ICE

Greve geral no Minnesota — e na América — pode ser precursora
categoria-internacional Greve Geral ICE Minnesota edicao-2026-01-29 (13)

Greve geral no Minnesota — e na América — pode ser precursora

Por todo o estado, lojas fechadas. Ninguém faz compras. Os trabalhadores ficaram em casa ou ligaram a meter baixa. Os sindicatos promovem paralisações. Os moradores ajudam-se uns aos outros.

Robert Reich
Trump declara a lei da guerra, dentro e fora dos EUA
categoria-internacional ICE Irão Trump edicao-2026-01-22 (12)

Trump declara a lei da guerra, dentro e fora dos EUA

A nova milícia fascista de Trump, a ICE, tem licença para matar. Mas o imperialismo americano, que Trump comanda, mata e intimida pelo mundo fora.

Adriano Zilhão
categoria-internacional Greve Geral ICE Minnesota edicao-2026-01-29 (13)

Greve geral no Minnesota — e na América — pode ser precursora

Por todo o estado, lojas fechadas. Ninguém faz compras. Os trabalhadores ficaram em casa ou ligaram a meter baixa. Os sindicatos promovem paralisações. Os moradores ajudam-se uns aos outros.

Hoje, o estado de Minnesota fecha portas, em solidariedade.

É a primeira greve geral do país em resposta à violência de Trump.

Por todo o estado, lojas fechadas. Ninguém faz compras. Os trabalhadores ficaram em casa ou ligaram a meter baixa. Os sindicatos promovem paralisações. Os moradores ajudam-se uns aos outros. Um apagão económico.

Os militantes começaram a chamar ao dia de hoje “Dia da Verdade e da Liberdade”.

É um modelo possível do que o país no seu todo pode fazer nos próximos meses em repúdio à ditadura de Trump.

Escrevendo no TNR [The New Republic] de ontem, Ana Marie Cox destaca a naturalidade com que o estado do Minnesota se põe à cabeça neste tipo de situações. “É impossível sobreviver a um inverno do Minnesota sem ajuda, e nem sempre a ajuda vem dos vizinhos imediatos. São verdadeiras as histórias de pessoas que se põem a limpar a neve dos caminhos de entrada de carros em quarteirões inteiros sem ninguém lho pedir e sem receberem qualquer compensação, mas verdadeiros milagres (e não menos comuns) são as ocasiões em que estranhos param para ajudar alguém a desimpedir um carro enterrado num banco de neve ou tiram dos porta-bagagens areia sanitária para o gato, lá posta exactamente para emergências destas.”

Por todo o estado, lojas fechadas. Ninguém faz compras. Os trabalhadores ficaram em casa ou ligaram a meter baixa. Os sindicatos promovem paralisações. Os moradores ajudam-se uns aos outros.

Mas o que está a acontecer hoje pelo Minnesota fora é mais do que ajuda mútua entre vizinhos; é o poder popular a falar. Federações sindicais, a [central sindical] AFL-CIO e centenas de empresas coordenam a paralisação económica deste dia em resposta directa à invasão do Minnesota pelos jagunços federais de Trump.

Cox não se engana sobre a cultura do Minnesota. “As pessoas prestam ajuda sem hesitar nem perguntar; acho que nunca ouvi ninguém responder a um agradecimento dizendo ‘nada, retribui-me de outra vez’. Claro que se retribui, toda a gente sabe que é assim. Há quem se possa surpreender por esta generosidade coexistir com a tenaz microdistância interpessoal característica do Médio Oeste (Midwest), que pode demorar anos a dissipar. É que a cautela do relacionamento tem que ver com a universalidade do princípio de que não se ajuda alguém por se gostar da pessoa; ajuda-se, simplesmente.”

Eu acrescentaria, todavia, que a cultura que Cox aponta também se encontra nas ruas e vielas de todos os estados da América. Mergulha raízes numa longa tradição de poder popular. E ajuda a explicar porque superou a mobilização de Minneapolis barreiras de classe e de raça ainda mais radicalmente do que a resposta ao assassinato de George Floyd — e porque uma mobilização semelhante se está a produzir em todo o país.

É o predicado da resistência popular e da participação generalizada de moradores recém-mobilizados contra a ocupação pelo ICE e a tirania de Trump.

