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OS ESTATUTOS DO HOMEM (Ato Institucional Permanente)
categoria-um poema edicao-2026-05-07 (26)

OS ESTATUTOS DO HOMEM (Ato Institucional Permanente)

A Carlos Heitor Cony Artigo I. Fica decretado que agora vale a verdade. que agora vale a vida, e que de mãos dadas, trabalharemos todos pela vida verdadeira. Artigo II. Fica decretado que todos os dias da semana, inclusive as terças-feiras mais cinzentas, têm direito a converter-se em

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Terceiro erro mundial
categoria-um poema edicao-2026-04-30 (25)

Terceiro erro mundial

os estados unidos bombardearam o irão penso que é assim que se escreve em linguagem hermética é que na televisão diz-se que começou a guerra e logo agora que tinha chegado a primavera fiz hoje a lista mais ridícula de todas as listas que já se fizeram e olhem

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CARTA REVOLUCIONÁRIA #2
categoria-um poema edicao-2026-04-23 (24)

CARTA REVOLUCIONÁRIA #2

O valor da vida individual um lema ensinado pra nos incutir medo, e inação, “você só vive uma vez” névoa em nossos olhos, nós somos infinitos feito o mar, inseparáveis, morremos um milhão de vezes ao dia, nascemos um milhão de vezes, vida e morte a cada sopro: levante-se,

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(sem título)
categoria-um poema edicao-2026-04-16 (23)

(sem título)

– Não quero trabalhar nem estudar, o que eu quero é namorar. –  disse a princesa e cruzou os braços. Dormia de braços cruzados e tinham de lhe dar de comer porque a princesa só podia abrir os braços para abraçar o namorado e não havia nenhum namorado para ela. Quando se

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Melopeias (trecho)
categoria-um poema edicao-2026-04-09 (22)

Melopeias (trecho)

Poderemos, então, para além da poeira e da ondulação dos dias, litigar no vazio o mais singelo dos gestos? Somos os Ginetes galgando a correnteza, viemos para acentuar as sílabas ao vento, o fio aprumo na equidade do Homem. Somos plurais e simultâneos! No traço que circunscreve a duração perfeita,

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(sem título)
categoria-um poema edicao-2026-03-26 (21)

(sem título)

Ainda não é o fim Nem o princípio do mundo                       Calma É apenas um pouco tarde Manuel António Pina, Todas as palavras – poesia reunida (1974-2011). Porto: Assírio & Alvim, 2012, p. 7

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Gansos selvagens
categoria-um poema edicao-2026-03-19 (20)

Gansos selvagens

Não tens que ser bom. Não tens que caminhar ajoelhado durante quilómetros através do deserto, em sinal de arrependimento. Só tens que deixar o afável animal do teu corpo amar aquilo que ama. Fala-me do teu desespero e eu falar-te-ei do meu. Entretanto o mundo não pára.

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(sem Título)
categoria-um poema edicao-2026-03-12 (19)

(sem Título)

Um coração de sangue Um coração de xisto e aço Um coração angular e redondo Como a pedra que te abre Do interior do chão Um coração solar De granito De carne Curado da noite de nascença Um coração de homem Um coração de homem vivo Um coração de criança

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(sem Título)
categoria-um poema edicao-2026-03-05 (18)

(sem Título)

Uma vez quiseram-me louca, a arder e eu ardi com a discrição de um fogo posto porque a cura vai na mesma direcção que a nossa febre Ateei-me como um relâmpago inesperado à luz do dia Eu parecia uma basílica em chamas de altar por estrear, a arder

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Adónde iréi conmigo? Dónde me esconderéi?
categoria-um poema edicao-2026-02-26 (17)

Adónde iréi conmigo? Dónde me esconderéi?

