Governo quer partir a CP. Trabalhadores resistem.
Em comunicado distribuído em conferência de imprensa convocada para a Estação do Rossio, em Lisboa, no dia 15 de setembro, a Comissão de Trabalhadores e nada menos que 15 sindicatos representativos de trabalhadores da CP manifestam a sua posição comum de repúdio do que chamam de “fragmentação da exploração ferroviária”. Trata-se do plano do Governo de concessionar a privados a exploração de vários troços da ferrovia, sobretudo (sub)urbanos.
Duas notas.
A primeira é que, apesar do número impressionante de organizações representativas dos trabalhadores, da unanimidade da sua posição comum e da óbvia importância nacional do assunto em causa, o único órgão de comunicação social presente foi o Maio (junta-se a nossa reportagem).
A segunda é que a privatização da exploração ferroviária que assim se quer iniciar em grande escala em nada obedece, como a posição dos trabalhadores realça, a considerações de melhoria da eficiência ou do serviço.
As concessões já realizadas (Fertagus na ponte sobre o Tejo, a exploração dos bares do longo curso) mostram que não só os efeitos do subinvestimento do Estado (material circulante em mau estado, atrasos, etc.) se manifestam identicamente ou pior nas concessionadas — até porque os privados não têm de fazer qualquer investimento, recebem material e infraestrutura da CP, e perdem-se efeitos de escala, experiência e conhecimento — como o único verdadeiro efeito é degradarem-se as condições salariais e de trabalho e o vínculo contratual dos trabalhadores, nomeadamente os “destacados” da CP.
Não é por acaso. Esse é o verdadeiro objetivo: reduzir o custo do trabalho, degradar a posição dos trabalhadores e proporcionar lucros e rendas fáceis a obscuros concessionários, geralmente sem capital.
Numa palavra: saquear a empresa pública, chupá-la até ao osso e depois deitar fora os restos.