categoria-um poema

(sem Título)
categoria-um poema edicao-2026-03-05 (18)

(sem Título)

Uma vez quiseram-me louca, a arder e eu ardi com a discrição de um fogo posto porque a cura vai na mesma direcção que a nossa febre Ateei-me como um relâmpago inesperado à luz do dia Eu parecia uma basílica em chamas de altar por estrear, a arder

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Adónde iréi conmigo? Dónde me esconderéi?
categoria-um poema edicao-2026-02-26 (17)

Adónde iréi conmigo? Dónde me esconderéi?

¿Adónde iréi conmigo? ¿Dónde me esconderéi, que xa ninguén me vexa i eu non vexa a ninguén?  A luz do día asómbrame, pasmame a das estrelas,  i as olladas d·os homes na ialma me penetran.  I é que o que dentro levo de min, penso que ó rostro  me

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Moda do Entrudo
categoria-um poema edicao-2026-02-19 (16)

Moda do Entrudo

Ó entrudo ó entrudo Ó entrudo chocalheiro Que não deixas assentar As mocinhas ao solheiro Eu quero ir para o monte Eu quero ir para o monte Que no monte é qu’eu estou bem Que no monte é qu’eu estou bem Eu quero ir para o monte Eu

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Streets of Minneapolis
categoria-um poema edicao-2026-02-05 (14)

Streets of Minneapolis

Pelo gelo e frio do inverno Descendo a Avenida Nicollet, Arrostou a cidade ardente fogo e gelo Sob o tacão dum ocupante. O exército privado d’el-rei Trump, Armas a escorrer pelos blusões, Vinha trazer a lei a Minneapolis Ou assim contaram eles Contra fumo e balas de borracha,

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Em vez de continuarem a cuspir
categoria-um poema edicao-2026-01-22 (12)

Em vez de continuarem a cuspir

Em vez de continuarem a cuspir, enxuguem a baba, metam os sapatinhos de vela o colarinho branco, e olhem fixamente para a câmara: podem dizer mal de mim, mas sorriam. Não desperdicem as últimas três gotas de Chanel n.º 5 que o ódio vos borrifou nos pulsos. Usem sempre

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Eu não tinha nada de felino, tu sabias
categoria-um poema edicao-2026-01-15 (11)

Eu não tinha nada de felino, tu sabias

Eu não tinha nada de felino, tu sabias que eu não tinha nada de felino. Nenhum de nós se admirou quando medi mal a distância e falhei o salto. Enquanto ia no ar parecia que era um salto bom, porém houve qualquer coisa que correu mal e caí com estrondo

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Verdade
categoria-um poema edicao-2026-01-08 (10)

Verdade

A porta da verdade estava aberta, mas só deixava passar meia pessoa de cada vez. Assim não era possível atingir toda a verdade, porque a meia pessoa que entrava só trazia o perfil de meia verdade. E sua segunda metade voltava igualmente com meio perfil. E os dois meios perfis

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O longo silêncio do anjo
categoria-um poema edicao-2025-12-18 (09)

O longo silêncio do anjo

Há um anjo que não fala é o anjo do silêncio observa os homens e sabe como a sua memória se aloja na devastação no pulsar do sangue nas pedras da cidade agora destruída. O anjo do silêncio espera talvez um sinal mas o céu permanece fechado e os homens

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TECENDO A MANHÃ
categoria-um poema edicao-2025-12-12 (08)

TECENDO A MANHÃ

Um galo sozinho não tece uma manhã: ele precisará sempre de outros galos. De um que apanhe esse grito que ele e o lance a outro; de um outro galo que apanhe o grito de um galo antes e o lance a outro; e de outros galos que com muitos

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A contracorrente
categoria-um poema edicao-2025-11-27 (06)

A contracorrente

Viajo em contramão Reverto sempre o sentido Apanho tudo pela frente Sigo em contracorrente Os olhares que me reprovam Servem-me de alimento Deixei de deixar que me digam Qual o caminho certo Se os outros na sua viagem Seguem a medo, pela margem Quando a vida é um rio

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NOSSO TEMPO
categoria-um poema edicao-2025-11-13 (04)

