#37 As condições de trabalho dos médicos
Raquel Varela conversa com Joana Bordalo e Sá, presidente da Federação de Médicos do Norte e oncologista
Raquel Varela conversa com Joana Bordalo e Sá, presidente da Federação de Médicos do Norte e oncologista
Segundo o dicionário da Porto Editora, adjetivo de 2 géneros 1) relativo a reforma ou a reformismo; 2) que segue os princípios do reformismo. Também nome de 2 géneros (em política): partidário dos melhoramentos sociopolíticos parciais e graduais, em oposição aos radicais, que pretendem mudanças súbitas e profundas. EM NOVILÍNGUA:
Segundo o dicionário da Porto Editora, adjetivo de 2 géneros 1) relativo a reforma ou a reformismo; 2) que segue os princípios do reformismo. Também nome de 2 géneros (em política): partidário dos melhoramentos sociopolíticos parciais e graduais, em oposição aos radicais, que pretendem mudanças súbitas e profundas.
EM NOVILÍNGUA:
“Este Governo é reformista. O Governo está cá para reformar“, assegura dia sim, dia não, a ministra do Trabalho, Palma Ramalho. No que faz eco do chefe do Governo, Luís Montenegro, também ele um “reformista” encartado. Porém, o “pacote laboral” que ambos querem “implementar” é tudo menos um melhoramento “parcial e gradual”, parecendo muito mais uma “mudança súbita e profunda”. Para pior. Por isso, quando os ouvir falar de reformas, leve a mão à carteira, a ver se ainda lá está. ASP
Todas as classes dominantes da Europa estão a aplicar, sob a batuta centralizada da Comissão Europeia, um programa de desmantelamento dos “pilares do declínio”
Todas as classes dominantes da Europa estão a aplicar, sob a batuta centralizada da Comissão Europeia, um programa de desmantelamento dos “pilares do declínio”: a segurança do emprego e os direitos dos funcionários públicos, a segurança social e as pensões “sucedâneo de salário”, a indústria “obsoleta” … e o ensino público.
“Quais as cinco razões para o declínio económico da Alemanha?”, interrogava recentemente uma publicação de orientação neoliberal ligada ao reacionário Grupo Springer. E respondia: o Estado de funcionários permanentes, o sistema de segurança social, as pensões distributivas, a indústria do século XIX e o sistema de ensino.
Sobre este último, o sistema de ensino, vejamos o que pensava o também alemão Wilhelm von Humboldt, considerado o pai da universidade moderna, e o que dele “pensam” os neoliberais ao estilo do ministro Fernando Alexandre.
“Em 1810, Wilhelm von Humboldt criou um sistema educativo cujos pilares eram a autonomia, a formação geral e o desenvolvimento da personalidade. Foi um modelo pioneiro – ainda hoje é a base do sistema educativo alemão. Só que não sofreu praticamente nenhum desenvolvimento desde essa altura. A ideia humboldtiana obedecia a uma ideia humanista, não a um princípio económico. Em primeiro plano estava não o fomento do núcleo produtivo do país, mas a promoção do indivíduo. Aprender não servia para desenvolver, digamos, o potencial económico, mas a personalidade. A educação bastava-se a si mesma. A aprendizagem educou os estudantes para serem eruditos, espíritos cultos, mas não empresários, o que explica que não se veja surgir em torno de nenhuma universidade alemã uma cena de start-ups comparável à da Universidade de Stanford, na Califórnia.2”
A que propósito vem esta discussão “alemã”?
Todas as classes dominantes da Europa estão a aplicar, sob a batuta centralizada da Comissão Europeia, um programa de desmantelamento dos “pilares do declínio”: a segurança do emprego e os direitos dos funcionários públicos, a segurança social e as pensões “sucedâneo de salário”, a indústria “obsoleta” … e o ensino público que forma cidadãos em vez de empresários (ou gente que faz negócios).
É o programa em aplicação na era Von der Leyen. Montenegro e os seus acólitos limitam-se a segui-lo. E é o pano de fundo para compreender o alcance das medidas para os professores e o ensino do Governo Montenegro denunciadas no anterior e neste número do Maio.
