Engels, pensador da guerra, pensador da revolução 1
parte 2
Este estudo foi redigido para um colóquio organizado por Georges Labica na Universidade de Nanterre, em 1995, por ocasião do centenário da morte de Friedrich Engels. Apresentamos aqui a segunda parte. Engels considera que uma guerra mundial não poderia trazer outra coisa que a barbárie e propunha “a redução gradual da duração do serviço militar por força de um tratado internacional” , com o objectivo de, com o tempo, transformar os exércitos permanentes em “milícias baseadas no armamento universal do povo”.
2ª parte
Profeta da guerra mundial
Engels esteve longe de ser o único pensador político da época alarmado com esta evolução, mas eu diria que nenhum outro, na sua época, previu como ele a totalidade daquilo a que chamamos a guerra total.
Esta observação é da autoria de um pacifista, pouco suspeito de simpatizar, a priori, com o marxismo2. Não é exagerado dizer, como o fez o coronel Wallach acima citado, que Engels profetizou o perfil da Primeira Guerra Mundial.
Como qualificar, de facto, se não como proféticas, estas linhas de Engels escritas no final de 1887:
Não pode haver, para a Prússia-Alemanha, outra guerra a não ser uma guerra mundial, ou seja, uma guerra mundial de uma amplitude e violência nunca até aqui imaginadas. Oito a dez milhões de soldados a degolarem-se uns aos outros e, nisso, a devastarem toda a Europa, como nunca um enxame de gafanhotos a devastou. As devastações da Guerra dos Trinta Anos, concentradas em três ou quatro anos e espalhadas por todo o continente: fome, epidemias, embrutecimento generalizado dos exércitos e das massas populares devido à miséria aguda; caos irremediável do nosso mecanismo artificial no comércio, na indústria e no crédito, levando à bancarrota geral; colapso dos velhos Estados e do seu saber estatal tradicional, de modo que as coroas rolarão às dezenas pelo pavimento, e não se encontrará quem as apanhe; a impossibilidade absoluta de prever como tudo isto terminará e quem sairá vencedor neste combate; um único resultado é absolutamente claro: o esgotamento geral e a criação de condições para a vitória final da classe trabalhadora. – Esta é a perspectiva, quando inevitavelmente der os seus frutos este sistema de corrida paroxística ao armamento bélico3.
Não falta nada, nem sequer a criação das condições para a revolução proletária, que eclodirá na Rússia, Alemanha e Hungria e será derrotada nos dois últimos países. Engels previa que estas condições se dessem do lado dos vencidos, na sequência da derrota dos seus exércitos. Não quer dizer, no entanto, que ele desejasse que a guerra eclodisse, e não só por não comungar da política do ‘quanto pior, melhor’. Era, sobretudo, porque o mero facto de a guerra se iniciar seria, em sua opinião, prova irrefutável de que os partidos socialistas teriam falhado, sendo, portanto, mau presságio para o futuro destes.
O dever desses partidos era oporem-se resolutamente à guerra, a ponto de os governos a recearem. Se, mesmo assim, estes se decidissem a meter-se por esse caminho, seria por terem garantias de conseguir realizar a união sagrada à sua volta. Assoma aí, nas cartas de Engels aos seus camaradas, um pessimismo inquieto, que contrasta nitidamente com o optimismo revolucionário escatológico de que ainda dá mostras nos textos públicos. Em caso de guerra mundial, a única coisa assegurada será a barbárie, não a vitória do socialismo, explicou em 1886.
Em suma, haverá um caos com um único resultado certo: um massacre colectivo de uma amplitude sem precedentes, o esgotamento de toda a Europa num grau nunca antes alcançado e, finalmente, a completa ruína do antigo sistema. Só de uma revolução em França poderia decorrer, para nós, um bom sucesso imediato (…). Uma comoção na Alemanha originada por uma derrota só teria utilidade se levasse à paz com a França. O melhor seria uma revolução russa, que, seja como for, só é de esperar após várias derrotas graves do Exército russo. Uma coisa é certa: a guerra importaria, à partida, um retrocesso do nosso movimento em toda a Europa, paralisá-lo-ia completamente em vários países, alimentaria o chauvinismo e a xenofobia e a única certeza que nos ofereceria entre incertezas inúmeras seria a de termos de recomeçar tudo de novo a seguir à guerra, embora numa base muito mais favorável do que a actual4.
