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Streets of Minneapolis
categoria-um poema edicao-2026-02-05 (14)

Streets of Minneapolis

Pelo gelo e frio do inverno Descendo a Avenida Nicollet, Arrostou a cidade ardente fogo e gelo Sob o tacão dum ocupante. O exército privado d’el-rei Trump, Armas a escorrer pelos blusões, Vinha trazer a lei a Minneapolis Ou assim contaram eles Contra fumo e balas de borracha,

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Democracia​
categoria-dicionário da novilíngua edicao-2026-02-05 (14)

Democracia​

Segundo o dicionário da Porto Editora, nome feminino que significa: 1) sistema político em que a autoridade emana do conjunto dos cidadãos, baseando-se nos princípios de igualdade e liberdade; 2) nação democrata; 3) forma de organização em que todos os membros de um grupo participam em grau semelhante no

Jornal Maio
O vendaval que deixou o Estado a nu
categoria-editorial edicao-2026-02-05 (14)

O vendaval que deixou o Estado a nu

A tempestade Katrin e o seu rasto de destruição deixaram à vista de todos um Estado falhado, desmantelado por décadas de neoliberalismo, e um Governo incapaz de responder à realidade.

Jornal Maio
E se fôssemos honestos?
categoria-crónica Civilidade edicao-2026-02-05 (14)

E se fôssemos honestos?

A civilidade dispensa rodeios, floreios e o uso de meias palavras. Ser direto, agir com rigor, ser sério, ter espinha dorsal, não lamber botas, a meu ver, em nada significa rompimento com o pacto de não agressão.

Maria Augusta Tavares
Desventurazinhas
categoria-opinião Eleições Presidenciais Maio edicao-2026-02-05 (14)

Desventurazinhas

Esta é uma resposta ao texto “O desventura”, publicado por Jorge Costa (BE) no esquerda.net em que, na parte final (aquela que fica na retina do espectador) pega num alfinete para atacar uma suposta opção do Maio pelo apelo à abstenção na segunda volta das presidenciais.

António Simões do Paço
Perante as ameaças de Ventura, impõe-se o necessário voto em Seguro
categoria-opinião Eleições Presidenciais Manuel Carlos Silva Seguro Ventura edicao-2026-02-05 (14)

Perante as ameaças de Ventura, impõe-se o necessário voto em Seguro

Independentemente das diferenças ideológicas no campo democrático, importa posicionarmo-nos contra as ameaças e mentiras (fake news) de Ventura, mobilizarmo-nos e votarmos efetivamente em António José Seguro para Presidente da República no próximo dia 8 de fevereiro.

Manuel Carlos Silva
Caracas na encruzilhada
categoria-internacional Rui Pereira Venezuela edicao-2026-02-05 (14)

Caracas na encruzilhada

Um mês depois do sequestro do Presidente venezuelano Nicolás Maduro e da deputada e sua mulher, Cilia Flores, começam a poder discernir-se algumas coordenadas da nova situação no país e para além dele.

Rui Pereira
Metro do Porto: trabalhadores da manutenção transferidos durante a greve – um risco para a segurança
categoria-voz dos sindicatos Ferrovia Greve Manutenção edicao-2026-02-05 (14)

Metro do Porto: trabalhadores da manutenção transferidos durante a greve – um risco para a segurança

Os trabalhadores afetos a uma das frotas (CT) do Metro do Porto estão a ser transferidos das suas funções habituais para intervir em avarias de outra frota (ET), com características técnicas completamente distintas, um risco para a segurança.

Bruno Oliveira
Urgências hospitalares: como desbloqueá-las?
categoria-saúde Urgências edicao-2026-02-05 (14)

Urgências hospitalares: como desbloqueá-las?

A limitação dos pontos de acesso e a sua concentração em grandes Urgências respondendo por grandes áreas, levou a dificuldades extremas de resposta a todos os casos.

