DICIONÁRIO DA NOVILÍNGUA
Manosfera
Esta é uma palavra tão recente que ainda não está propriamente dicionarizada, tendo entrado diretamente para a novilíngua. Corresponde a um conceito que também pode ser descrito como machosfera, evitando-se assim o enxerto de uma palavra inglesa (man, homem) noutra portuguesa, esfera. No Ciberdúvidas da Língua Portuguesa refere-se que a palavra é “associada a grupos e comunidades que se formam na vida online, como é o caso da conhecida palavra blogosfera”. Na Wikipedia em português, manosfera ou machosfera é descrita como “uma subcultura masculinista formada exclusivamente por homens [ou rapazes] que, por sua vez, promovem o desenvolvimento pessoal da masculinidade, seja com críticas relacionadas ao feminismo (forte ou moderada), ou na defesa de o homem investir o seu tempo em si próprio sem a necessidade de procurar um relacionamento amoroso ou construir uma família”. O artigo em inglês é mais preciso, afirmando que a “manosfera se intersecta com as comunidades de extrema-direita” e “tem sido associada ao assédio online e implicada na radicalização dos homens em crenças misóginas e na glorificação da violência contra as mulheres. ASP
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Sinergia
Segundo o dicionário da Porto Editora, nome feminino que designa: 1) ação conjunta de coisas, pessoas ou organizações, com vista a obter um resultado superior ao obtido isoladamente por cada uma das partes; 2) (anatomia) associação de diversos sistemas (músculos, órgãos) para a realização de uma tarefa, sendo o resultado superior ao obtido através das ações exercidas individualmente por cada sistema; 3) (farmácia) ação simultânea de dois medicamentos não antagonistas, produzindo efeitos adicionais ou reforçados. Etimologia: Do grego synergía, “cooperação”.
EM NOVILÍNGUA:
É curioso que, significando pela sua etimologia “cooperação”, a palavra sinergia, ou sinergias, apareça sempre associada a perdas para os trabalhadores quando há aquisições ou fusões de empresas. Recentemente, o governo anunciou a sua vontade de “aprofundar sinergias [entre a agência Lusa e] a RTP/RDP para estudar o cenário de utilização comum de infraestruturas das duas empresas” (jornal eco, 12-03-26). Logo “as duas comissões de trabalhadores [RTP e Lusa] alerta[ra]m que a junção das sedes no mesmo espaço pode vir a afetar a identidade dos respetivos órgãos de comunicação social, assim como o produto final do trabalho da televisão pública, da rádio pública e da agência de notícias”. Sempre desconfiados, estes trabalhadores, mesmo quando são jornalistas! ASP
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Redundância
Segundo o dicionário da Porto Editora, nome feminino que designa: 1) qualidade do que é redundante, abundância excessiva; 2) superabundância de palavras, prolixidade; 3) recurso estilístico que consiste em usar intencionalmente palavras e expressões repetitivas e redundantes.
EM NOVILÍNGUA:
Redundância passou a equivaler a despedimento, nomeadamente por alegada extinção do posto de trabalho. Além desse significado novilinguístico, nota-se cada vez mais a utilização de redundâncias no discurso de políticos, empresários, jornalistas, comentadores e, por contágio, na população em geral, na proporção direta do empobrecimento da língua. O discurso encheu-se de expressões como “dizer que”, “aquilo que é”, etc., palavreado oco que ocupa o vazio deixado pela deserção do pensamento. A redução do vocabulário, simplificação gramatical e diminuição da complexidade na expressão oral e escrita têm vindo a ser associadas ao uso excessivo de redes sociais, algoritmos e falta de leitura, o que limita a capacidade de formular pensamentos complexos, entender matizes e a capacidade crítica. ASP
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Trabalhador/robô
Segundo o dicionário da Porto Editora, trabalhador e um nome masculino que designa: 1) pessoa que trabalha; 2) pessoa que, mediante salário, põe a sua força de trabalho à disposição de outrem; empregado. Já robô é nome masculino que significa 1) máquina ou aparelho eletromecânico, passível de ser programado informaticamente para executar de forma autónoma determinada(s) tarefa(s), geralmente repetitivas ou perigosas, em substituição do homem; 2) máquina que imita o aspeto e os movimentos de uma pessoa ou de outro ser animado. Deriva do russo robotnik (Рабо́тник), trabalhador.
