Esquerda

EUA: “O voto da classe trabalhadora não está perdido”
categoria-política EUA Eleições Esquerda Jacobin edicao-2026-10-01 (43)

EUA: “O voto da classe trabalhadora não está perdido”

Algumas reflexões sobre o relatório “The working-class vote is not lost” (O voto da classe trabalhadora não está perdido), da revista Jacobin.

Afonso Maia Silva
Mas as crianças, senhores
categoria-opinião Neoliberalismo Esquerda Escola Crianças Creche edicao-2026-05-28 (29)

Mas as crianças, senhores

A baronesa Margaret Thatcher, que, segundo a sua biografia autorizada, “não sabia brincar com os filhos”, mas foi mãe do neoliberalismo, disse um dia: “A sociedade não existe, apenas indivíduos e famílias.”

Raquel Varela
categoria-política EUA Eleições Esquerda Jacobin edicao-2026-10-01 (43)

EUA: “O voto da classe trabalhadora não está perdido”

ilustração: Rita Comedida

No passado dia 14 de setembro, a Jacobin, revista de esquerda norte-americana com grande projeção internacional, apresentou os resultados do relatório “The working-class vote is not lost” (“O voto da classe trabalhadora não está perdido”), realizado pelo Center for Working-Class Politics e pela professora de Direito norte-americana Joan C. Williams, com apoio da própria revista e da Fundação Rosa Luxemburgo.

Através das preferências de 40 000 entrevistados, o estudo procurou chegar às caraterísticas, posições e táticas que tornariam mais provável um maior apoio eleitoral dos trabalhadores dos EUA a uma hipotética candidatura do campo da esquerda (neste contexto, a alojada no Partido Democrata). Com grande sustentação estatística, o relatório apresenta conclusões que merecem um olhar interessado.

Os entrevistados valorizam, face a tópicos como “defesa da democracia” ou “questões climáticas e de guerras culturais”, a priorização da questão económica, inclusive de forma ambiciosa: investimentos públicos mais robustos em infraestruturas e criação de emprego foram considerados com maior importância do que medidas mais “contidas”, como incentivos fiscais. Foram privilegiados o acesso a boas condições laborais e a recompensa ao “trabalho árduo”, face a programas de distribuição de riqueza no abstrato, como a maior taxação a fortunas e grandes grupos económicos. 

Investimentos públicos mais robustos em infraestruturas e criação de emprego foram considerados com maior importância do que medidas mais “contidas”, como incentivos fiscais.

A conexão com os “valores da classe trabalhadora” foi também enaltecida no relatório. Destes, foram destacados “a lealdade à comunidade e ao país, o orgulho no trabalho árduo, o respeito pelas instituições tradicionais e pelo cumprimento das regras, a segurança pessoal e o antielitismo”. Medidas mais progressistas (a nível de política climática, por exemplo) não necessariamente afastam os trabalhadores americanos, desde que exista uma tentativa de as conjugar com os valores identificados.

Foram bem considerados o discurso político centrado na auscultação das classes trabalhadoras (ao invés do foco nas classes intermédias) e a retórica populista visando a elite (sobretudo política). Quanto à proveniência dos candidatos, os entrevistados rejeitam aqueles surgidos de estratos mais altos, mas não necessariamente cingem a sua preferência a perfis de trabalhadores manuais. Segundo a Jacobin, “pequenos empresários, profissionais de áreas como enfermagem e ensino (frequentemente associadas ao trabalho de prestação de serviços e cuidados) e trabalhadores do setor de serviços, como empregados de mesa e balconistas, têm um desempenho junto aos eleitores da classe trabalhadora tão bom como o dos candidatos oriundos do trabalho manual”. A origem étnico-racial e o género dos candidatos foram, em regra, irrelevantes.

Estas foram algumas conclusões deste estudo alargado. Que merece, não obstante, algumas cautelas. 

Mais do que conceber um projeto político de emancipação da classe trabalhadora norte-americana, o relatório pretende auxiliar, de um ponto de vista meramente eleitoral, o Partido Democrata a ligar-se às massas. Sabemos, no entanto, como a cúpula dirigente deste partido, tão comprometida com os interesses oligárquicos da classe dominante como a do Partido Republicano, tentará barrar qualquer aproximação ao ideário socialista ou mesmo social-democrata. Nesse aspeto, sem uma força político-partidária autónoma da classe trabalhadora norte-americana, o estudo arrisca-se a cair “em saco roto”. E o relatório, sendo útil para compreender os interesses eleitorais dos trabalhadores dos EUA, não os ausculta para a construção de uma real alternativa política. 

