Eleições Presidenciais

Desventurazinhas
categoria-opinião Eleições Presidenciais Maio edicao-2026-02-05 (14)

Desventurazinhas

Esta é uma resposta ao texto “O desventura”, publicado por Jorge Costa (BE) no esquerda.net em que, na parte final (aquela que fica na retina do espectador) pega num alfinete para atacar uma suposta opção do Maio pelo apelo à abstenção na segunda volta das presidenciais.

António Simões do Paço
Perante as ameaças de Ventura, impõe-se o necessário voto em Seguro
categoria-opinião Eleições Presidenciais Manuel Carlos Silva Seguro Ventura edicao-2026-02-05 (14)

Perante as ameaças de Ventura, impõe-se o necessário voto em Seguro

Independentemente das diferenças ideológicas no campo democrático, importa posicionarmo-nos contra as ameaças e mentiras (fake news) de Ventura, mobilizarmo-nos e votarmos efetivamente em António José Seguro para Presidente da República no próximo dia 8 de fevereiro.

Manuel Carlos Silva
categoria-opinião Eleições Presidenciais Maio edicao-2026-02-05 (14)

Desventurazinhas

Esta é uma resposta ao texto “O desventura”, publicado por Jorge Costa (BE) no esquerda.net em que, na parte final (aquela que fica na retina do espectador) pega num alfinete para atacar uma suposta opção do Maio pelo apelo à abstenção na segunda volta das presidenciais.

Jorge Costa, dirigente e ex-deputado do Bloco de Esquerda, aproveitou um texto publicado no esquerda.net para um ataque ao jornal Maio.

Saúdo e compartilho a sua tomada de posição sobre a necessidade de votar, na segunda volta das presidenciais, contra Ventura – e em António José Seguro, não em branco ou abstendo-se, para achatar ao máximo o resultado do candidato fascista.

Já não saúdo nem aprecio a forma “capelista” como termina o seu texto, tentando associar o jornal Maio a uma tomada de posição pela abstenção na segunda volta das eleições presidenciais. O Maio, ao contrário do esquerda.net, onde publica o seu texto, não é um jornal de partido. Nestas presidenciais convidou apoiantes de diversas candidaturas de esquerda a explicarem as razões do seu voto neste ou naquele candidato, incluindo a de António José Seguro, a de António Filipe e a candidata do Bloco, Catarina Martins, entre outros. Ninguém defendeu a abstenção, nem para a primeira, nem para a previsível segunda volta. No meu caso, quando defendi o voto na primeira volta em André Pestana, pronunciei-me até sobre a segunda: “Numa segunda volta, em face do que se perspetiva, o meu voto será quase certamente um voto contra. Então se o candidato fascista estiver presente, votarei obviamente contra ele. Contra o fascismo, votaria até numa mula, se fosse preciso.”

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No seu texto, Jorge Costa optou por separar dos parágrafos imediatamente anterior e posterior a uma frase de análise em que se critica a “conivência do PS e seus parceiros com a austeridade”, e se refere que “martirizado(s) pelas políticas de José Sócrates e da ‘geringonça’”, alguns se abstêm, “porque não ve(em) alternativa, não porque se esteja(m) nas tintas para Ventura ganhar”, aquilo que aí se afirma: “Uma vitória de Ventura significaria uma ameaça iminente de violenta degradação dos direitos, liberdades e garantias” e “Pode-se derrotar o fascismo nas urnas, mas só momentaneamente; definitivamente, o fascismo só se derrota nas ruas, nos locais de trabalho, na greve, na luta, na cooperação, nos movimentos associativos e culturais.”

Absolutamente claro, a menos que se esteja com os óculos embaciados.

Aprendi ao longo da vida que para qualquer combate, sobretudo os mais importantes, se procuram aliados, não se inventam inimigos.

Vamos lá derrotar o Ventura!

PS: Balanços sobre a desventurada política do Bloco durante a “geringonça” já há muitos e não é o momento de aqui fazer mais um.

categoria-opinião Eleições Presidenciais Manuel Carlos Silva Seguro Ventura edicao-2026-02-05 (14)

Perante as ameaças de Ventura, impõe-se o necessário voto em Seguro

Independentemente das diferenças ideológicas no campo democrático, importa posicionarmo-nos contra as ameaças e mentiras (fake news) de Ventura, mobilizarmo-nos e votarmos efetivamente em António José Seguro para Presidente da República no próximo dia 8 de fevereiro.