EM NOVILÍNGUA:
Graças à extrema criatividade da confederação patronal CIP, que tem conduzido o país a dar saltos mais longos que os de Agate de Sousa e Gerson Baldé, o trabalhador português deveria ser um verdadeiro robotnik, ou robô. Armindo Monteiro, presidente da CIP, comentou ao jornal das 13 horas da Antena 1 de 23-3, que seria mais fácil resolver as questões do pacote laboral sem interferências sindicais nem políticas, já que para os sindicatos o trabalhador era “um ativo sindical” e, caso o pacote laboral tivesse de ser decidido na AR e não na “concertação social”, o trabalhador seria encarado como “um ativo político”. Ou seja, isso de o trabalhador ser uma pessoa e não uma máquina só atrapalha. ASP
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Aliado
Segundo o dicionário da Porto Editora, adjetivo (que formou aliança com); país ou organização que está ligado (por tratado, convenção ou pacto); pessoa que apoia outrem; cúmplice. Como nome masculino, membro de uma aliança; pessoa, nação ou entidade que se liga a outra (por tratado, convenção ou pacto) para defender ou combater algo; pessoa que apoia outra; cúmplice.
EM NOVILÍNGUA:
Em termos da diplomacia “pragmática” do ministro Rangel, o Governo português não reparou num número inusitado de aviões norte-americanos que decidiram frequentar as Lajes antes e durante o ataque norte-americano e israelita ao Irão. Quando confrontado com isso, Rangel invocou as obrigações para com os “nossos aliados”. Esqueceu-se das obrigações do “aliado” de pedir autorização para esse uso da base aérea portuguesa. Já quanto às ações de retaliação do Irão, ainda hoje (13-3) condenou “firmemente o novo lançamento de um míssil iraniano intercetado pela NATO em direção à Turquia” [correção: em direção a uma base dos EUA na Turquia]. Conclusão: na linguagem “pragmática” do MNE, aliado é sinónimo de vassalo (subordinado, súbdito). ASP
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Danos colaterais
Com a agressão israelo-americana ao Irão, regressaram os “danos colaterais”.
Por exemplo, as quase duas centenas de meninas de uma escola do Sul do Irão desfeitas pelas bombas do sionismo e do imperialismo.
“Danos colaterais” é: “É pá, foi sem querer, olha, é a vida! A gente queria alvejar outra coisa. De qualquer maneira, a culpa é deles, quem é que os mandou plantar uma escola mesmo ao lado do nosso alvo?”
Clausewitz disse que a guerra é a continuação da política por outros meios. E, acrescentou Lenine, política é “economia concentrada”.
Em economia (na variedade desconcentrada), chama-se aos danos colaterais “externalidades” (ver em número anterior do Maio). São: “É pá, foi sem querer, olha, é a vida! A gente queria fazer uns bons lucros aqui com os eucaliptos. De qualquer maneira, a culpa é deles, quem é que os mandou ter um sol tão quente no Verão?” AZ
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CEO
Segundo o dicionário Priberam, nome de dois géneros e de dois números que significa
indivíduo que ocupa o cargo mais alto na hierarquia de uma empresa e que tem como responsabilidade executar as diretrizes do conselho de administração. Origem: palavra inglesa, abreviatura de chief executive officer, diretor-executivo.
EM NOVILÍNGUA:
Não é por acaso que um diretor-executivo é designado por uma sigla inglesa. Ou que a Faculdade de Economia e Gestão da Universidade Nova se chama Nova School of Business and Economics. Todas as línguas, incluindo a nossa, incorporam palavras provenientes de outras línguas. E não há mal nenhum nisso, antes pelo contrário. Agora a invasão de palavras, expressões e siglas de uma só língua, o inglês, sobretudo na área do business, tem outro significado: é um comportamento de house negro: escravo, mas não o da plantação; o que vivia na casa do dono, vestia e comia bem – os restos que o dono lhe deixava. ASP
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Externalidades
Segundo o dicionário da Porto Editora, nome feminino que significa: custo ou benefício imposto pela atividade de um agente económico a terceiros, sem que estes recebam qualquer indemnização ou efetuem o devido pagamento.
Inútil procurar a palavra em dicionários de há uns anitos. Não existe nem nos da Porto Editora (salta-se de esternalgia, passando por esternutação para esterqueira), nem no Webster’s. Tão pouco no de Português-Espanhol ou Espanhol-Português (Sopena). Nem sequer no American Heritage!