NOSSO TEMPO

Esse é tempo de partido, tempo de homens partidos. Em vão percorremos volumes, viajamos e nos colorimos. A hora pressentida esmigalha-se em pó na rua. Os homens pedem carne. Fogo. Sapatos. As leis não bastam. Os lírios não nascem da lei. Meu nome é tumulto, e escreve-se na

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Pornografia
categoria-um poema edicao-2025-11-06 (03)

Pornografia

Onde se esconde o pornográfico?  No púbis rapado de uma mulher de coxas expostas no pénis erecto de um amante excitado  no ousado perfil de um corpo chamando desejo  ou no ventre cheio de uma criança subnutrida? Onde se esconde o atentado à moral?  No custo sem preço de uma

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categoria-um poema edicao-2026-03-05 (18)

(sem Título)

Uma vez quiseram-me louca, a arder
e eu ardi com a discrição de
um fogo posto
porque a cura vai na mesma direcção
que a nossa febre
Ateei-me como um relâmpago inesperado
à luz do dia
Eu parecia uma basílica em chamas
de altar por estrear, a arder sozinha
Sempre me recusei a arder como os outros
Ardam-se mais à esquerda ou mais à direita
mais a vento de sul ou de norte,
mas labaredem-se, sejam fogos que ardem!
Porque pior que a desdita loucura
é toda a gente andar em brasa
mas ninguém chegar a incêndio
E no fim são todos cinza.

Cláudia R. Sampaio
Ver no Escuro, 1.ª edição,
Lisboa: Tinta-da-China, 2016.

categoria-um poema edicao-2026-02-26 (17)

Adónde iréi conmigo? Dónde me esconderéi?

¿Adónde iréi conmigo? ¿Dónde me esconderéi,
que xa ninguén me vexa i eu non vexa a ninguén? 
A luz do día asómbrame, pasmame a das estrelas, 
i as olladas d·os homes na ialma me penetran. 
I é que o que dentro levo de min, penso que ó rostro 
me sai, cal sai do mare ó cabo un corpo morto. 
¡ Houbera, e que saíra … !, mais non: dentro te levo, 
¡fantasma pavoroso des meus remordementos!

Rosalía de Castro
Poeta galega
(23 de fevereiro de 1837 –
15 de julho de 1885),
in Follas Novas (1880)

categoria-um poema edicao-2026-02-19 (16)

Moda do Entrudo

Ó entrudo ó entrudo
Ó entrudo chocalheiro
Que não deixas assentar
As mocinhas ao solheiro
Eu quero ir para o monte
Eu quero ir para o monte
Que no monte é qu’eu estou bem
Que no monte é qu’eu estou bem
Eu quero ir para o monte
Eu quero ir para o monte
Onde não veja ninguém
Que no monte é qu’eu estou bem
Estas casas são caiadas
Estas casas são caiadas
Quem seria a caiadeira
Quem seria a caiadeira
Foi o noivo mais a noiva
Foi o noivo mais a noiva
Com um ramo de laranjeira
Quem seria a caiadeira
categoria-um poema edicao-2026-02-05 (14)

Streets of Minneapolis

Pelo gelo e frio do inverno
Descendo a Avenida Nicollet,
Arrostou a cidade ardente fogo e gelo
Sob o tacão dum ocupante.
O exército privado d’el-rei Trump,
Armas a escorrer pelos blusões,
Vinha trazer a lei a Minneapolis
Ou assim contaram eles

Contra fumo e balas de borracha,
Reluzia o amanhecer,
De pé pela justiça,
Na noite a voz ecoou dos cidadãos,
A clemência não teve lugar,
Ficaram pegadas ensanguentadas,
Deitados à morte, dois, nas ruas nevadas
Alex Pretti e Renée Good

Oh, Minneapolis nossa, ouço a tua voz
A cantar na névoa de sangue.
Defenderemos esta terra
E o forasteiro no nosso seio
Aqui, em nossa casa, rusgaram, mataram
No inverno de 26
Recordaremos os nomes que morreram
Nas ruas de Minneapolis

Espancaram-no os jagunços de Trump
No rosto e no peito,
Soaram depois os tiros,
Alex Pretti jazeu na neve, morto.
Alegaram legítima defesa, senhor juiz,
Nos seus olhos não creia!
São o nosso sangue, os nossos ossos,
Mais estes apitos e telefones
Contra mentiras porcas do Miller e da Noem

