoso dos últimos 50 anos” porque “os Portugueses só obedecem a uma lei: ao seu individualismo, ao seu egoísmo primário”.

António Carlos Cortez
Vinho de talha, património milenar
categoria-património Alentejo Vinho edicao-2026-01-08 (10)

Vinho de talha, património milenar

Com este texto de Eduardo M. Raposo, o Maio inaugura uma secção sobre Património.

Eduardo M. Raposo
Verdade
categoria-um poema edicao-2026-01-08 (10)

Verdade

A porta da verdade estava aberta, mas só deixava passar meia pessoa de cada vez. Assim não era possível atingir toda a verdade, porque a meia pessoa que entrava só trazia o perfil de meia verdade. E sua segunda metade voltava igualmente com meio perfil. E os dois meios perfis

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Extração​
categoria-dicionário da novilíngua edicao-2026-01-08 (10)

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Segundo o dicionário da Porto Editora, eis as principais correspondências deste nome feminino: 1. ato ou efeito de extrair, de tirar; 2. Arrancamento; 3. operação cirúrgica para remoção de um órgão ou de um objeto estranho que se tenha alojado no corpo; 4. Sorteio. Em termos militares também se vulgarizou

Jornal Maio
Nada diz mais de nós que a nossa casa.
categoria-crónica Maria Augusta Tavares edicao-2026-01-08 (10)

Nada diz mais de nós que a nossa casa.

Para o padrão da classe média brasileira eu moro numa casa pequena. Casa de solteira: sem quarto de hóspede. Um lugar bonito, colorido, acolhedor, cheio de personalidade. Pensado, planejado, devia estar pronto, acabado, uma vez que já vão cinco anos dessa nossa história. Não exatamente. Para ser precisa, metade Intermares¹

Maria Augusta Tavares
Ao lado da Venezuela, contra a agressão de Trump
categoria-editorial edicao-2026-01-08 (10)

Ao lado da Venezuela, contra a agressão de Trump

A agressão militar e captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, pelos Estados Unidos é um crime e um ato de guerra e deve ser repudiado e condenado como tal.

Joana
Premissas económicas para a paz
categoria-internacional Guerra Rússia edicao-2026-01-08 (10)

Premissas económicas para a paz

Ao avaliar, no final de 2025, a situação económica na Rússia, Ekaterina Shulman, considerada agente do estrangeiro, sugeriu que o país estava a ficar sem dinheiro e sem pessoas. E, de facto, tudo indica que alguma coisa está a acabar. Mas o dinheiro não é com certeza. Ao Estado nunca se acaba o dinh

Boris Kagarlitski
O inimigo dentro de portas
categoria-dossier: Guerra e resistência Guerra Rússia União Europeia Venezuela edicao-2026-01-08 (10)

O inimigo dentro de portas

A EU, em conivência com Zelenski, faz campanha não só para continuar a guerra, mas para a intensificar e alargar com a entrada direta dos países europeus, e, pelo menos parcialmente, da NATO.

Viriato Soromenho-Marques
Guerra e resistência
categoria-dossier edicao-2026-01-08 (10)

Guerra e resistência

O dossiê deste número do Maio é dedicado à guerra e à resistência a ela pelos povos, com textos sobre a Ucrânia e a Venezuela, sobre a nova “Estratégia de Segurança Nacional” norte-americana, a falência da União Europeia, a resistência da juventude alemã à reintrodução do serviço militar obrigatório

Jornal Maio
Retrocesso laboral em 2026: Uma reforma sem justificação que divide Portugal
categoria-voz dos sindicatos Código do Trabalho Pacote Laboral Precariedade edicao-2026-01-08 (10)

Retrocesso laboral em 2026: Uma reforma sem justificação que divide Portugal

O ano de 2025 encerrou com uma contestação generalizada ao novo pacote laboral do Governo. Economistas, antigos governantes e sindicatos unem-se num coro de críticas, classificando as alterações ao Código do Trabalho como um risco desnecessário para a estabilidade social e económica do país.

Luís Bravo
Greve da Manutenção da CP no Metro do Porto
categoria-voz dos sindicatos Ferroviarios Privatização edicao-2026-01-08 (10)

Greve da Manutenção da CP no Metro do Porto

Entre 8 e 22 de janeiro, o STMEFE – Sindicato dos Trabalhadores do Metro e Ferroviários decretou nova greve parcial por turnos.

Bruno Oliveira
Da destruição das máquinas ao sindicalismo
categoria-história Ludismo Sindicatos edicao-2026-01-08 (10)

Da destruição das máquinas ao sindicalismo

Na década de 1830, os trabalhadores ingleses organizaram os primeiros sindicatos (trade unions) sob a forma de associações de base local, ou por ofício, para obter melhores condições de trabalho e de vida.

Osvaldo Coggiola
Luís Portilheiro, o desejável
categoria-opinião Autarca Chega edicao-2026-01-08 (10)

Luís Portilheiro, o desejável

Candidato do Chega à União das Freguesias de Sé e São Lourenço em Portalegre, este alentejano acalorado mostrou-se uns dias antes das autárquicas muito despido, mostrando o rabo e simulando fazer sexo com outro homem.

Manuel da Silva Ramos
categoria-um poema edicao-2026-01-08 (10)

Verdade

A porta da verdade estava aberta,
mas só deixava passar
meia pessoa de cada vez.

Assim não era possível atingir toda a verdade,
porque a meia pessoa que entrava
só trazia o perfil de meia verdade.

E sua segunda metade
voltava igualmente com meio perfil.
E os dois meios perfis não coincidiam.

Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
Chegaram a um lugar luminoso
onde a verdade esplendia seus fogos.
Era dividida em duas metades,
diferentes uma da outra.

Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
As duas eram totalmente belas.
Mas carecia optar. Cada um optou conforme
seu capricho, sua ilusão, sua miopia.

Carlos Drummond de Andrade
Poesia completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2002

categoria-dicionário da novilíngua edicao-2026-01-08 (10)

Extração​

Segundo o dicionário da Porto Editora, eis as principais correspondências deste nome feminino: 1. ato ou efeito de extrair, de tirar; 2. Arrancamento; 3. operação cirúrgica para remoção de um órgão ou de um objeto estranho que se tenha alojado no corpo; 4. Sorteio. Em termos militares também se vulgarizou para designar a saída planeada ou forçada de militares de uma área de operações.

EM NOVILÍNGUA:

O rapto do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelos EUA começou por ser designado por este termo neutro, extração. Também foram usados termos como captura, ou, em inglês, seizing. Terá havido indicações de certos meios de comunicação para usar captura, ou seizing, mas nunca rapto ou sequestro. Também assim se molda a “opinião pública”. ASP

categoria-crónica Maria Augusta Tavares edicao-2026-01-08 (10)

Nada diz mais de nós que a nossa casa.

Para o padrão da classe média brasileira eu moro numa casa pequena. Casa de solteira: sem quarto de hóspede. Um lugar bonito, colorido, acolhedor, cheio de personalidade. Pensado, planejado, devia estar pronto, acabado, uma vez que já vão cinco anos dessa nossa história. Não exatamente. Para ser precisa, metade Intermares¹ metade Paço de Arcos, portanto, dois anos e meio. Moro sozinha, sou cuidadosa. É raro alguma coisa ser danificada. E quando a obsolescência planejada atua, imediatamente conserto ou substituo o produto. Então, por que não raro, malgrado o pequeno espaço, está sempre a surgir a necessidade de um novo item? Consumismo? Compensação?

