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Kula, um projeto feito de muitas línguas
categoria-ombro a ombro Arte Cultura Migrantes edicao-2026-05-07 (26)

Kula, um projeto feito de muitas línguas

Na Lourinhã, território marcado pela presença de comunidades migrantes oriundas de diferentes países, que trazem consigo outras línguas, outras referências, e em que, para muitas, aprender português é um desafio diário, surge um projeto para transformar a forma como se aprende a língua portuguesa

Jornal Maio
Terra Amarela
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Terra Amarela

Terra Amarela é uma plataforma de criação artística inclusiva. Mas, como dizem no seu site, é também “um espaço de transformação, de oportunidade, de transgressão. É um espaço coletivo que pretende mudar a relação das pessoas e dos territórios a partir do encontro com a criação artística”.

Jornal Maio
Jogar contra o (mau) tempo
categoria-ombro a ombro Jogos Solidariedade

Jogar contra o (mau) tempo

Associações criam ludoteca solidária em Leiria para apoiar crianças e jovens afetados pela tempestade.

Ricardo Ferreira
categoria-ombro a ombro Arte Cultura Migrantes edicao-2026-05-07 (26)

Kula, um projeto feito de muitas línguas

Na Lourinhã, território marcado pela presença de comunidades migrantes oriundas de diferentes países, que trazem consigo outras línguas, outras referências, diferentes formas de estar, e em que, para muitas, aprender português é um desafio diário, surge um projeto que quer transformar a forma como se aprende a língua portuguesa — e, sobretudo, a forma como se constrói pertença. Chama-se Kula e nasce de uma ideia simples, mas profundamente necessária: aprender uma língua não é apenas memorizar palavras, é encontrar formas de dizer quem somos.

“Se cada um for até ao fundo dos seus sentimentos, acredito que existe uma linguagem que todos partilhamos, que todos falamos e na qual todos nos podemos encontrar.”

Pina Bausch

O projeto resulta de uma candidatura ao Programa Centro 2030 – Inclusão pela Cultura, que incentiva iniciativas onde a arte se cruza com a inclusão social e comunitária.

Promovido pelo Município da Lourinhã, em parceria com a Sombronautas e o Teatro Inefável – Associação Cultural, desenvolve-se nas aulas de Português Língua de Acolhimento. O projeto trabalha com pessoas migrantes que vivem e trabalham na região, muitas delas ligadas à agricultura e à industria alimentar, e que enfrentam diariamente barreiras linguísticas que limitam a sua autonomia e participação na comunidade.

Em vez de seguir um modelo tradicional de ensino, o Kula propõe outra abordagem: a arte como linguagem comum.


Aprender uma língua criando

Nos laboratórios artísticos, a língua portuguesa é experimentada através do corpo, da voz e da imaginação. Há teatro, música, escrita, desenho, performance. Há improviso, partilha, tentativa e erro. Aqui, as palavras nascem de experiências reais.

Dentro da sala de aula, os participantes exploram o vocabulário através de exercícios criativos. Fora dela, o processo expande-se: redescobrem talentos, contam histórias, cozinham, cantam, lembram e reinventam percursos de vida que muitas vezes atravessam guerra, migração e trabalho duro.

É um espaço onde aprender português também é ganhar confiança, recuperar voz e afirmar identidade.


Uma mesa onde todos cabem

O percurso culmina num momento coletivo: a criação de um espetáculo.

Mas não é um espetáculo convencional. É um banquete performativo.

À volta de uma mesa, cruzam-se histórias, sabores, línguas e memórias. O público deixa de ser apenas espectador e passa a fazer parte da experiência: senta-se, escuta, prova, partilha.

Neste gesto simples de estar à mesa desfazem-se fronteiras.

Como descreve o projeto, não se trata apenas de servir comida, mas de servir histórias. E, nesse encontro, o “outro” deixa de ser estranho para se tornar próximo.


Uma prática de comunidade

Inspirado no ritual Kula — um sistema ancestral de troca entre comunidades, onde circulavam objetos para criar laços de confiança —, o projeto propõe uma nova forma de convivência baseada na dádiva, na escuta e na criação conjunta.

