Razão

Dostoievski: a dor de uma alma atormentada no subsolo
categoria-cultura Dostoievki Razão Sofrimento edicao-2026-09-03 (39)

Dostoievski: a dor de uma alma atormentada no subsolo

Há algum tempo li um dos livros mais perturbadores da minha vida: Memórias do Subterrâneo (ou Memórias do Subsolo, ou ainda Cadernos do Subterrâneo, dependendo da edição), de Fiódor Dostoievski, publicado em 1864.

João Areosa
À procura de mim
categoria-crónica Emoção Razão Vida edicao-2026-01-22 (12)

À procura de mim

Não sei se é possível, nem sei se quero catalogar em ordem alfabética e dispor em gavetas coisas como abandono, amantes, amigos, amor, casamento, divórcio, filhos, marido, pai, mãe, paixão, saudade, sexo, vida, morte.

Maria Augusta Tavares
categoria-cultura Dostoievki Razão Sofrimento edicao-2026-09-03 (39)

Dostoievski: a dor de uma alma atormentada no subsolo

Há algum tempo li um dos livros mais perturbadores da minha vida: Memórias do Subterrâneo (ou Memórias do Subsolo, ou ainda Cadernos do Subterrâneo, dependendo da edição), de Fiódor Dostoievski, publicado em 1864. O protagonista é um personagem sem nome que vive atormentado dentro dos seus pensamentos obsessivos e não consegue parar de se autoanalisar. É um homem demasiado inteligente, mas tão agarrado ao hábito do sofrer que se torna incapaz de tomar decisões benéficas para si próprio. O sofrimento ao qual ele se condena, talvez por ser demasiado familiar, tornou-se parte da própria identidade. Neste livro, Dostoievski faz uma crítica profunda ao “racionalismo” que emergia na Rússia da sua época.

Décadas mais tarde, os departamentos de economia universitários defendiam a existência de um “Homo economicus”. O Homo economicus representa o ser humano ideal, alguém que age de forma puramente racional, egoísta e focado em maximizar os seus próprios benefícios; isto é, alguém que calcula perfeitamente o custo-benefício de cada escolha. Todavia, o Prémio Nobel de Economia de 1978, Herbert Simon, apresentou o conceito de “racionalidade limitada” para caracterizar a essência da humanidade. Na mesma linha de raciocínio, a “economia comportamental”, popularizada por um autor recentemente falecido, Daniel Kahneman (cujo trabalho é admirável), provou que as decisões humanas são frequentemente influenciadas por emoções, sentimentos, vieses cognitivos, heurísticas e impulsos sociais, afastando-se inúmeras vezes do comportamento puramente mecânico, lógico, matemático e “racional”. Na prática, o Homo economicus não existe, é pura ilusão ou fantasia. É um “ser” utópico! É importante compreender que as pessoas agem repetidamente contra os seus próprios interesses: bebem demais, consomem drogas, fumam dois maços de tabaco por dia, entram em relações amorosas que as vão destruir, promovem conflitos que não têm condições de vencer, praticam a automutilação, mentem para si próprias sabendo que isso vai fazer que adoeçam, etc. A lista de situações que contraria o Homo economicus é quase infinita. Se a humanidade vivesse no paraíso, simplesmente iria destruí-lo, por puro tédio. A perfeição é insuportável para a natureza humana.

Os mentores do Homo economicus nunca leram, verdadeiramente, Dostoievski. Ele teria ridicularizado essa perspetiva sobre a humanidade. O “homem do subsolo”, muitas vezes, prefere agir contra os seus próprios interesses (regra geral, de forma destrutiva ou irracional) apenas para provar que tem livre-arbítrio, que tem autonomia, que tem poder de decisão, dado que ele não é “uma tecla de piano”, sem vontade própria. O “homem do subsolo” recusa a ideia de que a ciência e a lógica possam resolver todos os problemas humanos. Para os racionalistas 2+2 é igual a 4, mas para o homem do subsolo, 2+2 pode ser igual a 5. Isso não é ignorância, é uma fuga às convenções. Aliás, ele vai mais longe, quando afirma que “demasiada consciência é uma doença, uma verdadeira doença”!