Tenho pensado sobre essa “necessidade”. Na busca por resposta, socorri-me dos mais belos versos que conheço sobre a casa, a nossa casa².

Eu não saberia dizer quantas vezes já reli esse precioso livrinho que tem por objeto a casa. Com muito gosto, eu o transcreveria inteiro, porque todo ele é poesia genuína. “Se você deseja com seu coração ou se é com seu sonho – sua solidão – o que mais almeja, se é com seu corpo e sua peleja que realmente quer fazer sua casa, não importa a forma que ela possa ter, pois a casa é para ser sentida, para ser vivida, para ser amada e ser possuída, não para se ver.”

O poeta está a nos dizer que a casa é uma coisa viva. Nas suas palavras, tudo na casa é levitação, magia, sonho. A casa sente, a casa escuta, a casa se comove. A casa não é apenas morada. Embora, em termos objetivos, eu viva dentro dela, a minha casa vive dentro de mim. Ela me espera, ela me revela e nada diz mais de mim que a minha casa.

Lembro de ter passado uns dias em Santiago do Chile, onde fui hóspede de uma velha senhora, talvez menos velha do que eu, hoje, registro que faço, porque só agora posso comparar a casa dela à minha, para concluir por uma diferença fundamental entre ela e eu. Nas fotos – havia muitas espalhadas por toda a casa –, os figurinos exibidos pelas pessoas e os lugares ao fundo permitiam supor que ela pertencera a uma classe social abastada. A culinária também indicava gosto refinado. Uma alcachofra assada com ervas, que me foi servida por ocasião da minha chegada, era, ao mesmo tempo, simples e elegante. Não havia dúvida que a prática de alugar um quarto em casa era recente. Em contraste com o passado que a casa me sugeria, chamava atenção o estado do fogão, da geladeira, dos pratos, das panelas, dos talheres.

A casa sente, a casa escuta, a casa se comove. A casa não é apenas morada.

Por mais empobrecida que ela estivesse, continuava morando num endereço de gente rica. No lugar dela, eu teria encontrado uma forma de eliminar a precariedade que a cozinha anunciava. Logo a cozinha, espaço de criatividade, merecia melhor tratamento. Não concebo a ideia de usar pratos rachados, com as bordas desgastadas, panelas com fundos descascados, talheres desemparelhados, toalha desbotada. Os alimentos devem ser servidos em pratos que os realcem. As bebidas, em copos adequados. A tessitura da magia que a casa guarda passa por essas escolhas. E não deve ser privilégio de rico. Há feiras de produtos usados em ótimo estado de conservação, onde pagamos uma ninharia para garantir a beleza da casa, se a mesma for prioridade.

Da mulher em si eu não lembro. Não lembro o nome dela ou como era o seu rosto. À época, ainda não havia celular para os registros fotográficos, que se tornaram quase obrigatórios. Mas nunca esqueci a situação precária daquela cozinha. O descaso com os objetos me fez pensar que aquela mulher estava à espera da morte. Eutanásia é um serviço caro, ela não o teria contratado. Portanto, ainda sem data para morrer. Os serviços funerários, cujo preço não faz jus ao propósito, mesmo que ela os tivesse antecipado, têm uso imprevisível. Enfim, ainda estava viva, tinha direito a fazer planos. Substituir aquelas velharias por peças novas podia dar alma nova à sua casa e, por extensão, a si mesma.

Quando eu substituo uma peça, seja um móvel ou um quadro na parede, quando troco a moldura da velha fotografia, até quando frito o ovo numa panela nova que não gruda, sorrio para a vida. Não é por consumismo que renovo a casa, mas porque namoro a novidade por alguns dias. À medida que as coisas se gastam, eu me gasto junto, porque eu e a casa nos doamos reciprocamente. Talvez por isso seja recorrente ouvir: “Sua casa tem a sua cara.” Afirmação que recebo como elogio. Ou, como diz um dos meus netos, “vovó mora em casa de boneca”. Ora, é um carinho que me vem através da casa, porque, simultaneamente, eu sou a casa e a boneca.

Sobretudo quando envelhecemos a casa é o nosso espaço privilegiado. É onde passamos a maior parte do nosso tempo. Se a vida importa, é imperativo que a nossa integração nesse espaço se dê pelo prazer, pelo pertencimento, para que nos doemos a ela por inteiro, sem queixas, sem autocomiseração. Nas palavras do poeta, essa inteireza equivale a “dar os nossos pés, dar nossos artelhos, dar as nossas pernas, dar nossos joelhos, dar os nossos sonhos, nossos pesadelos, dar as nossas coxas, dar o nosso sexo, os nossos adeuses e nossos amplexos, dar o nosso pelo e nossos apelos: dar nosso universo.”


  1. Paraíba, Brasil.
  2. LEÃO, Gonzaga. Casa somente canto, Casa somente palavra. Coleção Viventes das Alagoas, 1995.
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Ao lado da Venezuela, contra a agressão de Trump

A agressão militar e captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, pelos Estados Unidos é um crime e um ato de guerra e deve ser repudiado e condenado como tal.

Há anos, desde a sua primeira administração, que Donald Trump intervinha na Venezuela para pôr fim ao regime venezuelano encabeçado por Nicolás Maduro. Conspirou, promoveu atos terroristas, patrocinou golpes de Estado com a extrema-direita venezuelana, mas falhou sempre.

Voltou à carga nos últimos meses. Concentrou enormes meios militares ao largo da Venezuela, encerrou o seu espaço aéreo, capturou petroleiros venezuelanos e matou mais de 150 pessoas ao atacar navios civis. Sem quaisquer provas e mentindo descaradamente, acusou Maduro de encabeçar um cartel de tráfico de droga.

A agressão ordenada por Trump não é apenas ilegal à luz do Direito Internacional. Também subverte a própria ordem constitucional dos Estados Unidos ao ter sido ordenada sem autorização do Congresso, o que é mais um passo na transformação do regime político norte-americano numa tirania em que o chefe de Estado tudo pode e manda.

Independentemente da opinião que se tenha sobre o regime de Maduro, todos sabemos que a “oposição” encabeçada pela extrema-direita e financiada pelos EUA promete não a “democracia”, mas miséria e espoliação das riquezas do país impostas pela força das armas norte-americanas. “Vamos mandar no país” (we are going to run the country) e “as nossas empresas petrolíferas vão para lá”, disse Trump sem rodeios no seu discurso de 3 de janeiro de 2026.

Não é a democracia venezuelana que está em causa para os Estados Unidos (nem para a União Europeia). Nunca esteve. O que está verdadeiramente em causa são os recursos naturais (petróleo, gás e minerais raros) venezuelanos e a proximidade do regime de Maduro à Rússia e à China. É a disputa geopolítica mundial e de recursos, o imperialismo, antes do grande choque geopolítico.

