
Barrancos recorda atrocidades e solidariedade da guerra civil de Espanha
SET.19

SET.19

SET.15
Estranho, se ao passares me encontrares e desejares falar-me, por que não me falas? E por que não te hei-de eu falar? Walt Whitman «A Ti», in Folhas de Erva Tradução de Maria de Lourdes Guimarães Relógio D’Água Editores, 2010
Estranho, se ao passares me encontrares e desejares falar-me, por que não me falas?
E por que não te hei-de eu falar?
Walt Whitman
«A Ti», in Folhas de Erva
Tradução de Maria de Lourdes Guimarães
Relógio D’Água Editores, 2010
Segundo o dicionário de Português da Porto Editora, otimização é um nome feminino que designa 1) ato ou efeito de otimizar; 2) reestruturação efetuada com o objetivo de obter o maior rendimento possível; 3) determinação, no estudo de um problema, da solução que, de entre todas as soluções possíveis, conduza
Segundo o dicionário de Português da Porto Editora, otimização é um nome feminino que designa 1) ato ou efeito de otimizar; 2) reestruturação efetuada com o objetivo de obter o maior rendimento possível; 3) determinação, no estudo de um problema, da solução que, de entre todas as soluções possíveis, conduza aos resultados mais satisfatórios.
EM NOVILÍNGUA:
Se perguntarmos ao Google, este, usando a IA, diz-nos que a definição básica de otimização significa reestruturar ou ajustar variáveis para obter o maior rendimento ou o melhor resultado possível. Usando a nossa própria inteligência, numa simples ida ao supermercado, podemos ver como se “reestruturam ou ajustam variáveis para obter o maior rendimento ou o melhor resultado possível”: a variável “emprego” nas caixas foi “reestruturada” para obter o “maior rendimento ou o melhor resultado possível” (para os patrões): os clientes são agora “convidados” a fazer o trabalho dos e das operadoras de caixa que foram, entretanto, despedidos. Ou então fazem fila pacientemente por vezes na única caixa aberta operada por um empregado. ASP
O PRR é um êxito: milhões de borla para o capital. Já saúde, habitação, ensino, transportes, fica para a próxima.
O PRR é um êxito: milhões de borla para o capital. Já saúde, habitação, ensino, transportes, fica para a próxima.
Segundo o Observador de 28/8, Castro Almeida, ministro da Economia, declarou ter “uma boa notícia para vos comunicar. O PRR está totalmente concluído. Portugal cumprirá todos os marcos e metas”. 100% das subvenções iriam, disse, ser executadas; para os empréstimos (revistos, ressalvou) também se esperava esse nível de execução. Salvo “imprevistos de última hora”. Salvo isso, claro.
Na realidade, pagos foram, para já, dois terços dos montantes previstos — mas o que é isso face a “marcos e metas” cumpridos?
O chefe da “estrutura de missão” do PRR, Pedro Dominguinhos, modulou (jornal ECO, 30 de agosto) as palavras do chefe: o “grande êxito” foi graças às reprogramações que foram sendo feitas e à “flexibilidade” demonstrada por Bruxelas.
Alertou, também, que, “do ponto de vista de resultados e impactos, não é exatamente o mesmo efeito”.
Pois não.
Dois dos grandes “investimentos transformadores” previstos eram duas linhas de metro e três grandes empreendimentos de gestão hídrica.
Dos metros, “as obras não começaram”. Realizou-se zero. Pelo método da “reprogramação”, compraram-se em vez disso 700 autocarros elétricos ou a hidrogénio.
Dos três empreendimentos de gestão hídrica realizou-se zero.
Falharam, em suma, a “extensão das linhas vermelha e violeta do Metro de Lisboa, a barragem do Crato, a Tomada de Água do Pomarão, a dessalinizadora do Algarve ou o Hospital de Todos os Santos em Lisboa”.
Talvez, então, “investimentos sociais”, pergunta o leitor, esperançoso.
Nem por isso: “diminuíram a sua ambição (...) passaram de 42 mil para 28 mil respostas sociais”.
Consequência geral: “O Orçamento de Estado está pressionado para além daquilo que são as condições normais de investimento público.”
Que quer isto dizer em português? Sabe-se que, no último quarto de século, o investimento público da nação tem sido sistematicamente negativo: gastou-se menos do que o necessário para manter o existente, quanto mais fazer novo. Então, vai-se agora, com o Orçamento do Estado, realizar o que o PRR era para fazer, mas não fez? Claro que não vai.
É que, se se fizesse, subia a dívida. E se subisse a dívida, zangavam-se as empresas internacionais de notação da dívida soberana — e logo quando elas acabam de considerar, ó orgulho pátrio, que a dívida portuguesa já é mais fiável que a espanhola, soube-se estes dias!
Em velho português: as agências de notação do capital financeiro internacional sabem que, entre prestar serviços de saúde, ensino e habitação à população e deixar tudo cair em ruínas, os governos portugueses não hesitam: orgulhosos, optam pela segunda via. E pimba, lá subiram a notação da dívida para A+!