Carlos Costa Almeida
1143: o ódio e a violência como método político
categoria-antifascismo Crime Mulheres Neonazis edicao-2026-02-05 (14)

1143: o ódio e a violência como método político

Renata Cambra, professora e ativista política de esquerda, tem vindo a receber ameaças de violação e morte por parte do grupo neonazi 1143, liderado pelo criminoso Mário Machado.

Renata Cambra
1143: o ódio e a violência como método político
categoria-antifascismo Crime Mulheres Neonazis edicao-2026-02-05 (14)

1143: o ódio e a violência como método político

Renata Cambra, professora e ativista política de esquerda, tem vindo a receber ameaças de violação e morte por parte do grupo neonazi 1143, liderado pelo criminoso Mário Machado.

Renata Cambra
categoria-antifascismo Crime Mulheres Neonazis edicao-2026-02-05 (14)

1143: o ódio e a violência como método político

Renata Cambra, professora e ativista política de esquerda, tem vindo a receber ameaças de violação e morte por parte do grupo neonazi 1143, liderado pelo criminoso Mário Machado. Estas ameaças repetiram-se já este ano, com frases no Telegram como “aparecias com uma cruz invertida enfiada desde o cu até à boca, vocês mulheres precisam aprender, não é por acaso que às vezes são encontradas aos bocados na mala dum carro ou que a taxa de feminicídio tenha aumentado, apenas colhem o que semeiam”, ou “a puta da Renata Cambra deve estar a dar pulos de alegria, não sei como ninguém trata dessa puta, bando de frouxos submissos a mulheres, se fosse no Brasil já tinha sido encomendado o estupro da puta e ela já tinha aparecido esquartejada em pedaços dentro dum saco, ainda espero que isso venha a acontecer”. O Maio dá-lhe a palavra.

Em maio de 2025, a porta da sede do meu partido, Trabalhadores Unidos, em Lisboa, apareceu marcada com um autocolante do grupo neonazi 1143. A sede não tem placa nem letreiro, pelo que quem o colou teve de saber exatamente onde fica e quando valia a pena aparecer. O recado era simples: sabemos onde estás, conseguimos chegar a ti.

Nessa mesma semana eu já vinha a receber, nas redes sociais, uma sequência de ameaças de morte e de violência sexual. Mensagens a dizer que “o que é teu está guardado”, que “a tua horinha vai chegar”, que “não terás paz em lugar nenhum deste país”, e desejos explícitos de violação e esventramento, de tal forma violentos que, quando tentei expô-los no Instagram, fui temporariamente bloqueada pela aplicação. Havia também, nessas publicações, a pergunta que aparece sempre quando este tipo de gente decide apontar a um alvo: alguém sabe onde ela mora?

A origem desta escalada é fácil de identificar. No início de 2022 apresentei queixa contra Mário Machado, líder do 1143, e contra Ricardo Pais, também parte do grupo, por incitamento ao ódio e à violência – sob a forma de “prostituição forçada”, isto é, de violação – contra mulheres de esquerda, com referência direta a mim, processo em que fui defendida pelo advogado António Garcia Pereira e que conseguimos vencer em tribunal. Quando a possibilidade de recurso destes dois neonazis se esgotou e a pena de prisão efetiva de Mário Machado se confirmou, a intimidação subiu de tom.

Quando a possibilidade de recurso destes dois neonazis se esgotou e a pena de prisão efetiva de Mário Machado se confirmou, a intimidação subiu de tom.”

A 8 de maio de 2025, por ocasião da efetivação da pena de Mário Machado, apresentei uma nova queixa na Polícia Judiciária, desta vez por intimidação ligada ao 1143, traduzida nas ameaças publicadas no Twitter e na marcação, com o dito autocolante, de um dos lugares que frequento regularmente. Reforçámos a segurança do espaço e tornamos público o que estava a acontecer. Quem quer intimidar aposta no silêncio e no isolamento; na ideia de que a vítima aguenta sozinha, até desistir. Por isso, apesar de saber que denunciar e enfrentar estas ameaças não seria pacífico, não duvidei de que era, efetivamente, o melhor a fazer.