O Maio apoia a resistência do povo venezuelano e dos povos latino-americanos à agressão norte-americana e ao intento, hoje afirmado por Trump de recuperar e ultrapassar a “doutrina Monroe”, que trata toda a América Latina como o “quintal das traseiras” dos EUA. Apelamos ao boicote de todas as compras e vendas de armas com os Estados Unidos por parte de Portugal e de toda a União Europeia.

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Premissas económicas para a paz

НАСТОЯЩИЙ МАТЕРИАЛ (ИНФОРМАЦИЯ) ПРОИЗВЕДЕН И (ИЛИ) РАСПРОСТРАНЕН ИНОСТРАННЫМ АГЕНТОМ КАГАРЛИЦКИМ БОРИСОМ ЮЛЬЕВИЧЕМ ЛИБО КАСАЕТСЯ ДЕЯТЕЛЬНОСТИ ИНОСТРАННОГО АГЕНТА КАГАРЛИЦКОГО БОРИСА ЮЛЬЕВИЧА. 18+


(ESTE MATERIAL (INFORMATIVO) FOI PRODUZIDO E (OU) DIVULGADO PELO AGENTE DO ESTRANGEIRO BORIS IULEVICH KAGARLITSKI OU RELACIONA-SE COM ATIVIDADES DO AGENTE DO ESTRANGEIRO BORIS IULEVICH KAGARLITSKI. 18+)1

Ao avaliar, no final de 2025, a situação económica na Rússia, Ekaterina Shulman, considerada agente do estrangeiro, sugeriu que o país estava a ficar sem dinheiro e sem pessoas. E, de facto, tudo indica que alguma coisa está a acabar. Mas o dinheiro não é com certeza. Ao Estado nunca se acaba o dinheiro.

É uma particularidade do pensamento dos especialistas liberais tudo reduzirem ao dinheiro. Ora, o dinheiro não passa de um instrumento que ajuda a redistribuir outros recursos. Claro que, se irrefletidamente criado, ele deprecia-se. Sabemos de épocas em que até o ouro e a prata se desvalorizaram. Não obstante, a questão fundamental é: que recursos; e: como se distribuem eles através da despesa pública. Ora, esses recursos são sempre limitados (é nisso, aliás, que consiste a essência da economia, a ciência de trabalhar com recursos limitados), o eles acabarem é uma sua propriedade intrínseca.

As pessoas, a reserva de efetivos tanto para a guerra como para a produção, são também um recurso — e são um recurso extremamente limitado. Já lá vai, e há muito, o tempo em que se podia partir do princípio, tal como o fazia o oficial russo do século XVIII, de que “as mulheres parem mais”. Não são menores, porém, os problemas que, em tempo de guerra, se manifestam noutros recursos: metais, combustíveis, energia elétrica, capacidade ferroviária, equipamento que tende para a obsolescência e se desgasta, etc. O resultado de uma campanha militar depende, em boa medida, da forma como todos esses recursos são distribuídos.

O famoso economista soviético Y. V. Yaremenko fez notar, ao desenvolver a noção da economia multiníveis, que a diferença também está na qualidade dos recursos. Assim como o metal pode ser bom ou nem tanto, também os especialistas podem ser altamente qualificados ou não muito competentes. Na URSS, o complexo militar-industrial absorvia todos os melhores recursos de forma ilimitada. Os demais sectores da economia viam-se obrigados a compensar a falta de qualidade com quantidade. E quanto menor a prioridade do sector, pior a situação.


As pessoas, a reserva de efetivos tanto para a guerra como para a produção, são também um recurso — e são um recurso extremamente limitado

Voltando à questão dos recursos humanos, vê-se que, sendo esse o método, a produção civil começa a sofrer de uma escassez crónica de pessoal, mesmo que pareça haver gente suficiente. No fim de contas, os melhores especialistas são necessários precisamente onde faltam recursos e onde eles, com a sua inteligência, talento e experiência, podem corrigir a situação, imaginar maneiras de se desenvencilhar, inventar algo novo. Porém, passa-se exatamente o contrário. Com as melhores cabeças técnicas já concentradas na indústria militar, os restantes sectores têm de viver de migalhas.

O problema é que a crise crescente da produção civil começa a afetar a economia como um todo, espalhando-se de baixo para cima. Os trabalhadores do complexo militar-industrial também precisam de comprar roupa e ovos, de levar os filhos às creches e escolas, de se tratar nas clínicas, etc. Os dirigentes do país estão cientes do problema, mas é aí que surgem as dificuldades com o dinheiro. Verifica-se, no mais, que tais dificuldades são ainda maiores na economia de capitalismo de mercado russa do que eram na economia de planeamento administrativo da URSS.

Como já se disse, os economistas liberais — não sendo exceção os que trabalham para o Estado — veem todos os problemas como problemas monetários e resolvem-nos em consonância. Em condições “normais”, a coisa funciona mais ou menos, mas, em condições de crise, não. O que distingue, com efeito, as situações de crise é que, nelas, os métodos habituais não só não produzem o efeito esperado, como muitas vezes ainda agravam a situação. A própria especificidade da crise atual é que as autoridades económicas se preocupam (em total conformidade com a doutrina da gestão financeira) não só em cobrir o défice objetivo de recursos — que, no mais, não irá desaparecer — , injetando fundos adicionais, mas também em manter o financiamento de sectores e projetos prioritários, combinando-o com uma austeridade rigorosa e uma política fiscal ainda mais rigorosa, na tentativa de conter o aumento dos preços e equilibrar o orçamento. O principal resultado desta maneira de fazer é os desequilíbrios económicos e sociais intensificarem-se.

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A teoria monetária moderna (TMM) alternativa à teoria liberal clássica é muitíssimo mais tolerante com a impressão de dinheiro, não divisando grande desastre no aumento do défice orçamental — que, no final de 2025, já ultrapassava os quatro biliões de rublos. Um matiz importante é, contudo, que os teóricos da TMM propõem que o dinheiro adicional vá para onde há recursos inativos que, graças ao financiamento estatal, possam ser postos em movimento. Por exemplo, jazigos minerais conhecidos para os quais não há investidores. Ou um número grande de desempregados, que possam ser ocupados em trabalhos socialmente úteis. A situação em que nos encontramos é, porém, o contrário disto. O Banco Central e o Ministério das Finanças estão a pôr dinheiro não onde há potencial de recursos, mas onde já não há recursos disponíveis. Que não vão aparecer só por se aumentar o financiamento. O metal não se funde sozinho, e os soldados não crescem de debaixo da terra, por muito que a semeiem com dentes de dragão como fizeram os heróis do mito antigo.

