Jornal Maio

Desventurazinhas

Esta é uma resposta ao texto “O desventura”, publicado por Jorge Costa (BE) no esquerda.net em que, na parte final (aquela que fica na retina do espectador) pega num alfinete para atacar uma suposta opção do Maio pelo apelo à abstenção na segunda volta das presidenciais. 

Jorge Costa, dirigente e ex-deputado do Bloco de Esquerda, aproveitou um texto publicado no esquerda.net para um ataque ao jornal Maio.

Saúdo e compartilho a sua tomada de posição sobre a necessidade de votar, na segunda volta das presidenciais, contra Ventura – e em António José Seguro, não em branco ou abstendo-se, para achatar ao máximo o resultado do candidato fascista.

Já não saúdo nem aprecio a forma “capelista” como termina o seu texto, tentando associar o jornal Maio a uma tomada de posição pela abstenção na segunda volta das eleições presidenciais. O Maio, ao contrário do esquerda.net, onde publica o seu texto, não é um jornal de partido. Nestas presidenciais convidou apoiantes de diversas candidaturas de esquerda a explicarem as razões do seu voto neste ou naquele candidato, incluindo a de António José Seguro, a de António Filipe e a candidata do Bloco, Catarina Martins, entre outros. Ninguém defendeu a abstenção, nem para a primeira, nem para a previsível segunda volta. No meu caso, quando defendi o voto na primeira volta em André Pestana, pronunciei-me até sobre a segunda: “Numa segunda volta, em face do que se perspetiva, o meu voto será quase certamente um voto contra. Então se o candidato fascista estiver presente, votarei obviamente contra ele. Contra o fascismo, votaria até numa mula, se fosse preciso.”

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Nunca os trabalhadores precisaram tanto de uma voz independente.

No seu texto, Jorge Costa optou por separar dos parágrafos imediatamente anterior e posterior a uma frase de análise em que se critica a “conivência do PS e seus parceiros com a austeridade”, e se refere que “martirizado(s) pelas políticas de José Sócrates e da ‘geringonça’”, alguns se abstêm, “porque não ve(em) alternativa, não porque se esteja(m) nas tintas para Ventura ganhar”, aquilo que aí se afirma: “Uma vitória de Ventura significaria uma ameaça iminente de violenta degradação dos direitos, liberdades e garantias” e “Pode-se derrotar o fascismo nas urnas, mas só momentaneamente; definitivamente, o fascismo só se derrota nas ruas, nos locais de trabalho, na greve, na luta, na cooperação, nos movimentos associativos e culturais.”

Absolutamente claro, a menos que se esteja com os óculos embaciados.

Aprendi ao longo da vida que para qualquer combate, sobretudo os mais importantes, se procuram aliados, não se inventam inimigos. 

Vamos lá derrotar o Ventura!

 

PS: Balanços sobre a desventurada política do Bloco durante a “geringonça” já há muitos e não é o momento de aqui fazer mais um.

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