EM NOVILÍNGUA:
“Externalidades” já nasceu, pois, como novilíngua. Por exemplo, se as empresas e os governos decidem concentrar as suas atividades em Lisboa e no Porto, onde têm à mão (sem pagar nada por isso) maiores concentrações de mão de obra disponível, deixando o interior ao abandono, sem hospitais, às vezes sem correios, com escolas distantes, isso são “externalidades”. Não há uma única cidade com sequer 50 mil habitantes a mais de 100 km da costa? Paciência, são “externalidades”. ASP
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Corporações, corporativo
Segundo o dicionário da Porto Editora, nome feminino que significa: 1) conjunto de pessoas sujeitas à mesma regra ou que dirigem assuntos de interesse público; 2) associação que reúne os membros de uma mesma profissão, organizados sob um regulamento comum; 3. [por extensão] empresa ou conjunto de empresas com grande relevância num ou mais setores da atividade económica. Já corporativo é um adjetivo relativo a 1) próprio de corporação; 2) organizado em corporações; 3) relativo a corporativismo.
EM NOVILÍNGUA:
Corporação e corporativo é usado para designar, em geral, grandes empresas ou grupos de empresas importantes num ou mais ramos de atividade. Não é inocente a preferência por substituir empresas e o adjetivo empresarial por corporações e corporativo. Recorde-se que o Estado Novo foi um regime autoritário baseado no corporativismo, organizando a sociedade e a economia em corporações de trabalhadores e patrões subordinadas ao Estado. O objetivo era suprimir os conflitos de classes, substituindo os sindicatos livres pelos “sindicatos nacionais” e os grémios. ASP
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Liberdade
Consultemos o dicionário Larousse, de França, cuja revolução proclamou a trilogia liberdade, igualdade e fraternidade: nome feminino que significa: 1) O estado de alguém que não está sujeito a um amo. Antónimos: escravidão, servidão; 2) Condição de um povo que se autogoverna em plena soberania. Antónimos: colonização; ocupação; submissão; 3) Direito reconhecido por lei em determinadas áreas, estado de não estar sujeito ao poder político, não estar sujeito a pressões, por exemplo, liberdade de imprensa e de pensamento. Antónimos: sujeição, subordinação.
EM NOVILÍNGUA:
Gente como os líderes das associações patronais, Montenegro, Cotrim de Figueiredo e até Ventura redefine a liberdade centrando-a na escolha individual, na livre concorrência e na autonomia dos mercados. Segundo uma tese de doutoramento da Universidade de São Paulo, o conceito central é a liberdade de empresa, o comércio livre e a propriedade privada, com mínima interferência estatal. O Estado para estes “neoliberais” serve para proteger o mercado (privatizações, desregulamentação), por vezes aumentando o aparelho repressivo, enquanto diminui o Estado social. A liberdade é reduzida à escolha como consumidores. Esta estranha “liberdade” pode mesmo coincidir com agendas autoritárias, sacrificando liberdades democráticas e políticas em prol da “economia”. ASP
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Democracia
Segundo o dicionário da Porto Editora, nome feminino que significa: 1) sistema político em que a autoridade emana do conjunto dos cidadãos, baseando-se nos princípios de igualdade e liberdade; 2) nação democrata; 3) forma de organização em que todos os membros de um grupo participam em grau semelhante no processo de tomada de decisões sobre esse coletivo.
EM NOVILÍNGUA:
Só que, já cantava (e canta) o Sérgio Godinho: “Há muitos países que julgam que têm democracia / Inclusive às vezes o nosso / Mas encha-se de justiça o fosso e erga-se a liberdade ao meio / Que só de intenções ’tá o inferno cheio. / Não há justiça sem liberdade / O vice-versa é também verdade.” No dia 8 não confundamos a democracia e os seus filhos com algum filho da mãe que também jure por ela. ASP
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Reformista
Segundo o dicionário da Porto Editora, adjetivo de 2 géneros 1) relativo a reforma ou a reformismo; 2) que segue os princípios do reformismo. Também nome de 2 géneros (em política): partidário dos melhoramentos sociopolíticos parciais e graduais, em oposição aos radicais, que pretendem mudanças súbitas e profundas.
EM NOVILÍNGUA:
“Este Governo é reformista. O Governo está cá para reformar“, assegura dia sim, dia não, a ministra do Trabalho, Palma Ramalho. No que faz eco do chefe do Governo, Luís Montenegro, também ele um “reformista” encartado. Porém, o “pacote laboral” que ambos querem “implementar” é tudo menos um melhoramento “parcial e gradual”, parecendo muito mais uma “mudança súbita e profunda”. Para pior. Por isso, quando os ouvir falar de reformas, leve a mão à carteira, a ver se ainda lá está. ASP
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Heróis do mar
Desta vez não é preciso consultar nenhum dicionário: “Heróis do mar” são as primeiras palavras de “A Portuguesa”, o hino nacional adotado em 1911, após a vitória dos republicanos sobre a monarquia.
