Jornal Maio
Extração
Segundo o dicionário da Porto Editora, eis as principais correspondências deste nome feminino: 1. ato ou efeito de extrair, de tirar; 2. Arrancamento; 3. operação cirúrgica para remoção de um órgão ou de um objeto estranho que se tenha alojado no corpo; 4. Sorteio. Em termos militares também se vulgarizou
Segundo o dicionário da Porto Editora, eis as principais correspondências deste nome feminino: 1. ato ou efeito de extrair, de tirar; 2. Arrancamento; 3. operação cirúrgica para remoção de um órgão ou de um objeto estranho que se tenha alojado no corpo; 4. Sorteio. Em termos militares também se vulgarizou para designar a saída planeada ou forçada de militares de uma área de operações.
EM NOVILÍNGUA:
O rapto do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelos EUA começou por ser designado por este termo neutro, extração. Também foram usados termos como captura, ou, em inglês, seizing. Terá havido indicações de certos meios de comunicação para usar captura, ou seizing, mas nunca rapto ou sequestro. Também assim se molda a “opinião pública”. ASP
Guerra e resistência
O dossiê deste número do Maio é dedicado à guerra e à resistência a ela pelos povos, com textos sobre a Ucrânia e a Venezuela, sobre a nova “Estratégia de Segurança Nacional” norte-americana, a falência da União Europeia, a resistência da juventude alemã à reintrodução do serviço militar obrigatório

O dossiê deste número do Maio é dedicado à guerra e à resistência a ela pelos povos, com textos - de debate e com divergências - sobre a Ucrânia e a Venezuela, sobre a nova “Estratégia de Segurança Nacional” norte-americana, a falência da União Europeia, a resistência da juventude alemã à reintrodução do serviço militar obrigatório e um exemplo histórico de resistência em condições extremas: um jornal clandestino produzido e difundido entre as tropas alemãs durante a ocupação nazi de França que recordava aos soldados da Wehrmacht que por debaixo da farda que envergavam havia um trabalhador. Porque “mesmo na noite mais triste, em tempo de servidão, há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não”.







Greve dos trabalhadores da saúde às horas extras e cirurgias adicionais (SIGIC)
JAN.01
Manif contra Altri, Galiza
Meritocracia
Segundo o dicionário da Porto Editora, corresponde a: 1) forma de liderança que se baseia no mérito pessoal, em vez de se basear em riqueza ou estatuto social; 2) sistema social que se baseia nessa forma de liderança. EM NOVILÍNGUA: Segundo artigo de Sergio C. Fanjul no El País: “Soa
Segundo o dicionário da Porto Editora, corresponde a: 1) forma de liderança que se baseia no mérito pessoal, em vez de se basear em riqueza ou estatuto social; 2) sistema social que se baseia nessa forma de liderança.
EM NOVILÍNGUA:
Segundo artigo de Sergio C. Fanjul no El País: “Soa bem, e dizem-nos muitas vezes que vivemos numa meritocracia”. “Mas vários especialistas consultados alertam: a meritocracia não existe nas nossas sociedades e não está claro que a sua existência nos traga virtude. Nas últimas décadas o fosso entre vencedores e perdedores aumentou, gerando sociedades mais polarizadas e desiguais em rendimentos e riqueza.” A conceptualização do sucesso também mudou: “Os que chegaram ao topo acreditam que o seu sucesso é obra sua, evidência do seu mérito superior, e que os que ficam para trás merecem o seu destino”, diz o filósofo da Universidade de Harvard Michael Sandel, autor do livro A Tirania do Mérito (Presença, 2022). ASP
Alentejo: trabalho forçado e destruição ecológica
Dezenas ou centenas de milhares de trabalhadores, na esmagadora maioria imigrantes, trabalham de sol a sol nos campos portugueses, em condições indignas do século XIX, quanto mais do século XXI.
Já não os empregam tanto os velhos latifundiários de antes da revolução. Com a União Europeia e o comércio livre, entrou no país, principalmente nos campos do Alentejo, uma nova espécie invasora: os grandes investidores e fundos especializados em extorquir o máximo de fundos, o máximo de trabalho e o máximo de azeite e de frutos da terra do mínimo de investimento, de terra e de trabalhadores.
Alguns comandam e servem máfias que organizam um tráfico de seres humanos digno dos tempos da escravatura. Sugam a água e os recursos naturais, esgotam e destroem os solos, expulsam as populações e a cultura popular e escravizam quem os traficantes lhes trazem.