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Como diz Cox, “é mais do que os oito minutos de crueldade assassina captados por um telemóvel, é mais do que o assassinato de Renee Nicole Good. O ICE é um exército de Derek Chauvins e Jonathan Rosses [os assassinos de George Floyd e de Renee Good], largados para pôr a cidade a ferro e fogo todos os dias. A memória é viva, o trauma, imediato e duradouro, e a força que subjaz à resposta é fruto de décadas de trabalho”.

A decência dos habitantes de Minnesota reflecte-se nas igrejas luteranas que foram a semente do que veio a ser a maior população de refugiados per capita dos Estados Unidos. O Minnesota já tinha movimento sindical quando ainda não era um estado. O Minnesota criou o primeiro fundo mútuo de alto risco do país para segurar os “inseguráveis”, em 1976.

Sementes idênticas se encontram em cada estado e em cada comunidade.

Cox insta-nos a, no nosso canto, olhar em volta. Talvez a nossa própria comunidade esteja precisada da nossa ajuda para ajudar a semear um módico de capacidade de resistência — agora, antes que apareça uma crise que nos consuma, e ainda que o clima não seja subárctico.

Agora não é má altura para ir pôr víveres num frigorífico de acesso gratuito da nossa cidade. Ou então descobrir algum trabalho que se possa fazer por um vizinho, agora, antes de ele precisar mesmo. Ou então frequentar uma formação sobre a maneira de administrar naloxona. Oferecer-se para passear cães. Começar um armazém de ferramentas comunitário. Decorar uns nomes.

Inscrever-se na vigilância ao ICE (ICE watch) que se está a formar nas redondezas de cada um; quase de certeza que o ICE já anda por aí.

Ainda mais importante é compenetrarmo-nos de que o que Trump anda a fazer a Minneapolis é o modelo do que Trump tenciona fazer na terra de cada um de nós.

Que a greve geral do Minnesota seja o nosso modelo de como lhe vamos responder à escala nacional.

In https://robertreich.substack.com/


*Robert Reich é um professor, escritor, jurista e comentador político americano. Trabalhou nas administrações dos presidentes Gerald Ford e Jimmy Carter. Foi ministro do Trabalho do presidente Clinton de 1993 a 1997.


Depois de Renee Good, a milícia trumpiana ICE assassina mais um trabalhador de Minneapolis

No dia 24 de Janeiro, a milícia nazi de Trump, ICE, assassinou a sangue frio mais um trabalhador de Minneapolis. Desta vez, foi um enfermeiro, Alex Pretti, de 37 anos.

Pretti tinha um telemóvel na mão. Tentou ajudar uma manifestante, brutalmente derrubada pelos milicianos de Trump, a levantar-se. Foi então atacado e derrubado por vários agentes que, quando ele se encontrava no chão, dispararam contra ele uma dezena de tiros à queima-roupa.

A administração Trump apressou-se a dizer que era um “terrorista interno” armado, história absurda que mantém quando vídeos que circulam nas redes sociais e na grande comunicação social mostram o contrário: Alex Pretti estava armado de um telemóvel… Provavelmente a arma mais perigosa que podia levar consigo.

Publicamos excertos de um comunicado do sindicato em que Alex Pretti era filiado, o National Nurses United, o maior sindicato e associação profissional de enfermeiros habilitados dos EUA, com mais de 225 mil membros, dos quais 80 mil no estado do Minnesota.

“Os enfermeiros deste país, cuja missão é cuidar e salvar vidas humanas, manifestam o seu horror e indignação ante o assassinato a sangue frio perpetrado, uma vez mais, por agentes do serviço de imigração contra alguém que observava sem lhes fazer qualquer ameaça. Desta vez, executaram um enfermeiro nosso colega, Alex Pretti, cujo trabalho numa unidade de cuidados intensivos adstrita ao VA, o Serviço de Saúde dos Veteranos consistia em salvar a vida de antigos combatentes. Como membro da Federação Americana de Funcionários do Estado (AFGE), ele não só intercedia pelos interesses dos seus pacientes da VA, como levava esse trabalho para as ruas, intercedendo pela sua comunidade, como é dever de um enfermeiro. Exigimos justiça e apuramento de responsabilidades pelo seu assassinato.

O ICE e todas as agências de imigração com ele relacionadas têm demonstrado repetidamente, pela violência, terror e ilegalidade com que actuam, que representam uma grave ameaça à saúde pública de todo o país e de todas as nossas comunidades. Os agentes do ICE têm raptado pessoas que trabalham duramente: mães, pais, filhos. Assassinaram agora um enfermeiro, membro de uma das profissões que mais confiança merecem ao país.