Ainda assim, não se pode negar a sua importância no contexto presente. Esta assenta, simplificadamente, em três pontos.

O primeiro é, obviamente, o auxílio interno que este estudo pode oferecer à organização, preparação e (re)orientação tática de candidaturas do campo socialista (ainda que dentro dos limites do Partido Democrata) e o sucesso destas em embates futuros com o Partido Republicano, que, em 2024, granjeou amplamente o apoio das massas trabalhadoras americanas. Auxílio que “pode” oferecer, não necessariamente “vai” oferecer: falta compreender a vontade dos dirigentes políticos da esquerda norte-americana para considerar e assimilar estes dados, mesmo que eles desdigam a estratégia previamente adotada.

*/Banner Maio*/

Em segundo lugar, este estudo recentra a reflexão do campo socialista sobre a sua própria crise não apenas nas teorizações e sugestões de especialistas, académicos e militantes já completamente entrosados com a esquerda, mas nos genuínos anseios das massas. Curiosamente, apesar de se constituir como uma proposta política em benefício da emancipação destas últimas, são estas as menos consideradas na sua construção. As cúpulas partidárias não raras vezes fecham-se a esta auscultação. Estudos como este demonstram que a necessidade de recentrar o discurso nos problemas económicos de quem trabalha, sem deixar de considerar o trabalho como o centro da nossa vida comunitária, não é só um palpite que um punhado de intelectuais de esquerda apregoa, mas uma honesta vontade de quem dá razão de ser a esta mesma esquerda. Este recentramento não implica abdicar de determinadas linhas vermelhas, erigidas pela própria tradição intelectual em que a esquerda se insere, mas ajustar a proposta e a estratégia política para voltar a ganhar a confiança das massas. 

Em terceiro lugar, o relatório pode ter o condão de inspirar experiências semelhantes noutras realidades nacionais. “Pode”, porque mais uma vez deve aliar-se à possibilidade a motivação de a concretizar. Foi sempre ressalvado que o estudo incluiu entrevistas a trabalhadores norte-americanos sobre a sua apetência por votar à esquerda em eleições nos EUA. Se consideramos a sua importância para a estratégia da esquerda, como campo político, é porque é muito o que une os anseios da classe trabalhadora norte-americana à de outras realidades nacionais, quanto mais não seja a própria condição… de classe. Ainda assim, as condicionantes nacionais importam e podem impactar alguns destes resultados. Os trabalhadores, existindo como categoria sem conhecer fronteiras geográficas, sentem-se, em grande medida, parte da sua unidade nacional, na qual estão organizados, como este mesmo relatório aponta. Olhar, em Portugal, a título de exemplo, para estes resultados e aplicá-los sem ter em conta as especificidades das massas trabalhadoras portuguesas incorre nos mesmos erros que o estudo aponta. 

Por isso mesmo é necessário que se multipliquem as iniciativas deste tipo, só possíveis com uma esfera pública própria, independente do Estado e do mercado. Estas iniciativas devem ajudar a (re)pensar os caminhos da esquerda, numa altura em que surgem novos projetos políticos e em que os antigos repensam (ou deveriam) as suas orientações estratégicas. Para que antigos e novos não insistam na tendência de prezar mais uma almejada pureza ideológica do que a confiança daqueles para quem falamos.


Fontes:

categoria-opinião Neoliberalismo Esquerda Escola Crianças Creche edicao-2026-05-28 (29)

Mas as crianças, senhores

A baronesa Margaret Thatcher, que, segundo a sua biografia autorizada, “não sabia brincar com os filhos”, mas foi mãe do neoliberalismo, disse um dia: “A sociedade não existe, apenas indivíduos e famílias.” Esta ideia reacionária fez escola, e diz que as crianças têm de estar mais tempo com os pais. A ideia socialista que defendo diz outra coisa: que para além da família há comunidade, tem de haver comunidade.