Em 1889, o prognóstico de Engels sobre as consequências da guerra era ainda mais claramente pessimista e, portanto, mais justamente profético:
Quanto à guerra, para mim é a eventualidade mais terrível. Caso contrário, até me fartaria de gozar com as veleidades da senhora França. Mas uma guerra em que haverá de 10 a 15 milhões de combatentes, só para alimentá-los uma devastação inaudita, uma repressão forçada e universal do nosso movimento, o recrudescimento dos chauvinismos em todos os países e, para acabar, um enfraquecimento dez vezes pior do que o que se seguiu a 1815, um período de reacção assente na inanição de todos os povos exangues — tudo isto contra a escassa possibilidade de que de tão sanguinária guerra saia uma revolução — isso horroriza-me. Sobretudo para o nosso movimento na Alemanha, que seria derrotado, esmagado, extinto à força, quando a paz nos oferece a vitória quase certa5.
São estes os critérios e prognósticos que determinaram a posição do velho Engels até ao fim dos seus dias. Nem viés patriótico alemão nem a notória antipatia que nutria pelas “pequenas hordas primitivas” dos Balcãs, mesmo desprovida da sua tonalidade hegeliana original, mas sim o efeito antecipado de uma guerra real ou potencial no futuro do movimento operário europeu, acima de tudo a preocupação quase obsessiva em evitar a catástrofe que via despontar no horizonte. É isso que explica a inversão da equação guerra-revolução em Engels a partir de 1871, como muito bem demonstrou Martin Berger: “Assim, Engels, que antes preconizara a guerra como catalisador da revolução, glorificava agora a revolução como meio de evitar a guerra”6.
Prevenir a guerra mundial
Prevenir a guerra mundial, preparar a revolução: tal foi, de certo modo, a palavra de ordem de Friedrich Engels.
“Temos de colaborar pelo objectivo da libertação do proletariado da Europa Ocidental, tudo o mais se lhe subordina. Por muito interesse que possam ter os eslavos dos Balcãs, etc., a partir do momento em que o seu desejo de libertação colidir com os interesses do proletariado, cá por mim, que vão para o inferno. Os alsacianos também são oprimidos (…). Porém, se, na véspera óbvia de uma revolução, eles quiserem, voltando a espicaçar os dois países, tentar provocar uma guerra entre a França e a Alemanha e, com isso, adiarem a revolução, eu tenho que lhes dizer: aguentem aí! Vocês podem com certeza ter tanta paciência como o proletariado europeu. Quando ele se tiver libertado, vocês ficarão automaticamente livres; até então, contudo, não vos vamos deixar andar a pôr pedras no sapato do proletariado militante. O mesmo, os eslavos. A vitória do proletariado libertá-los-á real e necessariamente, não, como o czar, aparente e temporariamente. (…) Atear uma guerra geral por causa de uns poucos de herzegovinos, guerra que custaria mil vezes mais vidas do que a Herzegovina tem habitantes, não é a minha ideia do que é política proletária7.
Este era, outrossim, o sentido do famoso texto de Engels de 1891 sobre ‘O socialismo na Alemanha’. Preocupado com a perspectiva de uma guerra franco-russa contra a Alemanha, que parecia muito plausível no momento em que escrevia o artigo, o pai espiritual dos socialistas alemães pôs os seus camaradas franceses em guarda contra apoiar uma empresa revanchista do seu governo, em aliança com o czar. Para pôr água na fervura, denunciou a anexação da Alsácia-Lorena e declarou preferir a república burguesa francesa ao império alemão, porém explicando, do mesmo passo, que, em caso de aliança com a Rússia, a guerra contra a Alemanha só poderia ser essencialmente reaccionária. O socialismo alemão ficaria certamente com os cacos nas mãos caso a Rússia vencesse, esmagado ou pelo inimigo externo ou pelo inimigo interno8.