Duas repúblicas
Há uma relação estreita entre a Operação Safra Justa, no Alentejo, a greve geral de 11 de dezembro e as eleições presidenciais de janeiro próximo. Este número do Maio inclui um dossiê sobre “trabalho forçado e destruição ecológica no Alentejo” que ilustra bem esta relação.
Há uma relação estreita entre a Operação Safra Justa, no Alentejo, a greve geral de 11 de dezembro e as eleições presidenciais de janeiro próximo.
Este número do Maio inclui um dossiê sobre “trabalho forçado e destruição ecológica no Alentejo” que ilustra bem esta relação.
A “Safra Justa” revelou, ou melhor, relembrou que existem no país duas repúblicas.
Uma, “secreta”, tem sido progressivamente instaurada nos campos e no interior, particularmente no Alentejo.
Esta república é governada por máfias capitalistas que se escondem atrás de sociedades unipessoais e “empresas” de trabalho temporário, ao serviço de fundos de investimento “anónimos” com sede na América ou no país vizinho. Têm ao seu serviço chefias da polícia e procuradores, que dispõem de milícias, em cujas fileiras também se contam polícias ou militares da GNR, que patrulham herdades e guardam campos de concentração de trabalho escravo. Intimidam ou compram autarquias e autoridades menores, parasitam fundos do Estado e da UE, extraem lucros astronómicos do trabalho escravo e do saque da terra, da água, agora, até, do sol.
A outra república é, claro, a República oficial. Esta reduz-se, porém, cada vez mais a uma fina camada de verniz, muito estalado, que se move entre São Bento, as demais instituições oficiais e os grandes escritórios de advogados, entre Espinho, Porto, Lisboa e Bruxelas, de empresa para instituição pública para empresa para cargo do Estado, organizando os fluxos de fundos nacionais e europeus por canais que vai lubrificando, muitos dos quais conduzem ao mundo da “república secreta”.
Muitas das personagens que se movem no pântano de corrupção e superexploração da república secreta são próximas do Chega. Financiam-no e promovem-no. O seu candidato a presidente da República oficial, e também a primeiro-ministro, chefe da polícia e de tudo o mais, já é, no fundo, o presidente da “república secreta”. O programa de Ventura é arrancar o verniz que ainda sobra na República oficial e subordiná-la à ordem totalitária da sua república secreta. Rodeado de aldrabões de feira e lumpens corruptos, faltam-lhe lugares-tenentes à altura. Tem de se ir servindo dos idiotas úteis que povoam os corredores do poder oficial.
E é aqui que entra o pacote laboral. Ele serviria para aproximar as “duas repúblicas”, nivelando os trabalhadores de todo o país pelo que já existe no Alentejo: um país de gente sem onde habitar, sem onde se tratar, sem maneira de ter filhos nem dar-lhes educação, reduzida a trabalhar a pataco.
Esse país é talvez o da imagem que The Economist dá da “melhor economia da OCDE”: um país de lucros e bolsa esfuziantes; de estrangeiros e portugueses ricos que mal pagam impostos; de portugueses e estrangeiros pobres que trabalham sem horário nem praticamente salário, vigiados por polícias e milícias.
Eles querer, querem. Mas a greve geral mostrou outra luz, a luz que guia a grande maioria do país, que trabalha e estuda, que resiste ao projecto da barbárie capitalista e aspira à República de quem trabalha, uma república livre da exploração e da corrupção, oficial ou secreta, dos que servem o lucro dos grandes e as guerras de Trump e de Bruxelas.
Manifestação das populações do Fundão
DEZ.13
Downsizing
Segundo o dicionário Merriam-Webster, corresponde 1) a reduzir o tamanho, especialmente conceber ou produzir em tamanho mais pequeno; 2) despedir (empregados) com o objetivo de reduzir a dimensão de uma empresa. EM NOVILÍNGUA: Corresponde quase sempre à segunda definição do dicionário, ou seja, despedir trabalhadores. Já o objetivo, muitas
Segundo o dicionário Merriam-Webster, corresponde 1) a reduzir o tamanho, especialmente conceber ou produzir em tamanho mais pequeno; 2) despedir (empregados) com o objetivo de reduzir a dimensão de uma empresa.
EM NOVILÍNGUA:
Corresponde quase sempre à segunda definição do dicionário, ou seja, despedir trabalhadores. Já o objetivo, muitas vezes, e cada vez mais, não é reduzir a dimensão da empresa, mas livrar-se de trabalhadores com determinados direitos e nível salarial para voltar a contratar os mesmos ou outros com salários mais baixos e menos direitos, recorrendo a outra prática também comummente designada em inglês por outsourcing, ou terceirização, cujo objetivo é concentrar lucros na empresa-mãe e subcontratar a outras empresas, frequentemente compostas pelos mesmos trabalhadores, que pagarão salários mais baixos e arcarão com as contribuições para a segurança social. ASP
Portimão
GREVE GERAL GREVE GERALReportagem em Braga, Coimbra, Évora, Grande Lisboa, Grande Porto, Marinha Grande, Portimão, Viana do Castelo.Jornal MaioJornal Maio
Marinha Grande
GREVE GERAL GREVE GERALReportagem em Braga, Coimbra, Évora, Grande Lisboa, Grande Porto, Marinha Grande, Portimão, Viana do Castelo.Jornal MaioJornal Maio
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