Há, além disso, um outro recurso limitado: o tempo. Só Deus o tem infinitamente — e para isso é preciso que ele exista. Para os mortais, o tempo não só é um recurso limitado, como não é renovável. Por outras palavras, erros cometidos antes e oportunidades perdidas costumam tornar impossível recuperá-lo. Na primavera e no verão de 2024, quando parecia que a economia nacional não se estava a dar nada mal com as sanções nem com o fardo das despesas militares, era possível tomar medidas de racionamento dos recursos, protegendo o sector civil da escassez e o sistema financeiro do aumento espontâneo dos preços. Mas para quê, se, nessa altura, tudo estava, em princípio, a correr bem sem nada disso? Ainda por cima, se se alcançasse um acordo de paz entre o outono de 2024 e a primavera de 2025, como muitos esperavam, as dificuldades temporárias não chegariam provavelmente a transformar-se em crise aberta. Só que esse momento já lá vai. A escassez de recursos agudizou-se, tomando, para o poder, a forma de défice monetário crítico. Continuar a aumentar o financiamento de sectores e programas prioritários só fará que os desequilíbrios se aprofundem ainda mais, o sistema monetário se desequilibre definitivamente e a crise social se aprofunde quando sectores inteiros da economia e grupos sociais reduzidos a rações míseras não conseguirem sequer garantir minimamente o nível necessário de investimentos para a sua própria reprodução.

A situação é perfeitamente reconhecida pelas autoridades e, por isso, a vontade de paz dos círculos dominantes aumenta na proporção direta do agravamento da crise. Só que o problema não se reduz a que o agravamento da crise irá inevitavelmente exigir que os recursos voltem a ser redistribuídos para os sectores civis; surgirão igualmente questões políticas e ideológicas que só podem continuar a ser sacudidas enquanto as hostilidades continuam. Além disso, tal redistribuição implicará uma série de decisões difíceis. Poderá ser feita por métodos de mercado ou administrativos, de forma mais ou menos eficaz — em qualquer dos casos, ela já hoje é incompatível com a intensificação do esforço militar. E mesmo que tudo seja feito de forma competente, é inevitável que surjam inúmeras dificuldades e conflitos ao longo do processo. A compreensão disso por parte dos detentores do poder também contribui para a tendência para deixar tudo como está por algum tempo, sem tomar medidas irreversíveis. No entanto, adiar decisões para um futuro indefinido não só não facilita a escolha, como agrava problemas existentes.

Em última análise, as autoridades terão de tomar decisões políticas. Talvez então se possa pôr um ponto final.


1 Esta nota acompanha o artigo de Boris Kagarlitski, que está preso, acusado de ser um “agente do estrangeiro” por ter criticado a “operação especial” do Kremlin na Ucrânia.


Publicado originalmente em Рабкор (Rabkor, Correspondência dos Trabalhadores). Tradução de Adriano Zilhão.

categoria-dossier: Guerra e resistência Guerra Rússia União Europeia Venezuela edicao-2026-01-08 (10)

O inimigo dentro de portas

A EU, em conivência com Zelenski, faz campanha não só para continuar a guerra, mas para a intensificar e alargar com a entrada direta dos países europeus, e, pelo menos parcialmente, da NATO.

A guerra é um momento de verdade para os Estados, que são os seus protagonistas essenciais, mas também para os indivíduos, que, na sua origem e decurso, são os seus potenciais algozes e vítimas. A minha tese principal consiste em afirmar que a União Europeia se transformou no principal inimigo dos Estados europeus e sobretudo da vida e da fazenda dos cidadãos europeus. E é a guerra da Ucrânia a grande prova de fogo que serve de demonstração a esta tese.

É verdade que até Josep Borrell, Alto Representante da UE para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança (2019-2024), afirmou em final de outubro de 2024, que com a cumplicidade ativa da UE no genocídio praticado pelo Estado de Israel contra o povo palestiniano em Gaza, o projeto iniciado por Jean Monnet “perdeu a sua alma”. Contudo, essa queda da UE no espesso lodo da moral pública, começou muito antes, tendo-se revelado com a guerra da Ucrânia e as suas raízes. Compreender a historicidade e multidimensionalidade desse processo é indispensável para perceber os motivos que me levam a sustentar que atualmente a principal ameaça existencial aos povos europeus não reside na Rússia nem nos EUA, mas sim no colapso cognitivo e na furiosa russofobia dos órgãos supremos da UE. Vejamos os principais argumentos demonstrativos.

Primeiro. A UE, com uma responsabilidade especial para a Alemanha, confundiu-se crescentemente com a NATO, sendo cúmplice ativa da tentativa dos EUA de, depois da dissolução da URSS, manter a Rússia à margem de um novo e indivisível sistema de segurança europeia. De 1990, ano da falsa promessa de não alargamento da NATO para Leste, até 24-02-2022, data da invasão russa da Ucrânia, temos três décadas de sucessivas tentativas de marginalizar as “garantias de segurança” da Rússia, explorando todas as vias para fomentar a fragmentação e a dissensão dentro e fora das fronteiras desse país. Isso continua bem vivo, já depois da 2022, na manutenção do objetivo declarado da UE de infligir uma “derrota estratégica” a Moscovo, o que seria igual à fragmentação da Rússia em cinco ou seis Estados mais pequenos, como lembra, repetidamente, a atual chefe da diplomacia de Bruxelas, Kaja Kallas.

Segundo. Usando o direito internacional como desculpa para a autoflagelação estratégica, a UE, e em particular a Alemanha, enveredaram (depois de 2014 e 2022) por uma política de sanções contra a Rússia que se voltou contra os interesses da economia e da qualidade de vida dos Europeus, suportando o objetivo disruptivo dos EUA de destruir a cooperação mutuamente vantajosa entre a Rússia e a UE, contrariando todos os esforços diplomáticos para encontrar uma solução para o rápido fecho do conflito. O gigantesco financiamento do governo de Kiev, conhecido pelo tradicional e elevado nível de corrupção, foi feito sem escrutínio (ao contrário do que ocorreu no período da crise do euro com a vigilância da troika à política orçamental de Portugal, da Grécia e da Irlanda).

Como recompensa pelos seus bons serviços, talvez Paulo Rangel termine a sua carreira política como governador [de uns Açores tutelados pelos EUA].

Terceiro. A UE mergulhou os Europeus numa cortina de propaganda, com um controlo férreo das narrativas sobre a guerra. A imposição de uma mitologia simplificadora foi feita com a cumplicidade da maioria dos media convencionais e o entusiasmo colaborante de muitos académicos, manifestando também o desastroso crepúsculo da “imparcialidade homérica” e da lisura intelectual nas instituições de ensino superior europeias, que as deveriam defender incondicionalmente.

Quarto. Com uma economia destroçada pela dívida pública crescente, pela estagnação económica, e pelo “imposto Trump” de 5% do PIB europeu para garantir a compra de armas aos EUA, a UE entrou num processo de violação das regras do jogo dos mercados financeiros. A tentativa gorada de roubar os ativos russos, sobretudo em títulos de dívida dos Estados europeus, transformando-os em dinheiro oferecido a Kiev para o esforço de guerra, teve como resultado a consolidação de um sentimento de desconfiança dos mercados financeiros relativamente à UE. Não só aumenta a taxa de esforço da dívida dos Estados europeus como se expande o abandono do euro como moeda de reserva internacional.