Oh, Minneapolis nossa, ouço a tua voz
A cantar na névoa de sangue.
Recordaremos os nomes que morreram
Nas ruas de Minneapolis

Dizem vir para a lei cumprir,
Mas espezinham nossos direitos
Pele negra ou morena tens, amigo?
Que t’interrogam e deportam à vista!
No cântico «ICE fora, já!»,
Revive da cidade coração e alma
Nos vidros partidos e lágrimas de sangue
Das ruas de Minneapolis

Oh, Minneapolis nossa, ouço a tua voz
A cantar na névoa de sangue.
Aqui, em nossa casa, rusgaram, mataram
No inverno de 26
Defenderemos esta terra
E o forasteiro no nosso seio
Recordaremos os nomes que morreram
Nas ruas de Minneapolis
Recordaremos os nomes que morreram
Nas ruas de Minneapolis

Fora ICE (Fora ICE)
Fora ICE (Fora ICE)
Fora ICE (Fora ICE)
Fora ICE (Fora ICE)
Fora ICE (Fora ICE)
Fora ICE

Bruce Springsteen

categoria-um poema edicao-2026-01-22 (12)

Em vez de continuarem a cuspir

Em vez de continuarem a cuspir,
enxuguem a baba,
metam os sapatinhos de vela
o colarinho branco,
e olhem fixamente para a câmara:
podem dizer mal de mim,
mas sorriam.
Não desperdicem
as últimas três gotas de Chanel n.º 5
que o ódio vos borrifou nos pulsos.
Usem sempre as melhores cartas,
citem-me,
sejam lordes quando espetam a navalha.

Eu sei quem são,
conheço o vosso heiro.
Eu também ganho as minhas medalhas
em lares, creches e hospitais.
Podem, se quiserem,
ir ao céu,
mas isso não implica que encontrem Deus.

Agora não façam de mim
este bicho exótico
apanhado de surpresa,
enquanto preparava um cocktail
molotov no penico
do seu habitat natural.
Não me cortem as garras,
nem me domestiquem a cama.
Se não conseguem encontrar a saída,
se acertaram em cheio,
neste buraco vazio,
fiquem e lavem-se!
Daqui ninguém sai com fome.

Golgona Anghel

categoria-um poema edicao-2026-01-15 (11)

Eu não tinha nada de felino, tu sabias

Eu não tinha nada de felino, tu sabias
que eu não tinha nada de felino.
Nenhum de nós se admirou quando
medi mal a distância e falhei o salto.
Enquanto ia no ar parecia que era
um salto bom, porém houve qualquer
coisa que correu mal e caí com estrondo
no chão. Ninguém riu. Não era caso
para rir. Grande ilusão ir pelo ar a pensar
que o salto podia ser bom, sem eu ter
nada de felino, sem nunca ter treinado,
sem fazer sequer aquecimento, sem
olho para medir distâncias. Saber medir
distâncias é uma coisa muito importante,
pode falhar-se a vida por milímetros.

Helder Moura Pereira
Telhados de Vidro n. 20, Setembro de 2015

categoria-um poema edicao-2026-01-08 (10)

Verdade

A porta da verdade estava aberta,
mas só deixava passar
meia pessoa de cada vez.

Assim não era possível atingir toda a verdade,
porque a meia pessoa que entrava
só trazia o perfil de meia verdade.

E sua segunda metade
voltava igualmente com meio perfil.
E os dois meios perfis não coincidiam.

Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
Chegaram a um lugar luminoso
onde a verdade esplendia seus fogos.
Era dividida em duas metades,
diferentes uma da outra.

Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
As duas eram totalmente belas.
Mas carecia optar. Cada um optou conforme
seu capricho, sua ilusão, sua miopia.

Carlos Drummond de Andrade
Poesia completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2002

categoria-um poema edicao-2025-12-12 (08)

TECENDO A MANHÃ

Um galo sozinho não tece uma manhã:
ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro; de um outro galo
que apanhe o grito de um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzem
os fios de sol de seus gritos de galo,
para que a manhã, desde uma teia tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos.