Os enfermeiros exigem a extinção imediata do ICE

Os enfermeiros são formados para responder a situações de emergência, por isso vimos exigir acção urgente para parar com a violência do ICE nas nossas comunidades. O National Nurses United apela a votar contra o projecto de lei que afecta dotações orçamentais à Segurança Interna, submetido à aprovação do Senado na semana que vem, e exige que o Congresso extinga definitivamente o ICE. Faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para que os deputados que apoiem o financiamento deste ataque sem freio à saúde, segurança e direitos civis do nosso povo não sejam reeleitos.


Extinção do ICE já!

O National Nurses United é o maior sindicato e associação profissional de enfermeiros habilitados dos Estados Unidos e o que mais tem crescido. Entre os sindicatos filiados no NNU incluem-se a California Nurses Association / National Nurses Organizing Committee, a DC Nurses Association, a Michigan Nurses Association, a Minnesota Nurses Association e a New York State Nurses Association.”


Tradução de Adriano Zilhão. O tradutor escreve segundo a norma anterior ao Acordo Ortográfico adoptado em 2009.

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Trump declara a lei da guerra, dentro e fora dos EUA

A ICE MATA

A nova milícia fascista de Trump, a ICE, tem licença para matar. Mas o imperialismo americano, que Trump comanda, mata e intimida pelo mundo fora.

No passado dia 7 de Janeiro, em Minneapolis, no estado americano de Minnesota, Renee Good, uma mulher de 37 anos, mãe de três filhas, fez uma manobra com o carro para se afastar do local de uma rusga da polícia anti-imigrantes, a ICE. Um dos agentes assassinou-a a sangue frio, disparando-lhe vários tiros na cabeça à queima-roupa.

O que é a ICE?

A ICE (Immigration and Customs Enforcement) era, até há pouco mais de um ano, o “SEF” norte-americano: guarda fiscal e de fronteiras.

Trump mudou-lhe a natureza. Em poucos meses, fê-la passar de seis para dezasseis mil agentes, dobrando-lhe o orçamento para 2 mil milhões de dólares.

Os novos recrutas foram atraídos por anúncios de teor abertamente racista e homicida. Ao fim de poucas semanas de treino, foram armados até aos dentes, com licença para disparar e matar a seu bel-prazer, com imunidade conferida pelo presidente.

A ICE é hoje uma organização paramilitar fascista encarregada de dar caça a quem quer que “pareça” mais ou menos imigrante (ou seja, pouco “ariano”). Foi transformada numa versão americana das SS nazis. Muitos comentadores norte-americanos comparam-na abertamente com a Gestapo de Hitler (por exemplo Robert Reich, antigo ministro do Trabalho de Clinton). Venha o diabo e escolha.

Meios para uma guerra sem fim nem limites

No mesmo dia em que os seus esbirros executavam Renee Good, Trump anunciou que tencionava aumentar o orçamento militar dos EUA dos cerca de 900 mil milhões de dólares previstos para 2026 para 1,5 biliões (1.500.000.000.000) de dólares em 2027.

É um aumento de 66% de um ano para o outro. De um orçamento que já era superior à soma dos orçamentos militares de todas as quatorze potências militares que se lhe seguiam: China, Rússia, Alemanha, Reino Unido, Índia, Arábia Saudita, Japão, Ucrânia, França, Coreia do Sul, Itália, Israel, Polónia e Austrália….

Para ter uma ideia: o novo valor é sensivelmente equivalente a tudo o que os quase 50 milhões de trabalhadores do Estado espanhol produzem num ano.

Só o aumento pedido é tanto como o total do gasto militar somado da China, Rússia, Alemanha, Reino Unido e Índia em 2025.

A coincidência destes dois eventos é tudo menos coincidência.

O mundo que Trump promete, depois do genocídio em Gaza, da invasão da Venezuela e do rapto de Maduro, é um mundo de submissão do mundo inteiro à bota americana (a Estratégia de Segurança Nacional 2025 di-lo com todas as letras).

Quem não se submete morre.

Mas atenção: a ofensiva imperialista não se limita nem à América Latina nem à guerra interna contra os trabalhadores americanos insubmissos.

