Jornal Maio

Interrogações sobre a privatização da TAP

Por que foram os potenciais interessados proibidos ou limitados de reunir com os sindicatos, de forma que estes possam compreender o modelo operacional e estratégico pretendido para a TAP?

foto: Gonçalo Rocha

No mês em que comemoramos mais um 25 de Abril, e em que celebramos a liberdade, os nossos governantes receberam duas propostas não vinculativas para a privatização da TAP.

Apesar de o atual executivo ter sempre assumido a sua vontade de privatizar uma das maiores e mais importantes empresas de Portugal, a verdade é que todo este processo nada tem de transparente, nem tem permitido uma verdadeira liberdade de opinião, isto é, uma discussão pública efetiva.

Até porque limitar o debate à eterna dicotomia entre gestão pública ou privada é cometer o mesmo erro do governo que iniciou este processo sem ter em conta as necessidades do país e o valor da empresa, privilegiando antes fundamentos ideológicos.

De facto, o Governo tem conseguido atingir os seus objetivos, passando a mensagem de que este processo é uma inevitabilidade e todos os Portugueses devem aceitá-lo sem discussão, sem diálogo e, consequentemente, sem transparência.

Termino como comecei, pois, estando no mês da liberdade, tenho o privilégio de questionar:

Por que razão necessita o Governo de realizar uma privatização quando não existe qualquer obrigatoriedade externa?

Porquê avançar com um processo desta dimensão quando, finalmente, a TAP saiu do plano de reestruturação a 31 de dezembro de 2025?

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Nunca os trabalhadores precisaram tanto de uma voz independente.

Por que não aguardar pela possibilidade de crescimento da empresa, condicionada nos últimos anos pelo plano de reestruturação e pela concretização das obras em curso nos aeroportos de Lisboa e do Porto, que certamente permitiriam um crescimento e uma maior valorização da empresa?

Por que foram os potenciais interessados proibidos ou limitados de reunir com os sindicatos, de forma que estes possam compreender o modelo operacional e estratégico pretendido para a TAP?

Por que são, mais uma vez, os sindicatos e os trabalhadores do grupo colocados à margem deste processo?

Estas são algumas das perguntas que deveriam ser debatidas e discutidas, de forma a salvaguardar os interesses do país, da empresa e dos seus trabalhadores.

Por fim, deixo uma última reflexão, ainda que o processo pareça já ir sem freios: estarão os pressupostos e os fundamentos da TAP verdadeiramente salvaguardados? A língua, a soberania e os próprios portugueses, do continente, das ilhas e da diáspora, merecem saber.

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Ricardo Penarróias

Ricardo Penarróias

Presidente do Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC)