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Verdade
categoria-um poema edicao-2026-01-08 (10)

Verdade

A porta da verdade estava aberta, mas só deixava passar meia pessoa de cada vez. Assim não era possível atingir toda a verdade, porque a meia pessoa que entrava só trazia o perfil de meia verdade. E sua segunda metade voltava igualmente com meio perfil. E os dois meios perfis

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Extração​
categoria-dicionário da novilíngua edicao-2026-01-08 (10)

Extração​

Segundo o dicionário da Porto Editora, eis as principais correspondências deste nome feminino: 1. ato ou efeito de extrair, de tirar; 2. Arrancamento; 3. operação cirúrgica para remoção de um órgão ou de um objeto estranho que se tenha alojado no corpo; 4. Sorteio. Em termos militares também se vulgarizou

Jornal Maio
Nada diz mais de nós que a nossa casa.
categoria-crónica Maria Augusta Tavares edicao-2026-01-08 (10)

Nada diz mais de nós que a nossa casa.

Para o padrão da classe média brasileira eu moro numa casa pequena. Casa de solteira: sem quarto de hóspede. Um lugar bonito, colorido, acolhedor, cheio de personalidade. Pensado, planejado, devia estar pronto, acabado, uma vez que já vão cinco anos dessa nossa história. Não exatamente. Para ser precisa, metade Intermares¹

Maria Augusta Tavares
Ao lado da Venezuela, contra a agressão de Trump
categoria-editorial edicao-2026-01-08 (10)

Ao lado da Venezuela, contra a agressão de Trump

A agressão militar e captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, pelos Estados Unidos é um crime e um ato de guerra e deve ser repudiado e condenado como tal.

Joana
Premissas económicas para a paz
categoria-internacional Guerra Rússia edicao-2026-01-08 (10)

Premissas económicas para a paz

Ao avaliar, no final de 2025, a situação económica na Rússia, Ekaterina Shulman, considerada agente do estrangeiro, sugeriu que o país estava a ficar sem dinheiro e sem pessoas. E, de facto, tudo indica que alguma coisa está a acabar. Mas o dinheiro não é com certeza. Ao Estado nunca se acaba o dinh

Boris Kagarlitski
O inimigo dentro de portas
categoria-dossier: Guerra e resistência Guerra Rússia União Europeia Venezuela edicao-2026-01-08 (10)

O inimigo dentro de portas

A EU, em conivência com Zelenski, faz campanha não só para continuar a guerra, mas para a intensificar e alargar com a entrada direta dos países europeus, e, pelo menos parcialmente, da NATO.

Viriato Soromenho-Marques
Retrocesso laboral em 2026: Uma reforma sem justificação que divide Portugal
categoria-voz dos sindicatos Código do Trabalho Pacote Laboral Precariedade edicao-2026-01-08 (10)

Retrocesso laboral em 2026: Uma reforma sem justificação que divide Portugal

O ano de 2025 encerrou com uma contestação generalizada ao novo pacote laboral do Governo. Economistas, antigos governantes e sindicatos unem-se num coro de críticas, classificando as alterações ao Código do Trabalho como um risco desnecessário para a estabilidade social e económica do país.

Luís Bravo
Greve da Manutenção da CP no Metro do Porto
categoria-voz dos sindicatos Ferroviarios Privatização edicao-2026-01-08 (10)

Greve da Manutenção da CP no Metro do Porto

Entre 8 e 22 de janeiro, o STMEFE – Sindicato dos Trabalhadores do Metro e Ferroviários decretou nova greve parcial por turnos.

Bruno Oliveira
Da destruição das máquinas ao sindicalismo
categoria-história Ludismo Sindicatos edicao-2026-01-08 (10)

Da destruição das máquinas ao sindicalismo

Na década de 1830, os trabalhadores ingleses organizaram os primeiros sindicatos (trade unions) sob a forma de associações de base local, ou por ofício, para obter melhores condições de trabalho e de vida.

Osvaldo Coggiola
Luís Portilheiro, o desejável
categoria-opinião Autarca Chega edicao-2026-01-08 (10)

Luís Portilheiro, o desejável

Candidato do Chega à União das Freguesias de Sé e São Lourenço em Portalegre, este alentejano acalorado mostrou-se uns dias antes das autárquicas muito despido, mostrando o rabo e simulando fazer sexo com outro homem.