Dominguinhos, ao ECO (30 de agosto), refere mais especificamente o efeito das tais “reprogramações” do PRR: “a componente que mais saiu beneficiada com essa reprogramação acabou por ser a parte empresarial, quer com o reforço dos instrumentos de capitalização estratégica, quer com a criação do IFIC.” IFIC é um “Instrumento Financeiro para a Inovação e a Competitividade”. Essencialmente, oferece dinheiro grátis a empresas (micro, pequenas, médias e grandes) de IA e quejandas, esperando que elas com isso façam muito dinheiro e sejam felizes para sempre.
E parece que funcionou (a parte de receber, em todo o caso): “cerca de sete mil milhões de euros [um terço do total] e quase três mil milhões de incentivo” [incentivo é: toma lá, amigo, e não se fala mais no assunto] foram postos no sapatinho de “250 empresas apoiadas com tickets médios entre os cinco e os sete milhões de euros”. Sortudas, elas e os “tickets”.
As reprogramações de Montenegro reduziram o número de novos centros de saúde (aliás, a gerir, decerto, por privados tecnológicos; veja-se o artigo neste número sobre a nova USF de Torres Vedras); cortaram as vagas respostas sociais e de habitação; e adiaram ou eliminaram os investimentos nos transportes públicos.
Para que serviu então o PRR? O Público diz que serviu para fazer as reformas que Bruxelas queria. Além disso, “as despesas financiadas ao abrigo do PRR devem representar 3% do PIB em 2026 em Portugal” (ECO, 31 de agosto).
Em suma, além de para obedecer a Bruxelas, o PRR serviu para enfiar dinheiro aos milhões por alguma das, ou ambas, as extremidades dos nossos gloriosos empresários e para ajudar a fazer de conta que “Portugal cresce”.
Sob o manto diáfano do PRR, a nudez crua da mentira, da recessão económica e do desinvestimento maciço.
E se o teatro pudesse aproximar uma comunidade? Vivemos num tempo que privilegia o individualismo. As Associações Rural Vivo, Hoje – Comunidade Arte e Investigação, e Momento-Artistas Independentes propõem um caminho inverso – convidam à participação na formação intensiva em teatro comunitário com a companhia argentina Los Pompapetriyasos (Buenos Aires). 23
E se o teatro pudesse aproximar uma comunidade? Vivemos num tempo que privilegia o individualismo. As Associações Rural Vivo, Hoje – Comunidade Arte e Investigação, e Momento-Artistas Independentes propõem um caminho inverso – convidam à participação na formação intensiva em teatro comunitário com a companhia argentina Los Pompapetriyasos (Buenos Aires).
23 a 25 de outubro
Lagoa, Vila Nova de Famalicão
Entre 1 e 30 de setembro de 2026, a Trinta Por Uma Linha recebe manuscritos para apreciação editorial. Depois, cada projeto será analisado e, se estiver de acordo com a nossa linha editorial, poderá ser considerado para publicação em 2027. 1 a 30 de setembro
O Cinema no Estendal (CNE) é um cinema para as ruas. A tela viaja por estendais de diferentes ruas, praças, becos e escadinhas de Portugal, para celebrar a vida nos bairros e nas pequenas localidades, em sessões exclusivamente ao ar livre.
A partir da análise de um conto de Cortázar (A casa tomada) o leitor/participante é convidado a reflectir sobre o espaço em redor, nomeadamente o espaço no qual o workshop decorre, e sugerir uma continuação para o texto de Cortázar ou uma transposição do tema para o edifício da
A partir da análise de um conto de Cortázar (A casa tomada) o leitor/participante é convidado a reflectir sobre o espaço em redor, nomeadamente o espaço no qual o workshop decorre, e sugerir uma continuação para o texto de Cortázar ou uma transposição do tema para o edifício da residência e seus arredores.
11 a 13 de Setembro
Palácio Beja Vu
Uma curta-metragem realizada por Sérgio Gomes em colaboração com os participantes da oficina MOVIMENTO PERPÉTUO, orientada por Sérgio Gomes, construída a partir das memórias, narrativas e vivências recolhidas na Baixa de Coimbra. 2 de setembro, 19h00 Largo do Romal, Coimbra
Mãos ao ar… e livros também! Nic e Inês chegam com livros como nunca viste: feitos à mão, gigantes, interativos e cheios de magia. 11 de setembro, 21h30 Biblioteca Municipal de Santa Cruz, Torres Vedras
emmy Curl apresenta: Solarpunk – Um Pastoral do Futuro Regenerativo. O Solarpunk, conceito que surge como alternativa ao Cyberpunk, convida-nos a imaginar um futuro onde a gestão dos recursos e a política ambiental se alinham com o bem-estar humano, integrando saberes ancestrais e possibilidades tecnológicas para regenerar o planeta.
emmy Curl apresenta: Solarpunk – Um Pastoral do Futuro Regenerativo. O Solarpunk, conceito que surge como alternativa ao Cyberpunk, convida-nos a imaginar um futuro onde a gestão dos recursos e a política ambiental se alinham com o bem-estar humano, integrando saberes ancestrais e possibilidades tecnológicas para regenerar o planeta.
26 de setembro, 21h30
Festival Política, Lisboa
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