Quinto. A Comissão Europeia tem governado por decreto. O Tratado da União Europeia e o Tratado de Funcionamento da União Europeia têm sido violentados com brutalidade, através de interpretações totalmente contrárias, tanto à letra como ao espírito, desses documentos para-constitucionais. Mais recentemente, o Conselho da União Europeia na área da política externa e de segurança tem violado grosseiramente os direitos humanos ao alargar a cidadãos europeus brutais sanções que os privam de acesso aos seus bens materiais e coartam o seu direito de circulação (Council Decision (CFSP) 2025/2572 of 15 December 2025. https://eur-lex.europa.eu/eli/dec/2025/2572/oj). Estamos a falar da transformação da liberdade de expressão em delito de opinião, abolindo a separação de poderes, e o direito à defesa num julgamento justo. A UE faz-nos regressar aos tempos anteriores à Magna Carta!

Sexto. O mais grave, contudo, é a campanha organizada pela UE, em conivência com Zelenski, não só para continuar a guerra, mas para a intensificar e alargar com a entrada direta dos países europeus, e, pelo menos parcialmente, da NATO. Responsáveis políticos e militares têm indicado o período entre 2026 e 2030 como a janela provável para tal ocorrência. Como afirmou J. F. Kennedy, num discurso em Washington, em 10 de junho de 1963: “Acima de tudo, enquanto defendem os seus próprios interesses vitais, as potências nucleares devem evitar os confrontos que levam o adversário a optar entre uma retirada humilhante ou uma guerra nuclear. Adotar esse tipo de atitude na era nuclear seria apenas uma prova da falência da nossa política – ou de um desejo coletivo de morte para o mundo.” Esquecer a mais importante lição da Guerra Fria, que é o princípio da Destruição Mútua Assegurada (MAD). Sustentar hoje que é possível travar uma guerra vitoriosa contra a maior potência nuclear do planeta é uma prova abominável do “desejo coletivo de morte para o mundo”, reinante em Bruxelas, que só poderá conduzir à destruição definitiva da Europa, incluindo o seu património e memória, varridos no inferno nuclear.

O sonho de paz com justiça da União Europeia há muito que foi raptado pela avidez e os caprichos de uma elite neoliberal para quem a democracia é um mero instrumento, só valioso quando o resultado é o mais conveniente (basta ver a doutrina de choque praticada durante a crise do euro). Mas desta vez é diferente. Os inimigos da vida e dos bens dos cidadãos europeus, com a cumplicidade da maioria dos governos nacionais, estão sentados na Comissão Europeia, no Conselho Europeu, no Conselho da União Europeia, no Parlamento Europeu. O seu niilismo ético só é ultrapassado pela sua profunda ignorância dos resultados de uma guerra levada ao extremo entre potências nucleares. Ursula von der Leyen, António Costa e Kaja Kallas são hoje o rosto de uma incompetente desmesura europeia que nos poderá condenar a todos à aniquilação.


PS. Escassas horas depois de ter escrito o texto acima, os EUA atacaram a Venezuela e raptaram o presidente Maduro e a sua mulher, levando-os para Nova Iorque. Maduro será julgado sob a acusação de liderar o narcotráfico para os EUA. Há ainda muitas dúvidas por esclarecer. A ausência de resistência dos sistemas aéreos e das tropas terrestres venezuelanas ao raide das forças especiais norte-americanas indicia a possibilidade de um acordo prévio, talvez através do suborno de uma parte da hierarquia militar. Nas questões essenciais, contudo, não restam dúvidas. Enquanto os soldados norte-americanos destruíam qualquer resistência (fala-se de 40 mortos, pelo menos), o presidente Trump indicava o petróleo como o motivo principal do ataque. A explicação mereceria um texto mais longo, mas as questões-chave são as seguintes: a) os EUA carecem de crude pesado (heavy crude oil) para as suas principais refinarias. Elas estão instaladas perto do Canadá (nos estados do Illinois e do Montana) e da Venezuela (nos estados da Luisiana e do Texas). Os outros grandes exportadores, Arábia Saudita e Rússia, estão envolvidos na construção dos BRICS e num novo sistema monetário internacional que rompa com os petrodólares (a obrigação de todas as compras de combustíveis fósseis serem efetuadas na moeda dos EUA). Este ataque dos EUA à Venezuela é um regresso ao imperialismo boçal, baseado na força militar e não no softpower do poderio económico e cultural, que passou a ser dominante após 1945. Trump fala como se a submissão da Venezuela estivesse completa, mas esse país não é o Panamá. Muito sangue irá ainda escorrer. O que é certo é a total inaceitabilidade desta ação bélica dos EUA à luz do direito internacional e do mais elementar respeito pela soberania dos Estados sobre os seus recursos naturais. Contudo, com a exceção da condenação espanhola, tanto a Comissão Europeia como os principais países europeus recusaram-se a condenar Trump, mostrando uma vergonhosa cumplicidade com ele. Porém, pelo que conheço, o cúmulo da desfaçatez pertence ao ministro português dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, que considerou “benigna” a intenção de Trump e chegou mesmo a aconselhar a Trump o nome de Edmundo González para futuro chefe de Estado em Caracas… É uma pena que Trump não o tenha escutado, pois estava ocupado a dizer que Corina Machado, a Nobel da Paz 2025, apesar de entusiasmada com a intervenção americana não tinha qualidades para esse cargo. Não tenho palavras para expressar a infelicidade que me assola por ver Portugal, além de encurralado numa UE enlouquecida, ser governado por quem prejudica os interesses nacionais e ofende o melhor da nossa herança histórica. Talvez o presidente Trump, depois de ter arrancado a Gronelândia à soberania dinamarquesa, também desembarque os seus marines em todas as ilhas da Região Autónoma dos Açores, declarando-as como um novo Porto Rico, um território tutelado por Washington. Nessa altura, como recompensa pelos seus bons serviços, talvez Paulo Rangel termine a sua carreira política como governador. Viver rodeado pelo Atlântico por todos os lados será o melhor habitat para um atlantista incondicional como o atual MNE.

categoria-dossier edicao-2026-01-08 (10)

Guerra e resistência

ilustração: Pedro Páscoa

O dossiê deste número do Maio é dedicado à guerra e à resistência a ela pelos povos, com textos - de debate e com divergências - sobre a Ucrânia e a Venezuela, sobre a nova “Estratégia de Segurança Nacional” norte-americana, a falência da União Europeia, a resistência da juventude alemã à reintrodução do serviço militar obrigatório e um exemplo histórico de resistência em condições extremas: um jornal clandestino produzido e difundido entre as tropas alemãs durante a ocupação nazi de França que recordava aos soldados da Wehrmacht que por debaixo da farda que envergavam havia um trabalhador. Porque “mesmo na noite mais triste, em tempo de servidão, há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não”.