E se encorpando em tela, entre todos,
se erguendo tenda, onde entrem todos,
se entretendendo para todos, no toldo
(a manhã) que plana livre de armação.

A manhã, toldo de um tecido tão aéreo
que, tecido, se eleva por si: luz balão.

João Cabral de Melo Neto
In: MELO NETO, João Cabral de.
Obra completa: volume único. Org. Marly de Oliveira.
Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994. p. 345.

categoria-um poema edicao-2025-11-27 (06)

A contracorrente

Viajo em contramão
Reverto sempre o sentido
Apanho tudo pela frente
Sigo em contracorrente
Os olhares que me reprovam
Servem-me de alimento
Deixei de deixar que me digam
Qual o caminho certo
Se os outros na sua viagem
Seguem a medo, pela margem
Quando a vida é um rio
Que flui até ao mar
Quero deixar-me ficar
A contemplar os olhares
Daqueles também perdidos
Cheios de nada, vendidos
Fitam um novo horizonte
Que viram na televisão
Não me guio pela ilusão
De julgar os que me julgam
Seguir sem esforço, levado
Pela corrente, guiado
Aprecio o desconforto
De seguir em contramão

Aires Fumega

categoria-um poema edicao-2025-11-13 (04)

NOSSO TEMPO

Esse é tempo de partido,
tempo de homens partidos.

Em vão percorremos volumes,
viajamos e nos colorimos.
A hora pressentida esmigalha-se em pó na rua.
Os homens pedem carne. Fogo. Sapatos.
As leis não bastam. Os lírios não nascem
da lei. Meu nome é tumulto, e escreve-se
na pedra.

Visito os fatos, não te encontro.
Onde te ocultas, precária síntese,
penhor de meu sono, luz
dormindo acesa na varanda?
Miúdas certezas de empréstimos, nenhum beijo
sobe ao ombro para contar-me
a cidade dos homens completos.

Calo-me, espero, decifro.
As coisas talvez melhorem.
São tão fortes as coisas!
Mas eu não sou as coisas e me revolto.
Tenho palavras em mim buscando canal,
são roucas e duras,
irritadas, enérgicas,
comprimidas há tanto tempo,
perderam o sentido, apenas querem explodir

*Carlos Drummond de Andrade
“Nosso Tempo”, de A Rosa do Povo (1945),
in Poesia Completa, Nova Aguilar,
Rio de Janeiro, 2003.

categoria-um poema edicao-2025-11-06 (03)

Pornografia

Onde se esconde o pornográfico? 
No púbis rapado de uma mulher de coxas expostas
no pénis erecto de um amante excitado 
no ousado perfil de um corpo chamando desejo 
ou no ventre cheio de uma criança subnutrida?

Onde se esconde o atentado à moral? 
No custo sem preço de uma bala perdida 
no peito de balas violado de uma camponesa 
no sexo à baioneta trespassado de uma mãe indefesa 
ou na sofreguidão com que bebo da tua boca querida?

Onde se esconde a pouca-vergonha? 
Na sorte sem nome de um refugiado 
no destino sem sorte de um raptado 
ou nos teus seios nus de moça atrevida? 

Onde se escondem as moscas e a porcaria? 
No brinco inútil de uma orelha cortada 
na cirurgia de um nariz de plástico 
ou na carícia das nossas mãos trocando alegrias? 

Pornográfico será o lençol de sémen manchado 
ou antes e sempre o vermelho do sangue na terra semeado?

Adriano Alcântara
Publicado originalmente em Xiphefo, nº 4, Fevereiro-Março de 1988 (Inhambane, Moçambique)

(sem Título)
categoria-um poema edicao-2026-03-05 (18)

(sem Título)

Uma vez quiseram-me louca, a arder e eu ardi com a discrição de um fogo posto porque a cura vai na mesma direcção que a nossa febre Ateei-me como um relâmpago inesperado à luz do dia Eu parecia uma basílica em chamas de altar por estrear, a arder

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Adónde iréi conmigo? Dónde me esconderéi?
categoria-um poema edicao-2026-02-26 (17)

Adónde iréi conmigo? Dónde me esconderéi?