Manuel da Silva Ramos
Portugal e estas eleições, ou um país doente
categoria-opinião Legislação laboral Motoristas edicao-2026-01-08 (10)

Portugal e estas eleições, ou um país doente

Vivemos, argumenta o autor, “o momento mais sério e perigoso dos últimos 50 anos” porque “os Portugueses só obedecem a uma lei: ao seu individualismo, ao seu egoísmo primário”.

António Carlos Cortez
Vinho de talha, património milenar
categoria-património Alentejo Vinho edicao-2026-01-08 (10)

Vinho de talha, património milenar

Com este texto de Eduardo M. Raposo, o Maio inaugura uma secção sobre Património.

Eduardo M. Raposo
Portugal e estas eleições, ou um país doente
categoria-opinião Legislação laboral Motoristas edicao-2026-01-08 (10)

Portugal e estas eleições, ou um país doente

Vivemos, argumenta o autor, “o momento mais sério e perigoso dos últimos 50 anos” porque “os Portugueses só obedecem a uma lei: ao seu individualismo, ao seu egoísmo primário”.

António Carlos Cortez
Vinho de talha, património milenar
categoria-património Alentejo Vinho edicao-2026-01-08 (10)

Vinho de talha, património milenar

Com este texto de Eduardo M. Raposo, o Maio inaugura uma secção sobre Património.

Eduardo M. Raposo
categoria-opinião Legislação laboral Motoristas edicao-2026-01-08 (10)

Portugal e estas eleições, ou um país doente

Vivemos, argumenta o autor, “o momento mais sério e perigoso dos últimos 50 anos” porque “os Portugueses só obedecem a uma lei: ao seu individualismo, ao seu egoísmo primário”.

Das quatro, uma: ou será Presidente um homem sem ideias, defensor da guerra (os filhos dos pobres, claro, esses é que serão enviados para combater em nome do “interesse nacional”, qual?), um militar “perito em generalidades”, como bem disse António Filipe, ou, muito pior e sempre pior será elegermos como Presidente André Ventura, o qual representa o pior da educação em Portugal. O duce do cheguismo, o oportunista das benesses que a democracia lhe deu (desde a tese de doutoramento ao seu lugar como deputado) é o espelho fiel da falência educativa em toda a sua extensão. A ser eleito, ou a passar à segunda volta, o facto será este: Portugal está profundamente doente. Doente de alienação, de estupidez, de ressentimento, de raiva e de ignorância. Ventura, o usurpador, aproveita-se da indigência dos políticos actuais, da cobardia dos que, com poder e saber, deveriam enfrentá-lo: políticos independentes, intelectuais empenhados na defesa da democracia, gentes (que ainda as há!) apostadas em não deixar passar nem mais um facínora fascista.

André Ventura, a ser Presidente, será o inimigo número um dos Portugueses, não tenhamos dúvidas. O mais irado e demagogo político português é, na senda dos fascistas de boa cepa – um Mussolini, um Franco, um Trump –, um mentiroso compulsivo, um manipulador da juventude profundamente desconhecedora da nossa história. Explora como nenhum outro a pobreza deste país de baixos salários; mente sobre a questão dos ciganos, dos negros e dos desvalidos de uma sociedade pobre, a nossa; mente sobre os imigrantes, espoliados da sua dignidade, vítimas da exploração no Alentejo e no Douro, no Algarve e em Lisboa e no Porto. Quando foi que nos tornámos vampiros e racistas, preconceituosos e hipócritas como Ventura?

Ventura mente sobre o contributo destes povos explorados em Portugal. Basta perguntar: sem eles como estaria a nossa Segurança Social? Sem eles, quem andaria nas motas, noite dentro, servindo pizas? André Ventura é alguém absolutamente nocivo para o país. Pelo ódio que destila, pela ignorância que manifesta quanto às funções presidenciais. Como modelo de comportamento e de valores (que os não tem), André é um veneno letal: que exemplo é o seu como deputado, líder de um partido, candidato seja ao que for? Em boa verdade, as gerações que têm hoje entre os 15 e os 25 anos, que vêem em Ventura? Nada mais do que isto: o rosto da raiva que eles, jovens, sem expectativas e roubados de todos os ideais, fazem seu. É triste que Abril seja traído em Janeiro e sejam os jovens, mas também muitos reformados e pensionistas, muitos desempregados, a pensar que uma dor de cabeça se cura cortando a cabeça. É triste e é sintomático.

