Jornal Maio

Armamento

Michael Roberts
A guerra colonial obrigou o regime autoritário do Estado Novo a intensificar a produção nacional de armamento. O Governo investiu recursos abundantes na produção nacional, na logística militar e na montagem local de armamento para equipar as tropas em África. Quando a Revolução dos Cravos derrubou a ditadura e pôs fim às guerras coloniais, o sector militar encolheu. Seguiram-se décadas de desenvolvimento nacional mínimo em matéria de defesa, fazendo as instituições do Estado as suas aquisições no estrangeiro. Porém, nos últimos cinco anos, Portugal construiu uma indústria militar surpreendentemente forte.
Michael Roberts
O horror da guerra: vidas perdidas, casas destruídas; inválidos e mutilados; milhões de deslocados, logo, refugiados; espécies extintas, vastos danos ambientais; o planeta mortificado. Há, porém, quem não sofra por aí além com a guerra: o complexo militar-industrial de empresas das grandes economias, a indústria de combustíveis fósseis e os monopólios globais da alimentação — e a grande banca.