Jogar contra o (mau) tempo
Associações criam ludoteca solidária em Leiria para apoiar crianças e jovens afetados pela tempestade.
Ricardo Ferreira, designer gráfico e responsável pela Associação Cultural Artmatriz, de Viana do Castelo, sensibilizado com a devastação ocorrida na zona centro do país, sentiu a necessidade de tentar ajudar, ainda que à sua escala, e decidiu lançar a ideia de criar uma ludoteca em Leiria. O projeto solidário que daí nasceu junta a Artmatriz a outra associação, a Asteriscos, localizada em Leiria, com o objetivo de proporcionar tempo de qualidade a crianças e jovens neste momento particularmente difícil das suas vidas.
Numa altura em que milhares de pessoas continuam sem eletricidade, nem acesso às redes móveis e à internet, fez todo o sentido recorrer a algo simples, acessível e profundamente agregador como os jogos de tabuleiro, para alcançar esse objetivo. Segundo Ricardo Ferreira, “os jogos de tabuleiro têm a vantagem de não precisarem de eletricidade nem de tecnologia, além de que promovem a partilha e o convívio, ajudando a criar momentos de normalidade, alegria e proximidade em contextos adversos”.
Após contactar várias editoras nacionais de jogos de tabuleiro e de trocar impressões com Micael Sousa, membro da associação Asteriscos, o projeto ganhou rapidamente forma. Desde logo, ficou imediatamente assegurada a logística no terreno, que implica a receção dos jogos e a sua distribuição pelos locais que ainda dispõem de eletricidade e que estão a acolher as crianças cujos pais continuam a trabalhar e a prestar socorro na região. Importa recordar que, à data atual (3 de fevereiro), muitas escolas permanecem encerradas.
Este projeto “pode ajudar, de forma simples e humana, a proporcionar um pouco mais de felicidade, conforto emocional e tempo de qualidade entre amigos e familiares.
“Sabemos que este projeto não resolve a destruição, nem a falta de eletricidade, de comunicações ou outras necessidades urgentes de quem continua a sofrer as consequências deste acontecimento. Mas acreditamos que pode ajudar, de forma simples e humana, a proporcionar um pouco mais de felicidade, conforto emocional e tempo de qualidade entre amigos e familiares.”
Ricardo Ferreira estende ainda alguns agradecimentos aos principais envolvidos nesta iniciativa: “Queremos deixar um sentido agradecimento a todas as editoras que, desde o primeiro contacto, se associaram a esta causa.”
Para já, editoras de todo o país, como A Jogar é que a Gente se Entende, ATM Gaming, Creative Toys, Devir, Mebo, Pythagoras e Salta da Caixa, demonstraram a sua solidariedade e vêm comprovar que a cooperação pode superar qualquer sentimento de concorrência quando o objetivo primordial é ajudar quem mais precisa.
As associações Artmatriz e Asteriscos agradecem a todos aqueles que mostraram que, mesmo em momentos difíceis, a partilha e a entreajuda continuam a ser um jogo que vale sempre a pena jogar.