O inimigo dentro de portas
A EU, em conivência com Zelenski, faz campanha não só para continuar a guerra, mas para a intensificar e alargar com a entrada direta dos países europeus, e, pelo menos parcialmente, da NATO.
A nova “Estratégia de Segurança Nacional” norte-americana
Em Novembro de 2025, Trump anunciou a nova Estratégia de Segurança Nacional norte-americana. Modestamente, como é seu hábito proclamou: “Este documento é um roteiro para garantir que os Estados Unidos continuem a ser a nação mais grandiosa e bem-sucedida da história
Não alinhamos no vosso serviço militar
Em 5 de dezembro, em mais de 90 cidades alemãs, jovens manifestaram-se contra a lei que pretende reintroduzir o serviço militar obrigatório.
Sob cada uniforme de soldado há um operário
Durante a II Guerra Mundial, na França ocupada pelos nazis, militantes trotskistas no arsenal da Marinha alemã em Brest criaram uma célula comunista dentro do Exército Alemão para publicar um jornal clandestino chamado Arbeiter und Soldat (Operário e Soldado).
Venezuela: do neo-imperialismo à oratória “democrática”
Quase nada de novo existe na agressão contra a Venezuela. O intervencionismo norte-americano na América Latina vem de longe.
Porquê a classe trabalhadora deve apoiar a Ucrânia contra a invasão imperialista russa, apesar dos EUA e de Zelensky
Não estamos perante uma guerra “por procuração”, uma guerra (inter)imperialista em que os EUA e a UE agiriam contra a Rússia através da Ucrânia, defende Felipe Alegria.
Venezuela e o regresso do imperialismo: soberania, crise e lições a tirar
Nos últimos dias de 2025, Trump afirmou “queremos o nosso petróleo de volta” e deu início a uma agressiva escalada de pressão económica que, menos de um mês depois, culminaria na invasão brutal e no sequestro relâmpago do chefe de Estado venezuelano.
categoria-voz dos sindicatos Código do Trabalho Pacote Laboral Precariedade edicao-2026-01-08 (10)

Retrocesso laboral em 2026: Uma reforma sem justificação que divide Portugal

O ano de 2025 encerrou com uma contestação generalizada ao novo pacote laboral do Governo. Economistas, antigos governantes e sindicatos unem-se num coro de críticas, classificando as alterações ao Código do Trabalho como um risco desnecessário para a estabilidade social e económica do país.

O arranque de 2026 está a ser marcado por um clima de tensão no mercado de trabalho. Apesar de Portugal ter fechado o ano anterior com o prestigiado título de “Economia do Ano” pela revista The Economist — um reconhecimento assente, em grande parte, no dinamismo do emprego —, o Governo insiste numa revisão profunda da legislação laboral que poucos parecem apoiar.

Um timing incompreensível

Para muitos especialistas, a proposta peca, desde logo, pela oportunidade. Figuras políticas, empresários questionam a lógica de alterar profundamente as regras do jogo num momento em que o sistema tem demonstrado resultados positivos. A tese é clara: porquê arriscar o desequilíbrio de um mercado que tem sido o motor do crescimento nacional?

Esta visão é partilhada por antigos obreiros da paz social em Portugal. Numa rara convergência, ex-ministros do Trabalho como Silva Peneda e Vieira da Silva manifestaram o seu ceticismo, sublinhando que as mudanças propostas pelo Executivo não apresentam benefícios claros que justifiquem a instabilidade social e a contestação que já se faz sentir nas ruas.

Quem beneficia realmente com a fragilização dos direitos laborais?

Os riscos: produtividade e inteligência artificial

As críticas não se limitam à forma, mas estendem-se ao conteúdo. Os detratores do projeto argumentam que a reforma falha em responder aos verdadeiros desafios estruturais:

  • Disrupção tecnológica: Numa era dominada pela inteligência artificial, as novas normas não preparam o país para a transição digital, focando-se, em vez disso, em pontos que podem fragilizar a proteção do trabalhador.

Impacto social: precarização e crise habitacional

Para a oposição e diversos setores da sociedade civil, estamos perante um “retrocesso civilizacional”. O alerta é particularmente grave no que toca à precariedade juvenil. Com uma inflação prevista de 2,1% para 2026, a perda de garantias laborais poderá dificultar ainda mais o acesso dos jovens a rendimentos estáveis, criando um efeito dominó que agrava a já severa crise na habitação. Sem estabilidade contratual, o acesso ao crédito e ao arrendamento torna-se uma miragem para as novas gerações.

Conclusão: uma precarização que serve a quem?

No balanço final, a insistência do Governo numa “modernização” desprovida de evidência científica deixa uma pergunta incómoda no ar: quem beneficia realmente com a fragilização dos direitos laborais? Na ausência de estudos técnicos que comprovem ganhos reais para a economia, a desconfiança instala-se. O consenso entre académicos e antigos decisores é claro: Portugal está a desperdiçar capital político em batalhas ideológicas obsoletas. Enquanto se ignoram reformas estruturais urgentes e inadiáveis, o país arrisca-se a trocar a paz social e o progresso de 2025 por um ciclo de precariedade, greves e contestação permanente.

categoria-voz dos sindicatos Ferroviarios Privatização edicao-2026-01-08 (10)

Greve da Manutenção da CP no Metro do Porto

Entre 8 e 22 de janeiro, o STMEFE – Sindicato dos Trabalhadores do Metro e Ferroviários decretou nova greve parcial por turnos.

Nós, os trabalhadores da Manutenção da CP afetos ao Metro do Porto, dizemos basta à degradação das condições de trabalho.

Desde 24 de dezembro, fazemos greve ao trabalho suplementar, às horas extraordinárias e ao trabalho aos feriados. Querem impor-nos novas escalas, mais horas de trabalho, mais desgaste e menos direito ao gozo da nossa vida pessoal. Tudo isto sem diálogo e sem respeito por quem garante todos os dias a segurança do Metro do Porto.

Entre 8 e 22 de janeiro, fazemos nova greve parcial por turnos.

Não defendemos apenas os direitos dos trabalhadores da ferrovia, mas também a segurança de todos os utentes que, diariamente, utilizam o Metro do Porto.

O STMEFE – Sindicato dos Trabalhadores do Metro e Ferroviários exige o fim da tentativa de alteração unilateral das escalas, o respeito pelas atuais horas semanais de trabalho e o início de um verdadeiro diálogo sobre as condições de trabalho.

Desta vez, não defendemos apenas os direitos dos trabalhadores da ferrovia, mas também a segurança de todos os utentes que, diariamente, utilizam o Metro do Porto. Agora o problema é de todos.

É urgente inverter o caminho de desinvestimento, da pressão e do desgaste. As constantes saídas de novos trabalhadores, grande parte ao fim de meros três meses, demonstram que o modelo de exploração chegou ao seu limite.

Sem trabalho digno, não há serviço público seguro. O Metro seguro faz-se assim: de pessoas para pessoas, em dignidade, respeito e responsabilidade recíproca.

categoria-história Ludismo Sindicatos edicao-2026-01-08 (10)

Da destruição das máquinas ao sindicalismo

Na década de 1830, os trabalhadores ingleses organizaram os primeiros sindicatos (trade unions) sob a forma de associações de base local, ou por ofício, para obter melhores condições de trabalho e de vida.

Depois de se apagarem as agitações revolucionárias da década de 1790 na Europa, as lutas e a organização da classe operária continuaram. Na primeira grande greve de operários organizada segundo o modelo moderno, a greve geral dos fiadores de algodão de Manchester, em 1810, vários milhares de homens distribuíram entre si o fundo de greve, primeira instituição económica de combate dos trabalhadores industriais, que atingiu a cifra de 1500 libras por semana. O antecedente fora a grande greve de 1804-1805 realizada pelos tecelões de Glasgow, quando 40 mil trabalhadores de toda a Escócia pararam os teares. Em inícios do século XIX surgiu também o ludismo (“os destruidores de máquinas”), movimento que se insurgiu contra as profundas alterações sociais e laborais trazidas pela revolução industrial. As reclamações contra as máquinas e a substituição que elas faziam da mão de obra humana eram “normais”, costumeiras. Movimentos esparsos de “destruidores de máquinas” desenvolveram-se a partir de meados do século XVIII, com tal força e extensão que levaram o Parlamento britânico a aprovar em 1769 uma lei que punia a destruição de fábricas e máquinas com a pena de morte. Vários trabalhadores foram executados devido a essa lei, o que não impediu que o movimento ganhasse amplidão.