A vez da Gronelândia

Na mesma “lógica” da pilhagem do petróleo venezuelano, Trump também quer a Gronelândia. A ilha é um imenso território árctico, sob domínio da Dinamarca — e, consequentemente, membro da NATO — , com um subsolo rico em zinco, grafite, cobre, lítio, terras raras...

A 11 de Janeiro, Trump avisou que os Estados Unidos, “dê lá por onde der”, assumiriam o controlo da Gronelândia — pois, “se não formos nós a fazê-lo, fazem-no a Rússia ou a China”. Seis dias depois, o ministro dos Negócios Estrangeiros dinamarquês informou que a Dinamarca não “venderia” a ilha. Em resposta, Trump anunciou direitos aduaneiros sobre todas as importações de nove países europeus, em aumento progressivo. Entre os visados: Alemanha, Dinamarca, França, Suécia, Finlândia, Países Baixos. Todos eles membros da NATO.

Valente, a Dinamarca logo anunciou que organizaria manobras militares na Gronelândia.

Confirmando a sua lendária virilidade, a Alemanha enviou um contingente militar para participar nas manobras militares comandadas pela Dinamarca: nada menos que treze soldados.

Não menos enfaticamente, o chefe militar da Dinamarca declarou que, embora, nos últimos dois anos, nenhum navio de guerra russo ou chinês se tivesse avistado num raio de 2 mil quilómetros da Gronelândia, as manobras seriam dirigidas contra a ameaça… russa!

Enfim, o que são dois anos!? E o que são dois mil quilómetros!?

Noticiou-se, também, que 85% da população da ilha, incluindo a significativa fracção que não concorda com a suserania colonial dinamarquesa, se opõe aos desígnios de Trump.

(Mas alguém quer saber disso? Ficaram as multinacionais americanas impressionadas?)

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Minneapolis, Gronelândia, Síria, Venezuela, Palestina: a mesma guerra

A empresa imperialista diz respeito ao mundo inteiro.

Depois das instalações nucleares do Irão, Trump já mandou, no espaço de poucos dias, bombardear a Nigéria (27 de Dezembro), a Venezuela (3 de Janeiro) e a Síria (10 de Janeiro) — esta, já bombardeada por aviões franceses e britânicos no dia 4 de Janeiro.

O pretexto, no caso, não é o “narcoterrorismo”; é o “terrorismo jihadista”.

Mesmo?

A 6 de Janeiro, a administração norte-americana anunciou que “o novo governo da Síria e Israel vão criar uma estrutura comum, sob a supervisão dos Estados Unidos, para partilharem informações e fazer pela diminuição das tensões entre os dois países”. Trump não parece ter grandes problemas em apoiar-se no antigo chefe jihadista Al-Sharaa, actual presidente da Síria, cujas tropas, enquanto isso, bombardeiam a população curda de Alepo.

E o Irão?

Às autênticas manifestações populares contra a carestia e o regime teocrático misturam-se tentativas igualmente autênticas de manipulá-las, orquestradas pelas forças monárquicas e pelos serviços secretos norte-americanos e israelitas.

Trump vai mantendo a incerteza: intervenção militar? Negociações com os aiatolas? Restauração da monarquia derrubada pela revolução popular em 1979?

Tudo pelos mercados, nada contra os mercados — que agradecem

No mesmo dia em que Trump anunciava o incomensurável aumento do orçamento militar e os seus esbirros nazis matavam Renee Good, os mercados reagiram da única maneira que sabem. Só nessa sessão, as acções das maiores empresas do armamento subiram: Lockheed Martin (LMT.N): 6.2%; General Dynamics (GD.N): 4.4%; RTX: 3.5%.


O autor escreve segundo a norma anterior ao Acordo Ortográfico adoptado em 2009.

Greve geral no Minnesota — e na América — pode ser precursora
Trump declara a lei da guerra, dentro e fora dos EUA
Greve geral no Minnesota — e na América — pode ser precursora
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Greve geral no Minnesota — e na América — pode ser precursora

Por todo o estado, lojas fechadas. Ninguém faz compras. Os trabalhadores ficaram em casa ou ligaram a meter baixa. Os sindicatos promovem paralisações. Os moradores ajudam-se uns aos outros.

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Trump declara a lei da guerra, dentro e fora dos EUA

A nova milícia fascista de Trump, a ICE, tem licença para matar. Mas o imperialismo americano, que Trump comanda, mata e intimida pelo mundo fora.

Adriano Zilhão

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