Como é sabido, as escolhas dos Portugueses na primeira volta das eleições presidenciais fixaram-se em dois candidatos: António José Seguro e André Ventura. A candidata e candidatos de esquerda Catarina Martins, António Filipe e Jorge Pinto, assim como os responsáveis do PS, do PCP, do BE e do Livre e doutros grupos sociopolíticos minoritários, não obstante as críticas na primeira volta a António José Seguro, não tiveram qualquer hesitação em declarar e recomendar a votação neste candidato na segunda volta. Num segundo momento, diversos (ex)responsáveis e figuras do PSD, da IL e do CDS têm vindo a declarar o seu voto em Seguro, considerando as ameaças à democracia representativa e entorses ou mesmo violações, por parte de Ventura, perante o figurino constitucional dos poderes do Presidente da República. O que já é difícil de entender é que, dadas tais ameaças aos princípios constitucionais e à própria democracia representativa, Luís Montenegro, como primeiro-ministro, perante este dilema, normalize o Chega e não se defina por razões calculistas e táticas, nomeadamente a de necessitar do Chega para alguns projetos-lei no quadro parlamentar, certamente lesivos da maioria dos Portugueses como, por exemplo, a contrarreforma do pacote laboral, tal como sucedeu com as leis sobre a imigração e a nacionalidade.

Se, no passado, nomeadamente entre os séculos XVI e XIX, a Europa expandiu parte de suas populações no contexto da colonização noutros continentes, a partir dos anos 1920-30, e sobretudo após a Segunda Guerra Mundial, conheceu uma evolução em sentido inverso, ou seja, tornou-se importadora líquida de força de trabalho estrangeira por maior acumulação de capital nos países centrais e sobreabundância de mão de obra nos países periféricos. Estas migrações, embora não sejam as causas da atual reemergência do racismo na Europa, proporcionam o contexto, a ocasião ou o pretexto para partidos de extrema-direita como o Chega se aproveitarem das situações de descontentamento e até raiva perante efeitos de políticas neoliberais de sucessivos governos, corresponsáveis do agravamento das desigualdades sociais, da degradação das políticas públicas do ‘Estado Social’ sobretudo nas esferas da saúde, da educação e da habitação, provocando um mal-estar e insegurança socioeconómica de largas franjas das classes populares autóctones. Assim o Chega, como outros congéneres na Europa, não é antissistema, nem apresenta reais soluções para os problemas, mas aponta demagogicamente as minorias étnicas (vg. ciganos) e imigrantes como os ‘bodes expiatórios’ da situação de privação e sofrimento; acicatam o ódio a imigrantes negros e asiáticos, reforçando crescentes tensões e clivagens entre imigrantes e população autóctone, nomeadamente a mais empobrecida. Esta clivagem, contaminando outras forças de direita pela indevida e não comprovada associação de imigração com insegurança e criminalidade, é potenciada pelo facto de haver pessoas desinformadas e manipuladas por alguns media, redes sociais e pelo próprio Chega, sentindo-se aquelas receosas de perder os seus lugares face aos “vindos de fora”. Dada a baixa consciência política de camadas das classes populares e inclusive a presença de preconceitos de supremacia branca, estes são reforçados pelo Chega, nomeadamente por Ventura, que não se cansa de (i) elogiar a ditadura de Salazar (e a necessidade atual de “três Salazares”!), negar o sistema esclavagista implantado pelo secular colonialismo português e propor a deportação de imigrantes e “criminosos” islâmicos ou negros, incluindo legítimas deputadas eleitas para a Assembleia da República como Joacine Moreira; (ii) de pugnar por uma IV República e assumir demagogicamente que o 25 de Abril 1974, a Constituição de 1976 e os partidos daí resultantes e suas elites foram, de modo generalizado, geradores de “corrupção ao longo de 50 anos”, sem distinguir entre os reais casos de corrupção e os avanços e garantias de liberdades e direitos fundamentais (vida, expressão, trabalho, saúde, educação, segurança social, habitação, participação política) graças não só ao derrube do fascismo pelo MFA como às conquistas democráticas por via de comissões de moradores e de trabalhadores, de sindicatos, movimentos sociais, partidos e políticas públicas progressistas; (iii) advogar a necessidade de “implantar a ordem” e um Estado presidencialista securitário sem respeito pela separação de poderes e concretizar propostas contra o Estado de Direito e a Declaração de Direitos Humanos, tais como a castração química, a pena de prisão perpétua, o trabalho forçado para reclusos, a possível perseguição a cidadãos “socialistas” ou “comunistas” ou ainda a retirada da nacionalidade a ex-imigrantes naturalizados como portugueses.