¿Adónde iréi conmigo? ¿Dónde me esconderéi, que xa ninguén me vexa i eu non vexa a ninguén?  A luz do día asómbrame, pasmame a das estrelas,  i as olladas d·os homes na ialma me penetran.  I é que o que dentro levo de min, penso que ó rostro  me

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Moda do Entrudo
categoria-um poema edicao-2026-02-19 (16)

Moda do Entrudo

Ó entrudo ó entrudo Ó entrudo chocalheiro Que não deixas assentar As mocinhas ao solheiro Eu quero ir para o monte Eu quero ir para o monte Que no monte é qu’eu estou bem Que no monte é qu’eu estou bem Eu quero ir para o monte Eu

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Streets of Minneapolis
categoria-um poema edicao-2026-02-05 (14)

Streets of Minneapolis

Pelo gelo e frio do inverno Descendo a Avenida Nicollet, Arrostou a cidade ardente fogo e gelo Sob o tacão dum ocupante. O exército privado d’el-rei Trump, Armas a escorrer pelos blusões, Vinha trazer a lei a Minneapolis Ou assim contaram eles Contra fumo e balas de borracha,

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categoria-um poema edicao-2026-05-07 (26)

OS ESTATUTOS DO HOMEM (Ato Institucional Permanente)

A Carlos Heitor Cony

Artigo I.

Fica decretado que agora vale a verdade.
que agora vale a vida,
e que de mãos dadas,
trabalharemos todos pela vida verdadeira.



Artigo II.

Fica decretado que todos os dias da semana,
inclusive as terças-feiras mais cinzentas,
têm direito a converter-se em manhãs de domingo.



Artigo III.

Fica decretado que, a partir deste instante,
haverá girassóis em todas as janelas,
que os girassóis terão direito
a abrir-se dentro da sombra;
e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,
abertas para o verde onde cresce a esperança.



Artigo IV.

Fica decretado que o homem
não precisará nunca mais
duvidar do homem.
Que o homem confiará no homem
como a palmeira confia no vento,
como o vento confia no ar,
como o ar confia no campo azul do céu.


Parágrafo Único:

O homem confiará no homem
como um menino confia em outro menino.



Artigo V.

Fica decretado que os homens
estão livres do jugo da mentira.
Nunca mais será preciso usar
a couraça do silêncio
nem a armadura de palavras.
O homem se sentará à mesa
com seu olhar limpo
porque a verdade passará a ser servida
antes da sobremesa.



Artigo VI.

Fica estabelecida, durante dez séculos,
a prática sonhada pelo profeta Isaías,
e o lobo e o cordeiro pastarão juntos
e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.



Artigo VII.

Por decreto irrevogável fica estabelecido
o reinado permanente da justiça e da claridade,
e a alegria será uma bandeira generosa
para sempre desfraldada na alma do povo.



Artigo VIII.

Fica decretado que a maior dor
sempre foi e será sempre
não poder dar-se amor a quem se ama
e saber que é a água
que dá à planta o milagre da flor.



Artigo IX.

Fica permitido que o pão de cada dia
tenha no homem o sinal de seu suor.
Mas que sobretudo tenha sempre
o quente sabor da ternura.



Artigo X.

Fica permitido a qualquer pessoa,
a qualquer hora da vida,
o uso do traje branco.



Artigo XI.

Fica decretado, por definição,
que o homem é um animal que ama
e que por isso é belo.
muito mais belo que a estrela da manhã.



Artigo XII.

Decreta-se que nada será obrigado nem proibido.
tudo será permitido,
inclusive brincar com os rinocerontes
e caminhar pelas tardes
com uma imensa begônia na lapela.


Parágrafo único:
Só uma coisa fica proibida:
amar sem amor.



Artigo XIII.

Fica decretado que o dinheiro
não poderá nunca mais comprar
o sol das manhãs vindouras.
Expulso do grande baú do medo,
o dinheiro se transformará em uma espada fraternal
para defender o direito de cantar
e a festa do dia que chegou.



Artigo Final.

Fica proibido o uso da palavra liberdade.
a qual será suprimida dos dicionários
e do pântano enganoso das bocas.
A partir deste instante
a liberdade será algo vivo e transparente
como um fogo ou um rio,
e a sua morada será sempre
o coração do homem.

