Jornal Maio

10 de Junho
O grande Camões não tem culpa

O povo trabalhador, o proletariado moderno do nosso país, tem de exigir, contra os heróis com o sangue dos outros, travar a despesa armamentista e que a “defesa nacional” seja defesa civil, proteção de pessoas e bens, proteção da natureza e do meio ambiente

Mário Tomé

Mário Tomé

Capitão de Abril

São os pilares da pátria! O Presidente Marcelo, o Montenegro, o PS, os gajos da IL e o partido fascista, todos cúmplices do genocídio do povo palestiniano ao confraternizarem com o Estado pária terrorista de Israel como parceiro de negócios e de “cultura”. Guerra é guerra, babam-se eles. Seja na Palestina, seja na Ucrânia.

As nações modernas construíram-se como alfobre da carne para canhão necessária à conquista e ao domínio colonial. A cultura burguesa forneceu o cimento simbólico e mítico para assegurar a unidade do que era antagónico: a burguesia e o proletariado – a pátria.

A pátria que “não se discute” dissuade a objetividade do internacionalismo proletário e lança no açougue e na chacina a juventude das nações, que embriagam de chauvinismo desde o berço, seja ele dourado ou de palha mijada. Depois do nosso breve interregno do PREC, assim continua a ser. O 10 de Junho foi altivamente definido, há uns anos, pelo preclaro Cavaco Silva, como o “Dia da Raça”!

As forças armadas, sustentadas pelo serviço militar obrigatório como dever supremo de cidadania, asseguraram a integração material e social do proletariado às ordens dos interesses rapaces dos burgueses. Anunciavam a igualdade dos cidadãos e mantinham-na com a mais férrea ferramenta da desigualdade: a hierarquia militar.

O Serviço Militar Obrigatório foi recusado expressa e democraticamente pelos Portugueses. A chamada defesa da pátria passou a ser feita por mercenários, embora de baixo perfil. No contexto da NATO, ou seja, do imperialismo predador e terrorista, obedientes e reverentes, as forças armadas têm sido o mais refinado instrumento de submissão ao imperialismo fazedor de todas as guerras modernas.

Sob ameaça, implícita por enquanto, de uma conflagração mundial com um grande potencial destruidor demonstrado em Hiroxima e Nagasáqui, somos obrigados a questionar o como e o porquê e qual o papel que devem assumir todos aqueles que estão designados para irem morrer no combate ou para morrerem onde seria suposto estarem no seu combate de classe contra os “mordomos do universo todo” como José Afonso chamou aos vampiros do capital. 

Posto isto, o povo trabalhador, o proletariado moderno do nosso país tem de exigir, contra os heróis com o sangue dos outros, travar a despesa armamentista e que a “defesa nacional” seja defesa civil, proteção de pessoas e bens, proteção da natureza e do meio ambiente.

A única forma de defender as pessoas – e só elas dão algum significado ao termo pátria – em paz ou perante as destruições da guerra, é reduzir a despesa militar a um mínimo pouco mais do que simbólico e considerar os sapadores florestais como os grandes heróis de que precisamos conjuntamente com os corpos de bombeiros e restantes institutos de proteção civil. E em função disso atribuir os meios necessários para a sua intervenção em tempo de paz, mas de grandes alterações climáticas – terramotos, grandes incêndios, inundações e epidemias – ou de guerra, convencional ou nuclear, a que só seremos sujeitos enquanto serventuários sem desculpa do Estado terrorista dos EUA através da NATO.

O tempo não está para rezas, sejam elas religiosas ou laicas, urge libertar as mentes do lixo ideológico e levantar de novo a única barreira às guerras e à podridão irracionalista do capital: a luta de classes com base no internacionalismo de todos os que trabalham e são explorados em todo o mundo.