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Em recente entrevista feita a Ventura a 21/1/2026, este, questionado sobre o seu posicionamento face a posturas de violência racista contra muçulmanos por parte do grupo neonazi 1143 – em que teriam estado implicados alguns membros do Chega – não se demarcou. O cientista político Riccardo Marchi – que em livro seu intitulado A Nova Direita Anti-Sistema - O Caso do Chega normalizou, branqueou e legitimou o Chega como partido radical de direita ‘antissistema’, mas não racista, não xenófobo nem de extrema-direita –, considerou acertada a posição de Ventura por, no quadro das atuais eleições presidenciais, não prescindir deste e doutros grupos neonazis pela sua relevância nas redes sociais. O alinhamento do Chega e do seu chefe Ventura com a ideologia autoritária de extrema-direita perpassada de elementos protofascizantes poder-se-á inferir; a) da adesão a slogans demagógicos e messiânicos em torno de “Deus, Pátria e Família” e posicionamentos racistas e xenófobos, expostos nomeadamente em cartazes; b) de propostas mistificadoras de proibição do chamado “marxismo cultural” nas escolas, de ataques antifeministas em torno da chamada ‘ideologia de género’ e outras propostas limitativas de liberdades para pessoas LGBTQI+; c) de hostilidade ao multiculturalismo, em particular a grupos étnico-raciais minoritários e crentes não cristãos, de imposição de assimilação forçada, de confinamento e criminalização de comunidades ciganas e ‘imigrantes’ classificados amiúde como “incumpridores da lei” e “parasitários do Estado Social”; e sobretudo d) da integração do Chega na família política da extrema-direita e/ou partidos/figuras neofascizantes na Europa e no mundo (vg. Vox na Espanha, Liga italiana, Rassemblement National francês, Partido pela Liberdade/Partij voor de Vrijheid neerlandês e outros no Norte da Europa e do Grupo de Visegrado, Trump e Bolsonaro).

Tendo consciência da porosidade de preconceitos étnico-raciais enraizados e clivagens interétnicas, nomeadamente face a ciganos e imigrantes, estamos nesta curva histórica com uma excecional premência.

As sondagens dão vantagem a António José Seguro. Porém, tendo consciência da porosidade de preconceitos étnico-raciais enraizados e clivagens interétnicas, nomeadamente face a ciganos e imigrantes – aliás não valorizadas ou até desconsideradas por vários partidos, inclusive de esquerda – mas constatados em diversos estudos nacionais1, estamos nesta curva histórica com uma excecional premência a nível (inter)nacional, mesmo em relação às eleições presidenciais de 1986. Independentemente das diferenças ideológicas no campo democrático, importa posicionarmo-nos contra as ameaças e mentiras (fake news) de Ventura, mobilizarmo-nos e votarmos efetivamente em António José Seguro para Presidente da República no próximo dia 8 de fevereiro, em prol da democracia e pela criação de condições mínimas para novas lutas e conquistas socioeconómicas e políticas.


  1. Cf., entre outros, Vala, J.; Lopes,D. e Brito, R. (1999), Novos racismos: Perspetivas comparativas. Oeiras: Celta; Silva, M.C. (2022), Etnicidade e racismo. Representações sociais de portugueses(as) sobre minorias étnicas negra e cigana no distrito de Braga, Porto: Afrontamento.
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Perante as ameaças de Ventura, impõe-se o necessário voto em Seguro
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Esta é uma resposta ao texto “O desventura”, publicado por Jorge Costa (BE) no esquerda.net em que, na parte final (aquela que fica na retina do espectador) pega num alfinete para atacar uma suposta opção do Maio pelo apelo à abstenção na segunda volta das presidenciais.

António Simões do Paço
Perante as ameaças de Ventura, impõe-se o necessário voto em Seguro
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Perante as ameaças de Ventura, impõe-se o necessário voto em Seguro

Independentemente das diferenças ideológicas no campo democrático, importa posicionarmo-nos contra as ameaças e mentiras (fake news) de Ventura, mobilizarmo-nos e votarmos efetivamente em António José Seguro para Presidente da República no próximo dia 8 de fevereiro.

Manuel Carlos Silva

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