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Green Border – Zona de Exclusão
categoria-um filme edicao-2026-05-14 (27)

Green Border – Zona de Exclusão

Green Border – Zona de Exclusão (em polaco,) é um filme de 2023 realizado por Agnieszka Holland. Em preto e branco, dramatiza a situação dos migrantes apanhados na fronteira entre a Bielorrússia e a Polónia. Em agosto de 2021, o Governo bielorrusso abriu as portas à passagem de migrantes para as fro

António Simões do Paço
O agente secreto, de Kleber Mendonça Filho
categoria-um filme Brasil edicao-2025-12-05 (07)

O agente secreto, de Kleber Mendonça Filho

O novo filme de Kleber Mendonça Filho chegou às salas de cinema há pouco mais de duas semanas. A primeira informação que me chamou a atenção ao ver os créditos foi a sua duração: 2.41 horas. Bem diferente da última longa metragem do realizador, Retratos Fantasmas (1.33 h)

Beatriz Yoshida Protázio
categoria-um filme edicao-2026-05-14 (27)

Green Border – Zona de Exclusão

Green Border – Zona de Exclusão é um filme de 2023 realizado por Agnieszka Holland. Em preto e branco, dramatiza a situação dos migrantes apanhados na fronteira entre a Bielorrússia e a Polónia. Em agosto de 2021, o Governo bielorrusso abriu as portas à passagem de migrantes para as fronteiras da Lituânia, Polónia e Letónia. Dezenas de milhares acorreram à fronteira polaca, numa zona de floresta, onde, em vez de chegarem ao “paraíso” sonhado da UE, são roubados, tratados com extrema violência e empurrados através do arame farpado da Bielorússia para a Polónia, e da Polónia de volta para a Bielorússia, uma vez e outra.

Green Border – Zona de Exclusão (em polaco,) é um filme de 2023 realizado por Agnieszka Holland. O guião é de Agnieszka Holland, Gabriela Łazarkiewicz-Sieczko e Maciej Pisuk. O filme, em preto e branco, dramatiza a situação dos migrantes apanhados na fronteira entre a Bielorrússia e a Polónia. É inspirado em acontecimentos reais: em agosto de 2021, o Governo bielorrusso de Lukashenko abriu as portas à passagem de migrantes para as fronteiras da Lituânia, Polónia e Letónia. Dezenas de milhares de migrantes, principalmente do Médio Oriente e do Norte de África, acorreram à fronteira polaca, numa zona de floresta (daí o nome do filme em polaco Zielona Granica, ou Fonteira Verde). Uma família de refugiados sírios tenta entrar na União Europeia através da Bielorrússia e da Polónia. São roubados, tratados com extrema violência e empurrados através do arame farpado da Bielorússia para a Polónia, e da Polónia de volta para a Bielorússia, uma vez e outra. Acossados pelos guardas fronteiriços de ambos os lados e enfrentando o frio e a fome, alguns encontram a morte. Zona de Exclusão acompanha também os dilemas morais de um guarda fronteiriço polaco, dilacerado entre brutalidade, obediência cega e compaixão. E também o reverso da moeda: os voluntários polacos que, desafiando a “Zona de Exclusão”, procuram como podem ajudar os refugiados.

O governo de direita polaco atacou o filme com violência. Zbigniew Ziobro, ministro da Justiça, declarou que “No Terceiro Reich, os Alemães produziam filmes de propaganda mostrando os Polacos como bandidos e assassinos. Hoje têm Agnieszka Holland para isso.” Na verdade, se há coisa que o filme mostra é o contrário: quão perto estão das práticas assassinas nazis as políticas anti-migratórias da Europa e como elas, procurando desumanizar os migrantes, desumanizam as polícias e o Estado que as aplicam.

Contrastando com as reações do Governo polaco, Green Border foi aclamado internacionalmente e recebeu o Prémio Especial do Júri no Festival de Veneza de 2023.

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O agente secreto, de Kleber Mendonça Filho

O novo filme de Kleber Mendonça Filho chegou às salas de cinema há pouco mais de duas semanas. A primeira informação que me chamou a atenção ao ver os créditos foi a sua duração: 2.41 horas. Bem diferente da última longa metragem do realizador, Retratos Fantasmas (1.33 h) e também de Bacurau (2.11 h) ou mesmo de Aquarius e de O som ao redor, ambos com também pouco mais de 2 horas. Ao assistir ao filme, o tempo se justificou pelas várias inserções de cenas aparentemente gratuitas no curso da narrativa do realizador recifense. Por exemplo, logo no início, Marcelo (Wagner Moura), recém-chegado ao novo apartamento, depois de ser recebido por Dona Sebastiana (Tânia Maria), coloca o disco Desabafo, do grupo musical recifense Conjunto Concerto Viola, para ouvir “Retiro / Tema de amor n.º 3”. Ou ainda a cena em que o personagem sai em meio ao carnaval de rua do Recife. E também os vários trechos que ajudam a contar a lenda da perna cabeluda que muitos de nós, no Sul do Brasil, conhecíamos apenas através da canção “Banditismo por uma questão de classe”, de Chico Science e Nação Zumbi, e que mereceria um novo texto em que se tratasse apenas do encontro entre essas duas obras dos artistas pernambucanos, tão fortes as relações que se pode supor que existam entre elas. A intenção, parece-me, é conceder à cultura popular do Nordeste brasileiro o lugar que lhe foi historicamente negado.