Diane di Prima
“Poemas Mais ou Menos de Amor e Outros Poemas”, Editora Jabuticaba, 2022.

Tradução de Fernanda Morse.

categoria-um poema edicao-2026-04-30 (25)

Terceiro erro mundial

os estados unidos bombardearam o irão
penso que é assim que se escreve
em linguagem hermética
é que na televisão diz-se
que começou a guerra
e logo agora que tinha chegado a primavera

fiz hoje a lista mais ridícula
de todas as listas que já se fizeram
e olhem que outrora compus
uma lista do ranking emocional das cadeiras cá de casa
uma lista dos eletrodomésticos segundo a confiança que tenho neles
uma lista de coisas que parecem maldições mas são só consequências
uma lista dos eventos mínimos que alteraram o rumo da minha vida

e mesmo assim
fiz hoje a lista mais ridícula de todas as listas

quando tudo passar
e vierem os americanos anexar os escombros
(eles ganham no fim, certo?)
vão encontrar
ensopada de sangue
dióxido de urânio UO2 (pólvora nuclear)
e esperança morta
a minha lista:
– ir buscar pão para congelar
– fazer um PPR
– comprar um berço (talvez dois)

Maria Miguel Oliveira da Silva
1.º prémio do Concurso «Poesia na Corda»,
realizado no âmbito do XXIV Festival Literário
Poesia à Mesa, em São João da Madeira

categoria-um poema edicao-2026-04-23 (24)

CARTA REVOLUCIONÁRIA #2

O valor da vida individual um lema ensinado
pra nos incutir medo, e inação, “você só vive uma vez”
névoa em nossos olhos, nós somos
infinitos feito o mar, inseparáveis, morremos
um milhão de vezes ao dia, nascemos
um milhão de vezes, vida e morte a cada sopro:
levante-se, calce os seus sapatos,
comece, alguém vai terminar.

Tribo

um organismo, uma carne, soprando alegria como as estrelas
sopram em nós o destino
continue, dê as mãos, se encarregue do negócio, milhares de filhos
cuidarão disso quando você cair, você crescerá
milhares de vezes no ventre de suas irmãs.

Diane di Prima
“Poemas Mais ou Menos de Amor e Outros Poemas”, Editora Jabuticaba, 2022.

Tradução de Fernanda Morse.

categoria-um poema edicao-2026-04-16 (23)

(sem título)

– Não quero trabalhar nem estudar, o que eu quero é namorar. –  disse a princesa e cruzou os braços.
Dormia de braços cruzados e tinham de lhe dar de comer porque a princesa só podia abrir os braços para abraçar o namorado e não havia nenhum namorado para ela.
Quando se acabou o dinheiro, acabaram-se as criadas e acabou a comida. A princesa morreu de fome, muito suja, mas sempre de braços cruzados.
E nem os cangalheiros nem os médicos legistas lhe conseguiram descruzar os braços porque nem os cangalheiros nem os médicos legistas eram o namorado da princesa de braços cruzados porque não havia namorado para ela.
Foi conservada em formol dentro de um frasco de vidro transparente para ser mostrada aos visitantes do Museu de História Natural. Na placa que dá informações sobre o conteúdo do frasco está escrito em latim: “só descruzará os braços quando lhe aparecer um namorado”. Todos no museu têm a esperança de que um dia um visitante saiba latim e seja o namorado da princesa de braços cruzados.
Mas a empregada do balcão do bar do Museu, menos positiva do que o resto do pessoal, resolveu fazer o mesmo que a princesa de braços cruzados. Por isso não há bicas para ninguém.

