Maio, para pensar e mudar o mundo
Em 16 de outubro de 2025, há pouco mais de meio ano, portanto, era publicado online um novo jornal reunindo sindicatos, trabalhadores das mais diversas profissões, incluindo intelectuais e homens e mulheres da cultura e das letras. Chamou-se Maio e o seu lema era “para pensar e ajudar a transformar o mundo”. Definia-se como um espaço coletivo onde se expõem, debatem e repensam ideias. Onde se dão e recebem informações úteis sobre vida e luta, política, sociedade, economia, trabalho. Onde se relatam e trocam experiências, se tiram e debatem lições. Um lugar onde cidadãos, gente que vive do trabalho, manual e intelectual, se propõe criticar radicalmente a sociedade onde vive.
O Maio arrancava tendo entre os seus apoiantes e colunistas vários sindicatos (enfermeiros, professores, motoristas, sector automóvel, ferroviário), escritores e intelectuais públicos, homens e mulheres das letras, da cultura e da política, como Raquel Varela, António Garcia Pereira, António Carlos Cortez, Mário Tomé, Manuel da Silva Ramos, Miguel Real, Rui Pereira, o designer Pedro Páscoa, o ilustrador João Mascarenhas, e outros. Entretanto, juntaram-se-lhe muitos, mesmo muitos outros. Prometia, e cumpriu, ter um podcast audiovisual apresentado por Raquel Varela, todas as semanas, com convidados para debater os temas da atualidade, com entrevistas, reportagem, artigos de opinião de dirigentes sindicais, documentários, debates públicos. No início de fevereiro, nos nossos números 14 e 15, publicámos dossiês sobre o “comboio de tempestades” que atingiu o país, incluindo uma vídeo-reportagem no concelho da Marinha Grande, uma das zonas mais atingidas, que foi vista por mais 1,4 milhões de pessoas.
O Maio surgiu num tempo sombrio, de guerras e reação, de ataques aos direitos de quem trabalha, de lucros fartos e miséria farta. Mas, se se chamou Maio, foi também, porque nasceu para ajudar a cumprir Abril.
Normalmente, os jornais não se dedicam a falar de si próprios. Este editorial é, portanto, uma exceção. Justifica-se porque em 9 e 10 de maio o Maio organiza o seu primeiro congresso. Serão dois dias de debates sobre a situação do mundo e a sociedade portuguesa e também a forma de melhor nos organizarmos como jornal e associação para nela intervirmos. Deles também daremos notícia.
Estamos todos convocados para pensar e mudar o mundo.