Fascismo

Trump inventa um jogo desumano; e alguns fascistas que não almoçaram na Costa da Caparica
categoria-opinião Trump Xenofobia Fascismo Culinária edicao-2026-09-24 (42)

Trump inventa um jogo desumano; e alguns fascistas que não almoçaram na Costa da Caparica

O meu amigo Salvador, quando vê clientes exprimirem propósitos racistas contra imigrantes, vai à cozinha e confecciona um petisco-surpresa para os xenófobos. Nesse mesmo dia os discriminadores desfar-se-ão em merda.

Manuel da Silva Ramos
Complô
categoria-opinião edicao-2026-09-03 (39) Imperialismo Fascismo Colonialismo Capitalismo

Complô

Os povos africanos sofreram a violência e o roubo das riquezas materiais e humanas do continente, graças à superioridade técnica e militar dos países capitalistas. Mas o imperialismo, ou a etapa monopolista do capitalismo, não conseguiu escapar às suas próprias contradições.

Onésio Soda
Carta aos editores do The New York Times sobre a natureza fascista do partido de Menachem Begin
categoria-política Begin Fascismo Israel Likud edicao-2026-07-30 (38)

Carta aos editores do The New York Times sobre a natureza fascista do partido de Menachem Begin

É bom recordar a posição de Albert Einstein e mais intelectuais judeus contra a admissão nos EUA de Menachem Begin, notório fascista e líder da organização que assassinou mais de 200 palestinianos

Jornal Maio
Sobre a “lista negra” do MAL
Maio categoria-política edicao-2026-06-25 (33) Fascismo Chega

Sobre a “lista negra” do MAL

Vários órgãos de imprensa, nomeadamente o Expresso, o Público e a CNN, reproduziram elementos filtrados do dossiê da acusação do Ministério Público ao grupo armado nazi Movimento Armilar Lusitano (MAL).

Jornal Maio
Corrupção, UE, concorrência, transparência, grandes negócios e fascismo
categoria-política Corrupção Extrema-direita Fascismo União Europeia Economia edicao-2025-10-16 (01)

Corrupção, UE, concorrência, transparência, grandes negócios e fascismo

Mas a contratação pública na UE não é regida por directivas europeias que visam garantir transparência, concorrência e boa gestão dos recursos públicos? Pelo menos em teoria?

Adriano Zilhão
categoria-opinião Trump Xenofobia Fascismo Culinária edicao-2026-09-24 (42)

Trump inventa um jogo desumano; e alguns fascistas que não almoçaram na Costa da Caparica

MAIS ALGUNS TACHISTAS OPORTUNISTAS

A última do bandoleiro fascista Trump foi inventar um videojogo sobre deportação de imigrantes. Neste jogo os imigrantes são caçados e o jogador deve conhecer a maior parte das pessoas que atravessaram o Rio Grande, a fronteira com o México, e deportá-las. O intuito de Trump é divertir as pessoas com a miséria alheia e na Casa Branca este jogo está a ter muito sucesso. O jogo já chegou às hostes republicanas e, claro, ao movimento MAGA; depois de churrascos monumentais, as pessoas divertem-se caçando o pobre do imigrante. Toda a gente já viu que o propósito de Trump é fazer de cada americano um polícia do ICE. Por outro lado, onde não existe esta força policial gestapiana são os próprios cidadãos que executarão as deportações. Aos olhos do ditador Trump os imigrantes são menos que merda, contrariamente aos imigrantes brancos da África do Sul, a quem Trump dá logo, à entrada na América, o pecúlio bem jeitoso de quase cinco mil dólares. Tudo isto faz lembrar a política de Adolf Hitler, que pôs em campos de concentração raças ditas inferiores. Um dia veremos, depois da morte política do Criminoso da Casa Branca, que as diferenças entre aquele e este não são assim tão grandes como isso. Para já o respeito pela pessoa humana desapareceu. Em Portugal, mas em menor escala que nos USA, os imigrantes também são maltratados. Esta cena passou-se este verão num restaurante da Costa da Caparica onde entraram quatro simpatizantes do Chega. Uma vez sentados, foram abordados por uma funcionária estrangeira. Um dos recém-chegados chamou de imediato “puta refugiada” à funcionária e esta foi queixar-se rapidamente ao patrão que expulsou o quarteto recalcitrante, invocando insultos racistas contra a funcionária.