EM NOVILÍNGUA:
“Heróis do mar” é também a alcunha que arranjaram para a seleção de andebol (não é de natação, é mesmo de andebol). Ah, e qual é a seleção nacional feminina batizada de “As navegadoras”? Vela? Errado: futebol! Vá lá que ainda não se lembraram de chamar lusitos aos jovens que se iniciam na vela na classe Optimist; lusito era a embarcação de ensino de vela para as crianças e jovens filiados na Mocidade Portuguesa, e os lusitos eram as crianças de 7 a 10 anos incorporadas nessa organização juvenil fascista, postas a marchar ao som deste hino: “Cabeça erguida sereno olhar/Seguindo em frente a marchar/Somos pequenos, mas amanhã/Juntos iremos triunfar. /E se algum dia preciso for/Ir combater pela nação/Iremos com a fé em Deus/E a Pátria no coração.” Não vos cheira um bocado a mofo salazarento? ASP
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Radical
Segundo o dicionário da Academia das Ciências, nome ou adjetivo: 1. que é relativo à raiz; 2. que se considera essencial, fundamental, básico; 3. que é completo, decisivo, profundo; 4. (em política) que visa uma reorganização completa do Estado e da sociedade; que é partidário do radicalismo; ou 5. que defende posições extremistas.
EM NOVILÍNGUA:
Em tempo de eleições, e não só, apenas o significado que acabou por ser atribuído no nosso país ao termo é usado. “Radical” é atirado à cara dos adversários quase como um insulto, sinónimo de extremista, por oposição a “moderado”. Porém, radical como relativo à raiz (das coisas, dos problemas), ao essencial, fundamental ou básico, não tem como antónimo moderado, mas conformista, imobilista, superficial. ASP
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Extração
Segundo o dicionário da Porto Editora, eis as principais correspondências deste nome feminino: 1. ato ou efeito de extrair, de tirar; 2. Arrancamento; 3. operação cirúrgica para remoção de um órgão ou de um objeto estranho que se tenha alojado no corpo; 4. Sorteio. Em termos militares também se vulgarizou para designar a saída planeada ou forçada de militares de uma área de operações.
EM NOVILÍNGUA:
O rapto do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelos EUA começou por ser designado por este termo neutro, extração. Também foram usados termos como captura, ou, em inglês, seizing. Terá havido indicações de certos meios de comunicação para usar captura, ou seizing, mas nunca rapto ou sequestro. Também assim se molda a “opinião pública”. ASP
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Meritocracia
Segundo o dicionário da Porto Editora, corresponde a: 1) forma de liderança que se baseia no mérito pessoal, em vez de se basear em riqueza ou estatuto social; 2) sistema social que se baseia nessa forma de liderança.
EM NOVILÍNGUA:
Segundo artigo de Sergio C. Fanjul no El País: “Soa bem, e dizem-nos muitas vezes que vivemos numa meritocracia”. “Mas vários especialistas consultados alertam: a meritocracia não existe nas nossas sociedades e não está claro que a sua existência nos traga virtude. Nas últimas décadas o fosso entre vencedores e perdedores aumentou, gerando sociedades mais polarizadas e desiguais em rendimentos e riqueza.” A conceptualização do sucesso também mudou: “Os que chegaram ao topo acreditam que o seu sucesso é obra sua, evidência do seu mérito superior, e que os que ficam para trás merecem o seu destino”, diz o filósofo da Universidade de Harvard Michael Sandel, autor do livro A Tirania do Mérito (Presença, 2022). ASP
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Downsizing
Segundo o dicionário Merriam-Webster, corresponde 1) a reduzir o tamanho, especialmente conceber ou produzir em tamanho mais pequeno; 2) despedir (empregados) com o objetivo de reduzir a dimensão de uma empresa.
EM NOVILÍNGUA:
Corresponde quase sempre à segunda definição do dicionário, ou seja, despedir trabalhadores. Já o objetivo, muitas vezes, e cada vez mais, não é reduzir a dimensão da empresa, mas livrar-se de trabalhadores com determinados direitos e nível salarial para voltar a contratar os mesmos ou outros com salários mais baixos e menos direitos, recorrendo a outra prática também comummente designada em inglês por outsourcing, ou terceirização, cujo objetivo é concentrar lucros na empresa-mãe e subcontratar a outras empresas, frequentemente compostas pelos mesmos trabalhadores, que pagarão salários mais baixos e arcarão com as contribuições para a segurança social. ASP
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Terroristas
Descubra as diferenças neste pequeno extrato de “notícias” da CNN Portugal (18-11-25):
“Um ataque terrorista contra israelitas na Cisjordânia provocou um morto e três feridos. O ataque terá sido orquestrado por terroristas palestinianos que atropelaram e atacaram com recurso a facas vários israelitas na Cisjordânia.”
