Quantos milhões de alunos, professores e investigadores são hoje treinados nas escolas e nas universidades para produzirem saber aplicável à indústria da guerra, construção de drones, artefactos aeroespaciais, sistemas de IA direcionados para alvos considerados hostis e que, em rigor, têm como alvo imigrantes, palestinianos e os povos explorados de todo o mundo, e para produzir um jornalismo acrítico e apologético da lógica da guerra?

O Maio divulga o lançamento de um manifesto pela educação lançado por uma equipa que, no quadro do Observatório das Condições de Vida e Trabalho, o elaborou.
“Queremos que a escola e a universidade voltem a ser um espaço de encantamento, com o conhecimento desinteressado, de valor de per si; o espaço do homem vitruviano, onde se dá tudo a todos. O quadro da Epson ocupou o lugar do professor. A sala de aula é um espaço de diálogo de ensino-aprendizagem e uma relação presencial de alunos e professores, não é uma arena para exibições de ecrãs, que tomaram o lugar do professor, reconvertendo um espaço de diálogo crítico numa fábrica alienada e controlada remotamente, onde vigiar e punir se tornou prática normalizada. Nós reclamamos: a escola é nossa! De alunos. De professores.
Não é um armazém onde se despejam crianças e se fazem das professoras e dos professores – na maioria, professoras – cuidadoras informais, num evidente retrocesso do papel da mulher. A escola não se confunde com a assistência social, assim como esta não se confunde com ações assistencialistas precárias, realizadas por força de trabalho também precária, porque destinadas às classes trabalhadoras.
A escola é um lugar que transforma quem lá está. E de onde quem de lá sai vai poder lutar ainda melhor para transformar a sociedade.
Não é um lugar de entretenimento que supre os problemas criados pelo capitalismo, pela competição e por jogos de soma nula. Escola e universidade não são apêndices dos recursos humanos das fábricas e empresas.
A escola é, repetimos, um lugar encantador que tem a sua função primordial no ensino e na aprendizagem do conhecimento sistematizado.
“Ensinar àquele indivíduo o melhor conhecimento produzido pela humanidade”, tal é a escola, um espaço para se maravilhar com o saber, a fruição estética, a autonomia, um espaço de felicidade, de relações de confiança, afeto, amizade e amor, de companheirismo.
A escola é um lugar que transforma quem lá está. E de onde quem de lá sai vai poder lutar ainda melhor para transformar a sociedade.
Para além do convite para o lançamento, quem queira participar – da educação de infância à universidade – e juntar-se a este movimento escreva para observatoriocondicoesdevida@gmail.com.
Saudações Solidárias.
Pel'o Manifesto Educação