Portugal é hoje um território que se encaminha, a passos largos, para um modo trumpista de viver, violento e acrítico.

Vivemos, portanto, o momento mais sério e perigoso dos últimos 50 anos porque, aburguesados, europeizados no pior sentido, ou americanizados em sentido ainda pior; educados, primeiro pelas televisões e de há anos a esta parte pela tentacular ditadura das redes sociais, os Portugueses só obedecem a uma lei: ao seu individualismo, ao seu egoísmo primário. Pais e mães não são os principais educadores dos mais jovens, mas sim as fake news, o circo montado no sistema educativo que, das escolas às universidades, permite que a indigência, a boçalidade, a incuriosidade e a ignorância grassem um pouco por todo o lado.

Tenho dito e escrito, repetido sem cessar (e não estou isolado nessa constatação): Portugal, dominado por um sistema multimediático que estupidificou e infantilizou os adultos e bestializou os mais novos (a Geração Millenium, a Geração Z), é hoje um território que se encaminha, a passos largos, para um modo trumpista de viver, violento e acrítico. Estamos a poucos anos (dois, três?) de nos tornarmos ingovernáveis. Os factos sociais confirmam-no: violência doméstica, violência nas escolas e universidades; corrupção no seio do Governo (Montenegro evitando uma CPI); crimes de colarinho branco, ingerência do MP, verdadeira máquina torcionária de governos legítimos, redes de tráfico humano; a acelerada degradação da imagem e símbolo do Presidente da República; uma juventude indigente, brutalizada, insensível, sem leituras, sem saber escrever, sem saber, de facto, ler e interpretar a realidade.

Mas… e Marques Mendes e Cotrim? É fácil: Farão a tão almejada revisão da Constituição de 1976, trairão o 25 de Abril e não terão quaisquer complacências: liberalizar, flexibilizar as leis do trabalho, facilitar o despedimento colectivo sem justa causa, impedir as greves, asfixiar a democracia e estar ao serviço dos senhores da guerra (a NATO e o directório Berlim-Bruxelas), eis o que prometem Marques Mendes e Cotrim, tudo em nome de um neoliberalismo de alpaca. Cotrim, com ar sorridente e impante de vaidade, e Mendes, no seu ar de sacristia, só nos levam a um lugar: à cepa torta e à conivência com a direita fascista que o PS, diga-se, na sua política de tolerância, deixou passar. Jorge de Sena, em 1974, perguntou: “E agora, Portugueses?” Perdemos a coragem e a lucidez?


*O autor escreve segundo a norma anterior ao Acordo Ortográfico adoptado em 2009.

categoria-património Alentejo Vinho edicao-2026-01-08 (10)

Vinho de talha, património milenar

(…) Toda a perspectiva progressista é compatível com aspectos conservadores da cultura que se pretende conservar. (…)
José Afonso

Pretendemos, através de algumas viagens ao Património, destacar aspectos patrimoniais especialmente no Sul mediterrânico e nomeadamente na região transtagana, traços identitários que possibilitam a autoestima das gentes e a coesão destas sociedades, em acelerado processo de desertificação. Estes territórios, que guardam a essência peculiar das terras e das gentes face à imposição imperialista da mercantilização anulando os valores identitários e impondo, por vezes através da turistificação, a mediania dos aspectos mais perversos da globalização, onde o entretenimento substitui a cultura. Este será o nosso modesto contributo para valorizar os nossos patrimónios, na defesa da liberdade e no aprofundamento da democracia – a forma mais eficaz de a defender.

Viagem às Talhas

A primeira viagem fazemo-la às Talhas, em busca do vinho de talha. Partimos de Almada, depois de um almoço apressado, pois era necessário aproveitar a tarde, e neste sábado invernoso escassas horas de sol restavam. O objetivo era Vila Alva, Cuba, e desta vez fizemos o percurso por Ferreira, onde nos esperava a Céu, que nos seguiu no seu velho jipe. À entrada de Peroguarda, recordámos Michel Giacometti, que escolheu a sua última morada no pequeno cemitério caiado de branco, onde há mais de uma década depositámos uma papoila na campa rasa – símbolo frágil e perene deste Alentejo milenar multicultural, deste fraterno corso. Depois da passarmos na Cuba (Cuba no Alentejo designa-se por na ou à Cuba) chegámos finalmente a Vila Alva, que divide com Vila de Frades a centralidade de capital do vinho de talha.