Foi em 1811, na Inglaterra, que o movimento de destruição de máquinas “estourou”, superando o nível da revolta espontânea e local, ganhando dimensão nacional. O seu nome derivava de Ned Ludd, um dos seus líderes, quem, em Nottingham, aborrecido com o patrão, destruiu a sua oficina têxtil. Os luditas invadiam fábricas e destruíam máquinas que, por incrementarem a produtividade dos trabalhadores, lhes tiravam também os empregos, requerendo, contudo, duras horas de jornada de trabalho dos operários remanescentes. As fábricas eram também ambientes com péssima iluminação, abafados e sujos. Numa carta ameaçadora que Ned Ludd endereçou a certo empresário de Hudersfield, em 1812, lia-se: "Recebemos a informação de que é dono dessas detestáveis tosquiadoras mecânicas. Fica avisado de que se elas não forem retiradas até ao fim da próxima semanal eu mandarei imediatamente um de meus representantes destruí-las. E se o senhor tiver a imprudência de disparar contra qualquer dos meus homens, eles têm ordem de matá-lo e queimar a sua casa.” Uma canção refletia o espírito do movimento ludita:

Brave ludits we are, for the breaking we come! / God save Ned Ludd! / Machines to hell, we want our dignity! / Breaking is good, join us and save the Europe! / Break! Break! Break or die working! / Monsters of industrialism, we want you broken! / Machines to the ground! / Crash! Crash! Bang! Bang! The sound of freedom these are! / Break one, break two, break three, break all! All!

O ludismo teve o seu momento culminante no assalto noturno à manufatura de William Cartwright, no condado de York, em abril de 1812. No ano seguinte, na mesma cidade, teve lugar o maior processo contra os luditas: dos 64 acusados de terem atentado contra a manufatura de Cartwright, treze foram condenados à morte e dois a deportação para as colónias. Apesar da dureza das penas, o movimento não amainou até 1817, refletindo as péssimas condições de vida dos operários. Finalmente, a generalização da indústria (factory system) e a criação das primeiras trade unions (futuros sindicatos) limitaram o alcance e as possibilidades das revoltas luditas, fazendo que entrassem em declínio. Para o historiador Eric Hobsbawm, o ludismo “foi uma mera técnica de sindicalismo no período que precedeu a revolução industrial e nas suas primeiras fases”. O ludismo não foi um movimento exclusivamente inglês, tendo-se registado movimentos semelhantes na Bélgica, na Renânia, na Suíça e na Silésia; no mesmo período houve um movimento camponês inglês “primitivo” de revolta contra a modernização capitalista, em 1830, sob uma forma assemelhada ao “ludismo”, dirigido pelo lendário “Capitão Swing”. Karl Marx escreveu a respeito desses movimentos no Manifesto Comunista: “(Os operários) não se contentam com dirigir os seus ataques contra as relações burguesas de produção, e dirigem-se contra os próprios instrumentos de produção: destroem as mercadorias estrangeiras que lhes fazem concorrência, quebram as máquinas, incendeiam as fábricas, tentam reconquistar pela força a posição perdida do artesão da Idade Média.” No verão de 1812, doze mil soldados foram destacados para Leicester e York, na tentativa de deter o movimento de revolta. O valor das propriedades e máquinas destruídas ultrapassou 100 mil libras esterlinas. Lord Byron, nobre e poeta, membro da Câmara Alta (a Câmara dos Lordes), discursou em 1811 em defesa dos luditas e contra as inumanas condições de trabalho: "Não existem já bastantes coalhos de sangue nos vossos códigos, para que ainda queirais mais, até que os céus gritem e clamem contra vós? São esses os remédios com os quais quereis curar um povo faminto e desesperado?”

Quando, em 1819, se reuniram cem mil trabalhadores em Manchester, o Estado, através da cavalaria, provocou o ‘massacre de Peterloo’, que semeou de cadáveres o campo do mesmo nome.

A extraordinária “marcha da fome” sobre Londres (de 1817), ou o comício de Saint Peter’s Field em 1819, que reuniu a quantidade (inusitada para a época) de oitenta mil pessoas, produziram-se no meio do clima criado pela revolta dos operários e artesãos. No Norte do país eles decidiram eleger, fora do quadro legal, deputados para o Parlamento que os representassem; quando, em 1819, se reuniram cem mil trabalhadores em Manchester, o Estado, através da cavalaria, provocou o “massacre de Peterloo”, que semeou de cadáveres o campo do mesmo nome. Em 1824 foram criados na Inglaterra os primeiros centros de ajuda mútua e de formação profissional para operários. Não é correto, portanto, datar o nascimento do movimento operário em França e na Inglaterra entre 1832 e 1836. Ele tinha tido a sua origem, pelo menos, na última década do século precedente. Na Grã-Bretanha, as tentativas para unir todos os operários em “sindicatos gerais”, isto é, em entidades que superassem o isolamento local e regional dos grupos particulares de trabalhadores, levando-lhes uma solidariedade nacional e até universal da classe trabalhadora, começaram em 1818 e foram continuadas depois.

Com a extensão da revolução industrial, os núcleos mais numerosos e concentrados de operários situaram-se nos setores mais desqualificados, ou seja, nos setores fabris dominados pelo maquinismo. As leis antissindicais inglesas haviam sido promulgadas em plena revolução industrial. Elas foram sendo derrotadas pelas greves e pelas lutas operárias, que obtiveram em 1825 a sua revogação. As leis contra as “coalizões” de trabalhadores entraram em colapso em 1825, diante da atitude ameaçadora do proletariado. Em consequência disso, na década de 1830, os trabalhadores ingleses organizaram os primeiros sindicatos (trade unions) sob a forma de associações de base local, ou por ofício, para obter melhores condições de trabalho e de vida. Nesse ano, formou-se o Sindicato dos Operários da Construção (Operative Builders Union), e em 1834 a primeira central de trabalhadores (Grand National Consolidated Trade Unions). Para atender aos acidentes de trabalho, doenças ou desemprego, os operários criaram as primeiras associações de auxílio mútuo, que funcionavam por meio de quotizações. Aos poucos, as trade unions inglesas foram-se consolidando, dirigindo mais greves, maiores protestos. Deixaram o patronato num dilema: já que eram proibidas, o empresário não tinha como negociar em momentos de greve. Isso gerava grandes prejuízos, principalmente quando não havia stocks e surgiam encomendas de produtos. Perante esse crescimento das lutas operárias, o Parlamento da Inglaterra aprovou, em 1824, a primeira lei sobre o direito de organização sindical dos trabalhadores. Em 1825 foi abolida a proibição do direito de associação, os Combination Acts, e surgiu paralelamente uma onda grevista. Foi só a partir do Factory Act de 1833, visando as manufaturas de algodão, lã, linho e seda, que foi fixado para a indústria um “dia normal de trabalho”. Em 1833 surgiu a primeira lei limitando a oito horas de trabalho a jornada das crianças operárias. Em 1842 proibiu-se o trabalho de mulheres em minas. Gradativamente, as associações operárias conquistaram a proibição do trabalho infantil, a limitação do trabalho feminino, o direito de greve e a limitação da jornada de trabalho dos adultos, o que teria efeitos decisivos: as horas de trabalho semanais para trabalhadores adultos nas indústrias têxteis eram, em 1780, em torno de 80 horas; em 1820, estavam reduzidas a 67 horas; em 1860, a 53 horas.