1 “Outdated: Das Betriebssystem der Bundesrepublik” (O sistema operativo da Alemanha está desatualizado), The Pioneer, 21/11/2025.
2 Idem, ibidem.
Desta vez não é preciso consultar nenhum dicionário: “Heróis do mar” são as primeiras palavras de “A Portuguesa”, o hino nacional adotado em 1911, após a vitória dos republicanos sobre a monarquia. EM NOVILÍNGUA: “Heróis do mar” é também a alcunha que arranjaram para a seleção de andebol (não é
Desta vez não é preciso consultar nenhum dicionário: “Heróis do mar” são as primeiras palavras de “A Portuguesa”, o hino nacional adotado em 1911, após a vitória dos republicanos sobre a monarquia.
EM NOVILÍNGUA:
“Heróis do mar” é também a alcunha que arranjaram para a seleção de andebol (não é de natação, é mesmo de andebol). Ah, e qual é a seleção nacional feminina batizada de “As navegadoras”? Vela? Errado: futebol! Vá lá que ainda não se lembraram de chamar lusitos aos jovens que se iniciam na vela na classe Optimist; lusito era a embarcação de ensino de vela para as crianças e jovens filiados na Mocidade Portuguesa, e os lusitos eram as crianças de 7 a 10 anos incorporadas nessa organização juvenil fascista, postas a marchar ao som deste hino: “Cabeça erguida sereno olhar/Seguindo em frente a marchar/Somos pequenos, mas amanhã/Juntos iremos triunfar. /E se algum dia preciso for/Ir combater pela nação/Iremos com a fé em Deus/E a Pátria no coração.” Não vos cheira um bocado a mofo salazarento? ASP
Governo AD decide que professores deixarão de ser funcionários públicos, o Ministério da Educação auto extingue-se para dar lugar a um empresa de prestadores privados de “educação “.
Tudo isto é aprovado no querido mês de Agosto em troca do silêncio dos docentes e estruturas sindicais – que não colocaram esta questão no centro da sua luta, mas a progressão na carreira, quando na verdade a AD extingue assim a carreira docente . Raquel Varela conversa com a professora Antónia Marques sobre este que -sem qualquer dúvida – é o maior ataque feito à escola e à educação de todo o país; e como podemos transformar a escola e fazer dela um lugar apaixonante.
Na segunda volta das eleições presidenciais, António José Seguro enfrentará o candidato do partido fascista, André Ventura.
Na segunda volta das eleições presidenciais, António José Seguro enfrentará o candidato do partido fascista, André Ventura.
Os grandes derrotados da primeira volta foram o governo AD e o seu primeiro-ministro. Luís Montenegro ficou, na prática, refém de Ventura.
No entanto, a esquerda institucional foi incapaz de romper com a lógica do sistema e de apresentar alternativas sérias. LIVRE, Bloco de Esquerda e PCP não alcançaram, em conjunto, 5% dos votos.
Sabíamos de antemão que o mais certo era o candidato fascista passar à segunda volta, pela primeira vez desde 1974.
Ainda assim, Ventura perdeu votos: teve menos 111.233 votos que nas últimas legislativas. Isso não o impedirá de se apresentar como novo “líder da direita”.
A segunda volta vai mostrar o grau de radicalização atingido pelo eleitorado da direita dita democrática. Aceitará ele conviver com o fascismo? Sabemos que os “neoliberais” têm por costume abrir a porta ao fascismo. João Cotrim Figueiredo não “desapontou”: recusou-se a apoiar Seguro, dando a entender ser igualmente aceitável votar em Ventura. Não ficou sozinho: também os outros grandes derrotados, o candidato bonapartista, Gouveia e Melo, e o candidato do PSD se recusaram a fazê-lo.
O novel refém de Ventura, Montenegro, o maior derrotado da noite eleitoral, também: absteve-se de indicação de voto, transido de medo de alienar uma parte do eleitorado de direita mais radicalizado, se escolher como parceiro parlamentar fixo o PS.
E a vitória provisória de Seguro?