Meses depois, já em 20 de janeiro de 2026, a Operação Irmandade veio confirmar que a ameaça não era apenas “conversa”. Entre os elementos do 1143 investigados e detidos, estava o responsável pelo ato de intimidação que denunciei. Trata-se de um funcionário do Hotel Lutécia, mesmo ao lado da sede do meu partido, que me viu várias vezes por lá e, sabendo onde eu passava parte dos meus dias, propôs ao grupo passar à ação com uma “visita” a esse espaço1, o que só não aconteceu porque a nova liderança, Gil “Pantera”, agora também em prisão preventiva, decidiu que não deviam avançar com a proposta.

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Durante as buscas da PJ, foi apreendida ao responsável por este ato de intimidação uma arma proibida; o tribunal entendeu existir perigo de continuação da atividade criminosa e necessidade de algum “controlo policial”, pelo que ficou obrigado a apresentações semanais. Isto não é por acaso. Nos próprios canais internos do 1143, Mário Machado tem criticado os membros que se limitam à propaganda online, chamando-lhes “ratos da internet” e pressionando-os a sair à rua, a perder o medo e a agir.2

E este é o ponto que interessa politicamente: a extrema-direita violenta em Portugal não é um fenómeno de teclado. Organiza-se, cria núcleos, recruta, coordena ações e testa limites. O 1143 não funciona como um amontoado de “indignados”; funciona como estrutura que define regras, cria grupos regionais, difunde propaganda, incentiva ações de rua e normaliza a violência como horizonte. E quando não avança é por cálculo, não por falta de intenção. É por isso que a discussão sobre “liberdade de expressão” é, muitas vezes, uma cortina de fumo. O que está em causa não é a falta de vergonha em partilhar “opiniões” chocantes, é intimidação política, perseguição e preparação para agressões.

A resposta institucional tem sido, em geral, reativa e fragmentada. As instituições intervêm depois de as ameaças circularem, depois de alguém aparecer à porta, depois de surgirem armas. E mesmo quando há detenções, os grupos reorganizam-se, mudam de rosto, distribuem funções. É assim que se constrói impunidade, testando até onde dá para ir, sem que estas organizações criminosas sejam verdadeiramente ilegalizadas e desmanteladas.

Quando um grupo destes escolhe alvos, sejam estes mulheres, ativistas, imigrantes, jornalistas, gente de esquerda, não está só a insultar. Está a tentar impor o medo e a violência como método político. A questão não é apenas o que me aconteceu. É o que este tipo de organização está a treinar para fazer, e o espaço que lhe é concedido para continuar.

A história mostra que milícias não se combatem apenas nos tribunais, e certamente não com silêncio ou ironia. Combatem-se com organização coletiva, solidariedade ativa e resposta política à altura da ameaça. Isto implica que o movimento sindical, os coletivos feministas, os movimentos antirracistas e a esquerda organizada assumam este combate como parte central da sua intervenção, rompendo com a normalização do ódio, denunciando as cumplicidades políticas e recusando o isolamento dos alvos.

Perante uma extrema-direita que se organiza para a violência, a única resposta eficaz é a mobilização consciente e organizada de quem não aceita voltar atrás.


1https://expresso.pt/sociedade/2026-01-29-grupo-1143-volta-a-fazer-ameacas-de-morte-contra-dirigente-de-esquerda-c8798770

2https://www.jn.pt/nacional/artigo/milicia-de-mario-machado-espalha-odio-na-net-e-cria-nucleos-de-norte-a-sul/17830178

1143: o ódio e a violência como método político
1143: o ódio e a violência como método político
categoria-antifascismo Crime Mulheres Neonazis edicao-2026-02-05 (14)

1143: o ódio e a violência como método político

Renata Cambra, professora e ativista política de esquerda, tem vindo a receber ameaças de violação e morte por parte do grupo neonazi 1143, liderado pelo criminoso Mário Machado.

Renata Cambra

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