O narrador também argumenta que o ser humano não quer ser uma simples peça na “engrenagem de um relógio”, quer ser livre. Porém, é essa mesma liberdade que o destrói. Afinal, a possibilidade/liberdade de escolha pode transformar-se num fardo demasiado pesado. Numa outra obra de Dostoievski, Os Irmãos Karamázov, o autor russo, através da voz do “grande inquisidor”, afirma que o homem não quer liberdade, quer pão! Essa ideia seria castradora para o homem do subsolo. É importante mencionar que, por vezes, a voz do “subsolo” vive dentro daquilo que é mais íntimo em cada um de nós. A nossa autoimagem fica abalada quando somos confrontados com os pensamentos do homem do subsolo. Por vezes, ele representa o espelho que nós nos recusamos a encarar, porque a imagem refletida pode ser tenebrosa.

O sociólogo contemporâneo que mais admiro, Pierre Bourdieu, defendeu que o Homo economicus está morto. Quase na mesma linha de pensamento, Friedrich Nietzsche afirmou (noutro contexto) que Deus está morto. Incluí Nietzsche no debate sobre a obra de Dostoievski porque, num determinado momento, o filosofo alemão afirmou que o escritor russo foi o único que lhe ensinou alguma coisa sobre psicologia, dado que consegue mergulhar com profundidade na complexidade da alma humana. Adentra-se no abismo da nossa consciência. É importante lembrar que Nietzsche raramente fazia elogios intelectuais a alguém. Dostoievski foi dos poucos a ter esse privilégio! Mas os elogios à obra de Dostoievski vieram de inúmeros quadrantes intelectuais. Certa vez, Liev Tolstoi disse: se virem Dostoievski, digam-lhe que o amo. Porém, eu quero perguntar: como não amar Dostoievski, após o enorme legado que nos deixou?

O livro Memórias do Subterrâneo está dividido em duas partes e funciona como uma espécie de diário do protagonista. Fiódor Dostoievski escreveu esta obra várias décadas antes de “nascer” o existencialismo de Sartre ou o absurdismo de Camus. Estas correntes filosóficas preconizam que o ser humano não nasce com um destino ou propósito pré-definido; aliás, Sartre afirma que “a existência precede a essência”. Numa outra obra impactante, O homem em busca de um sentido, de Viktor Frankl, o autor defende que o ser humano sem propósito já terá perecido antes mesmo de a morte física chegar. Não será essa a verdadeira condição do protagonista de Memórias do Subterrâneo? Contudo, as obras destes três autores (Sartre, Camus e Frankl) incluem recorrentemente fragmentos do “homem do subsolo”.

Na primeira parte do livro, o homem do subsolo tem 40 anos e afirma preferir viver num galinheiro a suportar os constrangimentos de habitar num “palácio de cristal”. O palácio de cristal representa a alegada perfeição do mundo que o homem do subsolo despreza. A humanidade precisa de caos e de sofrimento para existir, para se sentir viva. O homem do subsolo é um ex-funcionário público (aposentado) que recebeu uma pequena herança, vive na cidade de São Petersburgo e escolheu estar isolado da sociedade. Esta primeira parte é um magistral monólogo filosófico. Por vezes, o protagonista conversa sozinho, discute com o leitor, contradiz-se, insulta o leitor, pede desculpa e, depois, afirma que o pedido de desculpas era falso. Esta é a essência do “homem do subsolo”. Ele fica a remoer as ideias permanentemente, tem ódio de si próprio por não conseguir agir, mas depois acaba por se defender na frase seguinte e remata com o argumento de que odeia tudo e todos. O narrador é um homem rancoroso, amargo, mesquinho, paradoxal, cheio de ressentimentos e incapaz de estabelecer qualquer relação “saudável” com os outros. Obviamente que o “subsolo” não é um lugar físico, é algo interno, dentro dele, mas que nos obriga também a entrar dentro do nosso lado sombrio. Ele diz abertamente aquilo que qualquer um de nós teria terror simplesmente de pensar. É por isso que o livro é tão perturbador.

