1º Congresso do Maio

Catarella, um agente trapalhão, mas simpático, que trabalha na esquadra da polícia de uma cidade siciliana, porta de entrada dos romances de Andrea Camilleri, costumava avisar o inspetor Montalbano que estava ali fulano de tal “pessoalmente em pessoa”. Catarella anunciava afinal com sagacidade o mundo novo da IA, em que não nos tocamos, olhamos, vemos, reparamos, sentimos, porque entre nós e o outro está um objeto fantasmagórico, que nos separa, o computador. E assim constrói-se a desconfiança. Não há humanidade sem confiança, sem corpo, sem presença.
Open Call MostrART 2026

A Associação Cultural e Artística ArtMatriz lança a edição de 2026 do MostrART, dedicada ao tema “O Preço de Viver”, um convite à reflexão artística sobre uma das realidades mais marcantes da sociedade atual.
Num tempo em que viver se tornou cada vez mais caro, esta edição do mostrART convida artistas a refletir sobre
o verdadeiro custo da vida na sociedade contemporânea.
A viagem da maionese

A série inspira-se em factos reais: a luta das empregadas de limpeza do Hotel Ibis Batignolles, em Paris, pertencente ao Grupo Accor, que em 2019 iniciaram uma das greves mais longas do setor para exigir melhores condições de trabalho.
Texto de direito de resposta e de rectificação

O Maio publica o direito de resposta de António Garcia Pereira em relação ao artigo “Raquel Varela volta a perder acção contra PÚBLICO sobre erros no currículo académico” (Público, 13/03/26). Uma sentença estranhíssima em que o tribunal dá por provado que Raquel Varela não é responsável por adulterar o seu CV, mas que ainda assim a condena por não ter respondido ao jornalista do Público, mesmo quando as suas perguntas se baseavam apenas em insinuações e fontes anónimas.
Santa Maria, o paraíso perdido

Andei com a mala às costas por meio planeta achando que, a cada nova descoberta, tinha encontrado o meu espaço. Foi preciso o barulho tornar-se ensurdecedor e o caos uma notícia diária para perceber que, afinal, o paraíso do meu imaginário estava onde sempre esteve. Na ilha.
Pode também dar certo

Falemos de encontros. Ou de desencontros. Não me refiro a encontros amorosos, no sentido íntimo, mas aos encontros entre sujeitos que se interdependem e que podem tornar mais leves as suas relações se puserem nela uma dose de humor, de empatia, de amor, por que não?
O que oprime e pode exterminar seres humanos são outros seres humanos

“Agentes de IA não ‘querem’ nada. Eles apenas executam comportamentos compatíveis com aquilo que foram treinados ou programados para fazer.” O problema está na definição do que devem fazer, que é uma decisão humana e pode ser muito perversa.
O nascimento político da classe operária

Dos socialistas utópicos, como Saint-Simon, Fourier ou Robert Owen ao “cartismo” da classe trabalhadora britânica, a classe trabalhadora percorreu no século XIX um longo caminho em busca de construir uma representação política própria.
Professores em Portugal: do mito de Sísifo à saída do labirinto do Minotauro

Continuará hoje, dentro das atuais condições laborais e organizacionais da escola, a fazer sentido a ambição de o professor ser um intelectual transformador, que combina reflexão sobre o propósito da educação e da ação na transformação da realidade?
Pacote laboral: O perigo mantém-se. Só a unidade o esconjurará

Apesar da derrota de Montenegro e de Ventura na greve geral e nas eleições presidenciais, a “concertação” em volta do pacote laboral recomeçou. E recomeçou porque Seguro veio em socorro do desacreditado Montenegro exortar centrais sindicais e patronato a regressarem à mesa das “conversações”. Se a resposta dos trabalhadores for fraca, Montenegro e Ventura negociarão umas modificações cosméticas para fazer de conta, e o pacote passará no Parlamento.