Os quatro cheguistas mereciam uma refeição completa no restaurante do meu amigo Salvador.

Mas o caso não acabou aqui. O sempre baboseiro André Ventura mais o ex-empresário de Castelo Branco e deputado do Chega Rui Paulo Sousa, colocaram um vídeo na Internet falsificando os acontecimentos e dizendo que os seus adeptos foram expulsos porque exigiram um atendimento em português da funcionária estrangeira. Os quatro cheguistas mereciam uma refeição completa no restaurante do meu amigo Salvador. Este meu amigo, quando vê que os seus clientes exprimem propósitos racistas contra imigrantes, aproxima-se deles e depois de ter a certeza disso ou de que são do Chega, vai à cozinha e confecciona um petisco-surpresa para os xenófobos e depois leva-o à mesa deles. Nesse mesmo dia os discriminadores desfar-se-ão em merda. É uma vingança fria.

categoria-opinião edicao-2026-09-03 (39) Imperialismo Fascismo Colonialismo Capitalismo

Complô

Os povos africanos sofreram a violência e o roubo das riquezas materiais e humanas do continente, graças à superioridade técnica e militar dos países capitalistas. Mas o imperialismo, ou a etapa monopolista do capitalismo, não conseguiu escapar às suas próprias contradições. A luta de libertação dos povos colonizados tornou-se uma das forças motrizes da história contemporânea.

“Eu jurei a mim mesmo que tenho de dar a minha vida, toda
a minha energia, toda a minha coragem, toda a capacidade 
que posso ter como homem… ao serviço da causa da 
humanidade, para dar a minha contribuição, na medida do 
possível, para que a vida do homem se torne melhor no 
mundo. Este é o meu trabalho.
” 

Amílcar Cabral


Quando criticamos o capitalismo, não se trata necessariamente de uma crítica à existência de empresas ou à iniciativa privada, mas sim ao modo de produção capitalista “selvagem”. O que significa isso? Significa questionar se uma empresa é realmente fruto do trabalho digno de todos aqueles que fazem parte desse universo. Esta é a grande palavra-chave: trabalho. 

Dizia Karl Marx: “O capital é trabalho morto que, como um vampiro, vive apenas de sugar trabalho vivo, e vive tanto mais quanto mais trabalho vivo suga.” Centenas de milhares de trabalhadores produzem bens em fábricas, mas não conseguem comprar aquilo que produzem. Ainda assim, são eles que geram a riqueza dos proprietários. 

O capitalismo cria a falácia de que, quanto mais se trabalha, mais sorte se tem. Faz-nos acreditar que o sucesso depende exclusivamente do esforço individual, enquanto molda o nosso comportamento para o superconsumo. O modo de produção capitalista impede que as pessoas cresçam através de um trabalho digno, porque o crescimento está ligado ao poder económico, que muitas vezes ameaça o próprio sistema desenhado pelos capitalistas selvagens, neste caso, os grandes financiadores, através dos seus agentes de influência, como governos ou instituições. 

Em julho deste ano, o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional completaram mais de oitenta anos de neocolonialismo financeiro internacional e de imposição de políticas de rigidez e das armadilhas de crédito, fabricando dívidas. Instituições como as de Bretton Woods devem ser abolidas e trocadas por instituições democráticas e representativas. 

Não nascemos todos nas mesmas condições histórico-políticas e económicas. Como dizia Amílcar Cabral: “Um princípio fundamental da nossa luta é que a nossa luta é a luta do nosso povo, e o nosso povo é que tem de fazê-la, e o seu resultado é para o nosso povo.” O contrário disso é aquilo a que podemos chamar capitalismo selvagem: um sistema que divide, controla e mata para obter lucro. 