*/Banner Maio*/

Na segunda parte, são narrados alguns episódios da vida do protagonista, quando ele tinha pouco mais de vinte anos. Nesta parte do livro, o homem do subsolo tenta demostrar como a sua “filosofia” se aplica na prática (e o resultado é doloroso para o leitor). Ele relata alguns episódios da sua vida, mas há três que são os principais: o embate com o oficial, o jantar com os ex-colegas de escola e o encontro com Liza (uma jovem prostituta que ele conheceu num bordel).

No primeiro episódio, o nosso protagonista, ao caminhar na rua, leva um encontrão casual de um oficial desconhecido. Fica ofendido e sente-se humilhado; por isso, planeia de forma minuciosa uma “vingança” que consiste simplesmente em não se desviar dele, num próximo encontro, apenas para não se sentir diminuído. Fica cerca de dois anos a planear o reencontro. Inclusive, pede dinheiro emprestado para comprar uma “roupa decente”, de modo a estar apresentável no dia em pretende devolver o encontrão. Tudo isto parece caricato, mas esta é a natureza humana quando o nosso comportamento é moldado pelas “energias” vindas dos porões do nosso subconsciente.

A segunda história é narrada pelo jovem protagonista quando o próprio se autoconvida para um jantar de despedida de um antigo colega de escola. Ele passa a noite inteira a insultar os ex-colegas, alternando entre sentimentos de superioridade intelectual e de humilhação profunda. Ninguém quer que ele vá ao jantar (nem ele próprio quer ir), mas, obviamente, acaba por marcar presença. Na maior parte do tempo é ignorado ou humilhado pelos demais. O homem do subsolo está alcoolizado e fica ainda mais desagradável.

Este jantar acaba por contextualizar o terceiro episódio, ou seja, após o jantar fracassado, ele vai a um bordel (para tirar desforro dos ex-colegas) e conhece Liza. Num momento de aparente empatia, o jovem homem do subsolo faz um discurso comovente sobre a miséria da vida dela, tenta convencê-la a mudar de vida (oferecendo-se como seu protetor) e disponibiliza-lhe o seu endereço. Depois, descreve com maldade como ela iria adoecer, envelhecer e morrer sem ninguém. Quando, alguns dias mais tarde, Liza o vai visitar no seu quarto miserável, ele (que nesse momento estava a discutir com o seu criado) sente-se exposto e humilhado pela sua própria pobreza. Em vez de acolhê-la, resolve insultá-la e rejeita-a com profunda crueldade. Liza vai embora, deixando em cima da mesa o dinheiro que ele tentou usar para a humilhar (o que elimina qualquer tipo de conexão verdadeira). Nesta ação Liza tem alguma nobreza de carácter, mas é vinda de alguém que ele considerava inferior, por isso o protagonista fica submerso em raiva, aumentando o seu isolamento. Depois disso, nunca mais se voltam a encontrar. Em parte, a sua amargura terá vindo daqui. Ele rejeitou qualquer possibilidade de ligação afetiva ou satisfação, por mera falta de compaixão.

Às vezes agimos contra nós próprios, contra o nosso próprio bem. Escolhemos sofrer, talvez por hábito, apenas para provar que somos livres, que temos vontade própria. Isso é absolutamente desconcertante, mas real.

Volto a sublinhar que o homem do subsolo demonstra que às vezes agimos contra nós próprios, contra o nosso próprio bem. Escolhemos sofrer, talvez por hábito, apenas para provar que somos livres, que temos vontade própria. Isso é absolutamente desconcertante, mas real. Podemos não o fazer de forma consciente, mas fazemo-lo! O ser humano é contraditório, é capaz de agir contra a sua própria felicidade, só para sentir que tem o poder de decidir. Talvez a maior crueldade na vida do homem do subsolo seja, justamente, a necessidade de viver intensamente aquilo que o fere e o faz sofrer.

O “homem do subsolo” mostra uma imagem aterradora e desconfortável da natureza humana, mas é demasiado honesta para que possa ser ignorada. O protagonista revela o lado mais sombrio da nossa essência, cheia de ressentimento, orgulho, raiva, rancor, ódio e, principalmente, a capacidade para se autoanular e autodestruir. Essa é a essência do “homem do subsolo” e, em certas situações, de nós mesmos. O livro não oferece respostas finais, não é um manual pronto, é algo para nos “despir”, para nos deixar “transparentes”, muito além daquilo que gostaríamos de ver e de mostrar.

