“Não alinhamos no vosso serviço militar”
Em 5 de dezembro, em mais de 90 cidades alemãs, jovens manifestaram-se contra a lei que pretende reintroduzir o serviço militar obrigatório.
Hans-Werner Schüster
“Façam as vossas guerras sem nós!” lia-se, no dia 5 de dezembro, no pequeno cartaz pintado à mão por uma jovem liceal em Düsseldorf. Muita razão tem ela!
A guerra não é da juventude, que não quer matar a juventude de outros países em nome dos interesses dos fabricantes de armas e do imperialismo alemão.
Assim mesmo ou de maneira parecida, estudantes e jovens manifestaram, em mais de 90 cidades, o seu protesto contra a decisão do Governo Merz.
Enquanto a juventude se manifestava na rua, a maioria parlamentar CDU/CSU (democracia cristã) / SPD (Partido Social-Democrata Alemão) aprovava no Bundestag a “Lei de Modernização do Serviço Militar”. A AfD (extrema-direita) e os Verdes votaram contra a lei. No caso da AfD, porque “os soldados que se alistam por causa do pré não têm base sólida para servir. (...) O oposto deles é o soldado que serve por convicção. O soldado alemão, que sabe pelo que luta, que carrega dentro de si o vínculo interior, que é simplesmente o defensor nato do seu país, da comunidade do destino alemão.”
Já os Verdes rejeitaram a lei por ela só abranger os jovens do sexo masculino e não “todas as gerações e todos os géneros”. Ao apresentar a lei, o ministro da Defesa, Boris Pistorius (SPD), disse que “os estudantes estão em greve e a manifestar-se, e eu acho isso óptimo”. Mas deixando claro, na frase seguinte, que “somos nós o Parlamento”. Pistorius quer um Exército de 460 mil “soldados no ativo” e reservistas, nos termos das diretrizes da NATO.
“Façam as vossas guerras sem nós!”
Muita gente mais velha juntou-se às manifestações, apoiando os jovens, o que foi muito bem acolhido pelos estudantes por toda a parte, de Munique a Hamburgo, de Berlim a Düsseldorf: “Que bom que vocês, os mais velhos, nos apoiem!”
Em várias cidades, participaram também professores sindicalizados, alguns com as suas turmas. O Sindicato dos Professores (GEW) de Berlim apelara à manifestação. A questão, de facto, não diz apenas respeito aos jovens, agora votados a servir de carne para canhão. E, antes das manifestações, intimidados e ameaçados de irradiação da escola e difamados pelos meios de comunicação como “os desmotivados”.
Lutar pela revogação dos “planos de serviço militar obrigatório” dos governos é uma causa da juventude unida, ao lado dos trabalhadores, internacionalmente e além-fronteiras.
Em muitas cidades, a mobilização pareceu ainda espontânea e inorgânica. Mas assiste-se ao começo de uma nova mobilização da juventude pela defesa dos seus interesses vitais. “Não paramos a greve!” Em muitas cidades, formaram-se comités de greve. A juventude começa a construir os seus próprios órgãos na luta pela revogação da “lei do serviço militar obrigatório”.