Expansão colonial, imperialismo, racismo

Como o principal objetivo do capitalismo “selvagem” é o lucro a qualquer custo, tornou-se necessário expandir-se para outros territórios. Assim, a luta contra o imperialismo constitui uma das características essenciais do nosso tempo. O desenvolvimento intensivo do capitalismo, sobretudo a partir da segunda metade do século XIX, aprofundou práticas muito antigas: desde que o ser humano começou a servir mais os seus próprios interesses do que a comunidade. 

Ao pesquisarmos sobre capitalismo, colonialismo, imperialismo e racismo, verificamos que quase todas as sociedades conheceram formas de escravidão. Contudo, na escravatura transatlântica, encontramos três novidades. A primeira foi o apagamento e a alteração dos valores que sustentavam o funcionamento das relações nessas comunidades. A segunda foi a escala industrial do processo: milhares de seres humanos eram embarcados em navios para produzir riqueza para aqueles que financiavam o tráfico. A terceira foi o nascimento do racismo, através de narrativas criadas para justificar mortes e exploração em nome do lucro, algo que perdura até aos dias de hoje. 

O propósito da vida passa a ser ganhar. Esta é a fórmula que nos é oferecida. A partir do momento em que passamos a olhar para o ser humano sob essa perspetiva, estamos a transformá-lo num objeto. E, quando esse objeto não consegue atingir os resultados esperados, surge a opressão sob a forma de sofrimento psicológico e depressão. 

Hoje, este sistema assente no monopólio e na disputa pelas matérias-primas conduziu à repartição do mundo. Fidel Castro lembrava frequentemente que o que estava em causa era a liberdade dos povos contra a tirania do imperialismo norte-americano. 

Voltando um pouco atrás no tempo, vemos como, no século XIX, se realizou a repartição de África entre meia dúzia de potências europeias. Este sistema mostrou sempre duas classes: os dominadores e os dominados; os que podem viver com dignidade e os que são condenados à exclusão; os que entram para a história glorificada e os que são apagados dela. 

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Violência contra os povos africanos

Os povos africanos sofreram a violência e o roubo das riquezas materiais e humanas do continente, graças à superioridade técnica e militar dos países capitalistas. Mas o imperialismo, ou a etapa monopolista do capitalismo, não conseguiu escapar às suas próprias contradições. A luta de libertação dos povos colonizados tornou-se uma das forças motrizes da história contemporânea. É nesse conflito, que atravessa vários continentes, que se desenrola grande parte da história do nosso tempo. 

Historicamente, o colonialismo é produto do capitalismo. O modo de atuação permanece: a classe dominante nunca quer abandonar o poder. Quando se sente ameaçada, agarra-se aos seus privilégios e utiliza os meios de comunicação e as instituições para criar narrativas de “dividir para reinar”. Em muitos casos, recorre também à violência direta através das forças policiais, sobretudo nos bairros marginalizados. 

Dizia Frantz Fanon: “O colonialismo não é uma máquina de pensar, não é um corpo dotado de razão. É a violência em estado bruto.” Hoje, financiam-se fações armadas fora dos territórios, exploram-se divisões internas e alimenta-se o terrorismo nos países como República Democrática do Congo, Sudão, Moçambique… Perguntamos: quem são os verdadeiros terroristas: os grupos armados ou os grupos que os financiam? 

“África está cheia de armas ligeiras… Recursos preciosos de África, como o diamante, o ouro e o marfim, servem para introduzir em África muitas armas utilizadas nos conflitos” (Joseph Ki-Zerbo). Esta frase leva a perguntar: por que razão os grupos terroristas se concentram frequentemente em zonas ricas em recursos mineiros? Muitos autores argumentam que interesses económicos e geopolíticos beneficiam, por vezes, da instabilidade, permitindo a exploração e a apropriação das riquezas dos países que possuem esses recursos.  

Por que razão os grupos terroristas se concentram frequentemente em zonas ricas em recursos mineiros?

Atualmente, podemos observar que parte da prosperidade das potências económicas assenta em três pilares: a guerra e a consequente apropriação de recursos em países em conflito; o mercado global das drogas, que provoca inúmeras mortes e sofrimento; e, por fim, a indústria do armamento e os mecanismos de lavagem de dinheiro, que alimentam ciclos de violência e destruição. 

