Jornal Maio

Sobre a “lista negra” do MAL

Declaração do Maio

Vários órgãos de imprensa, nomeadamente o Expresso, o Público e a CNN, reproduziram elementos filtrados do dossiê da acusação do Ministério Público ao grupo armado nazi Movimento Armilar Lusitano (MAL). 

Referem que o grupo mantinha uma lista de “alvos” potenciais que incluía personalidades políticas e jornalísticas, associações e partidos, na maioria ligados ao movimento dos trabalhadores e à esquerda — incluindo Raquel Varela, da associação Maio em Movimento, que publica o Maio, bem como outros membros associados do Maio ou que com ele colaboram, dirigentes sindicais, e que são também visados nesta ignomínia, uma “lista negra” de homens e mulheres de luta e liberdade.

Não aceitamos ataques aos intelectuais públicos, aos trabalhadores organizados, aos dirigentes sindicais, associações populares e democráticas que se batem pela democracia, pelos direitos de quem trabalha, pelas minorias oprimidas, pelo socialismo. Este último é o campo do Maio. Eles não nos intimidarão. Tal como o pacote laboral, não passarão.

A imprensa deu destaque, nesta lista, às “ameaças” ao atual primeiro-ministro, que, como outros dirigentes do PSD e do jornalismo institucional, também constam da lista. A detenção dos suspeitos do MAL ocorreu em 2025. O momento destas revelações não será, pois, mera coincidência, quando Montenegro se propunha selar uma aliança de governo de facto com o Chega, depois de aprovar o “pacote laboral” de precarização geral do trabalho e de destruição dos direitos dos trabalhadores, nomeadamente dos sindicais e da greve (no que falhou).

Queria-se fazer parecer que a separação era entre “todos os democratas”, de um lado, e uns “mauzões” nazis; e que não só Montenegro, mas até Ventura, faziam parte dos primeiros — quando é público e notório que muitos dos grupos nazis são públicos apoiantes do Chega, que tem entre os seus dirigentes e membro da AR um dos chefes políticos do grupo terrorista de extrema-direita ELP/MDLP de 1975.

A verdadeira separação é entre quem trabalha e quem explora trabalho, é entre quem defende a igualdade, a liberdade e a fraternidade, reais, e quem cultiva a violência contra os trabalhadores e homens e mulheres da cultura.