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Na hipótese concreta de tal vitória, ou seja, de uma invasão franco-russa da Alemanha, Engels justificava, portanto, um defensismo socialista alemão — mas um defensismo de carácter muito peculiar, um defensismo revolucionário, porquanto o modelo invocado é o mesmo que inspirara os comuneiros de Paris em 1871: o modelo de 1793. Dito isto, continuou, “nenhum socialista, de país algum, pode desejar o triunfo bélico seja do actual governo alemão, seja da república burguesa francesa; muito menos, do czar (…). Por isso, os socialistas reclamam que, em toda a parte, se mantenha a paz”. Em 1914, a social-democracia alemã quis ver neste artigo uma legitimação do seu defensismo patriótico. Mas só desvirtuando-o profundamente e minimizando a importância do panorama global em que Engels o enquadrava9. Engels tinha-o, aliás, escrito com certa reticência, como a sua correspondência atesta, com o mero objectivo de armar os socialistas franceses contra a tentação da desforra: a eles (em francês!) se dirigia, não o esqueçamos10.
Preparar a revolução e prevenir a guerra mundial: se tal era a palavra de ordem, nem por isso bastava, evidentemente, apresentá-la recorrendo a reflexões sobre situações hipotéticas em que a primeira fosse parida pela segunda, ainda por cima com escassa probabilidade (“pouco provável”). Era preciso agir urgentemente a favor de uma e contra a outra e, portanto, procurar os temas que pudessem servir para passar da palavra de ordem à acção. Em ambos os casos, o grande estratega militar e político que Engels era procurava pontes praticáveis em prol do objectivo estratégico.
Para a luta contra a guerra mundial e pela paz, rejeitou como ilusórios os brilhantes projectos de greve geral e insubordinação em caso de guerra propostos por Domela Nieuwenhuis (não menos brilhantes do que a resolução do Congresso de Basileia da II Internacional de 1912, que ameaçara transformar a guerra em revolução; conhece-se o seu destino histórico). Os socialistas não podiam adoptar frases tão pomposas quando estavam a riscar do seu programa objectivos bem menos radicais. com medo de oferecer o flanco à repressão. Tão pouco podiam ter qualquer eficácia real contra uma máquina de guerra.
Engels formulou, portanto, a sua própria proposta, desejoso de se ajustar às exigências do realismo, mas também, do mesmo passo, ao objectivo revolucionário.
A solução que encontrou é exposta nos artigos que escreveu em 1893 para o Vorwärts e que reuniu, acto contínuo, num folheto intitulado “É possível o desarmamento da Europa?” O especialista militar socialista propunha “a redução gradual da duração do serviço militar por força de um tratado internacional”11, com o objectivo declarado de, com o tempo, transformar os exércitos permanentes em “milícias baseadas no armamento universal do povo”. Explicava assim o seu pensamento:
Tento demonstrar que tal transformação é possível desde já, mesmo para os governos actuais e na situação política vigente. (…) Para já, só proponho medidas que qualquer governo actual possa adoptar sem pôr em risco a segurança nacional. Tento, simplesmente, deixar claro que, do ponto de vista puramente militar, absolutamente nada há que impeça a abolição gradual dos exércitos permanentes; e que, a manterem-se esses exércitos, será por razões políticas e não militares, ou seja, que se destina os exércitos à protecção não tanto contra o inimigo externo, mas contra o inimigo interno”12.
Assim, partindo do que, levando a sério as intenções puramente defensivas ostentadas pelos governos, houvesse sido objectivamente possível, demonstrava Engels, com toda a riqueza e garantia da sua ciência militar, que a sua proposta era plenamente compatível com as exigências da defesa nacional (a argumentação destinava-se ao Reichstag). Consciente de que não havia qualquer possibilidade de que, na Europa da sua época, fosse abraçado o desarmamento unilateral, Engels, sempre desejoso de não abandonar o realismo, propunha que se iniciasse uma dinâmica de desarmamento através de um tratado internacional, salientando o interesse da Alemanha, como vantagem moral ou psicológica, em enveredar pela via de uma disputa pacifista, assim acrescentando outra dimensão à actualidade do seu pensamento sobre a guerra.