Vivemos num mundo marcado por profundas crises e desigualdades. As guerras geram instabilidade; a instabilidade gera migração; a migração pode provocar choques culturais; esses choques alimentam o descontentamento; o descontentamento conduz à procura de culpados; e essa procura leva frequentemente ao extremismo. Além disso, os migrantes acabam muitas vezes injustamente associados à criminalidade. 

Segundo Steve Biko, o racismo e o capitalismo são faces da mesma moeda. Sempre que o mundo entra em colapso, os mais “frágeis” sofrem primeiro: mulheres, crianças e populações vulneráveis. Hegel falava da dupla opressão das mulheres; perante a realidade contemporânea, poderíamos falar de uma tripla opressão: na família, no trabalho (Estado e propriedade privada) e, num terceiro plano, mais invisível, no apagamento do seu papel na história da humanidade.  

Colonialismo e fascismo

Quando uma ordem social entra em colapso, sectores conservadores tendem a fabricar inimigos visíveis para canalizar o medo e a culpa, criando narrativas destinadas a justificar o autoritarismo. 

O fascismo pode ser visto como um herdeiro do colonialismo, porque estabelece divisões rígidas entre aqueles que têm direitos e aqueles que são tratados como descartáveis, discriminados ou explorados. Tanto o fascismo como o colonialismo recorrem ao apagamento histórico e à criação de narrativas que normalizam a violência. Criticar o capitalismo selvagem não é apenas legítimo; é necessário. A sua história inclui colonialismo, escravatura, guerras de agressão, intervenções arbitrárias e cumplicidades com regimes violentos. O problema começa quando essa história é utilizada como explicação absoluta do presente, impedindo qualquer análise crítica mais equilibrada. 

Paulo Freire dizia que a consciência de classe começa pela capacidade de “ler o mundo”, ou seja, interpretar os mecanismos sociais e económicos que geram desigualdade. Para alcançar um progresso tangível, torna-se importante unir princípios humanistas e movimentos populares, criando formas de organização capazes de responder à seguinte questão: como podem os trabalhadores construir uma sociedade baseada em valores? 

Levar a cabo essa luta implica superar contradições culturais, económicas e políticas, procurando adaptar, unificar e organizar interesses coletivos. Acima de tudo, significa trabalhar junto da comunidade, porque ninguém conhece melhor a realidade do que quem a vive diariamente e se compromete genuinamente com a transformação social. 

Os sistemas de poder procuram fragilizar a família e a comunidade porque sociedades fragmentadas são mais fáceis de controlar. A cultura mediática, a publicidade e determinados discursos contribuiriam para enfraquecer referências familiares e sociais, transformando o indivíduo num sujeito cada vez mais isolado. Como escreveu José Saramago: “O humano é o que temos de preservar e defender em todas as circunstâncias: o capitalismo já sabe que não o fará.” Dizia Amílcar Cabral: “Mantemo-nos vigilantes contra nós mesmos e procuramos, na base do conhecimento concreto das nossas forças e das nossas fraquezas, reforçar aquelas e transformar estas em forças, pelo desenvolvimento constante da nossa consciência revolucionária.”

Quanto mais compreendermos que a principal finalidade dos movimentos de libertação ultrapassa a simples conquista política e se situa na libertação das forças produtivas e na construção do progresso económico, social e cultural dos trabalhadores, mais evidente se torna a necessidade de uma análise crítica da cultura no contexto da luta. Os aspetos negativos da cultura podem tornar se obstáculos ao progresso e à libertação coletiva. Por isso, torna-se essencial mobilizar e organizar os trabalhadores em torno de um projeto internacional de libertação humana.

categoria-política Begin Fascismo Israel Likud edicao-2026-07-30 (38)

Carta aos editores do The New York Times sobre a natureza fascista do partido de Menachem Begin

É bom recordar a posição de Albert Einstein1 e mais intelectuais judeus contra a admissão nos EUA de Menachem Begin2, notório fascista e líder da organização que assassinou mais de 200 palestinianos que habitavam a aldeia de Deir Yasin logo em 1948. O valor dessa posição mantém-se como um exemplo de como os laços de sangue, crença religiosa e outros não servem de escusa para nos negarmos a reconhecer factos confirmados como o atual genocídio em Gaza.

