A contracorrente

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Viajo em contramão
Reverto sempre o sentido
Apanho tudo pela frente
Sigo em contracorrente
Os olhares que me reprovam
Servem-me de alimento
Deixei de deixar que me digam
Qual o caminho certo
Se os outros na sua viagem
Seguem a medo, pela margem
Quando a vida é um rio
Que flui até ao mar
Quero deixar-me ficar
A contemplar os olhares
Daqueles também perdidos
Cheios de nada, vendidos
Fitam um novo horizonte
Que viram na televisão
Não me guio pela ilusão
De julgar os que me julgam
Seguir sem esforço, levado
Pela corrente, guiado
Aprecio o desconforto
De seguir em contramão

Aires Fumega

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