Aqui fica o início do livro para despertar a vossa curiosidade de leitura:

“Eu sou um homem doente… Sou um homem mau. Sou um homem nada atraente. Penso que sofro do fígado. Aliás, não percebo patavina da minha doença nem sei ao certo de que é que sofro. Não me trato e nunca me tratei, embora respeite a medicina e os médicos. Além do mais, sou supersticioso em extremo; bem, o suficiente, ao menos, para respeitar a medicina. Tenho instrução bastante para não ser supersticioso, mas sou supersticioso. É por maldade que não me quero tratar. Isto é uma coisa que vocês, leitores, por certo não podem compreender. Pois, mas eu compreendo. É evidente que não sou capaz de explicar a quem prejudico neste caso com a minha maldade; sei muito bem que nem aos médicos posso ‘lixar’, de maneira nenhuma, ao recusar deixar-me tratar por eles; sei, melhor do que qualquer pessoa, que com tudo isso só me prejudico a mim mesmo e a mais ninguém. Mas mesmo assim, se não me trato, é por maldade. Dói-me o fígado, pois deixá-lo doer e que doa ainda mais!”
categoria-crónica Emoção Razão Vida edicao-2026-01-22 (12)

À procura de mim

Não sei se é possível, nem sei se quero catalogar em ordem alfabética e dispor em gavetas coisas como abandono, amantes, amigos, amor, casamento, divórcio, filhos, marido, pai, mãe, paixão, saudade, sexo, vida, morte.

Era um longo e estreito corredor, com pé-direito elevado, aparentemente fechado por todos os lados. Lugares fechados me causam medo. Nas viagens de avião, só uso o banheiro quando a necessidade se torna insuportável. Mesmo sabendo que é provável haver alguém à porta, temo ficar trancada e esquecida. Por isso, antes de começar a tarefa que eu me propusera fazer naquele lugar, eu precisava localizar uma saída. Não encontrei uma porta, uma janela, um fundo falso. Sabia que esse limite ia interferir na minha busca, me deixar mais tensa, mas eu tinha pressa, acharia a saída depois.

Nas paredes, centenas de gavetas enfileiradas, por todos os lados. Em ordem, aparentemente. Estou à procura de um objeto, que eu não conheço suficientemente para dizer com exatidão o que estou a buscar. Parece paradoxal, mas para fazer perguntas sobre alguma coisa é preciso conhecê-la. A minha proximidade com o objeto ainda é escassa para indicar seguramente o que estou a procurar. Só sei que naquelas gavetas está o que desejo achar, mas eu só vou descobrir o que é quando encontrar. Quem já perdeu alguma coisa dentro de casa, e durante a procura esqueceu o que estava a buscar, percebe o significado da situação. Por um momento, a pessoa só sabe que perdeu algo e que está a procurar uma coisa perdida, mas não sabe mais o que é. Saberá quando a achar.

Ocorre que as gavetas onde posso encontrar o que estou procurando são acionadas pela minha mente, e como não sei exatamente o que quero, ponho diferentes gavetas em ação ao mesmo tempo. Na pressa, não consigo controlar a mente, por conseguinte, também não tenho domínio sobre as gavetas. Se fossem abertas uma a uma, mesmo que eu levasse muito tempo para encontrar o objeto procurado, meu propósito talvez resultasse. Mas a ansiedade me atrapalha.

Eu amo a vida e só morrerei por falta de opção.

Gavetas e mais gavetas estão a se abrir em todas as direções. Se eu me abaixo, na tentativa de me esquivar das que estão a abrir na altura do meu estômago, sou atingida pelas que também se abrem no rés do chão. Pulo dali, para não ter os pés presos. As gavetas de baixo são as mais pesadas, preciso estar atenta a esse detalhe. De repente, algumas se enfileiram, como se fossem degraus, subo-os e transponho a barreira que se formou à minha frente, mas outra atinge-me as costas e, acima, uma machuca-me a cabeça. Corro o risco de ser esmagada.