Albert Einstein, Hannah Arendt e outros

Entre os mais perturbadores fenómenos políticos dos nossos tempos está a emergência do “Partido da Liberdade” (Tnuat Haherut) no recentemente criado Estado de Israel. Um partido político muito próximo em organização, métodos, filosofia política e apelo social aos partidos nazis e fascistas. Ele foi formado a partir dos membros e seguidores do extinto Irgun Zvai Leumi³, uma organização terrorista, conservadora e chauvinista na Palestina.

A atual visita de Menachem Begin, líder desse partido, aos Estados Unidos é obviamente calculada para dar a impressão do apoio dos EUA a esse partido nas eleições de Israel que estão por vir e para cimentar laços políticos com os elementos sionistas conservadores dos Estados Unidos. Vários norte-americanos de reputação nacional têm deixado que os seus nomes sejam usados para caucionar a sua visita. É inconcebível que aqueles que se opõem ao fascismo em todo o mundo, se estão corretamente informados sobre a história política e as perspetivas do Sr. Begin, possam permitir a utilização dos seus nomes e dar o seu apoio ao movimento que ele representa.

Antes que danos irreparáveis ​​sejam causados ​​através de contribuições financeiras, manifestações públicas em defesa de Begin e da criação na Palestina da impressão de que uma grande parte da América apoia elementos fascistas em Israel, o público norte-americano precisa de ser informado sobre o historial e os objetivos do Sr. Begin e do seu movimento.

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As declarações públicas do partido de Begin não condizem de nenhuma forma com o seu verdadeiro carácter. Hoje falam de liberdade, democracia e anti-imperialismo, enquanto até há pouco tempo pregavam abertamente a doutrina do Estado fascista. É nas suas ações que o partido terrorista denuncia o seu verdadeiro carácter. A partir das suas ações passadas, podemos julgar o que se espera que faça no futuro.

O ataque à aldeia árabe

Um exemplo chocante foi o seu comportamento na aldeia árabe de Deir Yassin. Esta aldeia, distante das principais estradas e rodeada de terras judaicas, não participou na guerra e chegou a contrariar o lado árabe que queria usá-la como base. No dia 9 de abril, bandos terroristas atacaram esta aldeia pacífica, que não era um objetivo militar nos combates, mataram a maioria dos seus habitantes (240 homens, mulheres e crianças) e mantiveram alguns deles vivos para desfilarem como cativos pelas ruas de Jerusalém. A maior parte da comunidade judaica ficou horrorizada com o feito, e a Agência Judaica enviou um telegrama de desculpas ao rei Abdullah da Transjordânia. Mas os terroristas, longe de se envergonharem do seu ato, orgulharam-se deste massacre, divulgaram-no amplamente e convidaram todos os correspondentes estrangeiros presentes no país a verem os cadáveres amontoados e a devastação em Deir Yassin.

“No seio da comunidade judaica eles têm pregado uma mistura de ultranacionalismo, misticismo religioso e superioridade racial. Tal como outros partidos fascistas, têm sido usados para furar greves e pressionar pela destruição de sindicatos livres”

O incidente de Deir Yassin exemplifica o carácter e as ações do Partido da Liberdade.

No seio da comunidade judaica eles têm pregado uma mistura de ultranacionalismo, misticismo religioso e superioridade racial. Tal como outros partidos fascistas, têm sido usados para furar greves e pressionar pela destruição de sindicatos livres. Em seu lugar, propuseram sindicatos corporativos segundo o modelo fascista italiano.

Durante os últimos anos de violência antibritânica esporádica, os grupos IZL e Stern inauguraram um reinado de terror na comunidade judaica palestiniana. Professores foram espancados por falarem contra eles, adultos foram baleados por não deixarem os seus filhos juntarem-se a eles. Através de métodos de gângsteres, espancamentos, janelas partidas e roubos generalizados, os terroristas intimidaram a população e cobraram-lhe pesados tributos.

