Manuel Magno Alves foi eleito pelo círculo eleitoral Fora da Europa e é um senhor baixinho e parece que não mexe uma palha. De longe, parece um desses campónios que vieram com bosta nos sapatos para conquistar a cidade, mas trazem sempre com eles um cheiro a vacas leiteiras. Emigrou para o Brasil aos cinco anos e hoje é contra os imigrantes que vivem em Portugal. Pois este advogado, que pensa muito na sua carteira, pediu o reembolso de viagens à Assembleia da República fora de prazo e nas mesmas datas em que alegou doença para se ausentar do Parlamento. Passados alguns dias, vendo que tinha obtido vitória financeira, pediu outra vez, e fora de prazo, reembolso das suas deslocações ao Brasil. Porém, desta vez o presidente da AR Aguiar Branco não foi na fita e recusou.
Esta negativa constitui um problema, pois o viajante compulsivo e deputado do Chega já tinha realizado antes várias viagens à Alemanha e tencionava fazer-se reembolsar. Tinha viajado para o passado e assistira em 1934 ao 4º Congresso do Reich em Nuremberga, intitulado “Congresso do Poder”, e onde, do meio da multidão, batera palmas ao Führer. Em 1936, assistira no dia 1 de Agosto à abertura dos Jogos Olímpicos de Berlim e ficara contente, pois não encontrara nenhum cigano na cidade, já que os 800 que ali viviam tinham sido presos e confinados num campo especial num bairro periférico. Em 1939, em Colónia assistira à espectacular e monumental parada nazi na Praça Adolf Hitler e depois fora comer uma chucrute a uma cervejaria famosa.