Atendessem os governos a sua proposta, ficaria travada a corrida armamentista ou iniciado um processo de desarmamento à escala europeia, conjurando-se assim o perigo de guerra. Por outro lado, se a rejeitassem — a hipótese, evidentemente, mais provável —, teria ele, em todo o caso, tido o mérito de denunciar a função real das armas e contribuir, assim, para a educação das massas contra o militarismo e o chauvinismo. Desde que, é claro, os partidos socialistas avançassem com essa proposta na sua agitação — o que não foi o caso13.
Há muito que Engels preconizava o serviço militar universal (para os homens apenas, nos limites sexistas da época) e a evolução tendencial14 para a abolição do exército permanente e sua substituição por um sistema de milícia popular. A sua principal preocupação consistia em preparar a revolução e prevenir a contra-revolução, como explicou em 1865 na sua primeira intervenção, em nome do partido operário, no debate prussiano sobre o exército:
Quanto mais operários souberem manejar as armas, melhor. O serviço militar universal é o complemento necessário e natural do sufrágio universal; capacita os eleitores para imporem as suas decisões, de armas nas mãos, contra qualquer intento de golpe de Estado15.
Acrescia-lhe agora o dever de prevenir a grande guerra, convergindo destarte as duas preocupações de Engels para o mesmo terreno, o do exército, peça-chave da estratégia revolucionária desenvolvida por Engels.
(continua)
1 Este estudo foi redigido para o colóquio organizado por Georges Labica na Universidade de Nanterre, em 1995, por ocasião do centenário da morte de Friedrich Engels. Foi publicado pela primeira vez na obra resultante do colóquio, Friedrich Engels, savant et révolutionnaire, dirigida por Georges Labica e Mireille Delbraccio e saída em 1997 nas Presses Universitaires de France.
2 W. B. Gallie, Philosophers of Peace and War, Cambridge University Press, Cambridge, 1978, p. 92. No entanto, o autor não esconde a sua simpatia pela pessoa de Engels, de quem considera que, graças especialmente aos seus últimos escritos sobre a guerra, “um dia será reabilitado [sic] pelos futuros historiadores do marxismo” (p. 81).
3 Einleitung [zu Borkheims “Zur Erinnerung für die deutschen Mordspatrioten”], MEW, t. 21, pp. 350-351. “Friedrich Engels disse um dia: “A sociedade burguesa encontra-se perante um dilema: ou passa ao socialismo ou recai na barbárie”. […] Até agora, lemos e repetimos essas palavras automaticamente, sem termos a noção da sua tremenda gravidade. Olhando à nossa volta neste exacto momento [1915], compreendemos o significado de um retrocesso da sociedade burguesa para a barbárie. […] Exactamente como Friedrich Engels previu há uma geração, há quarenta anos.” Rosa Luxemburgo, A crise da social-democracia.
4 Carta a Bebel de 13 de setembro de 1886 (MEW, t. 36, pp. 525-526). É o próprio Engels quem destaca isso com toda a certeza. Alguns anos antes, em 1882, ele havia manifestado, de uma forma ainda mais categórica, o seu pessimismo em relação à atitude dos socialistas alemães em caso de guerra: “O nosso partido na Alemanha sofreria uma inundação por algum tempo e ficaria paralisado pela maré enchente do chauvinismo, e o mesmo aconteceria em França” (carta a Bebel de 22 de Dezembro de 1882, MEW, t. 35, p. 416).
5 Carta a Paul Lafargue de 25 de Março de 1889 (Engels, Paul et Laura Lafargue, Correspondance, t. 2, Éditions sociales, Paris, 1956, p. 226).