O Partido da Liberdade não teve nenhum papel construtivo na Palestina. Não recuperou terras, não construiu colonatos e apenas prejudicou a atividade de defesa judaica. Os seus tão propagandeados esforços de imigração foram diminutos e dedicados principalmente a trazer compatriotas fascistas.

As discrepâncias observadas

As discrepâncias entre as fanfarronadas de Begin e do seu partido e o seu historial de trabalho na Palestina revelam que não se trata de um partido político comum. São a marca inconfundível de um partido fascista para quem o terrorismo (contra judeus, árabes e britânicos) e a deturpação dos factos são meios, e um “Estado líder” é o objetivo.

À luz das considerações anteriores, é imperativo que a verdade sobre o Sr. Begin e o seu movimento seja divulgada neste país. É ainda mais trágico que a direção superior do sionismo americano se tenha recusado a fazer campanha contra os esforços de Begin, ou mesmo a expor aos seus próprios membros os perigos para Israel decorrentes do apoio a Begin.

Os signatários vêm, pois, por este meio, apresentar publicamente alguns factos relevantes sobre Begin e o seu partido e instar todos os envolvidos a não apoiarem esta mais recente manifestação do fascismo.

Albert Einstein, Hannah Arendt, Isidore Abramowitz, Abraham Brick, Rabi Jessurun Cardozo, Herman Eisen, M.M., Hayim Fineman, M. Gallen, H.D., H.H. Harris, Zelig S. Harris, Sidney Hook, Fred Karush, Bruria Kaufman, Irma L. Lindheim, Nachman Maisel, Seymour Melman, Myer D. Mendelson, M.D., Harry M. Oslinsky, Samuel Pitlick, Fritz Rohrlich, Louis P. Rocker, Ruth Sagis, Itzhak Sankowsky, I. J. Shoenberg, Samuel Shuman, M. Singer, Irma Wolfe, Stefan Wolfe


  1. De 4 de dezembro de 1948.
  2. O Likud, de Benjamin Netanyahu, é o herdeiro do “Partido da Liberdade” de Begin.
  3. Organização Militar Nacional, uma organização paramilitar sionista que operou durante o Mandato Britânico da Palestina (1931-1948).

Tradução de António Simões do Paço.

Maio categoria-política edicao-2026-06-25 (33) Fascismo Chega

Sobre a “lista negra” do MAL

Declaração do Maio

Vários órgãos de imprensa, nomeadamente o Expresso, o Público e a CNN, reproduziram elementos filtrados do dossiê da acusação do Ministério Público ao grupo armado nazi Movimento Armilar Lusitano (MAL). 

Referem que o grupo mantinha uma lista de “alvos” potenciais que incluía personalidades políticas e jornalísticas, associações e partidos, na maioria ligados ao movimento dos trabalhadores e à esquerda — incluindo Raquel Varela, da associação Maio em Movimento, que publica o Maio, bem como outros membros associados do Maio ou que com ele colaboram, dirigentes sindicais, e que são também visados nesta ignomínia, uma “lista negra” de homens e mulheres de luta e liberdade.

Não aceitamos ataques aos intelectuais públicos, aos trabalhadores organizados, aos dirigentes sindicais, associações populares e democráticas que se batem pela democracia, pelos direitos de quem trabalha, pelas minorias oprimidas, pelo socialismo. Este último é o campo do Maio. Eles não nos intimidarão. Tal como o pacote laboral, não passarão.

A imprensa deu destaque, nesta lista, às “ameaças” ao atual primeiro-ministro, que, como outros dirigentes do PSD e do jornalismo institucional, também constam da lista. A detenção dos suspeitos do MAL ocorreu em 2025. O momento destas revelações não será, pois, mera coincidência, quando Montenegro se propunha selar uma aliança de governo de facto com o Chega, depois de aprovar o “pacote laboral” de precarização geral do trabalho e de destruição dos direitos dos trabalhadores, nomeadamente dos sindicais e da greve (no que falhou).

Queria-se fazer parecer que a separação era entre “todos os democratas”, de um lado, e uns “mauzões” nazis; e que não só Montenegro, mas até Ventura, faziam parte dos primeiros — quando é público e notório que muitos dos grupos nazis são públicos apoiantes do Chega, que tem entre os seus dirigentes e membro da AR um dos chefes políticos do grupo terrorista de extrema-direita ELP/MDLP de 1975.