Manuel António Pina,
Todas as palavras – poesia reunida (1974-2011).
Porto: Assírio & Alvim, 2012, p. 7

categoria-um poema edicao-2026-04-09 (22)

Melopeias (trecho)

Poderemos, então, para além da poeira e da ondulação dos dias, litigar no vazio o mais singelo dos gestos?
Somos os Ginetes galgando a correnteza, viemos para acentuar as sílabas ao vento, o fio aprumo na equidade do Homem. Somos plurais e simultâneos!
No traço que circunscreve a duração perfeita, o corpo demuda-se na álgebra que se manifesta na própria finitude, e a nossa jornada é apenas um brevíssimo lapso de tempo, e a cada palavra proferida, ou antes inaudita, o asseverar de que renasceremos com as flores na próxima primavera.

António de Névada

categoria-um poema edicao-2026-03-19 (20)

Gansos selvagens

Não tens que ser bom.
Não tens que caminhar ajoelhado
durante quilómetros através do deserto, em sinal de arrependimento.
Só tens que deixar o afável animal do teu corpo amar aquilo que ama.
Fala-me do teu desespero e eu falar-te-ei do meu.
Entretanto o mundo não pára.
Entretanto o sol e os seixos transparentes da chuva
movem-se através da paisagem
sobre as pradarias e as árvores mais altas,
as montanhas e os rios.
Entretanto os gansos selvagens, lá no alto do céu de um límpido azul,
dirigem-se para casa de novo.
Quem quer que tu sejas, por mais solitário que estejas,
o mundo oferece-se à tua imaginação,
chama-te como os gansos selvagens, duma forma áspera e emocionante –
repetidamente anunciando o teu lugar
na família das coisas.

Mary Oliver
“Wild Geese” Dream Work,
Boston: Atlantic Monthly Press, 1986
Tradução de Jorge Sousa Braga

categoria-um poema edicao-2026-03-12 (19)

(sem Título)

Um coração de sangue
Um coração de xisto e aço
Um coração angular e redondo
Como a pedra que te abre
Do interior do chão
Um coração solar
De granito
De carne
Curado da noite de nascença

Um coração de homem
Um coração de homem vivo
Um coração de criança ao colo
Interior
-Mais interior do que o sangue no coração que me darás-
Peço um coração
Nuclear

Daniel Faria
Explicação das Árvores e de Outros Animais.
Lisboa: Assírio & Alvim, 1998

categoria-um poema edicao-2026-03-05 (18)

(sem Título)

Uma vez quiseram-me louca, a arder
e eu ardi com a discrição de
um fogo posto
porque a cura vai na mesma direcção
que a nossa febre
Ateei-me como um relâmpago inesperado
à luz do dia
Eu parecia uma basílica em chamas
de altar por estrear, a arder sozinha
Sempre me recusei a arder como os outros
Ardam-se mais à esquerda ou mais à direita
mais a vento de sul ou de norte,
mas labaredem-se, sejam fogos que ardem!
Porque pior que a desdita loucura
é toda a gente andar em brasa
mas ninguém chegar a incêndio
E no fim são todos cinza.

Cláudia R. Sampaio
Ver no Escuro, 1.ª edição,
Lisboa: Tinta-da-China, 2016.

categoria-um poema edicao-2026-02-26 (17)

Adónde iréi conmigo? Dónde me esconderéi?

¿Adónde iréi conmigo? ¿Dónde me esconderéi,
que xa ninguén me vexa i eu non vexa a ninguén? 
A luz do día asómbrame, pasmame a das estrelas, 
i as olladas d·os homes na ialma me penetran. 
I é que o que dentro levo de min, penso que ó rostro 
me sai, cal sai do mare ó cabo un corpo morto. 
¡ Houbera, e que saíra … !, mais non: dentro te levo, 
¡fantasma pavoroso des meus remordementos!

