Jornal Maio

Ao lado da Venezuela, contra a agressão de Trump

A agressão militar e captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, pelos Estados Unidos é um crime e um ato de guerra e deve ser repudiado e condenado como tal.

Há anos, desde a sua primeira administração, que Donald Trump intervinha na Venezuela para pôr fim ao regime venezuelano encabeçado por Nicolás Maduro. Conspirou, promoveu atos terroristas, patrocinou golpes de Estado com a extrema-direita venezuelana, mas falhou sempre.

Voltou à carga nos últimos meses. Concentrou enormes meios militares ao largo da Venezuela, encerrou o seu espaço aéreo, capturou petroleiros venezuelanos e matou mais de 150 pessoas ao atacar navios civis. Sem quaisquer provas e mentindo descaradamente, acusou Maduro de encabeçar um cartel de tráfico de droga.

A agressão ordenada por Trump não é apenas ilegal à luz do Direito Internacional. Também subverte a própria ordem constitucional dos Estados Unidos ao ter sido ordenada sem autorização do Congresso, o que é mais um passo na transformação do regime político norte-americano numa tirania em que o chefe de Estado tudo pode e manda.

Independentemente da opinião que se tenha sobre o regime de Maduro, todos sabemos que a “oposição” encabeçada pela extrema-direita e financiada pelos EUA promete não a “democracia”, mas miséria e espoliação das riquezas do país impostas pela força das armas norte-americanas. “Vamos mandar no país” (we are going to run the country) e “as nossas empresas petrolíferas vão para lá”, disse Trump sem rodeios no seu discurso de 3 de janeiro de 2026.

Não é a democracia venezuelana que está em causa para os Estados Unidos (nem para a União Europeia). Nunca esteve. O que está verdadeiramente em causa são os recursos naturais (petróleo, gás e minerais raros) venezuelanos e a proximidade do regime de Maduro à Rússia e à China. É a disputa geopolítica mundial e de recursos, o imperialismo, antes do grande choque geopolítico.

O Maio apoia a resistência do povo venezuelano e dos povos latino-americanos à agressão norte-americana e ao intento, hoje afirmado por Trump de recuperar e ultrapassar a “doutrina Monroe”, que trata toda a América Latina como o “quintal das traseiras” dos EUA. Apelamos ao boicote de todas as compras e vendas de armas com os Estados Unidos por parte de Portugal e de toda a União Europeia.