A verdadeira separação é entre quem trabalha e quem explora trabalho, é entre quem defende a igualdade, a liberdade e a fraternidade, reais, e quem cultiva a violência contra os trabalhadores e homens e mulheres da cultura.

categoria-política Corrupção Extrema-direita Fascismo União Europeia Economia edicao-2025-10-16 (01)

Corrupção, UE, concorrência, transparência, grandes negócios e fascismo

Mas a contratação pública na UE não é regida por directivas europeias que visam garantir transparência, concorrência e boa gestão dos recursos públicos? Pelo menos em teoria?

Perguntam muitos, a propósito da corrupção, da UE, da concorrência, da transparência e dos grandes negócios:“Mas a contratação pública na UE não é regida por directivas europeias que visam garantir transparência, concorrência e boa gestão dos recursos públicos? Pelo menos em teoria?”

É uma pergunta com muita pertinência e grande alcance.

Justifica uma reflexão particular, porque ela tem muito, muito que ver com alguns dos temas políticos e sociais mais actuais: corrupção/transparência, UE, “classes médias”, ascensão da extrema-direita.

A pergunta é se as regras de contratação pública da UE, como, aliás, antes de elas existirem, as dos vários Estados membros, que não eram muito diferentes, não visam “garantir transparência, concorrência e boa gestão dos recursos públicos”, em todo o caso da boca para fora.

Lá visar, diz que visam.

Uma coisa é bem certa: com as regras pormenorizadas dos concursos públicos na UE e nos Estados, houve, à cabeça, este efeito: passou a ser mais difícil decidir da atribuição de concursos de grande e média monta através de negócios de bastidores, por ajustes e acordos corruptos entre “pessoas”.

Ora, este método de negócio foi, durante muitas décadas, um dos lubrificantes de eleição das economias capitalistas: a alemã, a inglesa, a francesa, a espanhola, a italiana, a portuguesa, a americana.

A obtenção de contratos públicos é, frequentemente, vital para o negócio das empresas. Na linguagem do patronato e dos seus representantes políticos, dela “dependem muitos postos de trabalho”.

Dela diremos nós: dependem, sobretudo (para pessoal de temperamento mais moderado: dependem, também), muitos lucros.

Qualquer empresa racional — portanto, determinada a sobreviver — determina o seu comportamento por relações custo/risco/benefício: quanto ganho com este concurso? Quanto me arrisco a perder se fizer batota?

E, consequentemente: se o risco associado à batota for alto, quanto custa arranjar advogados, consultores, que me ajudem a encontrar a maneira de ganhar “segundo as regras”? Compensará?

No capitalismo sempre foi assim, não há por aqui diferença particular. O problema da corrupção não reside nas “regras”. Reside no sistema. A luta é pela sobrevivência na selva, que tem o nome comercial de “concorrência livre e sem entraves”, que é, em cinco palavras — cada uma delas, uma mentira (ressalvem-se as preposições, coitadas) —, a Constituição da UE.

As regras, em capitalismo, são como tudo, até a vida humana: têm um preço; determina-o o mercado.

Qual é a principal diferença, então, em relação a “antes"?

Antes, quando a construção de uma boa relação pessoal, untada com umas notas passadas discretamente, umas valentes almoçaradas e uns convites para o bordel de luxo permitia ganhar uma adjudicação —, um pequeno ou médio empresário astuto conseguia lá ir, pelo menos de vez em quando.

As novas regras, porém, tornam muito mais difícil esta corrupção em pequena escala.

Agora só lá se vai com grossas equipas de lobistas, com a frequência de decisores políticos importantes; com empregar (caros!) advogados e relações públicas polidos, bem falantes, capazes de dissertar sobre o interesse nacional, a situação e as perspectivas mundiais; com arranjar jactos privados para dar boleias; e dá jeito fazer uma ou outra obra de caridade bem vista (fundações disto e daquilo).

