Pacote laboral: enquanto não for enterrado, a ameaça persiste
É verdade que Montenegro, dez meses depois, não conseguiu validar na “concertação social” o seu embrulho de medidas que visa destruir as formas de autodefesa legais de que muitos trabalhadores (mas não todos) ainda dispõem, aumentar horários de trabalho e a precariedade, baixando ao máximo o que eles chamam o “custo do trabalho”. Mas não é menos verdade que o projecto de alteração das leis laborais acaba de dar entrada no Parlamento, como o Governo avisara. A forma do diploma é, inclusive, muito próxima da versão inicial: à bruta, sem concessões.
Captura híbrida por IA

Quando a minha colonoscopia coincide com a endoscopia, antes que a anestesia me apague, eu me divirto fazendo o médico ruborizar: Então, doutor, hoje é dia de dupla penetração?
A pátria nos contempla

A pátria não passa de uma entidade abstrata que, explorando os mais fundos sentimentos populares de ligação à terra, à pequena propriedade, à cultura, à tradição, ao modus vivendi, à própria história, obriga o povo trabalhador a servir, com dedicação e alegria, os interesse rapaces e desumanos da classe dirigente. Até à morte.
Porque recusámos a guerra colonial – 2.ª parte

A deserção colectiva destes 10 oficiais tem dois aspectos que fazem dela um caso único da história da oposição à guerra colonial no seio das Forças Armadas. O primeiro é que nela estiveram envolvidos jovens oficiais que haviam sido alunos da Academia Militar (AM) durante mais de 8 anos. O segundo aspecto, talvez o mais importante, é que estes oficiais (tenentes milicianos) quiseram eles próprios transformar a sua deserção num acontecimento político de luta contra a guerra colonial e contra o fascismo.
Os primórdios do socialismo moderno

A expressão “classe trabalhadora” apareceu nos escritos trabalhistas ingleses logo após 1815. Nem todos os cidadãos eram trabalhadores, mas todos os trabalhadores conscientes pertenciam a esse movimento, as consciências “jacobina” e proletária complementavam-se.
A Geração Z em revolta: de Daca a Catmandu

De Daca a Catmandu, os jovens estão a pôr em evidência a crise do capitalismo, mas têm dificuldade em transformar a indignação em organização.
Subconcessões na CP: um caminho que a Europa já experimentou

Volta a ganhar força a ideia das subconcessões na CP. Mais uma vez surgem discursos sobre “modernização”, “eficiência”, “competitividade” e “melhoria do serviço”. A narrativa repete-se com entusiasmo. O problema é que a experiência europeia também se repete. E raramente confirma as promessas feitas no início destes processos.
A greve e a soberania

Foram as greves gerais dos séculos XIX e XX que transformaram a democracia restrita aos proprietários naquilo que hoje conhecemos. Um pouco por toda a Europa, o sufrágio universal e a representação dos trabalhadores figuravam entre as principais reivindicações — e conquistas — dessas lutas, que em todo o lado envolveram confrontos violentos com o Estado e dezenas de mortos.
O Decreto-Lei 54/2018 e as necessidades educativas especiais

Além do Estatuto da Carreira Docente, o que está em causa não é um debate sobre modelos administrativos, é a própria possibilidade de a escola continuar a cumprir a sua função pública.
Professores: afinal, quem tinha razão?

Passados cerca de cinco meses, é hoje já impossível negar ou ocultar os principais pontos negativos dessa mesma barbaridade, que a cada dia que passa menos esconde o seu propósito de extinguir a carreira própria dos docentes, diluindo o regime laboral destes no regime geral e negando-lhe as especificidades próprias de habilitações, selecção, recrutamento, critérios e meios de vinculação permanente e de graduação que deveriam ser-lhes garantidas.