Não foi certamente uma vitória da esquerda; muito menos, de uma verdadeira alternativa política. Foi um voto anti-Ventura. Do medo e da falta de alternativa política, representados na pressão ao voto útil. Sem candidatura de ruptura à esquerda, a classe trabalhadora viu-se forçada a escolher o voto defensivo.
Não houve “recuperação” eleitoral do PS. Não se abre nenhum horizonte de transformação e de esperança em um outro possível, se Seguro vencer a segunda volta.
O regime democrático-liberal e as condições de vida degradam-se a cada eleição que passa.
Entretanto, o foco dos partidos da esquerda parlamentar nas instituições, no eleitoralismo e na “moderação”, no marketing político, portanto, fê-los abandonar a organização política de base e qualquer programa político anticapitalista para quem vive do seu trabalho. Tornaram-se gestores secundários de um sistema cada vez mais desacreditado.
A greve geral de 11 de dezembro abriu um horizonte de combatividade — que nenhuma das candidaturas de esquerda, porém, fortaleceu. O confronto em torno do pacote laboral será, depois das presidenciais, o próximo grande embate político do nosso lado.
Na primeira volta, o Maio não apoiou nenhum dos candidatos presidenciais.
Com os resultados do último domingo, a situação política mudou. Muitos — mais ainda do que na primeira volta — serão os jovens e trabalhadores que optarão por votar em Seguro contra o candidato fascista, em nome da rejeição do autoritarismo, da repressão e da violência.
Seguro fará campanha em defesa de uma democracia liberal abstracta, que não defende a democracia no trabalho, a habitação para todos e a cultura como essência do modo de vida.
Se Ventura vencer, pode o regime mudar?
Uma vitória de Ventura significaria uma ameaça iminente de violenta degradação dos direitos, liberdades e garantias. O candidato a ditador fascista, no poder, pioraria terrivelmente as condições em que os trabalhadores têm de lutar.
Quem, recordado da conivência do PS e seus parceiros com a austeridade, martirizado pelas políticas de José Sócrates e da “geringonça", se abstém, fá-lo porque não vê alternativa, não porque se esteja nas tintas para Ventura ganhar.
Estas são as questões em jogo nesta votação.
Uma coisa precisamos de ter claro. Pode-se derrotar o fascismo nas urnas, mas só momentaneamente; definitivamente, o fascismo só se derrota nas ruas, nos locais de trabalho, na greve, na luta, na cooperação, nos movimentos associativos e culturais.
O Maio continuará, como sempre, ao lado do mundo do Trabalho e da Cultura, da solidariedade e da liberdade.
Nas horas de ponta dos dias 17 a 24 de janeiro, das 7 às 10 horas, os motoristas TVDE vão desligar, na segunda, quarta e sexta-feira, a plataforma Uber, e na terça, quinta e sábado, a Bolt.
Nas horas de ponta dos dias 17 a 24 de janeiro, das 7 às 10 horas, os motoristas TVDE vão desligar, na segunda, quarta e sexta-feira, a plataforma Uber, e na terça, quinta e sábado, a Bolt.

Como refere a Associação Portuguesa de Transportadores em Automóveis Descaracterizados (APTAD) “os rendimentos dos motoristas TVDE são insuficientes e têm vindo a degradar-se de forma contínua (...) por causa “de um modelo económico desequilibrado, promovido e agravado pela atual legislação do setor, que tem permitido atitudes claramente leoninas por parte das plataformas”.
O protesto é promovido pelo Movimento Cívico Somos TVDE, com o lema “STOP: Uber/Bolt — Sem motoristas, não há viagens!”, em todo o país, com maior impacto previsível em Lisboa e Porto.
A associação insiste numa “alteração da Lei do TVDE (...) anunciada como uma promessa para ser cumprida até ao final de 2025, o que não aconteceu.
O porta-voz do movimento declarou à agência Lusa que “as plataformas, neste momento, têm a capacidade de reduzir preços de forma sistemática para ganhar quota de mercado, e o que já está provado é que isso tudo é feito basicamente somente com o esforço do trabalho dos motoristas. […] enquanto este modelo estiver em vigor, os rendimentos vão ser sempre, sempre, sempre reduzidos”.