Uma vez isto feito, os concursos, mesmos os mais públicos e anónimos, resolvem-se: manejam-se as especificações para favorecer a nossa empresa; põem-se cláusulas que, partindo de um preço-base baixo, permitem triplicar ou quadruplicar o valor durante a empreitada; ou situam-se os limiares de adjudicação em valores demasiado baixos (e, uma vez o concurso deserto, passa-se à fase seguinte, até chegar à adjudicação directa); e mil e uma outras maneiras de manipular concursos.

No pior dos casos, impugna-se o concurso, atrasa-se tudo, até o concurso falhar e se ter de fazer outro.

Lateralmente seja dito: está aqui grande parte da explicação de porque as médias e grandes obras públicas nunca mais acabam, nunca mais se fazem, são demasiado caras. Tudo são custos, advogados, lobistas, diligências; e onde hão-de acabar todos os custos senão no preço da empreitada?

Mais: o jeitão que isto dá para bramar contra a burocracia: "nada se faz", “andamos a pagar impostos altíssimos para isto?”; “desburocratize-se!”, “simplifique-se!”; “simplex!”; o miserável portinglês do Cotrim!

Atenção: que a “transparência” tem os seus limites. Nada há de mais sagrado, nada haverá de mais sagrado do que o segredo comercial!

Caso contrário, não vêm lá os chineses roubar as nossas patentes, roubar os nossos saberes, roubar os nossos “postos de trabalho”? Que político quer tal labéu?!

A corrupção, nos países da UE, com as complexas regras da contratação pública, passou a só ser lucrativa em grande escala.

Na livre concorrência, sem entraves, pela corrupção, já só podem participar grandes empresas, grandes capitais. (Não se duvide: no campeonato mundial da corrupção, a primeira liga não inclui nem o Congo, nem Angola, nem a Bolívia, nem a Índia — é encabeçada pelos EUA, seguindo-se, como é habitual, as Alemanhas, Franças eAraganças).

Isto, sem qualquer ironia, é um problema muito grave.

A pequena e, sobretudo, a média empresa sempre viveu muito (não só, mas bastante) da pequena e média corrupção. Relações, cunhas, palmadas nas costas, almoçaradas.

Uma vez esta pequena corrupção erradicada ou quase, o pequeno e médio empresário não tem remédio senão tornar-se, em tudo menos no nome, assalariado do grande capital: franchiser, fornecedor de um cliente único, agente/traficante de mão de obra barata.

Isso torna-o cada vez mais raivoso.

Raivoso contra o sistema.

Raivoso contra os grandes, que lhe tiraram quaisquer hipóteses de singrar pelo seu suor.

Raivoso contra os pequenos, os seus próprios trabalhadores, que querem salários, direitos, regalias, e não fazem ideia de como é “o mundo real”.

Raivoso contra tudo e contra todos.

E isso traz-nos de volta à ascensão dos Chegas deste mundo.

Eles não vivem do desastre social, económico, político total.

O desastre social, económico, político é real. É realmente organizado pelo grande capital.

O grande capital organiza a corrupção em grande escala, a miséria em grande escala, a guerra em grande escala.

Os pequenos tramam-se. Se o movimento operário é fraco, os “pequenos”, inconformados, que se achavam grandes e falharam, viram-se contra os trabalhadores, os que “não querem trabalhar”, os sindicatos, o movimento operário: são muito mais fáceis de culpar.

Esta é a história do fascismo.

Convém não confundir.

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Sobre a “lista negra” do MAL

Vários órgãos de imprensa, nomeadamente o Expresso, o Público e a CNN, reproduziram elementos filtrados do dossiê da acusação do Ministério Público ao grupo armado nazi Movimento Armilar Lusitano (MAL).

Jornal Maio
Corrupção, UE, concorrência, transparência, grandes negócios e fascismo
categoria-política Corrupção Extrema-direita Fascismo União Europeia Economia edicao-2025-10-16 (01)

Corrupção, UE, concorrência, transparência, grandes negócios e fascismo

Mas a contratação pública na UE não é regida por directivas europeias que visam garantir transparência, concorrência e boa gestão dos recursos públicos? Pelo menos em teoria?

Adriano Zilhão

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