¿Adónde iréi conmigo? ¿Dónde me esconderéi, que xa ninguén me vexa i eu non vexa a ninguén?  A luz do día asómbrame, pasmame a das estrelas,  i as olladas d·os homes na ialma me penetran.  I é que o que dentro levo de min, penso que ó rostro  me

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Moda do Entrudo
categoria-um poema edicao-2026-02-19 (16)

Moda do Entrudo

Ó entrudo ó entrudo Ó entrudo chocalheiro Que não deixas assentar As mocinhas ao solheiro Eu quero ir para o monte Eu quero ir para o monte Que no monte é qu’eu estou bem Que no monte é qu’eu estou bem Eu quero ir para o monte Eu

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Streets of Minneapolis
categoria-um poema edicao-2026-02-05 (14)

Streets of Minneapolis

Pelo gelo e frio do inverno Descendo a Avenida Nicollet, Arrostou a cidade ardente fogo e gelo Sob o tacão dum ocupante. O exército privado d’el-rei Trump, Armas a escorrer pelos blusões, Vinha trazer a lei a Minneapolis Ou assim contaram eles Contra fumo e balas de borracha,

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Em vez de continuarem a cuspir
categoria-um poema edicao-2026-01-22 (12)

Em vez de continuarem a cuspir

Em vez de continuarem a cuspir, enxuguem a baba, metam os sapatinhos de vela o colarinho branco, e olhem fixamente para a câmara: podem dizer mal de mim, mas sorriam. Não desperdicem as últimas três gotas de Chanel n.º 5 que o ódio vos borrifou nos pulsos. Usem sempre

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Eu não tinha nada de felino, tu sabias
categoria-um poema edicao-2026-01-15 (11)

Eu não tinha nada de felino, tu sabias

Eu não tinha nada de felino, tu sabias que eu não tinha nada de felino. Nenhum de nós se admirou quando medi mal a distância e falhei o salto. Enquanto ia no ar parecia que era um salto bom, porém houve qualquer coisa que correu mal e caí com estrondo

.
Verdade
categoria-um poema edicao-2026-01-08 (10)

Verdade

A porta da verdade estava aberta, mas só deixava passar meia pessoa de cada vez. Assim não era possível atingir toda a verdade, porque a meia pessoa que entrava só trazia o perfil de meia verdade. E sua segunda metade voltava igualmente com meio perfil. E os dois meios perfis

.
O longo silêncio do anjo
categoria-um poema edicao-2025-12-18 (09)

O longo silêncio do anjo

Há um anjo que não fala é o anjo do silêncio observa os homens e sabe como a sua memória se aloja na devastação no pulsar do sangue nas pedras da cidade agora destruída. O anjo do silêncio espera talvez um sinal mas o céu permanece fechado e os homens

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TECENDO A MANHÃ
categoria-um poema edicao-2025-12-12 (08)

TECENDO A MANHÃ

Um galo sozinho não tece uma manhã: ele precisará sempre de outros galos. De um que apanhe esse grito que ele e o lance a outro; de um outro galo que apanhe o grito de um galo antes e o lance a outro; e de outros galos que com muitos

.
A contracorrente
categoria-um poema edicao-2025-11-27 (06)

A contracorrente

Viajo em contramão Reverto sempre o sentido Apanho tudo pela frente Sigo em contracorrente Os olhares que me reprovam Servem-me de alimento Deixei de deixar que me digam Qual o caminho certo Se os outros na sua viagem Seguem a medo, pela margem Quando a vida é um rio

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NOSSO TEMPO
categoria-um poema edicao-2025-11-13 (04)

NOSSO TEMPO

Esse é tempo de partido, tempo de homens partidos. Em vão percorremos volumes, viajamos e nos colorimos. A hora pressentida esmigalha-se em pó na rua. Os homens pedem carne. Fogo. Sapatos. As leis não bastam. Os lírios não nascem da lei. Meu nome é tumulto, e escreve-se na

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Pornografia
categoria-um poema edicao-2025-11-06 (03)

Pornografia

Onde se esconde o pornográfico?  No púbis rapado de uma mulher de coxas expostas no pénis erecto de um amante excitado  no ousado perfil de um corpo chamando desejo  ou no ventre cheio de uma criança subnutrida? Onde se esconde o atentado à moral?  No custo sem preço de uma

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