Como sabem, na guerra e na luta de classes, somos avisados de que os nossos inimigos nunca nos dão facadas, porque não se conseguem aproximar tão perto. É dos nossos amigos que chega o ataque pelas costas, daqueles de que não nos apercebemos que nos vão atacar.

Calma, é apenas uma metáfora, tenho grandes amigos, com quem já comi um quilo de sal – o tempo necessário para provarmos a confiança mútua. Dos meus amigos só recebo verdade e abraços. Mas na política, olhem as costas. Dizem que Churchill, um dos facínoras do império inglês, elevado a homem decente pelo papel que teve a tentar salvar a burguesia inglesa de si própria na II Guerra Mundial, mas grande escritor e com um extraordinário sentido de humor, respondeu um dia que os inimigos dele estavam no seu partido. Os adversários estavam na oposição.

Este mês, três exemplos. A esquerda “progressista” indignou-se com o tempo que as crianças passam na creche em Portugal, num agenda setting (como os media ditam o que pensamos) da Fundação Francisco Manuel dos Santos, do grupo Pingo Doce. Logo a seguir temos o Público, do grupo Sonae, que dá destaque à alegada professora racista da escola da Parede. No Maio, entrevistei uma pediatra, com um longo historial de resistência de esquerda, catedrática de uma das melhores universidades do mundo, que fundou no Brasil um movimento contra a medicalização das crianças com Ritalina e afins. A resposta de alguma dessa esquerda “progressista” foi que a cientista estava a espalhar “desinformação”.
Os três exemplos merecem-me uma reflexão, chegam pelas costas, com a voz mansa do progresso.

Primeiro. As crianças não passam muito tempo na escola. Passam muito tempo num armazém que ficou com o nome de “escola”. E muito pouco tempo a brincar entre elas. Estão demasiado tempo com os pais. E isso faz mal: aos pais, às crianças e aos jovens.

Há uns anos fui convidada a ir a Coimbra a uma sessão com psiquiatras falar sobre as crianças e o tempo de trabalho dos pais nas nossas sociedades, um fórum que incluía Coimbra de Matos, de quem fiquei amiga para sempre desde esse dia, e Carlos Amaral Dias. Quando expus as minhas ideias, sobre as quais tenho alguns anos de estudo, pensei que ia ouvir os vulgares contra-argumentos: “a professora é historiadora, não é médica.” Pelo contrário, descobri ali um grupo de psis que lutavam por mudar a sociedade, em vez de medicar pessoas. A minha palestra foi sobre isto: Gramsci dizia que no capitalismo há o governo dos “especialistas”. Ora, as doenças e os comportamentos das crianças e jovens não são uma questão sobretudo para médicos e medicamentos, são um assunto social.

Expliquei que as crianças que estão fechadas 8 a 10 horas em escolas, com intervalos de 5 minutos, sem espaços verdes amplos (porque a especulação imobiliária fez que os espaços de creche encolhessem, e as creches descobriram subitamente uma paixão por “desenvolver a motricidade fina” – a desculpa para estarem sentados a cortar papel e desenhar), ficam insuportáveis. E se a isto juntarmos horas de televisão e telemóvel, dormir mal e comer mal, podem tornar-se um inferno.
Há 30 anos o corpo era das crianças e dos jovens – dançar, correr, brincar – e isso ocupava oito ou mais horas da vida diária de uma criança. Hoje estão reduzidos a 3 horas semanais de “educação física”. Não dançam, não passeiam nem brincam o suficiente. Já há creches com televisões, para poupar nos salários. Creches e escolas são lugares onde se despejam crianças e jovens.

A baronesa Margaret Thatcher, que, segundo a sua biografia autorizada, “não sabia brincar com os filhos”, mas foi mãe do neoliberalismo, disse um dia: “A sociedade não existe, apenas indivíduos e famílias.” Esta ideia reacionária fez escola, e diz que as crianças têm de estar mais tempo com os pais. A ideia socialista que defendo diz outra coisa: que para além da família há comunidade, tem de haver comunidade.

Se a creche for um local maravilhoso, se tiver professores de teatro e jogos de madeira, árvores para subir, se em cada bairro houver um centro comunitário para jovens, os pais podem sair às quatro da tarde do trabalho para ir namorar, não para cuidar dos filhos. A ideia de que só os pais tomam conta das crianças é o bolor neoliberal e fascista, a família nuclear como centro da reprodução –

muitas vezes também envergando vestes “progressistas” e “de esquerda”.