Rosalía de Castro
Poeta galega
(23 de fevereiro de 1837 –
15 de julho de 1885),
in Follas Novas (1880)

categoria-um poema edicao-2026-02-19 (16)

Moda do Entrudo

Ó entrudo ó entrudo
Ó entrudo chocalheiro
Que não deixas assentar
As mocinhas ao solheiro
Eu quero ir para o monte
Eu quero ir para o monte
Que no monte é qu’eu estou bem
Que no monte é qu’eu estou bem
Eu quero ir para o monte
Eu quero ir para o monte
Onde não veja ninguém
Que no monte é qu’eu estou bem
Estas casas são caiadas
Estas casas são caiadas
Quem seria a caiadeira
Quem seria a caiadeira
Foi o noivo mais a noiva
Foi o noivo mais a noiva
Com um ramo de laranjeira
Quem seria a caiadeira
categoria-um poema edicao-2026-02-05 (14)

Streets of Minneapolis

Pelo gelo e frio do inverno
Descendo a Avenida Nicollet,
Arrostou a cidade ardente fogo e gelo
Sob o tacão dum ocupante.
O exército privado d’el-rei Trump,
Armas a escorrer pelos blusões,
Vinha trazer a lei a Minneapolis
Ou assim contaram eles

Contra fumo e balas de borracha,
Reluzia o amanhecer,
De pé pela justiça,
Na noite a voz ecoou dos cidadãos,
A clemência não teve lugar,
Ficaram pegadas ensanguentadas,
Deitados à morte, dois, nas ruas nevadas
Alex Pretti e Renée Good

Oh, Minneapolis nossa, ouço a tua voz
A cantar na névoa de sangue.
Defenderemos esta terra
E o forasteiro no nosso seio
Aqui, em nossa casa, rusgaram, mataram
No inverno de 26
Recordaremos os nomes que morreram
Nas ruas de Minneapolis

Espancaram-no os jagunços de Trump
No rosto e no peito,
Soaram depois os tiros,
Alex Pretti jazeu na neve, morto.
Alegaram legítima defesa, senhor juiz,
Nos seus olhos não creia!
São o nosso sangue, os nossos ossos,
Mais estes apitos e telefones
Contra mentiras porcas do Miller e da Noem

Oh, Minneapolis nossa, ouço a tua voz
A cantar na névoa de sangue.
Recordaremos os nomes que morreram
Nas ruas de Minneapolis

Dizem vir para a lei cumprir,
Mas espezinham nossos direitos
Pele negra ou morena tens, amigo?
Que t’interrogam e deportam à vista!
No cântico «ICE fora, já!»,
Revive da cidade coração e alma
Nos vidros partidos e lágrimas de sangue
Das ruas de Minneapolis

Oh, Minneapolis nossa, ouço a tua voz
A cantar na névoa de sangue.
Aqui, em nossa casa, rusgaram, mataram
No inverno de 26
Defenderemos esta terra
E o forasteiro no nosso seio
Recordaremos os nomes que morreram
Nas ruas de Minneapolis
Recordaremos os nomes que morreram
Nas ruas de Minneapolis

Fora ICE (Fora ICE)
Fora ICE (Fora ICE)
Fora ICE (Fora ICE)
Fora ICE (Fora ICE)
Fora ICE (Fora ICE)
Fora ICE

Bruce Springsteen

OS ESTATUTOS DO HOMEM (Ato Institucional Permanente)
categoria-um poema edicao-2026-05-07 (26)

OS ESTATUTOS DO HOMEM (Ato Institucional Permanente)

A Carlos Heitor Cony Artigo I. Fica decretado que agora vale a verdade. que agora vale a vida, e que de mãos dadas, trabalharemos todos pela vida verdadeira. Artigo II. Fica decretado que todos os dias da semana, inclusive as terças-feiras mais cinzentas, têm direito a converter-se em

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Terceiro erro mundial
categoria-um poema edicao-2026-04-30 (25)

Terceiro erro mundial

os estados unidos bombardearam o irão penso que é assim que se escreve em linguagem hermética é que na televisão diz-se que começou a guerra e logo agora que tinha chegado a primavera fiz hoje a lista mais ridícula de todas as listas que já se fizeram e olhem