Os espaços livres são cada vez mais exíguos, tendem a desaparecer completamente. A essa altura, mesmo que eu desista da busca, não sei por onde escapar. Apesar da angústia, não pretendo desistir. A minha agitação, no entanto, aciona toda a engrenagem, e de uma só vez todas as gavetas estão a se chocar umas contra as outras. Só me resta uma saída: nem todas as gavetas estão cheias, posso encolher-me dentro de uma onde caiba, antes que seja espremida como uma fruta madura.

Embora já se tenha dito que eu fui criada como Deus criou batata, não sou tão simples. Talvez uma espécie menos cultivada. A referência, que tenciona indicar uma cultura fácil, não se aplica a mim. Eu não estaria naquela situação, se criasse raízes e folhas à sua semelhança. Dentro daquela caixa salvadora, começo a me perguntar, de fato, o que estou a procurar. Não há dúvida, estou presa, mas presa dentro de mim mesma. Se eu não encontrar a saída, posso morrer dentro daquela gaveta e serei responsabilizada pela minha própria morte. Mas eu não tenho tendências suicidas. Ao contrário, eu amo a vida e só morrerei por falta de opção.

Naquela caixa, em posição de feto, eu penso na vida, nas minhas deambulações por diferentes sítios, nas relações interrompidas e, sobretudo, nas profundas diferenças entre os meus mundos material e espiritual. Dito de outro modo, eu me pergunto sobre a razão e a emoção. Sob qualquer designação, embora indissociáveis, parece-me que estou a tratar de duas pessoas. De fora, avalio as duas. Uma é metódica, organizada, disciplinada, cumpridora de prazos, horários e responsabilidades. Tirana consigo mesma. De tão rigorosa, inviabiliza relacionamentos, o que a faz sofrer. Mas quando indagada sobre esses comportamentos, de pronto responde: “Não é sacrifício, é uma escolha. Facilita-me a vida.” Essa ordem impressa sobre as coisas, diz ela, lhe dá mais liberdade para se ocupar com o que considera essencial: supostamente, refere-se à outra. Mas entre intenção e gesto vê-se uma grande distância. Nas coisas ditas essenciais estariam, sem dúvida, os sentimentos, os desejos, os projetos, os sonhos, todos jogados de modo aleatório dentro daquelas gavetas sobre as quais ela demonstra não ter controle.

Ah, se, subjetivamente, eu fosse tão organizada como sou no âmbito da vida material, aquelas gavetas que, vistas de fora pareciam arrumadas, não seriam acionadas de modo tão confuso. Não sei se dava para cuidar delas do mesmo modo como eu preservo cópias de títulos esgotados, guardados em caixas-arquivo numeradas, com relação autor/título e lista correspondente no computador. Não sei se é possível, nem sei se quero catalogar em ordem alfabética e dispor em gavetas coisas como abandono, amantes, amigos, amor, casamento, divórcio, filhos, marido, pai, mãe, paixão, saudade, sexo, vida, morte. Só sei que não quero ser aniquilada pelas minhas próprias memórias.

Dostoievski: a dor de uma alma atormentada no subsolo
À procura de mim
Dostoievski: a dor de uma alma atormentada no subsolo
categoria-cultura Dostoievki Razão Sofrimento edicao-2026-09-03 (39)

Dostoievski: a dor de uma alma atormentada no subsolo

Há algum tempo li um dos livros mais perturbadores da minha vida: Memórias do Subterrâneo (ou Memórias do Subsolo, ou ainda Cadernos do Subterrâneo, dependendo da edição), de Fiódor Dostoievski, publicado em 1864.

João Areosa
À procura de mim
categoria-crónica Emoção Razão Vida edicao-2026-01-22 (12)

À procura de mim

Não sei se é possível, nem sei se quero catalogar em ordem alfabética e dispor em gavetas coisas como abandono, amantes, amigos, amor, casamento, divórcio, filhos, marido, pai, mãe, paixão, saudade, sexo, vida, morte.

Maria Augusta Tavares

SUBSCREVE O MAIO

E recebe a nossa newsletter todas as semanas gratuitamente.