Num território onde a presença de comunidades migrantes é cada vez mais significativa, esta iniciativa responde a uma necessidade concreta: criar pontes entre línguas, entre culturas, entre pessoas.

Mais do que ensinar português, o Kula constrói um espaço onde todos podem participar e pertencer. A diversidade é, acima de tudo, uma força criativa.

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Terra Amarela

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Jogar contra o (mau) tempo

Associações criam ludoteca solidária em Leiria para apoiar crianças e jovens afetados pela tempestade.

Ricardo Ferreira, designer gráfico e responsável pela Associação Cultural Artmatriz, de Viana do Castelo, sensibilizado com a devastação ocorrida na zona centro do país, sentiu a necessidade de tentar ajudar, ainda que à sua escala, e decidiu lançar a ideia de criar uma ludoteca em Leiria. O projeto solidário que daí nasceu junta a Artmatriz a outra associação, a Asteriscos, localizada em Leiria, com o objetivo de proporcionar tempo de qualidade a crianças e jovens neste momento particularmente difícil das suas vidas.

Numa altura em que milhares de pessoas continuam sem eletricidade, nem acesso às redes móveis e à internet, fez todo o sentido recorrer a algo simples, acessível e profundamente agregador como os jogos de tabuleiro, para alcançar esse objetivo. Segundo Ricardo Ferreira, “os jogos de tabuleiro têm a vantagem de não precisarem de eletricidade nem de tecnologia, além de que promovem a partilha e o convívio, ajudando a criar momentos de normalidade, alegria e proximidade em contextos adversos”.

Após contactar várias editoras nacionais de jogos de tabuleiro e de trocar impressões com Micael Sousa, membro da associação Asteriscos, o projeto ganhou rapidamente forma. Desde logo, ficou imediatamente assegurada a logística no terreno, que implica a receção dos jogos e a sua distribuição pelos locais que ainda dispõem de eletricidade e que estão a acolher as crianças cujos pais continuam a trabalhar e a prestar socorro na região. Importa recordar que, à data atual (3 de fevereiro), muitas escolas permanecem encerradas.

Este projeto “pode ajudar, de forma simples e humana, a proporcionar um pouco mais de felicidade, conforto emocional e tempo de qualidade entre amigos e familiares.

“Sabemos que este projeto não resolve a destruição, nem a falta de eletricidade, de comunicações ou outras necessidades urgentes de quem continua a sofrer as consequências deste acontecimento. Mas acreditamos que pode ajudar, de forma simples e humana, a proporcionar um pouco mais de felicidade, conforto emocional e tempo de qualidade entre amigos e familiares.”

Ricardo Ferreira estende ainda alguns agradecimentos aos principais envolvidos nesta iniciativa: “Queremos deixar um sentido agradecimento a todas as editoras que, desde o primeiro contacto, se associaram a esta causa.”

Para já, editoras de todo o país, como A Jogar é que a Gente se Entende, ATM Gaming, Creative Toys, Devir, Mebo, Pythagoras e Salta da Caixa, demonstraram a sua solidariedade e vêm comprovar que a cooperação pode superar qualquer sentimento de concorrência quando o objetivo primordial é ajudar quem mais precisa.

As associações Artmatriz e Asteriscos agradecem a todos aqueles que mostraram que, mesmo em momentos difíceis, a partilha e a entreajuda continuam a ser um jogo que vale sempre a pena jogar.

Kula, um projeto feito de muitas línguas
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Na Lourinhã, território marcado pela presença de comunidades migrantes oriundas de diferentes países, que trazem consigo outras línguas, outras referências, e em que, para muitas, aprender português é um desafio diário, surge um projeto para transformar a forma como se aprende a língua portuguesa

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Terra Amarela é uma plataforma de criação artística inclusiva. Mas, como dizem no seu site, é também “um espaço de transformação, de oportunidade, de transgressão. É um espaço coletivo que pretende mudar a relação das pessoas e dos territórios a partir do encontro com a criação artística”.

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Associações criam ludoteca solidária em Leiria para apoiar crianças e jovens afetados pela tempestade.

Ricardo Ferreira

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