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A poesia está guardada nas palavras
categoria-um poema edicao-2026-09-17 (41)

A poesia está guardada nas palavras

“A poesia está guardada nas palavras – é tudo que eu sei. Meu fado é o de não saber quase tudo. Sobre o nada eu tenho profundidades. Não tenho conexões com a realidade. Poderoso para mim não é aquele que descobre ouro. Para mim poderoso é aquele que descobre as insignificâncias

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Não me Canso de Falar
categoria-um poema edicao-2026-09-03 (39)

Não me Canso de Falar

Não me canso de falar sobre a diferença ténue entre as mulheres e as árvores, sobre a magia da terra, sobre um país cujo carimbo não encontrei em nenhum passaporte. Pergunto: Senhoras e senhores de bom coração, a terra dos homens é, como vós afirmais, de todos os homens? Onde

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PÁTRIA
categoria-um poema edicao-2026-07-02 (34)

PÁTRIA

Creio no arco-íris, na cal duma velha casa e na reconciliação das vozes dissonantes; creio na exaltação do ensejo do fogo dos amantes; creio na claridade da alma e espírito da chuva; creio na causa da lua sobre marés, na liberdade, nas palavras Creio nos peixes, nos segredos do

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Filhos da época
categoria-um poema edicao-2026-06-25 (33)

Filhos da época

Nós somos filhos da época, a época é política. Todas as tuas, nossas, vossas questões diárias, questões nocturnas são questões políticas. Queiras tu ou não os teus genes têm passado político, a pele matiz político, os olhos aspecto político. Os temas que abordas têm ressonância, o que calas tem expressão

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Meus irmãos
categoria-um poema edicao-2026-06-11 (31)

Meus irmãos

Meus irmãos É preciso atrelar os nossos poemas à charrua do boi magro É preciso que este se enterre até aos joelhos Na vaza dos arrozais É preciso que eles façam todas as perguntas É preciso que recolham toda a luz É preciso que os nossos poemas como marcos quilométricos

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MÃOS DADAS
categoria-um poema edicao-2026-06-04 (30)

MÃOS DADAS

Não serei o poeta de um mundo caduco. Também não cantarei o mundo futuro. Estou preso à vida e olho meus companheiros. Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças. Entre eles, considero a enorme realidade. O presente é tão grande, não nos afastemos. Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

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(sem título)
categoria-um poema edicao-2026-05-21 (28)

(sem título)

Requisição de Silêncio (Com Interrogatório e sangue nos dentes) Se o Estado prefere tanques, Senhora Directora da PIDE das Almas, eis a minha declaração sob tortura: confesso o verso escondido na sola do sapato, a metáfora que fugiu pela janela do quarto de interrogatório, e o estribilho que os porões

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(sem título)
categoria-um poema edicao-2026-05-14 (27)

(sem título)

Nasceu para dar a volta a isto tudo. Eu, é mais para encher chouriços, dar horas à espera. E juro que há quem faça fila para ver. Enfim, hoje em dia, nada me espanta. A vizinha do lado, que costuma ler autores sefarditas do século XVIII, todos os dias, à

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OS ESTATUTOS DO HOMEM (Ato Institucional Permanente)
categoria-um poema edicao-2026-05-07 (26)

OS ESTATUTOS DO HOMEM (Ato Institucional Permanente)

A Carlos Heitor Cony Artigo I. Fica decretado que agora vale a verdade. que agora vale a vida, e que de mãos dadas, trabalharemos todos pela vida verdadeira. Artigo II. Fica decretado que todos os dias da semana, inclusive as terças-feiras mais cinzentas, têm direito a converter-se em

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Terceiro erro mundial
categoria-um poema edicao-2026-04-30 (25)

Terceiro erro mundial

os estados unidos bombardearam o irão penso que é assim que se escreve em linguagem hermética é que na televisão diz-se que começou a guerra e logo agora que tinha chegado a primavera fiz hoje a lista mais ridícula de todas as listas que já se fizeram e olhem

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CARTA REVOLUCIONÁRIA #2
categoria-um poema edicao-2026-04-23 (24)

CARTA REVOLUCIONÁRIA #2

O valor da vida individual um lema ensinado pra nos incutir medo, e inação, “você só vive uma vez” névoa em nossos olhos, nós somos infinitos feito o mar, inseparáveis, morremos um milhão de vezes ao dia, nascemos um milhão de vezes, vida e morte a cada sopro: levante-se,

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(sem título)
categoria-um poema edicao-2026-04-16 (23)

(sem título)

– Não quero trabalhar nem estudar, o que eu quero é namorar. –  disse a princesa e cruzou os braços. Dormia de braços cruzados e tinham de lhe dar de comer porque a princesa só podia abrir os braços para abraçar o namorado e não havia nenhum namorado para ela. Quando se

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