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CARTA REVOLUCIONÁRIA #2
categoria-um poema edicao-2026-04-23 (24)

CARTA REVOLUCIONÁRIA #2

O valor da vida individual um lema ensinado pra nos incutir medo, e inação, “você só vive uma vez” névoa em nossos olhos, nós somos infinitos feito o mar, inseparáveis, morremos um milhão de vezes ao dia, nascemos um milhão de vezes, vida e morte a cada sopro: levante-se,

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(sem título)
categoria-um poema edicao-2026-04-16 (23)

(sem título)

– Não quero trabalhar nem estudar, o que eu quero é namorar. –  disse a princesa e cruzou os braços. Dormia de braços cruzados e tinham de lhe dar de comer porque a princesa só podia abrir os braços para abraçar o namorado e não havia nenhum namorado para ela. Quando se

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Melopeias (trecho)
categoria-um poema edicao-2026-04-09 (22)

Melopeias (trecho)

Poderemos, então, para além da poeira e da ondulação dos dias, litigar no vazio o mais singelo dos gestos? Somos os Ginetes galgando a correnteza, viemos para acentuar as sílabas ao vento, o fio aprumo na equidade do Homem. Somos plurais e simultâneos! No traço que circunscreve a duração perfeita,

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(sem título)
categoria-um poema edicao-2026-03-26 (21)

(sem título)

Ainda não é o fim Nem o princípio do mundo                       Calma É apenas um pouco tarde Manuel António Pina, Todas as palavras – poesia reunida (1974-2011). Porto: Assírio & Alvim, 2012, p. 7

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Gansos selvagens
categoria-um poema edicao-2026-03-19 (20)

Gansos selvagens

Não tens que ser bom. Não tens que caminhar ajoelhado durante quilómetros através do deserto, em sinal de arrependimento. Só tens que deixar o afável animal do teu corpo amar aquilo que ama. Fala-me do teu desespero e eu falar-te-ei do meu. Entretanto o mundo não pára.

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(sem Título)
categoria-um poema edicao-2026-03-12 (19)

(sem Título)

Um coração de sangue Um coração de xisto e aço Um coração angular e redondo Como a pedra que te abre Do interior do chão Um coração solar De granito De carne Curado da noite de nascença Um coração de homem Um coração de homem vivo Um coração de criança

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(sem Título)
categoria-um poema edicao-2026-03-05 (18)

(sem Título)

Uma vez quiseram-me louca, a arder e eu ardi com a discrição de um fogo posto porque a cura vai na mesma direcção que a nossa febre Ateei-me como um relâmpago inesperado à luz do dia Eu parecia uma basílica em chamas de altar por estrear, a arder

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Adónde iréi conmigo? Dónde me esconderéi?
categoria-um poema edicao-2026-02-26 (17)

Adónde iréi conmigo? Dónde me esconderéi?

¿Adónde iréi conmigo? ¿Dónde me esconderéi, que xa ninguén me vexa i eu non vexa a ninguén?  A luz do día asómbrame, pasmame a das estrelas,  i as olladas d·os homes na ialma me penetran.  I é que o que dentro levo de min, penso que ó rostro  me

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Moda do Entrudo
categoria-um poema edicao-2026-02-19 (16)

Moda do Entrudo

Ó entrudo ó entrudo Ó entrudo chocalheiro Que não deixas assentar As mocinhas ao solheiro Eu quero ir para o monte Eu quero ir para o monte Que no monte é qu’eu estou bem Que no monte é qu’eu estou bem Eu quero ir para o monte Eu

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Streets of Minneapolis
categoria-um poema edicao-2026-02-05 (14)

Streets of Minneapolis

Pelo gelo e frio do inverno Descendo a Avenida Nicollet, Arrostou a cidade ardente fogo e gelo Sob o tacão dum ocupante. O exército privado d’el-rei Trump, Armas a escorrer pelos blusões, Vinha trazer a lei a Minneapolis Ou assim contaram eles Contra fumo e balas de borracha,

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