Jornal Maio

A primeira revolução negra da história

Antonio Pinto Tortosa é historiador, professor na Universidade de Málaga. Estudou a revolução jacobina negra em Santo Domingo no século XVIII, bem como a história contemporânea de Espanha nos séculos XIX e XX e, ainda, temáticas da história da energia. Na primeira parte desta entrevista aborda as contradições na sociedade colonial das Caraíbas, nomeadamente na ilha Hispaniola, as contradições sociais e o conflito entre duas potências coloniais, Espanha e França, que levaram à primeira revolução negra da história.

Tribunal arbitral rejeita a denúncia do CCTV

O Tribunal Arbitral do Conselho Económico e Social decidiu que a ANTRAM e a ANTP não apresentaram fundamentos suficientes para denunciar o contrato colectivo de trabalho celebrado em 2023 com quatro sindicatos de motoristas, SIMM, SNMOT, SIMMPER e STRUN. Isto significa que o CCTV de 2023 se mantém em vigor e que a tentativa de fazer cessar a convenção colectiva não foi aceite. Esta é uma vitória dos quatro sindicatos que souberam unir esforços na defesa dos direitos dos motoristas de mercadorias.

O Exército israelita aponta à cabeça das crianças

Nos últimos tempos, o presidente espanhol é tido como uma “voz progressista” face ao avanço da extrema-direita. As suas declarações a favor do povo palestiniano, discursos pelo “Não à guerra” e medidas como a regularização de milhares de migrantes tiveram impacto internacional. Compreende-se que, ante a ofensiva belicista de Trump e Netanyahu e as políticas de direitistas como Milei, o discurso de Sánchez desperte simpatia. No entanto, por detrás do seu discurso, espreita a gestão “progressista” do Estado capitalista e imperialista espanhol. Um projeto que, repetidamente, terminou em profundas deceções e preparou o terreno para o crescimento da extrema-direita.

Sobre a “lista negra” do MAL

Vários órgãos de imprensa, nomeadamente o Expresso, o Público e a CNN, reproduziram elementos filtrados do dossiê da acusação do Ministério Público ao grupo armado nazi Movimento Armilar Lusitano (MAL).

As sombras distópicas do ReCAP na avaliação docente

O Referencial de Competências da Administração Pública – ReCAP é o vilão silencioso que opera a matematização do real nas escolas. É o instrumento que permite homogeneizar, uma grelha de cinco níveis de exigência desenhada para escrutinar o foro íntimo do professor, asfixiando a possibilidade de qualquer autonomia intelectual.

O “Bangladesh em Portugal”

Quando a Índia incorporou Goa em 1961, muitos goeses com cidadania portuguesa ou ligações a Portugal emigraram nos anos seguintes. A maior vaga histórica chegou após a independência das colónias africanas de Portugal, nomeadamente Moçambique e Angola. Durante gerações, muitos sul-asiáticos, sobretudo hindus gujaratis, muçulmanos, ismaelitas e goeses, tinham vivido na África Oriental sob domínio colonial português. Com a descolonização, milhares relocalizaram-se em Portugal. Mais recentemente, desde a década de 1990, Portugal tem atraído novos migrantes diretamente do Sul da Ásia, em particular da Índia, Paquistão, Bangladesh e Nepal. A maioria provém de famílias de classe média baixa. Muitos trabalham na agricultura, construção, hotelaria, restauração, entregas e pequenos negócios. O desconhecimento em relação à comunidade sul-asiática em Portugal é grande, o que acentua fenómenos de racismo e promove a sua invisibilidade política. Jonas Van Vossole entrevistou para o Maio Amit Singh, investigador na Universidade de Coimbra.