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10 de Junho - O grande Camões não tem culpa Mário Tomé
categoria-opinião Guerra Paz Serviço Militar Obrigatório edicao-2025-10-16 (01)

10 de Junho - O grande Camões não tem culpa

O povo trabalhador, o proletariado moderno do nosso país, tem de exigir, contra os heróis com o sangue dos outros, travar a despesa armamentista ...

Mário Tomé
Ricardo Reis, o trabalhador  mais expedito do Chega Manuel da Silva Ramos
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Ricardo Reis, o trabalhador mais expedito do Chega

Estou a retrabalhar toda a obra do Fernando Pessoa e a dar-lhe um cunho pessoal.

Manuel da Silva Ramos
categoria-opinião Guerra Paz Serviço Militar Obrigatório edicao-2025-10-16 (01)

10 de Junho - O grande Camões não tem culpa

O povo trabalhador, o proletariado moderno do nosso país, tem de exigir, contra os heróis com o sangue dos outros, travar a despesa armamentista e que a “defesa nacional” seja defesa civil, proteção de pessoas e bens, proteção da natureza e do meio ambiente

São os pilares da pátria! O Presidente Marcelo, o Montenegro, o PS, os gajos da IL e o partido fascista, todos cúmplices do genocídio do povo palestiniano ao confraternizarem com o Estado pária terrorista de Israel como parceiro de negócios e de “cultura”. Guerra é guerra, babam-se eles. Seja na Palestina, seja na Ucrânia.

As nações modernas construíram-se como alfobre da carne para canhão necessária à conquista e ao domínio colonial. A cultura burguesa forneceu o cimento simbólico e mítico para assegurar a unidade do que era antagónico: a burguesia e o proletariado – a pátria.

A pátria que “não se discute” dissuade a objetividade do internacionalismo proletário e lança no açougue e na chacina a juventude das nações, que embriagam de chauvinismo desde o berço, seja ele dourado ou de palha mijada. Depois do nosso breve interregno do PREC, assim continua a ser. O 10 de Junho foi altivamente definido, há uns anos, pelo preclaro Cavaco Silva, como o “Dia da Raça”!

As forças armadas, sustentadas pelo serviço militar obrigatório como dever supremo de cidadania, asseguraram a integração material e social do proletariado às ordens dos interesses rapaces dos burgueses. Anunciavam a igualdade dos cidadãos e mantinham-na com a mais férrea ferramenta da desigualdade: a hierarquia militar.

O Serviço Militar Obrigatório foi recusado expressa e democraticamente pelos Portugueses. A chamada defesa da pátria passou a ser feita por mercenários, embora de baixo perfil. No contexto da NATO, ou seja, do imperialismo predador e terrorista, obedientes e reverentes, as forças armadas têm sido o mais refinado instrumento de submissão ao imperialismo fazedor de todas as guerras modernas.

Sob ameaça, implícita por enquanto, de uma conflagração mundial com um grande potencial destruidor demonstrado em Hiroxima e Nagasáqui, somos obrigados a questionar o como e o porquê e qual o papel que devem assumir todos aqueles que estão designados para irem morrer no combate ou para morrerem onde seria suposto estarem no seu combate de classe contra os “mordomos do universo todo” como José Afonso chamou aos vampiros do capital.

Posto isto, o povo trabalhador, o proletariado moderno do nosso país tem de exigir, contra os heróis com o sangue dos outros, travar a despesa armamentista e que a “defesa nacional” seja defesa civil, proteção de pessoas e bens, proteção da natureza e do meio ambiente.

A única forma de defender as pessoas – e só elas dão algum significado ao termo pátria – em paz ou perante as destruições da guerra, é reduzir a despesa militar a um mínimo pouco mais do que simbólico e considerar os sapadores florestais como os grandes heróis de que precisamos conjuntamente com os corpos de bombeiros e restantes institutos de proteção civil. E em função disso atribuir os meios necessários para a sua intervenção em tempo de paz, mas de grandes alterações climáticas – terramotos, grandes incêndios, inundações e epidemias – ou de guerra, convencional ou nuclear, a que só seremos sujeitos enquanto serventuários sem desculpa do Estado terrorista dos EUA através da NATO.