Neste espaço de que disponho, quero tratar de quatro elementos importantes para compreender a história do Brasil apresentada por Kleber Mendonça Filho em O agente secreto. Primeiro, Dona Sebastiana, que liga a história brasileira à internacional, as quais são atravessadas pelos fascismos de Mussolini na Itália e dos integralistas no Brasil na década de 1930, que são, no fundo, parte do mesmo armamento do capital global. Também o casal Tereza Vitória (Isabel Zuaa) e Antonio (Licínio Januário), que une a história de luta pela independência em África, que enfrentou o regime totalitário de Salazar até ao fim dos anos 1970, reproduzido nas antigas colônias pelos governos “nacionais” a serviço do imperialismo, às lutas contra a ditadura militar no Brasil, de modo que é possível compreendê-las como partes de um mesmo processo de enfrentamento do sistema capitalista mundial, que, embora se expresse de maneiras distintas em Angola e no Brasil, são, em verdade, um mesmo movimento em favor da libertação dos povos africano e brasileiro dos grilhões do capital internacional em suas formas mais brutais.

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Além desses, o personagem Hans, interpretado por Udo Kier, também permite ao espectador aproximar a barbárie praticada pela ditadura empresarial-militar brasileira à nazista da Alemanha do segundo quartel do século XX. E, mais importante do que isso, sugere que os judeus buscaram refúgio em lugares do mundo tão distantes da sua terra natal quanto quaisquer outros refugiados que lutaram e lutam pela sobrevivência ao longo da história, tanto antes quanto depois dos terríveis episódios gestados pelo antissemitismo levado às últimas consequências por Hitler.

Uma face abjeta do Sul do Brasil produz e reproduz o preconceito contra o povo do Norte e do Nordeste

Ainda, são bastante significativos os personagens que representam o “eles” no filme de Kleber Mendonça Filho. Bobbi (Gabriel Leone), Augusto (Roney Villela), Arlindo (Thomas Aquino), Euclides (Robério Diógenes) e Sergio (Igor de Araújo). No papel de milicianos, esses personagens são os agentes de uma perseguição violenta às ideias representadas por Marcelo, que é engenheiro e professor universitário. Há uma cena em que esses personagens estão dentro de um carro da polícia evocando repetidamente vocábulos que remetem às suas patentes militares, como “tenente” e “coronel”, em meio a uma macabra sequência de risadas e deboche, que ligam os fios de uma trama que narra a violência de Estado e a pilhagem praticada por eles. Augusto, ex-militar dispensado por problemas de disciplina e lealdade, e Bobbi, seu enteado, ainda servem como uma espécie de alegoria para uma família que tem lugar na história recente do Brasil como símbolo de uma virilidade forjada pela violência de gênero e pelo desejo de destruição do diferente. O passado desses personagens é reconstituído em parte no enredo por meio da revelação de uma sinistra aliança que envolve o assassinato da mãe de Bobbi. Dentro deste quadro também poderiam ser incluídos Ghirotti (Luciano Chirolli) e seu filho, Salvatore (Gregorio Graziosi), que representam uma face abjeta do Sul do Brasil, que produz e reproduz o preconceito contra o povo do Norte e do Nordeste, servindo de freio de mão do capital internacional para o desenvolvimento técnico e econômico do Brasil, como o espectador pode ver na cena em que Ghirotti e Salvatore vão à UFPB discutir os projetos do departamento coordenado por Marcelo, os quais buscam soluções para o desenvolvimento energético do país e que são enterrados pelo sulista, representante da Eletrobrás, entre outras razões, porque, conforme ele externaliza, a universidade “do Nordeste” deveria se preocupar com problemas “mais regionais”.

Como toda obra grandiosa, O agente secreto renderia muitas linhas mais. Mas considero que esta pode ser uma boa continuação do diálogo sobre o Brasil iniciado por este último filme de Kleber Mendonça Filho.

Green Border – Zona de Exclusão
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O agente secreto, de Kleber Mendonça Filho
Green Border – Zona de Exclusão
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Green Border – Zona de Exclusão

Green Border – Zona de Exclusão (em polaco,) é um filme de 2023 realizado por Agnieszka Holland. Em preto e branco, dramatiza a situação dos migrantes apanhados na fronteira entre a Bielorrússia e a Polónia. Em agosto de 2021, o Governo bielorrusso abriu as portas à passagem de migrantes para as fro

António Simões do Paço
O agente secreto, de Kleber Mendonça Filho
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O agente secreto, de Kleber Mendonça Filho

O novo filme de Kleber Mendonça Filho chegou às salas de cinema há pouco mais de duas semanas. A primeira informação que me chamou a atenção ao ver os créditos foi a sua duração: 2.41 horas. Bem diferente da última longa metragem do realizador, Retratos Fantasmas (1.33 h)

Beatriz Yoshida Protázio

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