Nunca até hoje na história tivemos uma sociedade onde quem cuida de crianças são tão poucos: pai, mãe e – apenas nas horas de trabalho destes – a creche, a escola. 

Nunca até hoje na história tivemos uma sociedade onde quem cuida de crianças são tão poucos: pai, mãe e – apenas nas horas de trabalho destes – a creche, a escola. No Pingo Doce, às 8 da noite e ao fim de semana há mães, pais e avós a repor Sonasol nas prateleiras, em vez de terem saído do trabalho às 4 da tarde. A ideia de que as crianças ora estão na escola ora estão com os pais é reacionária, mas foi acarinhada pela esquerda e deu crianças com francos problemas relacionais, adoecidas, e pais chatos, que passam o tempo a falar dos filhos ansiosos.

De facto, os pais estão exaustos com horários de trabalho que os fazem adoecer, e os bebés vão para as creches muito cedo, cedo demais porque um bebé precisa de litros de abraços por dia para criar vínculos.
Mas a ideia de haver um cuidado comunitário das crianças – conquista do 25 de Abril – é fantástica.

Na Holanda, as minhas colegas saíam do trabalho às 2 da tarde para ir cuidar dos filhos e olhavam para mim de lado quando dizia que os meus estava até às 7 da tarde numa creche cheia de árvores, onde – junto com os pais – demos e ganhámos uma batalha para a televisão ser proibida. Uma educadora tentou convencer alguns pais, à minha frente, a dar Ritalina às crianças e entregava as avaliações dos comportamentos das crianças com 5 anos (pura bruxaria métrica!), numa pasta plástica da Novartis… Um dia perdi a paciência, devolvi a pasta e disse-lhe que ela ou lutava por horários de trabalho decentes, ou tomava Xanax, em vez querer dá-lo às crianças. Nunca nos amámos, foi um alívio para ambas a despedida, até sempre sua bruxa, pensei. Era tão incompetente que um dia vi um puto bater noutro, sem que o segundo nada tivesse feito, e ela pôs os dois de castigo. Terá sido dela a ideia de que comunismo e nazismo são o mesmo?

Recentemente partilhei a entrevista que fiz a uma das mais destacadas pediatras e professora (catedrática) do Brasil, Dra. Maria Aparecida Moysés, com uma longa tradição de militância de esquerda, desde a ditadura militar, e que é contra a medicação de crianças. Tanto que criou um movimento contra a patologização.

Não falou de autismo ou doenças graves – como alguns quiserem comentar, sem a ouvir –, mas falou de como é fácil hoje dizer que as crianças têm doenças do “espectro” disto, “transtorno” daquilo, para facilitar as notas e as avaliações, e que são os professores e os pais a pedir esses “diagnósticos”. No Brasil há um fórum da sociedade civil que questiona também a medicalização da sociedade. A investigadora cita um estudo de uma universidade canadiana de medicina baseada em provas, que afirma que a maioria dos papers que sustentam os benefícios desse tipo de substâncias, como a Ritalina, não têm revisão científica. O que responderam algumas pessoas “de esquerda”: vamos ouvir contra-argumentos, debater, ler, conhecer, ouvir outras opiniões? Não, responderam que era “desinformação”. Ou seja, pediram a censura da médica. Foi um cala-te. Cancela-se. Rui Pereira, professor de jornalismo, recordou num artigo no Maio como a acusação de “desinformação” está a ser usada pelas empresas e o Estado para introduzirem a censura nas redes sociais.

*/Banner Maio*/

Durante o Covid, esta “esquerda progressista” não teve um comportamento muito distinto: face a médicos de saúde pública e sociólogos, muitos de esquerda, que questionaram o confinamento e muitas outras medidas, responderam: “São negacionistas.” O que abriu um espaço enorme à extrema-direita irracionalista. Se tivermos uma esquerda obscurantista e censória, que impede o debate e o conhecimento, por que não apoiar um bando de malucos de extrema-direita?

O tom dos comentários da “professora racista” no Público já nos diz ao que vem esta “esquerda progressista”. Há que despedir a professora racista, foram feitas denúncias (na caixa de denúncias a que a União Europeia obriga!).