6 Engels, Armies and Revolution, Archon Books, Hamden (Connecticut), 1977, p. 129. A obra de Martin Berger constitui provavelmente a melhor síntese das ideias de Engels sobre a relação entre guerra e revolução. A este respeito, porém, o seu principal defeito é não ter captado suficientemente, ou não ter sublinhado, a coerência teórica da abordagem de Engels e a evolução da sua atitude em função das mudanças objectivas da situação mundial. Assim, dizer que Engels desejava, na década de 1850, em nome da revolução, uma guerra “terrível”, ou mesmo um “holocausto” (p. 99), é usar termos anacrónicos que não permitem compreender bem a aversão do companheiro de Marx ao longo dos últimos 24 anos da sua existência.
7 Carta a Bernstein de 22 de Fevereiro de 1882 (MEW, t. 35, pp. 279-280, tradução francesa publicada em Haupt, Löwy, Weill, Les Marxistes et la question nationale, Maspero, Paris, 1974, p. 102). Em registo profético, Engels continua na mesma carta: “Os Sérvios estão divididos em três religiões […]. Mas, para eles, a religião conta mais do que a nacionalidade e cada confissão quer dominar. Assim, uma Grande Sérvia não trará nada além de guerra civil enquanto não houver um progresso cultural que torne possível, pelo menos, a tolerância.”
8 Engels pensava manifestamente na Comuna de Paris, esmagada pelas tropas de Versalhes, sob o olhar do ocupante alemão.
9 Os internacionalistas revolucionários de 1914 denunciaram a adulteração social-patriótica do artigo de Engels: Rosa Luxemburgo, no seu famoso panfleto de 1915, assinado Junius (A Crise…, op. cit., pp. 188-189) e Grigori Zinoviev, em 1916, no seu panfleto “A IIª Internacional e o problema da guerra”, restabeleceram o sentido do artigo do companheiro de Marx, tal como exposto acima, sublinhando igualmente que a mutação imperialista que culminou após a morte de Engels falsificava toda a extrapolação da sua análise de 1891 sobre a guerra mundial desencadeada quase um quarto de século depois.
10 27/ Ele teria gostado que fossem os próprios franceses a encarregarem-se de explicar por que era preciso combater a eventualidade de uma guerra do seu governo contra a Alemanha, em aliança com a Rússia (carta a Bebel de 29 de Setembro de 1991, MEW, t. 38, p. 161). Quando publicou o seu artigo em alemão, alguns meses mais tarde, Engels procurou minimizar-lhe a importância, explicando longamente que, devido aos reveses do império czarista, a ameaça russa que pesava sobre a Alemanha já não era actual, o que destruía a única justificação do defensismo revolucionário que lhe parecera necessário em tal caso. Em Outubro de 1892, explicou ao socialista francês Charles Bonnier que se subentendia que, em caso de nova guerra de conquista do kaiser contra a França, os papéis dos socialistas dos dois países teriam de inverter-se (ibid., p. 498). E, em Junho de 1893, Engels repreendeu Paul Lafargue por se apresentar como patriota: “Essa palavra tem um sentido tão estreito – ou então tão indeterminado, conforme o caso – que eu nunca ousaria qualificar-me assim. Dirigi-me aos não alemães como alemão, da mesma forma que me dirijo aos Alemães como simples internacionalista” (Engels, Paul et Laura Lafargue, Correspondance, t. 3, Éditions sociales, Paris, 1959, p. 292).
11 Engels propunha uma duração máxima de dois anos, acrescentando que “dentro de alguns anos poderá ser possível optar por uma duração muito mais curta”. Defendia um serviço limitado à formação militar essencial e racional, sem o cerimonial supérfluo e outras “sandices”, como a marcha em passo de ganso, com a qual costumava gozar.
12 Kann Europa abrüsten?, MEW, t. 22, p. 371.
13 30/ Jean Jaurès foi o único, entre os tenores do socialismo europeu, que defendeu o ponto de vista de Engels sobre a transformação dos exércitos como meio de prevenir a guerra. O seu pacifismo radical valeu-lhe o ódio mortal dos nacionalistas franceses.
14 Carta a Marx de 16 de Janeiro de 1868 (MEW, t. 32, p. 21).
15 “Die preußische Militärfrage und die deutsche Arbeiterpartei”, MEW, t. 16, p. 66.