Logo de seguida:
“Colonos israelitas voltaram a incendiar casas e carros de palestinianos da Cisjordânia. Este novo ataque captado por câmaras de vigilância, levado a cabo por dezenas de homens mascarados, aconteceu ontem em [Beit] Jala, nos arredores de Belém. No mesmo dia, o PM israelita que na semana passada já tinha prometido medidas contra estes atos de violência, anunciou uma reunião de urgência sobre o tema. (…) Disse que estes distúrbios eram da autoria de um pequeno grupo extremista.”
*Pesquisado a partir de um post no FB de João Ramos de Almeida.
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Flexibilidade
Segundo a Infopédia (Porto Editora), é a “qualidade do que é flexível; elasticidade; a facilidade de ser utilizado ou manejado; maleabilidade; facilidade de movimentos; agilidade, destreza; característica do que é dócil; docilidade, brandura. Em sentido figurado: capacidade para se aplicar a estudos de carácter diverso ou realizar diferentes atividades; disponibilidade de espírito; capacidade de se adaptar a diferentes situações; adaptabilidade; e a possibilidade de adaptação de algo aos interesses de alguém.
EM NOVILÍNGUA:
Palavra muito usada no mundo empresarial e também no novo projeto de lei laboral, dos significados mencionados acima as empresas preferem claramente “característica do que é dócil; docilidade, brandura”. E também a capacidade e disponibilidade para realizar diferentes atividades e adaptar-se a algo ou aos interesses de alguém (o patrão ou chefe). Isto é, a empresa decide tudo e o trabalhador “adapta-se” e “verga a mola”. ASP
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Proatividade
Segundo a Infopédia (Porto Editora), é a “capacidade de prever algo ou de fazer com que algo aconteça, tomando a iniciativa”. Vem do inglês proactivity.
EM NOVILÍNGUA:
Segundo a IA, “é a capacidade de agir antecipadamente, tomando iniciativa e assumindo responsabilidade sem que seja necessário um estímulo externo. Em vez de apenas reagir aos acontecimentos, uma pessoa proativa busca ativamente soluções e está comprometida com o seu desenvolvimento e com a superação de obstáculos”. Ou seja, faz mais do que o que te pedem, antecipa os desejos do chefe ou do patrão, mas não esperes que te paguem um tostão a mais por isso. ASP
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Populismo
Segundo a Infopédia (Porto Editora), “política, doutrina ou regime, geralmente de carácter paternalista, assente na ideia de que a liderança política deve ser exercida em estreita ligação com o povo, sem a intermediação de partidos”.
EM NOVILÍNGUA:
Em A Linguagem do Terceiro Reich, o filólogo Victor Klemperer adverte que “não devem ser eliminadas apenas as práticas nazis, mas também a mentalidade nazi, o pensamento nazi e o terreno fértil em que prospera. A linguagem do nazismo deve ser eliminada”. Hoje, vemos um esforço persistente para eliminar as palavras “nazismo” ou “fascismo”, substituindo-as por outras como “populismo”. Esta, além da sua natureza vaga e acientífica, pretende contrabandear a ideia de que esquerda e direita, com os seus valores radicalmente distintos, “se tocam” nos “extremos”. ASP
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Classe média
Segundo a Infopédia, “a classe média começa por ser a burguesia, aquela categoria social que, não se confundindo com a aristocracia do Antigo Regime, nem por sombras quer ser confundida com a populaça, pobre de raiz e rica de vícios”. Nos EUA, middle class descreve o que noutros países se designaria por working class, classe trabalhadora.
EM NOVILÍNGUA:
A OCDE define como classe média as famílias com rendimentos entre 75% e 200% da média. Em Portugal, usando dados de 2022, quem ganhasse o salário mínimo já pertenceria à “classe média”. E quem ganhasse mais de 1836€ seria da “classe alta”. Na novilíngua cria-se uma amálgama onde não se fala em classes sociais definidas pelo seu papel na produção e se dilui a classe trabalhadora num caldo insosso chamado “classe média”. ASP
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Colaborador
Nome masculino
- Pessoa que trabalha com outra em iguais circunstâncias de iniciativa.
- Pessoa que escreve para uma publicação periódica, sem fazer parte da redação.
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EM NOVILÍNGUA:
Substitui a palavra trabalhador, sendo que esta palavra define: pessoa que trabalha; pessoa que, mediante salário, põe a sua força de trabalho à disposição de outrem; empregado; ou aquele que gosta de trabalhar, que o faz com brio e empenho.