Qual a gravidade disto?
Primeiro, ser racista não é crime, crime é cometer atos racistas ou incentivá-los. Ser estúpido não é crime. Nenhum discurso pode ou deve ser censurado porque é um discurso. Aliás, o “discurso de ódio”, crime que o neoliberalismo e a UE instituíram, ao lado de frases de um rigor delirante como “comunismo é igual a fascismo”, é contra a Constituição. A Constituição tem uma herança iluminista, não há “discurso de ódio”. Nenhum discurso é crime, crime é organização em torno desse discurso. Veja-se que os bots do Chega nas redes dizem-se vítimas de discurso de ódio, e a palavra de que Israel mais gosta é “negacionista”. O que tem levado militantes pela Palestina nos EUA, no Reino Unido e na Alemanha a serem perseguidos e presos, porque negam o Estado de Israel, ou seja, lutam contra o genocídio dos Palestinianos.

Ser fascista não é crime em Portugal. As pessoas podem ser e pensar as maiores barbaridades, chama-se liberdade. O que não podem é organizar-se como fascistas ou como racistas, por isso o Chega deve ser ilegal. Um ser humano dizer imbecilidades racistas, mesmo na rua em voz alta, não é crime. Colar cartazes e dar entrevistas racistas estando organizado ou sendo líder de um partido racista, isso, sim, é crime.

Se a professora ofende algum aluno há uma moldura penal, sempre houve, para isso. Se acha que o colonialismo português foi bom, como tantos professores acham, eu, como professora, discordo dela, mas ela tem direito a pensar assim e isso necessariamente é uma marca das suas aulas, como seria se fosse neoliberal, ou marxista. Não há professores neutros.
Não posso permitir que seja cientificamente errada, mas isso é passível de avaliação científica feita entre pares (não é um julgamento feito por um jornal). E acho ótimo que o ensino público tenha professores de todas as cores e credos.

Elon Musk não acha – anunciou um modelo de linguagem massivo (IA, como é charmosamente chamado) de “ensino digital objetivo contra o woke”. Não há marxistas, nem defensores dos homossexuais ou contra a violência sobre as mulheres, nem história dos genocídios. É um modelo de ensino “objetivo”. Estão a ver onde vamos parar com esta “esquerda progressista”? Musk promete, com as suas plataformas digitais: não haverá professores racistas, nem marxistas… Em rigor, não haverá professores. E com as suas subjetividades e falhas também. Há apenas as ideias de Musk numa plataforma digital. Os alunos e pais não se confrontarão mais com nenhuma ideia de que discordem, só com algoritmos imparciais.

Desinformação, discurso de ódio, canal de denúncias, objetividade, o Estado e Elon Musk tratam de nós, tudo para o nosso bem. É o progresso que a “esquerda progressista” sempre adorou.

Ainda bem que sou uma marxista clássica, até diria mesmo, um pouco conservadora. Não sei se daqui a uns tempos não há uma queixa dos pais (pais queixinhas é outra herança da Thatcher) contra os professores “marxistas clássicos conservadores”, acusados de “desinformação”, “discurso de ódio” e “negacionismo”. Tudo pelo Progresso, nada contra a Nação.

EUA: “O voto da classe trabalhadora não está perdido”
Mas as crianças, senhores
EUA: “O voto da classe trabalhadora não está perdido”
categoria-política EUA Eleições Esquerda Jacobin edicao-2026-10-01 (43)

EUA: “O voto da classe trabalhadora não está perdido”

Algumas reflexões sobre o relatório “The working-class vote is not lost” (O voto da classe trabalhadora não está perdido), da revista Jacobin.

Afonso Maia Silva
Mas as crianças, senhores
categoria-opinião Neoliberalismo Esquerda Escola Crianças Creche edicao-2026-05-28 (29)

Mas as crianças, senhores

A baronesa Margaret Thatcher, que, segundo a sua biografia autorizada, “não sabia brincar com os filhos”, mas foi mãe do neoliberalismo, disse um dia: “A sociedade não existe, apenas indivíduos e famílias.”

Raquel Varela

SUBSCREVE O MAIO

E recebe a nossa newsletter todas as semanas gratuitamente.