Segundo a APTAD, “solidária com os motoristas TVDE”, “a taxa de ocupação dos veículos TVDE é inferior a 50%. Em janeiro, essa taxa é ainda mais baixa, situando-se em cerca de 35%, o que demonstra de forma clara que existem demasiados veículos para o número de viagens a realizar”, o que limita o impacto da ação.
A associação insiste numa “alteração da Lei do TVDE (...) anunciada como uma promessa para ser cumprida até ao final de 2025, o que não aconteceu. (...) Cada dia sem mudança na lei representa mais um dia de lucro para as plataformas e mais um dia de precariedade para os motoristas TVDE”.
JAN.17
Nas horas de ponta de 17 a 24 janeiro, das 7 às 10h, motoristas desligam Uber (seg/qua/sex) e Bolt (ter/qui/sáb).
Segundo o dicionário da Academia das Ciências, nome ou adjetivo: 1. que é relativo à raiz; 2. que se considera essencial, fundamental, básico; 3. que é completo, decisivo, profundo; 4. (em política) que visa uma reorganização completa do Estado e da sociedade; que é partidário do radicalismo; ou 5. que
Segundo o dicionário da Academia das Ciências, nome ou adjetivo: 1. que é relativo à raiz; 2. que se considera essencial, fundamental, básico; 3. que é completo, decisivo, profundo; 4. (em política) que visa uma reorganização completa do Estado e da sociedade; que é partidário do radicalismo; ou 5. que defende posições extremistas.
EM NOVILÍNGUA:
Em tempo de eleições, e não só, apenas o significado que acabou por ser atribuído no nosso país ao termo é usado. “Radical” é atirado à cara dos adversários quase como um insulto, sinónimo de extremista, por oposição a “moderado”. Porém, radical como relativo à raiz (das coisas, dos problemas), ao essencial, fundamental ou básico, não tem como antónimo moderado, mas conformista, imobilista, superficial. ASP
O Maio é construído por trabalhadores que têm diferentes opções políticas. Não endossamos qualquer candidatura presidencial, optando antes por dar voz a apoiantes de diversas opções eleitorais em sufrágio.
O Maio é construído por trabalhadores que têm diferentes opções políticas. Não endossamos qualquer candidatura presidencial, optando antes por dar voz a apoiantes de diversas opções eleitorais em sufrágio. Opção que não nos impede de traçar “linhas vermelhas”. O Maio não é o espaço de candidaturas que representem a burguesia na sua ofensiva contra os direitos dos trabalhadores, exemplificada com o “pacote laboral” do Governo da AD, que tenham como objetivo dividir os trabalhadores portugueses com base na sua etnia, cor, país de origem, género ou orientação sexual e que apoiem ou se calem perante o genocídio do povo palestiniano levado a cabo por Israel e as agressões e ameaças em curso contra outros Estados. O apelo que o Maio faz nestas eleições aos trabalhadores que nos leem é que não lhes falhe o instinto que, no seu dia a dia de vida e de trabalho, os ajuda a distinguir o trigo do joio, entre aqueles que estão do nosso lado e os outros, aqueles que têm muitos recursos para se mascararem de “amigos do povo” no baile de máscaras eleitoral, mas apenas representam a continuidade deste regime de exploração ou mudá-lo para ainda pior.
JAN.13
O dossiê desta edição do Maio é dedicado às eleições presidenciais de 18 de janeiro próximo.

Na Redação discutimos como abordar este tema e acabámos por decidir (em vez de, por exemplo, entrevistar candidatos) convidar apoiantes de diversos candidatos que correspondem a opções dos nossos membros a explicarem sucintamente as razões que os levam a votar nessas pessoas. Mais fácil é perceber as razões para não haver aqui quem defenda outros candidatos: nem fascistas, nem “facilitadores de negócios”, nem defensores de “pacotes laborais” para piorar as condições de vida dos trabalhadores têm aqui tribuna.
Jornal MaioAntónio Simões do Paço
Jornal MaioRui Pereira
Jornal MaioPaulo de Morais
Jornal MaioAntónio Pinho Vargas
Jornal MaioGorete Pimentel
Jornal MaioBernardo Maria Albuquerque Queirós da Fonseca
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