Ainda que o vinho no Alentejo remonte ao século VI a.C., foram os romanos que, no que concerne ao vinho, deixaram mais marcas na região.

Logo à chegada verificámos que a Adega do Cerejo estava encerrada. Depois de passarmos pelo lavadouro público, entrámos na Adega do Manuel Fernando, onde fomos recebidos pelo seu filho, o senhor José Francisco. Os comensais eram raros e sentámo-nos numa mesa junto à lareira. Seguindo o conselho do amigo José Roque, fomos preparados com uns petiscos e assámos logo uma linguiça com que nos “aconchegámos” numa degustação onde juntámos uns queijinhos de cabra, torresmos, com o imprescindível “panito” e umas alcagoitas, enquanto nos deliciávamos com um delicioso branco de talha – excepto a Zé Pinto, que provou um tinto, menos encorpado – e depois da segunda rodada fomos falar com o taberneiro.

José Francisco tem 64 anos e é filho de quem deu o nome à adega, Manuel Fernando, Recorda que tinha 16 anos, há cerca de meio século, portanto, quando o pai comprou a adega à família dos Abreu Abrantes, uma família rica da vila. Depois de um curto período, trabalhou como mecânico, mas aos 22 anos começou a dedicar-se a esta vida, como diz.

Manuel Fernando, que explora um café na vila, todos os anos deixa tudo e, entre Novembro e Março, passa os seus dias na adega que é conhecida pelo nome do seu pai.

“É uma forma de estar com os amigos”, diz, sorrindo, mas, agora com um ar mais sério, depois de referir que este período de quase meio ano é passado completamente dedicado ao vinho de talha, remata: “É mantermos a nossa cultura, a nossa identidade.”

Depois fala de outros tempos, há 60 ou 70 anos, em que todas as seis ou sete famílias ricas de Vila Alva produziam vinho de talha, tinham pelo menos quatro ou cinco talhas cada uma, sobretudo para autoconsumo. Termina referindo que actualmente existem dezenas de talhas que não estão a ser utilizadas, o que é corroborado por um seu amigo e cliente habitual, João Campeão, que se juntou à conversa.

O que é o vinho de talha

Ainda que o vinho no Alentejo remonte ao século VI a.C., foram os romanos que, no que concerne ao vinho, deixaram mais marcas na região, como refere o amigo Manuel Baiôa, nomeadamente “os dolias” (dolium ou talhas de grandes dimensões) para a fermentação e o armazenamento e as ânforas para o armazenamento e o transporte do vinho.”

O produtor e amigo João Canena, da Cuba, considerado o maior produtor de vinho de talha, é responsável por mais de 100 mil litros de vinho, onde a maior parte tem o certificado DOC Talha, e na actualidade reparte com a Adega Cooperativa de Vidigueira, Cuba e Alvito a visibilidade na divulgação de vinho de talha.

Todavia, é Vila Alva que parece manter a maior autenticidade na tradição do vinho de talha.

Está em curso uma candidatura do vinho de talha a Património da Humanidade, liderada pelo Município de Vidigueira, mas com a participação de outros 18 municípios alentejanos.


O autor escreve segundo a norma anterior ao Acordo Ortográfico adoptado em 2009.

Portugal e estas eleições, ou um país doente
Vinho de talha, património milenar
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Portugal e estas eleições, ou um país doente
categoria-opinião Legislação laboral Motoristas edicao-2026-01-08 (10)

Portugal e estas eleições, ou um país doente

Vivemos, argumenta o autor, “o momento mais sério e perigoso dos últimos 50 anos” porque “os Portugueses só obedecem a uma lei: ao seu individualismo, ao seu egoísmo primário”.

António Carlos Cortez
Vinho de talha, património milenar
categoria-património Alentejo Vinho edicao-2026-01-08 (10)

Vinho de talha, património milenar

Com este texto de Eduardo M. Raposo, o Maio inaugura uma secção sobre Património.

Eduardo M. Raposo

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