categoria-opinião Autarca Chega edicao-2026-01-08 (10)

Luís Portilheiro, o desejável

Os tachistas oportunistas #3

Este alentejano acalorado mostrou-se uns dias antes das autárquicas muito despido, mostrando o rabo e simulando fazer sexo com outro homem.

Candidato do Chega à União das Freguesias de Sé e São Lourenço em Portalegre, este alentejano acalorado mostrou-se uns dias antes das autárquicas muito despido, mostrando o rabo e simulando fazer sexo com outro homem. Estas poses eróticas e narcísicas foram divulgadas pelo Correio da Manhã e parece que localmente tiveram repercussão, pois o esbelto do Chega obteve 492 votos e um mandato. É caso para se dizer: mostra-te como és e serás recompensado.

Só que há um mas. Luís Portilheiro, que é licenciado em Psicologia, trabalha no Centro Distrital de Portalegre e é interlocutor em programas de colónias de férias, famílias de acolhimento e da Associação Ser Criança. É também responsável por programas ligados à infância, à deficiência e à proteção de crianças em risco. Perguntamos só isto: se fosse alentejano, confiaria a sua criança a um chegadinho destes?

Irão
Nada diz mais de nós que a nossa casa.
Ao lado da Venezuela, contra a agressão de Trump
Premissas económicas para a paz
O inimigo dentro de portas
Guerra e resistência
Retrocesso laboral em 2026: Uma reforma sem justificação que divide Portugal
Greve da Manutenção da CP no Metro do Porto
Da destruição das máquinas ao sindicalismo
Luís Portilheiro, o desejável
Manuel Ramos
Verdade
categoria-um poema edicao-2026-01-08 (10)

Verdade

A porta da verdade estava aberta, mas só deixava passar meia pessoa de cada vez. Assim não era possível atingir toda a verdade, porque a meia pessoa que entrava só trazia o perfil de meia verdade. E sua segunda metade voltava igualmente com meio perfil. E os dois meios perfis

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Extração​
categoria-dicionário da novilíngua edicao-2026-01-08 (10)

Extração​

Segundo o dicionário da Porto Editora, eis as principais correspondências deste nome feminino: 1. ato ou efeito de extrair, de tirar; 2. Arrancamento; 3. operação cirúrgica para remoção de um órgão ou de um objeto estranho que se tenha alojado no corpo; 4. Sorteio. Em termos militares também se vulgarizou

Jornal Maio
Nada diz mais de nós que a nossa casa.
categoria-crónica Maria Augusta Tavares edicao-2026-01-08 (10)

Nada diz mais de nós que a nossa casa.

Para o padrão da classe média brasileira eu moro numa casa pequena. Casa de solteira: sem quarto de hóspede. Um lugar bonito, colorido, acolhedor, cheio de personalidade. Pensado, planejado, devia estar pronto, acabado, uma vez que já vão cinco anos dessa nossa história. Não exatamente. Para ser precisa, metade Intermares¹

Maria Augusta Tavares
Ao lado da Venezuela, contra a agressão de Trump
categoria-editorial edicao-2026-01-08 (10)

Ao lado da Venezuela, contra a agressão de Trump

A agressão militar e captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, pelos Estados Unidos é um crime e um ato de guerra e deve ser repudiado e condenado como tal.

Joana
Premissas económicas para a paz
categoria-internacional Guerra Rússia edicao-2026-01-08 (10)

Premissas económicas para a paz

Ao avaliar, no final de 2025, a situação económica na Rússia, Ekaterina Shulman, considerada agente do estrangeiro, sugeriu que o país estava a ficar sem dinheiro e sem pessoas. E, de facto, tudo indica que alguma coisa está a acabar. Mas o dinheiro não é com certeza. Ao Estado nunca se acaba o dinh

Boris Kagarlitski
O inimigo dentro de portas
categoria-dossier: Guerra e resistência Guerra Rússia União Europeia Venezuela edicao-2026-01-08 (10)

O inimigo dentro de portas

A EU, em conivência com Zelenski, faz campanha não só para continuar a guerra, mas para a intensificar e alargar com a entrada direta dos países europeus, e, pelo menos parcialmente, da NATO.

Viriato Soromenho-Marques
Guerra e resistência
categoria-dossier edicao-2026-01-08 (10)

Guerra e resistência

O dossiê deste número do Maio é dedicado à guerra e à resistência a ela pelos povos, com textos sobre a Ucrânia e a Venezuela, sobre a nova “Estratégia de Segurança Nacional” norte-americana, a falência da União Europeia, a resistência da juventude alemã à reintrodução do serviço militar obrigatório

Jornal Maio
Retrocesso laboral em 2026: Uma reforma sem justificação que divide Portugal
categoria-voz dos sindicatos Código do Trabalho Pacote Laboral Precariedade edicao-2026-01-08 (10)

Retrocesso laboral em 2026: Uma reforma sem justificação que divide Portugal

O ano de 2025 encerrou com uma contestação generalizada ao novo pacote laboral do Governo. Economistas, antigos governantes e sindicatos unem-se num coro de críticas, classificando as alterações ao Código do Trabalho como um risco desnecessário para a estabilidade social e económica do país.

Luís Bravo
Greve da Manutenção da CP no Metro do Porto
categoria-voz dos sindicatos Ferroviarios Privatização edicao-2026-01-08 (10)

Greve da Manutenção da CP no Metro do Porto

Entre 8 e 22 de janeiro, o STMEFE – Sindicato dos Trabalhadores do Metro e Ferroviários decretou nova greve parcial por turnos.

Bruno Oliveira
Da destruição das máquinas ao sindicalismo
categoria-história Ludismo Sindicatos edicao-2026-01-08 (10)

Da destruição das máquinas ao sindicalismo

Na década de 1830, os trabalhadores ingleses organizaram os primeiros sindicatos (trade unions) sob a forma de associações de base local, ou por ofício, para obter melhores condições de trabalho e de vida.

Osvaldo Coggiola
Luís Portilheiro, o desejável
categoria-opinião Autarca Chega edicao-2026-01-08 (10)

Luís Portilheiro, o desejável

Candidato do Chega à União das Freguesias de Sé e São Lourenço em Portalegre, este alentejano acalorado mostrou-se uns dias antes das autárquicas muito despido, mostrando o rabo e simulando fazer sexo com outro homem.

Manuel da Silva Ramos

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