O tempo não está para rezas, sejam elas religiosas ou laicas, urge libertar as mentes do lixo ideológico e levantar de novo a única barreira às guerras e à podridão irracionalista do capital: a luta de classes com base no internacionalismo de todos os que trabalham e são explorados em todo o mundo.

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Ricardo Reis, o trabalhador mais expedito do Chega

Os tachistas oportunistas #1

Estou a retrabalhar toda a obra do Fernando Pessoa e a dar-lhe um cunho pessoal.

É um puto de vinte e tal anos, mas já sabe manejar o aparo. Mas foi com uma Bic sanguinolenta que ele ganhou galões. Fez primeiro um rascunho para ser mais feroz. Só depois passou a certidão de óbito para o seu poleiro digital. No ano passado, este imberbe de Setúbal, que nunca leu os sonetos eróticos do grande Bocage, veio para as redes sociais congratular-se pela morte de Odair Moniz e dizia ainda que era um preto a menos no Reino da Corrupção. Vejam lá! A sinceridade do niquinho! A sua gratidão para com a polícia, que assim se desfez de um elemento perigoso para a comunidade, foi infinita! Mas o finório tinha um objetivo e viu-se agora, pois hoje está sentado na Assembleia da República e engravatado. Mas voltemos atrás ao contentamento do chefe Ventura quando lhe falaram de um miúdo que corria mais depressa que as balas perdidas. Temos de arranjar um tacho a este aprendiz de feiticeiro, disse logo o Berrão. Telefonou-lhe. Passados cinco minutos, o puto, todo contente, foi logo direitinho à Avenida Luísa Todi comer um prato de choco frito. Já tinha tacho! Há tachistas que rastejam, este só puxou pelos galões da desumanidade. Um preto a menos, isso é irrelevante. Nessa noite dormiu ainda melhor.

Ricardo Reis está hoje, pois, refastelado na Assembleia da República ao lado dos outros 59 deputados do partido Chega. Entrevistado para um canal de televisão no princípio da XVII legislatura, o benjamim de cabelo cortado e espetado, declarou ao jornalista a sua intenção: “Trabalho! Trabalho! Trabalho!” Era o programa do novo deputado daquele grupo político. Só que não havia nada a fazer. O Chefe Ventura acumulava tudo e até açambarcava o ar. Então resolveu em privado contribuir para a glória da pátria. Numa carta a um amigo que está quase a entrar no Chega (só lhe falta pagar-lhe um jantar em Tróia) confessou-lhe: “Então o que fiz para passar o tempo com coisas úteis? Dediquei-me à literatura. Estou a retrabalhar toda a obra do Fernando Pessoa e a dar-lhe um cunho pessoal. É um trabalho que me satisfaz muito e me dá muito prazer. O Álvaro de Campos já está todo com um cunho à Ricardo Reis. Foi o mais difícil. Ainda não toquei na ‘Mensagem’, nem nos ensaios e nem no Livro do Desassossego. Mas tenho tempo. Tenho quatro anos diante de mim. Trabalho! Trabalho! Trabalho! São os três pilares do sucesso. Deus queira que chegue ao fim desta minha dedicação parlamentar e só espero ser recompensado por estes meus esforços literários em nome do Chega e pela Pátria.”

Ricardo Reis quando se cruzou há dias nos corredores do Parlamento com os deputados socialistas, estes desviaram-se com deferência. Viram-lhe uma pasta volumosa na mão, óculos grossos e chapéu preto na cabeça e pensaram logo em alguém de conhecido. Ora esta!

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Ricardo Reis, o trabalhador  mais expedito do Chega
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O povo trabalhador, o proletariado moderno do nosso país, tem de exigir, contra os heróis com o sangue dos outros, travar a despesa armamentista ...

Mário Tomé
Ricardo Reis, o trabalhador  mais expedito do Chega Manuel da Silva Ramos
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Estou a retrabalhar toda a obra do Fernando Pessoa e a dar-lhe um cunho pessoal.

Manuel da Silva Ramos

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